triciclo

 

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A maioria de nós teve um triciclo quando era criança. Pessoalmente, recordo bem o quanto gostava desse brinquedo e as corridas que nele fazia ao longo de um corredor exterior que existia na casa onde vivia, numa distância que, naquela época, me parecia enorme e exigia muitas pedaladas.

Mas outros não tiveram esse privilégio. Além disso, bem cedo deixaram de ser crianças e começaram a trabalhar para ajudar a família, como foi o caso de Jorge Rodrigues. Mas essas circunstâncias não mataram o sonho de um dia ter um triciclo, o que veio a acontecer quando tinha 22 anos…certamente já longe da ideia de nele poder andar!

E depois comprou outro… e mais outro… e muitos mais, tendo hoje uma colecção com mais de seiscentos triciclos, datando o mais antigo do séc. XVIII. Agora decidiu juntar todos os seus “sonhos” e, trabalhando muito para o conseguir, vai abrir o Museu do Triciclo em Mesão Frio, no distrito de Vila Real.

Se acho uma delícia a ideia de existir um museu baseado no triciclo, talvez um dos brinquedos mais apreciados pelas crianças, acho ainda mais interessante a vida do seu criador e a forma como ele lutou para o conseguir.

A sua abertura está prevista para o próximo mês de Setembro. Espero um dia visitá-lo, não só pelo espaço que o triciclo ocupa na minha memória, mas também pelo que este museu significa de trabalho, esforço, empenhamento… e de sonho!

Deixo-vos uma interessante reportagem transmitida no último domingo, dia 28, pela SIC Notícias, sobre este futuro museu e sobre o seu proprietário.

 

Imagem retirada de  http://jogos.colorir.com/triciclo-infante.html

 

 

regresso

 

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Terminadas as férias – para quem teve o privilégio de poder estar ausente ou de viajar – é tempo de chegar a casa. E com essa chegada…

…é tempo de um olhar diferente e mais atento sobre tudo aquilo que, por ser tão nosso, é por vezes indiferente;

…é tempo do reencontro com o cheiro próprio da nossa casa, com o seu espaço, funcionalidade e com tudo no sítio certo;

…é tempo de rever os pequenos objectos, o nosso canto ou aquele lugar da casa que mais gostamos;

…é tempo de reencontrar as plantas que connosco partilham a casa e atentamente perceber e satisfazer as suas necessidades;

…e é tempo de saborear o nosso colchão, a nossa almofada e aquele dormir tão bom que apenas eles nos concedem!

Viajar enriquece em vários sentidos: pelo que nos dá de novo e pelo que nos faz reencontrar quando chegamos. É o prazer de viajar… e o prazer de chegar!

 

 

a pele do planeta

 

A crosta terrestre é a pele do nosso planeta. Tem texturas diferenciadas, sendo mais macia ou fina em determinadas zonas e rugosa ou espessa noutras. Como “ser vivo” que é, reflecte em larga escala o que se passa num organismo, apresentando aqui e ali alguma vulnerabilidade e mais sensibilidade e, noutras áreas, maior resistência e dureza. É activa, dinâmica e está em constante adaptação. Possui ainda, tal como nós, um sistema circulatório que a alimenta, zonas mais quentes, outras mais frias, etc.

Essa pele é vasta, imensa, mas o nosso olhar percepciona-a apenas numa ínfima dimensão. Apesar de sabermos que ela contem algumas maravilhas geológicas – que observamos em grutas ou museus temáticos – raramente perdemos tempo a olhar para as texturas que a constituem. Frequentemente passamos ao seu lado e nada vemos porque, na prática, não estamos disponíveis para esse olhar.

O Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina é apenas um ponto na superfície do planeta. Mas esse ponto, essa faixa junto ao mar é extremamente rica em pormenores, texturas e olhares, revelando uma poesia muito própria. Encontramo-la nos vastos areais, na dinâmica do mar e das ondas, no céu azul ou cheio de neblinas, mas especialmente na diversidade das rochas e pedras que o cobrem. É neste último ponto que incide este post: nas texturas da “pele” daquela região.

Deixo-vos aqui uma pequena amostra da riqueza geológica que ela nos oferece.

 

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amanhã…

 

O Amanhã…é o futuro.!

