água vida

 

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Água
nuvem
chuva
e sede,
fluído da existência
meio de sobrevivência.

Água
rio
seiva
e sangue,
vida que sacia a vida
em dura e finita corrida.

Água
lágrima
dor
e pranto,
o outro lado da vida
em momentos de desencanto!

 

(Dulce Delgado, Novembro 2017)

 

 

 

dia sem compras…

 

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Por oposição ao Black Friday, dia de todas as compras, surgiu o Dia Mundial sem Compras, que se realizou pela primeira vez em Vancouver no Canadá, em 1992. Anos mais tarde o evento foi fixado nos EUA e no Canadá para a sexta-feira que se segue ao Dia de Acção de Graças (este comemorado na 4ª quinta-feira do mês de Novembro), e no resto do mundo para o último sábado de Novembro, hoje portanto.

Como sempre, há quem esteja a favor e contra. Pessoalmente não tenho posição, porque o que é necessário em tudo e também na hora de comprar é ter algum senso, ou seja, pensar se realmente determinada compra, mesmo que muito apelativa, faz ou não falta. Obviamente que de vez em quando uma pequena transgressão sem senso é saudável, assim como é importante termos a noção exacta do que determinado gasto representa em dias de trabalho e implica para o nosso orçamento.

Gostaria por isso de partilhar neste dia uma ferramenta informática denominada Desmotivador de compras, disponibilizada no site Finanças Pessoais da responsabilidade do especialista em finanças Pedro Pais, que mantém uma página bem elaborada, com muita informação que contribui para uma maior literacia financeira e, obviamente, a melhor gerir o orçamento.

Nesse simulador, introduzindo o salário liquido, ou seja o valor que nos chega à carteira, o número de horas semanais de trabalho e o valor da compra em vista, ficamos a saber de imediato a quantas horas ou dias de trabalho corresponde essa compra.

O resultado faz-nos pensar… uma…duas.. ou mais vezes ! Muito útil, nos momentos em que o olhar e a emoção sejam tendencialmente mais fortes que a racionalidade!

 

 

 

hoje

 

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O dia de hoje nasceu húmido e colorido na região de Lisboa, como revela esta imagem que a janela de minha casa permitiu ao primeiro olhar da manhã.

Bancos de nevoeiro descansavam nos vales e uma nuvem horizontal, com vontade de ser diferente das restantes, pontuava o espaço e fazia nascer uma nova paisagem e uma nova linha do horizonte.

Respirei fundo e agradeci. Certamente que com este prelúdio, será um dia bom!

 

 

passagem de peões…

 

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Como peões ou como condutores, as faixas de atravessamento são locais a que associamos um maior cuidado e atenção, tendo sempre como base um número bastante restrito de acções: olhar, parar, atravessar e prosseguir.

Nelas se cruzam peões entre si, condutores com condutores e peões com condutores, numa troca mais ou menos silenciosa de energias e de humores. Basta estar um pouco mais atento para nos apercebermos de:

– variados graus de distracção
– olhares de apreciação e de sensualidade
– indiferença
– paciência ou impaciência
– acenos de agradecimento
– olhares e sorrisos que iluminam quem os recebe
– olhares de recriminação ou de condenação
– surpresa
– falta de respeito
– irritação
– cansaço
– pressa
– gestos de provocação
– impropérios mais ou menos desagradáveis
– situações de embaraço
– situações caricatas e que fazem rir
– pedidos de desculpa
– etc.

 

Tendo isto em conta e ainda que gosto de encarar os pensamentos como formas vivas, animadas, humanizadas, energéticas, moldáveis e mais ou menos coloridas…

…um dia destes, ao olhar com mais atenção para a dinâmica dos poucos metros quadrados de uma passagem de peões, imaginei todos esses humores, pensamentos e energias a “flutuar” e disputando entre si uma entrada em cena:

…que condutor tão cuidadoso! Merece um belo sorriso!
…tens que pedir desculpa!
…aquele condutor está num dia difícil…vai sair asneira!
…vou fazer com que aqueles peões “choquem”… e se olhem nos olhos…
…hum…que visão interessante!…
…vai, vai ter com aquela senhora idosa, ela precisa de ajuda…
…não me apetece parar o carro…vou fazer que não vejo…e passar à frente daquele peão!
…doí-me a perna…não consigo atravessar mais depressa…tenham paciência…
…mais peões? Já chega de paragens por hoje! Quero-me despachar!
…estás com pressa…agora esperas!
…por favor, agradece-lhe com um aceno, não custa nada e é simpático!

…etc, etc.

 

Sim…eu sei que este é um post sem sentido… nem finalidade… quase absurdo…mas por vezes apetece escrever as coisas absurdas que nos passam pela cabeça!

 

 

Imagem retirada de:
http://rr.sapo.pt/noticia/59669/o_vermelho_nao_e_uma_ordem_para_muitos_peoes

 

 

 

ao mar do meu olhar…

 

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…neste Dia Nacional do Mar!

Este poema é um “mar-divagar” pessoal e nada diz sobre a real importância deste elemento na vida de todos os portugueses. O mar é a nossa história, o nosso percurso e estou certa que será uma parte fundamental do nosso futuro.
Pretende-se apenas que, neste dia, cada um relembre o seu próprio Mar!

 

Mar,
de longo e infinito olhar
onde é fácil imaginar
aquele lado da vida
que a vida não nos quer dar.

Horizonte de poesia
que me leva a passear,
deixando os pensamentos
profundos
ou em fragmentos,
pelas águas navegar.

