conduzindo…

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A condução de uma viatura requer:

conhecer as regras estipuladas
atenção e concentração
boa visão
bons reflexos e coordenação motora
muita paciência e alguma afabilidade
e, com os outros… um constante cuidado!

Com estas premissas activas, é grande a probabilidade da condução/viagem correr bem, a não ser que a nossa viatura avarie, que lhe falte o combustível ou que outro automóvel choque connosco.

Curiosamente, conduzir a viagem pela vida tem bastante de semelhante. Na verdade:

devemos estar atentos a nós próprios, aos outros e ao que se passa à nossa volta,
orientar da melhor forma os nossos gestos e acções,
manter uma atitude positiva, mas consciente da realidade
ter a capacidade de dar a resposta adequada/reagir no momento certo
respeitar os outros, os princípios que nos orientam e as regras desta sociedade
ser pacientes e afáveis…

…mas, também aqui, a viagem pode não correr bem. Porquê?

Porque o combustível que nos move é um composto onde entram energia, pensamentos, desejos e emoções. Isso leva-nos a escolhas e a seguir direcções em que outros também estarão envolvidos. Não dependemos só de nós. E nessa incógnita viagem em que estão em jogo várias formas de conduzir, poderá haver calmas viagens mas igualmente choques, acidentes e situações difíceis. E haverá troços bem iluminados e outros que não o são, ou até túneis escuros e difíceis de atravessar .

Neste conduzir a vida, tal como na condução de uma viatura, os “problemas/avarias” imprevistos são uma realidade, tornando urgente a necessidade de parar. E de fazer um ponto da situação/revisão, arranjar a viatura, rever o itinerário, reprogramar a viagem e recomeçar. E a necessária aceitação de que algo na engrenagem poderá simplesmente ficar diferente depois desses percalços.
Curiosamente, em ambas as situações – dentro de um carro ou na vida –  poderemos optar por não seguir as regras vigentes e simplesmente transgredir, seja ultrapassando os limites existentes, seja optando pela “contra mão”, acarretando obviamente com as consequências dessa atitude.

Contudo, apesar destas enormes semelhanças, algo importantíssimo separa estes dois actos: o nosso livre arbítrio.

Na condução da vida, ele permite-nos escolher qualquer direcção em qualquer momento. Temos a capacidade de decidir para onde queremos ir, seja em função do trajecto já percorrido, de uma necessidade presente ou do futuro que desejamos. Objectivamente, nada nos impede de fazer escolhas. A não ser nós próprios e toda a “teia” emocional e moralista que fomos construindo ao longo da vida.

Já na condução de uma viatura, a própria estrada é limitativa. Temos bermas, valas, protecções laterais, troços cortados etc, que nos impedem pura e simplesmente de mudar de direcção a qualquer momento. E nela teremos que seguir, talvez procurando bem mais à frente outro caminho.

Apesar disto tudo…é mais fácil lidar com os impedimentos da estrada do que com os impedimentos da vida. Os primeiros, exigem apenas uma aceitação das condições existentes. Ponto final.
Quanto aos segundos…serão uma presença constante dentro de nós, se não houver força para os ultrapassar, sublimar ou decidir mudar de rumo.

No fundo, nós conduzimos a Vida. Um carro, apenas se conduz.

 

 

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