sinais

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Recentemente, de caminho para um supermercado, tentava lembrar-me de algo que sabia ter em falta, que era importante, mas que esquecera de registar na lista das compras na devida altura. Pensei, pensei… mas a memória nada me dizia!

Estacionado o carro, olho em frente e…fiquei atónita! Estava ali, perante os meus olhos e no exterior de um automóvel de uma conhecida agência imobiliária, a resposta que a memória não me deu: a palavra “coentro”, sendo neste caso o apelido do vendedor que utilizava essa viatura.

Foi com uma estranha sensação que entrei no espaço comercial e iniciei as compras. Ao chegar aos legumes, outra surpresa: ao lado de uma caixa replecta de embalagens de salsa, estava uma única embalagem de coentros…a olhar para mim! E eu fiquei a olhar para ela, obviamente satisfeita… mas algo perturbada com mais esta situação. De imediato pensei que estaria danificada, suposição que estava errada. Peguei nestes coentros com todo o carinho… e coloquei-os no cesto.

Fase seguinte: pensar sobre o sucedido…

Seria uma coincidência? Um acaso? Um alerta? Não sei!
Apesar de não ser a primeira vez que me acontece este tipo de situação (que certamente se passa com todos), tentei racionalmente perceber… mas a verdade, é que a mente não foi capaz de o fazer. Apenas me disse…

…que não era importante arranjar uma resposta objectiva e plausível, porque não a iria encontrar;
…que nem tudo é justificável;
…que poderia arranjar uma explicação mais esotérica…baseada na eventualidade de sermos energéticamente “orientados” neste nosso caminho… uma sensação muito pessoal que tenho, mas que sendo uma matéria complexa e que não domino, também não quero ir por aí…
…e disse-me algo mais, talvez o principal: que este episódio marcante serviu para “reavivar” a noção de como é  importante estarmos o mais possível atentos, quer ao que se passa em nossa volta, aos sinais exteriores, quer ao nosso interior, tentando perceber as emoções sentidas e as intuídas.

Tal como o “coentro” escrito naquele automóvel foi a resposta que eu precisava naquele momento, muitas outras respostas ou indicações estarão “perto ou dentro de nós”, mas acabam por não ter reprecurssão na nossa vida porque não estamos suficientemente atentos nem receptivos para as  entender.

Acredito profundamente que uma grande parte do nosso equillibrio estará nesses detalhes, sejam eles vistos, sentidos, percebidos ou intuidos, e na nossa receptividade a essa “troca de mensagens”. Eles são igualmente aquela voz interior que nos diz “vai… segue em frente… persiste nesse o caminho…estás certa…é isso mesmo…” ou, por outro lado, a que nos diz “cuidado…pensa bem…isto não é bom para ti…muda de rumo…” . No fundo e em conjunto, todas estas mensagens, sinais e intuições são a “voz sem palavras”, a energia ou a força que, silenciosamente, nos vai mostrando o caminho.

Sim…é verdade, nem sempre a “leitura” que fazemos está correcta, mas… como seres imperfeitos, como é que poderíamos intuir e compreender sempre esses “sinais”?

Tudo isto… veio a propósito de um estranho ramo de coentros!

 

 

 

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4 thoughts on “sinais

  1. O teu post suscitou-me reflexão noutras direcções que deixo à tua consideração.

    Brechas e paradoxos fazem parte do próprio Universo.

    Das certezas da mecânica clássica às probabilidades da mecânica quântica, da continuidade assumida dos dias e das distâncias, às singularidades dos “buracos negros” e à distorção do tempo-espaço … é tudo uma questão de escala, perspectiva e percepção.

    Certamente que no microcosmos da nossa vida do dia-a-dia, também essas brechas e esses paradoxos acontecem.

    Isso traz-me à memória os poemas japoneses Haiku, cheios de enigmas e contradições na expectativa de um encontro inesperado do leitor com uma realidade não contida no próprio poema. A racionalização desse poema pouco ou nada ajuda nesse encontro que, por ser sem finalidade e inesperado, talvez seja dos mais significativos.

    Alguém dizia que “o pensamento é um bom servidor mas um mau mestre”. Estou certo que Alberto Caeiro concordaria quando escreveu (do poema XXIV do “Guardador de Rebanhos”):

    O essencial é saber ver.
    Saber ver sem estar a pensar,
    Saber ver quando se vê.
    E nem pensar quando se vê,
    Nem ver quando se pensa.

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    1. Agradeço muito o teu comentário…que é sem dúvida o mais complexo comentário deste blog!!!

      Quando o li …vi de imediato a tua vertente/formação científica do passado a par da tua vertente bucólica de sempre. A abordagem que fazes é uma possibilidade…tudo está interligado, os universos influenciam-se mutuamente…somos influenciados…mas não tenho bases nem argumentos para considerações….

      O que eu sinto, é que os pensamentos complexos ou a racionalidade não me ajudam a ser melhor pessoa, nem a sentir mais, nem a estar mais atenta ao que me rodeia.

      Diria que prefiro uma abordagem do tipo “sem finalidade e inesperada” dos Haikus…ou o ver e o pensar leve de Alberto Caeiro…e assim, tentar estar atenta às situações que nos acontecem e que nos fazem sentir parte de qualquer coisa…diferente!
      Como esta que descrevi, do dia-a-dia, banal…mas muito marcante!

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