emoções II

 

O nosso curioso país foi uma revelação nos últimos dias. Ouvi recentemente que o grau de felicidade do nosso povo aumentou com a vitória alcançada no Euro 2016, ou seja, numa final de futebol.

Se um início de exibição sem brilho baixou as expectactivas gerais, a força anímica dos emigrantes que sempre acompanharam a equipa foi aumentando sem reservas, num processo que foi envolvendo todos e, que culminou na final, com o golo de um jovem em que ninguém acreditava. Ou seja, ele acreditou que era capaz de o fazer e arriscou, um seleccionador cheio de fé acreditou em si e nas capacidades de todos os seus jogadores, estes acreditaram neles próprios e na enorme fé demonstrada pelos emigrantes, e o resto de Portugal começou a acreditar em todos esses intervenientes. No fundo, apesar de um fraco início, todos sonharam, acreditaram e conseguiram.

David acertou e os Golias renderam-se. Somos pequenos mas enormes quando queremos!

Quando o povo português se une por uma causa, os resultados aparecem. Temos uma força latente e uma energia que é capaz de abanar o mundo. Começamos no século XV e metade do mundo foi nosso. Conquistamos, lutamos, sofremos e também fizemos muitas asneiras. Resistimos noutras situações. Séculos depois, unimo-mos por exemplo, pela causa de Timor Leste Independente e os resultados apareceram. De tal forma fomos importantes para aquele longínquo povo, que hoje é emocionante ver a forma como ele se une e vibra com as nossas alegrias. No caso desta vitória, quase parecia que tinham sido eles a ganhar o europeu de futebol!

Eu também me emocionei no dia 11 de julho de 2016 com todos as vitórias conseguidas pelos nossos atletas, tanto no atletismo como no futebol e, uma semana depois, com a conquista do europeu de hóquei em patins, desporto que aprecio bastante, quer pela técnica, quer pela elegância. Não sei se o meu índice de felicidade aumentou após estes eventos, mas sem dúvida que aumentou em mim a esperança de ver a capacidade de mobilização, o empenhamento, a alegria e toda a anergia em latência que o povo português demonstrou nos últimos dias, também direcionada para outras causas que possam ajudar este país. Não só animicamente, mas também objectivamente. Gostaria, mas não sei de que forma, assumo, que esta onda de patriotismo e positividade se reflectisse na luta pela melhoria das condições de vida e bem-estar de todos ou na capacidade de nos ajudarmos uns aos outros,

Estou certa que, a acontecer, essa seria realmente a forma mais consistente, verdadeira, profunda e permanente de aumentar o índice de felicidade do povo português. Ele merecia fazer isso para si próprio. Nós todos merecíamos fazer isso por nós próprios!

 

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