a correspondência

 

“É uma história sobre o amor e a perda, muito atual nos dias de hoje. Vinte anos atrás, seria considerado ficção científica e algo irrealista. Mas hoje não. É sobre o amor que não conhece barreiras de qualquer natureza, sobre a força deste sentimento tão grande e misterioso”, escreveu Tornatore.

A correspondência é o último filme do realizador Giuseppe Tornatore, estreado recentemente nos cinemas. Conta com a participação de Jeremy Irons e Olga Kurylenko.

Porque gostei imenso desta bonita história contada com sensibilidade e  magia, deixo aqui a referência.

 

cosmética

 

Viver com uma pele alérgica e muito reactiva não é fácil. Depois de muitos anos a experimentar produtos indicados por médicos ou por profissionais da área da cosmética mas sem resultados evidentes, cansei-me e resolvi mudar de rumo, entrando no mundo dos produtos com certificação biológica, opção que se tem revelado muito positiva e bem aceite pela minha pele. Esse facto levou-me nos últimos meses a um aprofundamento do assunto, sendo certo que sou apenas uma iniciada a dar os primeiros passos no mundo da cosmética biológica e natural.

Desse encontro, gostava de partilhar aqui alguns aspectos, pois estou certa que serão desconhecidos para muitos.

Inicialmente, o que me interessou foi tentar perceber o que difere nas composições de um produto dito normal e num produto biológico, acção apenas possível através da análise dos rótulos que todos possuem.

Após muitas pesquisas na internet e consulta de livros, comecei a compreender o que está inscrito na chamada lista INCI (International Nomenclature of Cosmetic Ingredients), de utilização obrigatória em todos os cosméticos que circulam na União Europeia. Essa lista, indica os ingredientes por ordem decrescente de quantidade, ou seja, o primeiro indicado (muitas vezes a água) é o que existe em maior percentagem e o ultimo em menor. Normalmente os cinco ou seis primeiros ingredientes dessa lista representam cerca de 70% da fórmula, sendo que constituintes em quantidade inferior a 1% não são de afixação obrigatória.

A grande diferença está na origem dos produtos utilizados. Num cosmético normal a maioria dos componentes são de origem sintética, derivados do petróleo, ou óleos naturais transformados em laboratório, ou seja, produtos nocivos para a pele e também para o ambiente. Isto não se passa com os produtos biológico cujos componentes são naturais, de origem vegetal e cultivados sem aditivos químicos. Estes passam também por processos de transformação como prensagens a frio ou destilação, mas que mantêm as suas propriedades.

Na internet, como já referi, existe muita informação sobre este assunto. Basta procurar. De qualquer forma, para que este alerta fique mais completo, vou apenas nomear algumas dessas substâncias nocivas que encontrarão em muitos dos rótulos que certamente terão em casa e que aplicam diariamente na vossa pele ou cabelo:

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  • No campo dos surfactantes, um dos mais conhecidos é o famoso Sodium Lauryl (ou Laureth) Sulphate (SLS), que entra nos shampoos, mas também em todos os detergentes que temos em casa e que usamos na loiça, na roupa ou no chão;
  • Considerados perturbadores endócrinos são todas as substâncias terminadas em -paraben e -phtalate, mas também o phenoxiethanol, os filtros solares benzephenone ou o oxybenzone;
  • Todos os ingredientes que aparecem com letras maiúsculas (PEG, PPG, EDTA, DEA, TEA, MEA, etc);
  • Os produtos derivados dos óleos minerais petroquímicos, caso do Petrolatum, cera microcristalina e Paraffinum liquidum;
  • Os silicones, que nada trazem à pele e fazem tanto mal ao ambiente, como são todos os produtos terminados em -one, -cone  ou -oxane;
  • BHT, BHA ,Triclosan, entre outros, são substâncias irritantes para peles sensíveis. O último indicado aparece em muitas pastas dentífricas;
  • Um perfume ou fragrância numa lista INCI que não for seguido de um asterisco, significa que é um produto sintético.

Refiro novamente que todos estes produtos, para além de pouco saudáveis fazem mal ao ambiente, na medida em que são milhões e milhões de pessoas a usá-los diariamente. Ou seja, são despejados na natureza produtos que não são naturais, mas sim de origem química e poluentes.

Numa perspectiva essencialmente ambiental, gostaria ainda de mencionar um outro produto, o óleo de palma ou de dendê. Não é nocivo, mas a sua plantação está a destruir a um ritmo impressionante florestas antigas e a pôr em risco a vida selvagem aí existente. É plantada no Brasil, mas principalmente na Indonésia e na Malásia. Está presente na maioria dos sabonetes, mas também em muitos cremes. Ao tentar evitá-lo, estamos todos a ajudar este planeta.