Mas Amanhã  (Demain) é também o nome de um filme/documentário que aconselho vivamente, estando esta semana apenas em exibição no Teatro Circo em Braga e no Cinema Monumental em Lisboa.

Seria bom que fosse mais divulgado e longa a sua permanência nos écrans, para além de visualizado e discutido em todas as escolas secundárias e universitárias do país. Seria também muito interessante que fosse visto pelos nossos governantes…

Os seus dois realizadores, Cyril Dion, actor e activista que luta por uma sociedade mais equilibrada e ecológica, e a actriz Mélanie Laurent, percorreram o mundo a fim de encontrar soluções para os maiores problemas de sustentabilidade que enfrentamos, mas sempre numa perspectiva optimista e através de exemplos práticos, entretanto implementados com bons resultados. Aliás, um dos pontos fortes deste documentário, é mostrar como a iniciativa das comunidades locais é importante e pode mudar a vida dos seus intervenientes e das suas regiões.

Ao abarcar várias áreas de actuação, para além de apresentar soluções possíveis, esclarece ainda de uma forma bastante clara e simples a engrenagem dos interesses públicos e privados que nos regem. E como algumas sociedades enfrentam e tentam contornar esses interesses.

Este documentário é uma lição de cidadania, de democracia… e de esperança!

 

 

passeios da cidade

 

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Pelos passeios de uma cidade deslizam vidas, cruzam-se olhares, vagueiam pensamentos.

São lugares de energias vividas, de sentires vários  que rolam ao ritmo de cada passada e, seguramente, lugares de muita indiferença como são imensas as vidas anónimas que os percorrem.

Por esses passeios se cruzam olhares efémeros, normalmente sem memória. Pontualmente, sem razão discernível, alguns são mais doces, agarrados a um sorriso e tocam a alma, sendo por isso mais duradouros. Outros são tão estranhos, que ficam gravados para a vida, envoltos numa aura de magia, como se tivessem um qualquer significado. Mas são apenas isso.
Os passeios são, por tudo isto, uma espécie de rios de emoções individuais ou partilhadas, que circulam pela cidade.

Quando se percorre amiúde o mesmo passeio, cruzamo-nos com pessoas que o fazem também de forma recorrente. Porque se trabalha na mesma área da cidade e os horários são semelhantes, os encontros acontecem naturalmente. Com algumas, o sorriso e um cumprimento aparecem com o passar dos anos, mas com outras, o olhar que se cruza é apenas isso, mais nada. Nunca houve um próximo episódio. Mas continuamos nesse ritual, assistindo mutuamente aos efeitos da passagem do tempo, o aparecimento das rugas ou dos cabelos brancos, o engordar ou o emagrecer, etc. Por vezes, o outro parece bem e saudável, mas noutros momentos triste, talvez doente. Mas nada sabemos.

Não havendo comunicação, entra em campo a imaginação e construímos um filme, sendo o guião baseado na postura, na passada, no olhar, ou se andam sós ou acompanhadas. Há pessoas em que é fácil imaginar-lhes a vida. Ou as vidas! É fácil imaginá-las com família, com filhos, sorridentes, a fazer desporto ou divertindo-se. Mas há outras que nunca nos transmitem dados para esse filme. É como se houvesse um muro, um filtro, uma aparente solidão na vida. E sempre que nos cruzamos com essa pessoa, sentimo-la como uma desconhecida. Para ela não temos uma história virtual na nossa imaginação.

Porém, de um momento para o outro tudo pode mudar. Foi o que aconteceu comigo há alguns dias.
Depois de muitos anos a me cruzar com aquele homem, que sempre vi sozinho, naquele dia ele estava com uma criança ao lado. No momento em que nos cruzamos, a criança perguntou algo, começando a frase por “Pai…”
Foi uma revelação e adorei aquele momento! Afinal ele tinha vida, emoções, era pai, provavelmente marido, e talvez ainda filho. Ia satisfeito e ouvi-lhe a voz, que saiu com algumas palavras que rapidamente desapareceram na brisa quente do dia ou, quem sabe, pousando na calçada portuguesa daquele passeio que tão bem conhecemos.

Fiquei feliz naquele dia! Por ele, por saber que afinal tem uma vida e afectos, e por mim… porque finalmente tenho alguns dados para construir o tal filme!

