sagres

 

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Elegante,
segue de velas ao vento
imponente
e sempre com algum encanto!

Desliza
suavemente
entre a neblina do céu
e o doce brilho do mar,
num horizonte que a leva
e sempre
a faz regressar.

É navio,
escola
e percorre o mundo a ensinar
a arte de marear…

…ver a Sagres a navegar,
lembra com emoção
a aventura
e a loucura
que levou este povo
ao outro lado do mar!

 

 

(Dulce Delgado, Abril 2018)

 

 

 

abril de liberdade

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Quarenta e quatro anos passaram sobre o 25 de Abril de 1974, uma das datas mais importantes na dinâmica do meu país. Um tempo curto na história de Portugal, mas bem mais amplo no contexto da vida humana, apesar de certamente ser sentido por muitos como um sopro que passou apressado e a correr.

Em Abril de 1974 eu tinha quinze anos, o que significa que três quartos da minha existência foram vividos respirando a liberdade conquistada nesse dia. Até essa data, não era minimamente politizada para perceber o que se passava no país. Sabia apenas que havia a guerra do Ultramar, algo que acontecia muito longe e que não afectou directamente a família porque as mulheres sempre predominaram.

Posso afirmar que a falta de liberdade que então existiria não afectou a liberdade que eu apreciava e que se baseava no silêncio, na calma e numa criativa solidão. E quando precisava de sociabilizar, o que me era permitido era mais do que suficiente, não sendo gerador de conflito nem de nenhum desejo inconsciente de liberdade. Diria que a vida simplesmente fluía nas paisagens a sul do meu país, entre a vida escolar, a leitura, a escrita, o mar, a praia e os seus areais, espaços que eram usufruídos com prazer durante grande parte do ano.

Só a partir desse Abril é que me apercebi, progressivamente, da “ignorância” em que vivia, seja quanto à conjuntura política, seja sobre o sofrimento de tantos resistentes que lutaram por esse dia. Esse abrir de olhos foi mais marcante quando, um ano mais tarde vim residir para Lisboa e, com a democracia ao rubro, compreendi através da cultura, da informação então disponível e no dia-a-dia, a real importância da vivência em liberdade.

Nesses idos quinze anos da minha adolescência, apenas o acto de pensar no futuro e nos quarenta de idade ou no enigmático ano 2000 era algo estranho e facilmente associado à velhice. Nunca imaginei que chegaria a este longínquo 2018 e aos sessenta que espero ele me ofereça em breve. E muito menos pensei que a liberdade dada por esse 25 de Abril de 1974 me permitiria “alimentar” com toda a autonomia um espaço como este, discreta ou indiscretamente, cujos limites são apenas impostos por mim e pelo meu senso.

Olho com muita ternura para a ignorância que tinha nesses tempos, ou melhor, para algo que fica entre a ignorância e a inocência. Assim como olho com um profundo respeito para todos os que activa e conscientemente lutaram, sofreram e morreram durante décadas para que aquele dia de Abril fosse uma realidade. E para que hoje, as palavras sejam naturalmente possíveis.

Não tendo a imagem de um cravo vermelho, a flor-símbolo deste dia para iniciar o post, inseri a de outra espécie, cujo nome desconheço mas que me faz companhia na janela.

Chama-se a isto… “liberdade” criativa…ou “liberdade” de escolha!

 

 

vida respirada

 

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Perceber o que é Viver,
este Estar
e este Ser,
é tudo o que queremos saber.

Gosto de sentir a Vida
como um acto de respirar,
como um fôlego que entra em nós,
alimenta
cresce
e vai,
para um dia talvez voltar.

A vida seria então um profundo inspirar …

…de sensações sentidas
entre a dor e o amor,
de saberes e presenças
momentos e experiências,
e da emoção,
talvez longa
talvez efémera
de estar nesta construção.

E seria um expirar…

…de pensamentos viajantes,
palavras ditas no ar
sorrisos ténues ou vibrantes,
e de gestos,
de tantos e tantos gestos que são nossos
sem pensar!