Para terminar este post, gostaria ainda de chamar a atenção para as “ratoeiras” que actualmente existem no mercado dos produtos chamados naturais. Uma embalagem mais apelativa (com predominância de tons verdes, imagens de plantas, frutos e afins) ou a palavra bio, pouco significam. Muitas vezes é marketing. É fundamental olhar para a lista INCI, especialmente para os seis primeiros ingredientes (mas aconselho a lê-la na totalidade…), ou verificar se tem uma etiqueta de certificação BIO: Cosmebio, Ecocert, Agriculture bio em EU, Nature et Progrés e Mention Slow Cosmétique entre outras.

Voltarei a este assunto brevemente porque, sendo a pele um orgão tão importante no nosso corpo, merece toda a nossa atenção.

novo tempo

 

Já lá vai o tempo… em que o tempo meteorológico era previsível e as estações acompanhavam o folhear do calendário. Poderiam surgir pequenos desajustes, mas o Verão começava na altura certa, tal como as restantes estações. Sabíamos mais facilmente o que vestir, qual a altura ideal de trocar a roupa no roupeiro ou o momento certo para marcar férias consoante o tempo que se pretendesse.

Porém, mudaram-se os tempos…. e mudou a vontade do tempo! Cansada de tanta afronta ao planeta terra, a atmosfera mudou de táctica. Hoje, ela não segue regras, faz o que quer, tornou-se bipolar. Talvez assim chame a atenção…

Em consequência, tudo se tornou mais complicado: para além de reacções extremadas, em poucos dias podemos ter as quatro estações, a temperatura pode alterar mais de dez graus de um dia para o outro, recorremos a vários locais de previsão meteorológica à espera de encontrar o mais certeiro e…. especialmente para as mulheres, o espaço do roupeiro não chega para manter à mão a roupa adequada a estes golpes e humores atmosféricos.

Mas tudo tem o seu lado positivo e esta mudança de paradigma meteorológico também: hoje, no geral, damos muito mais valor aos dias bonitos, equilibrados e de céu azul, porque eles escasseiam e já não são um dado adquirido que vem indicado no calendário. Eles andam por aí ao sabor das desarmonias que nós cultivamos ao longo de décadas e de mau uso deste planeta. De vez em quando descem sobre nós, ora aqui, ora além, como um presente, para lhes darmos o devido valor. E pensarmos na sua efemeridade. Depois vão embora, até uma próxima visita.

Então… é altura de irmos ao roupeiro buscar mais um casaco ou uma camisola….. pois voltaram os dias cinzentos e voltou novamente o fresco….

….mas como se adaptam os restantes seres vivos deste planeta a estas evidentes alterações?

 

 

a palavra dos outros

 

Pretendendo que este blog seja diversificado, dar a palavra a outros integra-se no seu espírito. Nessa perspectiva, este post é apenas um meio de divulgar um artigo que me foi enviado por uma amiga e que achei muito interessante.

Intitula-se “Que seria do mundo sem os portugueses” foi escrito pela jornalista Laurinda Alves e publicado recentemente no jornal online  Observador.

A sua leitura faz bem ao “ego colectivo” do nosso país!

 

 

brasil

 

O que se passa com o Brasil?

O que é que está a acontecer no país da alegria, da boa disposição natural e de uma certa tranquilidade? Até há pouco tempo, o que de pior acontecia no Brasil era associado ao tráfico de droga, aos gangs das favelas, etc., ou seja, à classe com menos poder e provavelmente menos educação. Apesar disso, parecia relativamente saudável e a crescer, o que justificou o retorno de milhares de emigrantes ao país a fim de aí reconstruírem as suas vidas.

Porém, em relativo pouco tempo, tudo parece ter mudado. Hoje o Brasil parece um país doente. Neste momento, quando penso nele, associo a um daqueles jardins que estava relativamente bonito, mas que em pouco tempo deixou de o ser porque as ervas ruins cresceram sem controlo. Com o desabrochar dessa nova espécie, foram-se os princípios, foi-se o bom senso e entrou-se no ”vale tudo” para se chegar onde se quer. É como se tivesse ocorrido uma estranha epidemia naqueles que deviam ter mais juízo como representantes de um país, ou seja, os políticos, os partidos políticos, os detentores do poder, a justiça, etc. supostamente as pessoas com melhor nível de educação e das quais se esperaria uma postura correcta.

Honestamente, o que incomoda, não é saber em que lado ou partido está a razão, se à direita ou esquerda, e ainda menos se a presidente deveria ou não ter sido destituída. O que me incomoda mesmo no actual Brasil, é ter a sensação que o país está à nora e perdeu a razão. Tornou-se estranho, desunido, extremado e quase absurdo, na medida em que as instituições se desdizem/anulam, e os partidos querem à força manter ou ganhar o poder. É certo que isso acontece um pouco em todos os países, mas não desta forma tão rude e sem princípios.

