voo do tempo

 

def

O tempo voa,
líquido
rápido
e eficaz,
como um pássaro transparente
mas voraz.

Não,
não consigo acompanhar
esse voo,
e intranquila,
fico para trás!

Peço-te
pássaro do tempo,
dá-me horas
livres
vazias
e sem memória,
para aumentar os meus dias
e em paz,
continuar a minha história!

 

 

(Dulce Delgado, Julho 2017)

 

 

 

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8 thoughts on “voo do tempo

  1. Tua poesia densa, profunda como o mar, me trouxe Fernando Pessoa e o seu “Aniversário”. Gosto muito do interior de cada verso escrito através do tempo que aqui fico. O meu abraço.

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    1. Não sei se é densa… ou se é volátil…mas posso afirmar que é um profundo sentir, atrás de um tempo que teima em fugir!
      E se o levou até Fernando Pessoa (e a Álvaro de Campos), levou-o a uma bela viagem pelo tempo que passou!
      Obrigada mais uma vez pelas suas palavras.

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  2. Por vezes é necessário abrir uma brecha no tempo cronológico, quebrar a sua tirania, e construir o nosso próprio tempo fora de qualquer constrangimento. A Sophia tem um poema com o título “Intervalo II”, numa alusão a essa brecha entre continuidades, em que também pede (talvez ao pássaro do tempo…) que lhe dê um dia branco… prosseguindo na construção de um poema como só ela sabe.

    Dai-me um dia branco,
    um mar de beladona
    Um movimento
    Inteiro, unido, adormecido
    Como um só momento.

    Eu quero caminhar como quem dorme
    Entre países sem nome que flutuam.

    Imagens tão mudas
    Que ao olhá-las me pareça
    Que fechei os olhos.

    Um dia em que se possa não saber.

    (Sophia de Mello Breyner (1990), Obra Poética I, Lisboa: Ed. Caminho, p. 214)

    Nota: Gosto muito do reflexo do teu pássaro do tempo na superfície da liquidez dos dias (minha interpretação poética)

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    1. Como dizes, talvez este poema seja uma tentativa pessoal de “quebrar a tirania do tempo e de construir o meu próprio tempo”, esse tempo que nos rege impávido e sereno (ou não…) e que nos põe a correr atrás dele…ou a voar…
      É lindo esse poema que partilhas da Sofia, aliás, como a maioria dos que ela escreveu. Grande poeta da simplicidade!
      Ainda bem que aprecias o reflexo do meu pássaro do tempo…líquido… fluído….transparente…
      Acho que percebeste a ideia…
      Obrigada mais uma vez pela presença e colaboração.

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