Inspirar… Expirar…RESPIRAR…

E no fluir deste Respirar
somos Vida,
resistência
luta
partilha
afectos,
e solidão também.

Mas mais do que tudo
somos,
uma sublime energia
vivendo a aventura
deste acto de magia!

Eu,
tu
e todos nós!

 

 

(Dulce Delgado, Abril 2018)

 

 

 

por vezes…

 

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…as circunstâncias que nos cercam envolvem-nos uma teia de pensamentos, receios e até culpabilizações sem sentido.
Facilmente ficamos enredados nesses meandros, desfocados da realidade, esquecendo que somos luz e iluminamos outros e, mais importante ainda, que uma Luz maior sempre nos envolve.

São os momentos sombra. Que passam, como tudo na vida.

 

 

 

 

lugar espaço

 

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Um passo
entre
muitos mais…

…chegar
a qualquer lugar,
e aí ficar
ou continuar.

Contudo,
se cada passo
ocupar um espaço
e um lugar
possível de ficar…

…tudo é espaço…
…tudo é lugar…

 

E eu,
o que sou neste estranho divagar?

Um espaço a pensar? Um lugar a pairar?

 

 

(Dulce Delgado,  Abril 2018)

 

 

 

 

versatile blogger award II

 

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Fazendo uma analogia com a natureza, diria que The Versatile Blogger Award é uma espécie de brisa que de vez em quando sopra com mais intensidade pelos meandros da blogosfera. Quando surge, agita um pouco a floresta de blogs que todos cultivamos, incide sobre alguns de uma forma mais activa e, depois, segue viagem ou fica adormecida até ser reactivada e voltar novamente a agitar a tal floresta. Deduzo isto porque, tal como aconteceu em Junho de 2017 em que o Discretamente recebeu três nomeações em poucos dias, agora, quase um ano depois, num único dia ele sentiu essa brisa duas vezes, uma proveniente do Fernando Rosano, autor do ChronosFer2, e outra vinda da Fernanda Leal, autora do Essência da Poesia, dois Fernandos cujo trabalho e sensibilidade sigo com carinho.

Agradeço pois o facto de ambos apreciarem o Discretamente e de o terem indicado para o VBA. Muito obrigada.

Entretanto, e apesar do título ser similar, ao verificar muitas diferenças entre o que me estava a ser agora solicitado e a nomeação anterior, a minha faceta racional entrou em acção e foi pesquisar na Internet. E rapidamente percebi que este “jogo” criou uma grande autonomia e foi alvo de muitas mutações. Para além do “logo” que se deve inserir já ter inúmeras versões, também as regras variam imenso: em Junho de 2017 foram quinze o número de blogs a nomear, agora sugerem dez; também a suposta forma de nos darmos a conhecer é sempre diferente: aqui pedem dez pontos, noutros sugerem onze pontos, em Junho de 2017 pediram-me sete e, noutros ainda, o VBA sugere perguntas para serem respondidas.

Perante tantas possibilidades e considerando que a ideia inicial deve ser respeitada, vou seguir exactamente a conduta de Junho de 2017, que se baseou nas regras indicadas no site do The Versatile Blogger Award. Isto significa que:

– o “logo” inserido é um dos quatro disponíveis nesse site
– indicarei quinze blogs e não dez como me foi agora pedido
– e apenas me darei a conhecer, em sete pontos, às pessoas que me nomearam, o que farei oportunamente através de e-mail.

 

Quanto aos blogs que vou indicar…

… não obstante apreciar devidamente o trabalho de quem me nomeou, considero que não tinha sentido inclui-los na lista. Mas podem o Fernando e a Fernanda crer que estão virtualmente presentes!

… não vou indicar blogs já nomeados em Junho de 2017, pois julgo ser mais interessante dar a vez a outros;

… optei pela ordem alfabética, a forma que me pareceu mais justa para os apresentar.