Deste lado do Atlântico, sou certamente uma ignorante da verdadeira realidade do país. O que escrevi é apenas um sentir resultante das informações diárias e eventualmente limitadas e/ou tendenciosas dos meios de comunicação. Mas, o que gostaria mesmo, era que o Brasil rapidamente se reencontrasse e saísse deste filme, porque este filme triste não faz parte do seu ADN. Estou certa que o povo brasileiro é bem melhor do que aquilo que estamos a ver diariamente através dos seus representantes. O mundo precisa de um Brasil decente, com bom senso e com boa energia.

Além disso, sendo palco em breve de uma Olimpíada, seria bom que se equilibrasse e conseguisse integrar e transmitir o espírito de paz, de respeito pelas diferenças e de união que caracterizam esse evento.

desenho/sketch

 

Na infância, professores e pais “presentearam-nos”com uma ideia que nos programou para a vida: tu tens jeito para o desenho ou tu não tens jeito para o desenho. Na prática, fomos “etiquetados” e, inconscientemente, integramos esse carimbo como um dado adquirido. Porém, e erradamente, ele parte da premissa que existe uma fronteira entre o ter e o não ter jeito, sem considerar que o acto de desenhar é uma progressão, um caminho a percorrer e um percurso semelhante ao da nossa vida, com avanços, recuos, dificuldades e vitórias.

Desenhar é orientar a nossa energia para um determinado objectivo. É aprender a ler com as mãos e com o olhar. Este processo assemelha-se muito ao de aprender a ler e a escrever, mas em vez de letras, constroem-se formas.

Uns têm o olhar mais educado, pelo que chegam lá mais depressa, já que a mão, mais tarde ou mais cedo vai fazer o que o olhar lhe diz; outros têm que educar o olhar, mas também a mão. É uma questão de tempo, de treino e, principalmente, de não desistir. Aceitando estes princípios, basta tentar e todos poderão lá chegar.

Neste momento, alguém vai estar a pensar: “tretas, eu sei que não tenho jeito para o desenho!” E eu acrescento: não, o que acontece é que nunca te deste ao trabalho de perceber o que tens dentro de ti! Encaixaste o que te disseram e nunca quiseste provar a ti próprio o contrário. Nunca te interessou perceber o processo, mesmo que possas ser uma daquelas pessoas que dizem a si próprios “gostava tanto de saber desenhar!”

Foi seguindo esta linha de pensamento, na qual acredito totalmente, que construí este post. Para tal vou recorrer ao que sinto e tenho aprendido com os anos, mas também ao que um autor com experiência neste campo, Danny Gregory, transmite no seu interessante livro The creative license – giving yourself permission to be the artist you truly are, que tem a capacidade de nos entusiasmar e que nos dá ferramentas para partir à descoberta das nossas capacidades criativas.

Seguem-se algumas ideias fundamentais para quem quiser descobrir-se neste campo:

– não há desenhos maus;

– desenhos são experiências;

– quanto mais desenhas, mais experiência terás;

– aprenderás mais com as experiências más e imprevisíveis, do que com as outras que saíram bem e tal como planeaste;

– liberta o teu ego da ideia de perfeição (talvez o mais difícil!)

– arrisca-te;

– desenha tanto quanto puderes e sempre que puderes;

– utiliza todos os papeis ou outros suportes que tiveres à mão. Se utilizares um caderno, não arranques as folhas, pois o que lá fizeste, mesmo que aches muito mau, pode ser-te útil;

– usa uma caneta e não um lápis, para não apagares nenhuma das tuas linhas. São essas que te vão ensinar a fazer melhor e a aprender;

– se te apetecer, põe algum detalhe nos teus desenhos, mas não o completes. O resto é com a imaginação;

– desenha também coisas difíceis, daquelas que pensas logo que não vais conseguir. Um dia serás capaz de as fazer;

– utiliza a caneta e os dedos para facilitar as proporções e os ângulos;

– não falhes à medida que continuas. Desenha qualquer coisa todos os dias, não interessa se o desenho é pequeno ou grande;

– bastam poucos minutos para fazeres qualquer coisa! Funciona como a ida diária ao ginásio, só que aqui exercitas outras estruturas;

– na tua casa tens centenas de objectos que podes desenhar e para os quais nunca olhaste devidamente;

– se quiseres, guarda os teus desenhos, para depois comparares e veres como a evolução é evidente; mostra-os aos outros e aceita qualquer critica com um sorriso!

– com o tempo começarás a desenhar com o olhar; e mesmo sem caneta, vais estar atento às formas;

E para terminar:

Não “olhes” para o futuro, nem cries expectativas. Vai simplesmente em frente!

 

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