 

 

por lisboa

 

O turismo invadiu a cidade de Lisboa sem pedir licença, tal como invadiu outros locais do país. O processo foi demasiado rápido para um povo que não estava habituado a turismo de massas, sendo por vezes sentido com um certo desconforto. Em Lisboa, por exemplo, no centro da cidade e zonas históricas, os lisboetas quase passaram para segundo plano, o que se sente quando se passeia nas ruas, em que pouco se ouve falar português. A sensação real é que estamos noutro país.

Para quem gosta de confusão e de gente, Lisboa está no bom caminho: tem pessoas diferentes e de muitas nacionalidades, autocarros de turismo e tuc-tucs para todos os gostos, filas para ver os monumentos ou para ir comer um pastel de Belém, e muitas outras coisas para dar resposta às necessidades dos visitantes. Tudo isto resulta da existência de roteiros minuciosos e, principalmente, da globalização da informação através da internet.

Essa mudança que todos sentimos é discutível. Se por um lado está a ajudar na economia da cidade e na recuperação de edifícios degradados para o ramo hoteleiro (aparentemente já em excesso, especialmente na Baixa), por outro, está a faltar algum cuidado na preservação de certas zonas históricas. Felizmente que para as lojas mais antigas, espaços genuínos e que fazem parte das “impressões digitais” da cidade, foi recentemente aprovado um programa de apoio e salvaguarda, em consequência de uma recomendação que a Assembleia da Républica fez ao Governo.

Sendo este um assunto complexo e controverso, deverá ser discutido com equilíbrio por especialistas. Apenas o referi aqui para melhor situar o contexto deste post, cujo objectivo é unicamente dar umas dicas de lugares calmos para quem  gosta de Lisboa mas não se dá muito bem neste “filme”. São especialmente zonas verdes, bem agradáveis e mais ou menos desconhecidas, mas todas elas proporcionam um excelente e calmo passeio.

 

Parque do Vale do Silêncio

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Mata da Madre de Deus

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Parque Oeste

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Parque Bensaúde  (actualmente tem uma área em obras)

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Parque José Gomes Ferreira – Mata de Alvalade

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Parque da Quinta das Conchas e dos Lilases

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reportagem

 

A SIC Notícias transmitiu na última quarta-feira, 17 de Agosto, uma Reportagem Especial orientada pelo jornalista Henrique Cymerman intitulada As escravas do século XXI.

O assunto dessa reportagem está assim descrito no site da estação:

Em dois anos o Daesh já cometeu milhares de crimes de guerra, desde a declaracão do seu Califado na Síria e no Iraque. O povo Ya-zidi é das principais vítimas. Milhares de pessoas assasinadas, normalmente decapitadas, e quase sete mil mulheres e crianças foram transformadas em escravas e vendidas nos mercados. Henrique Cymerman esteve no norte do Iraque com escravas sexuais libertadas recentemente, que apresentam um testemunho do terror.

É uma reportagem dolorosa e que impressiona, sendo incompreensível que o mundo permita situações destas em pleno século XXI.

Porém, no meio de tanta maldade, existem pessoas que arriscam a vida para minimizar a dor dos outros. É o caso da activista israelita Lisa Miara, fundadora da Springs of Hope, organização que se dedica a ajudar aquele povo tão martirizado e especialmente as suas mulheres e crianças.

Deixo aqui o link que dá acesso a esses 23 minutos de reportagem.

 

dorayaki

 

Capturar

 

É em volta dos dorayaki, um doce típico japonês que se assemelha a duas panquecas recheadas com um creme confeccionado com feijão asuki, que se desenvolve o filme Uma pastelaria em Tóquio (An, de título original), da realizadora japonesa Naomi Kawase.

Os protagonistas são três pessoas de gerações diferentes que, de uma forma sublime, melancólica e cheia de ternura vão interagir e mutuamente ajudar-se. É um filme em que o tacto, o olhar, o cheiro, o gosto e as sensações que estes sentidos despertam no ser humano estão presentes, assim como a audição, aqui alimentada por uma relaxante banda sonora.

Como actores secundários encontramos a natureza no geral, mas em particular as cerejeiras em flor do Japão.  Acompanhamos o seu ritmo e beleza, mas igualmente a forma como toda a natureza pode contribuir para o despertar de sensibilidades tão diferentes.

É um bonito filme!

 

 

    Imagem do Dorayaki  retirada  de  http://nice-japan.com/foods/385/