Passo então a citar:

Amanhã tanto faz de Rafaela Manicka

Depressão com poesia de Cristileine Leão

Divagações & Pensamentos de Geraldo Cunha

Inevitávell de Lucas Sobreira

Listas de Viagem de Zilka Saleh

Lucão de Lucão

Maria Sccarlet de Cris Coelho

Mentiras relativas de Line

Misselenka de Elena

O bem viver de JC Dattoli

O blog do Jauch de Eduardo Jauch

O terceiro acto de Bia Perez

Poesia-me de… Poesia-me

P.R. Cunha de Paulo Renato Cunha

The Perimeter de Quintin Lake

 

Creio que o principal interesse deste tipo de jogo é conhecer outros blogs e formas mais ou menos criativas de escrever e de estar na vida. Por isso, se alguns dos autores indicados optarem por dar continuidade ao processo, será interessante. Se não o fizerem, significa que a brisa do VBA lhes passou apenas ao lado!

Por aqui, o Discretamente ainda sentiu esta brisa!

 

 

 

pela cidade

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Num calmo caminhar,
sigo a sombra
do meu andar.

Mas para trás
a sombra rodou,
porque uma luz
se aproximou…

…por pouco tempo…

…ao passar o candeeiro
sorrateira,
para a frente ela voltou.

E assim
neste dançar,
percorremos de luz em luz
aquela rua da cidade,
num jogo de partilha
e de alegre
cumplicidade.

No ar…

… o som do meu caminhar
… a luz da noite
e o silêncio de um par
que nunca me irá deixar!

 

 

(Dulce Delgado, Abril 2018)

 

 

 

fogo e água

 

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O dia nasceu fogo na região de Lisboa. Nasceu vibrante, esmagador e pousou esta imagem no meu olhar, que agora deixo a repousar neste post .

Mas a água “controla” o fogo, mesmo no céu. Em pouco tempo, as nuvens muito cinzentas tudo cobriram e a chuva, por vezes intensa, continuou a cumprir maravilhosamente o popular ditado Em Abril águas mil.

Entre água e fogo chegará o fim-de-semana. E assim permanecerá, para alimentar todos os gostos e partilhar connosco o seu descanso.

Que seja um tempo tranquilo!

 

 

 

 

ver e não ver

 

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Seguindo ou não as tendências da moda, uns óculos conectam-nos com o mundo quando os nossos olhos já não cumprem autonomamente a sua função. Adaptados com lentes monofocais ou progressivas permitem-nos ver o que queremos e o que não queremos e, de certa forma, também a controlar algumas “inseguranças” ao percebermos mais claramente todos os detalhes que nos rodeiam.

Sendo totalmente apologista do conforto, há muito que uso lentes progressivas, tecnologia que me agradou desde o primeiro instante e com a qual tenho uma forte relação de cooperação e empatia. Ao focar tudo sem necessidade de mudar de óculos, seja o que está próximo, a média ou a longe distância, esta opção permite-me ainda não os perder pois estão sempre no sítio certo.

Mas todas as relações, mesmo as mais próximas e intimas, não são perfeitas. Aprecio a verdade com que os óculos alimentam o meu olhar sobre o mundo, mas há um momento em que me dá um prazer especial traí-los e não os ter colocados. Acontece durante os momentos de higiene, quando me vejo ao espelho e ele me devolve a imagem de uma pessoa bem mais jovem, sem rugas e sem outros detalhes que não vou aqui especificar.

O espelho torna-se mágico! Faz-me sentir mais bonita e por momentos ficar mais próxima da idade interior, da minha real(idade), daquele modo de ser que permanece e que nos faz sentir sempre jovens. E nesses momentos, recordo muitas vezes uma frase de minha mãe, proferida pouco tempo antes de falecer, aos 71 anos: “Filha, eu não percebo…sinto-me ainda uma criança!”

Depois…

… bem…depois acaba a magia do espelho! Coloco os óculos, começa o dia e continua a vida. Quando volto a olhar para ele, já com óculos, sorrio com toda a ternura para aquela quase sexagenária que está ali, também a sorrir para mim….

…que outra coisa poderemos fazer?