Uns mergulham nas ondas
e ficarão sempre a nadar,
outros preferem voar
levados por um véu de água
que se evapora no ar,
e muitos,
felizes e sem mágoa,
diluem-se na branca espuma
que na areia vai descansar.

Tranquilamente,
percorro a beira-mar…

…talvez a procurar
um pensamento
meu,
escondido numa concha,
morando no coração
de um búzio,
ou dormindo na areia
que os meus pés estão a pisar!

 

(Dulce Delgado, Novembro 2017)

 

 

s. martinho

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Segundo a lenda, S. Martinho  de Tours foi uma altruísta alma quando há muitos séculos atrás rasgou ao meio a sua capa para proteger dois mendigos do frio. Por tão bondoso acto, Deus decidiu afastar as nuvens para que o sol aquecesse o seu corpo.

Então o sol, fazendo jus à tradição, foi sempre voltando nos dias de S. Martinho para nos brindar com “três” soalheiros e amenos dias que iluminavam outonos já acinzentados, frescos e chuvosos. Obviamente que este número era variável, mas sempre apareciam e eram bem recebidos.

Mas isto acontecia quando o clima deste nosso planeta era equilibrado. Entretanto…tanto o incomodamos que ele mudou de atitude, ficou alterado, confuso e deixou de ligar às tradições. No meu país, por exemplo, estamos a viver uma espécie de S, Martinho perene, apesar de estarmos a meio do Outono. Meses e meses sem chuva deixaram o país em seca extrema e numa situação muitíssimo preocupante. O céu apenas nos brindou com chuvas muito pontuais, algumas no momento certo de apagar alguns incêndios, mas persiste em continuar muito azul, sendo essa a previsão para os próximos tempos. Apenas o frio está a dar um ar da sua graça.

Diria que o S. Martinho se instalou confortavelmente neste recanto do sudoeste europeu, depois de nos visitar anos a fio apenas como turista.  Agora, parece que se tornou residente…

Por isso, tendo em conta este contexto e neste seu dia…

…peço encarecidamente ao S. Martinho de Tours que faça umas férias noutra região deste planeta, permitindo assim que as nuvens se aproximem e a chuva caia nesta Ibérica Península tão carente desse precioso liquido.

Precisamos que a chuva regue as nossas raízes, as nossas árvores, faça crescer a relva e as culturas dos nossos campos, alimentos vitais, quer para os animais quer para nós.

É ainda urgente que a precipitação tenha alguma continuidade de forma a encher as nossas barragens que estão praticamente vazias, assim como a restabelecer o nível dos aquíferos que alimentam o nosso solo e as nossas fontes naturais, agora quase esgotados.

Ao partir… deixaria o Outono ser, o Inverno acontecer e nós ficaríamos eternamente gratos!

 

Entretanto…enquanto o S. Martinho medita neste pedido que será certamente o de milhões de portugueses, apreciemos as tradições deste dia de convívio, de muitos petiscos e de castanhas assadas acompanhadas de água-pé ou jeropiga. E que em muitas regiões do país, a tradicional prova do vinho novo que hoje se realiza, revele um bom ano vinícola.

Que procuremos a alegria no meio da tristeza!

 

 

 

conforto… aconchego…

 

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Aquele calor inspirador
que nos abraça,
ou o doce
odor,
que das paredes
extravasa.

A quietude de uma paz
interior,
ou a asa,
que no ar esvoaça
e nos protege com amor.

Conforto… aconchego…

Para alguns,
uma fria
distante
e dolorosa miragem.

Para outros,
a doce aragem
que ampara como um amigo,
e ajuda a perceber
o valor
de um porto de abrigo!

 

 

(Dulce Delgado, Novembro 2017)

 

 

 

momentos especiais

 

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Tranquilidade, é o adjectivo mais adequado para caracterizar a costa alentejana, sentimento que se inspira nas suas vastas praias mas igualmente em áreas adjacentes, sendo sempre um prazer ali voltar para rever ou conhecer novos lugares.

Por vezes, as circunstâncias levam-nos a visitar determinados locais na hora perfeita, sendo a luz existente uma mais-valia na percepção das suas potencialidades. Foi o que sucedeu no dia em que fizemos o Percurso da Casa do Peixe, inserido na área da Reserva Natural das Lagoas de Santo André e da Sancha, uma zona húmida localizada a norte de Sines.

A luminosidade da tarde espalhou sobre a paisagem um tom laranja-prateado que aqueceu o nosso olhar e criou contrastes perfeitos. Apesar de curto, este percurso misturou a ruralidade da zona com a dinâmica da vida da lagoa e das imensas aves que a habitam, nomeadamente uma colónia de flamingos e de muitos galeirões.

Porque as palavras são limitadas, deixo algumas imagens reveladoras do passeio, do nosso sentir e daquele fim de dia. Brevemente voltaremos àquele lugar. Disso estamos certos.

 

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Desejo a todos uma luminosa semana!

 

para além do papel…

 

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HuskMitNavn é um artista dinamarquês adepto de várias técnicas baseadas na ilustração, sendo especialmente conhecido como street artist.

Essa versatilidade permite-lhe trabalhar com vários materiais e em escalas variadas, sendo contudo no papel, que desenha, rasga e dobra, que a sua imaginação extravasa e nos leva para uma dimensão onde habita a simplicidade e o humor, mas igualmente a mensagem mais realista, como bem revela a imagem acima.

Seguem-se algumas obras em papel da sua autoria, uma pequena amostra da criatividade que o anima.

 

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Qual de vós não esboçou um sorriso ao ver estas imagens?