rádio

 

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Em tempo de internet com e sem fios, de plataformas digitais com tecnologias de última geração, de transmissões por cabo, satélite e de tantas outras inovações… vou dedicar este post à rádio, no dia que lhe é dedicado em todo o mundo.

Este meio de difusão leva-me a algumas memórias emocionais, todas associadas a um aparelho de rádio Nordmende, que ainda guardo e ouço com muita ternura. No início dos anos sessenta, teria eu quatro ou cinco anos de idade, não havia televisão em casa mas havia esse rádio que tocava todo o dia e nos colocava em contacto com o mundo. Nele se ouvia música, notícias, reportagens e as célebres radionovelas. Nessa época, este aparelho estava colocado a uma certa altura e longe do meu alcance, sentindo-o como algo estranho e que não entendia.

Uma mudança de residência aos seis anos, colocou-o num lugar de fácil acesso. Finalmente podia vê-lo de perto e mexer-lhe nos botões. Um deles fazia movimentar um cursor de sintonização e o outro regulava o volume. À esquerda, uma misteriosa coluna verde e preta (que eu julgava ser um olho que nos via …), diminuía ou aumentava de tamanho consoante o som era melhor ou pior. Tinha ainda muitas teclas mas isso era secundário, porque o que me cativava era o seu mistério. Na verdade, adorava aproximar-me para ouvir o som que dele saía e, especialmente, de espreitar para dentro da zona iluminada do visor. E então pensar que só poderiam ser pessoas muito pequeninas que estavam lá dentro a fazer aqueles sons, ou seja, a falar, a cantar e a tocar música. Mas onde estariam, se eu só conseguia ver umas coisas em vidro e uns fios? Só poderiam ser muito pequeninos e estar bem escondidos….

Santa ingenuidade a minha!

Não sei durante quanto tempo vivi nesse mundo liliputiano, mas esses pensamentos foram tão marcantes que quase consigo senti-los tantas décadas depois.

No final dos anos sessenta esse rádio foi “destronado” com a compra de uma televisão. Entretanto muitos anos passaram e eu fiquei com ele, tratando-o com toda a  estima. Hoje, o seu cursor aprecia especialmente as frequências da Smooth FM e da Antena 1, mas recordo com emoção as muitas noites que com ele naveguei por imensos Oceanos Pacíficos, programa que muito apreciava na RFM e que actualmente só existe em versão online.

Neste início do século XXI, não consigo imaginar os meus dias sem a companhia de um rádio. Porque me actualiza, distraí, ensina e faz rir!