as voltas da mente…

 

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Penso…
nisto
naquilo
no além…

Para quê pensar
aqui,
neste lugar?

Ajuda o meu respirar?
Melhora o meu olhar?
Impede o dia de terminar
neste tão belo lugar?

Não!

Então,
hoje não quero pensar,
mas apenas estar
aqui,
a apreciar!

Quero…mas não consigo…

…porque a mente abre o postigo
salta do escuro abrigo
e começa a saltitar,
aqui,
em mim
no fundo do meu olhar
a desfocar o sentir
e a paz deste lugar!

Talvez…
…pôr a mente de castigo?

 

 

(Dulce Delgado,  Setembro 2018)

 

 

 

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ao outono…

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Com o fim do Verão, instala-se progressivamente uma certa acalmia nas energias que nos movem.  Se por um lado sabe bem essa travagem, por outro fica um certo saudosismo do tempo que termina, um período de maior movimento, luz, cor, energia e actividade. É um tempo naturalmente diferente, porque é diferente a energia que o modela.

Apesar de estar um dia abrasador, o Outono entrou hoje no calendário e na nossa Vida. Por isso partilho um poema que, sempre que o leio, associo à energia do Outono…à energia do “olhar para trás”… da nostalgia… da saudade…e de uma certa interiorização.

Foi escrito em 1949 por Teixeira de Pascoais (1877-1952), o autor mais representativo do saudosismo português, aquele estado de alma tão associado ao nosso povo. Apesar de não apreciar muito essa visão nem a forma como por vezes ele a expressa, gosto deste poema pela simplicidade, pelo olhar sobre o tempo, seja na vida que passou ou na natureza que se modifica.

Com ele, fica o meu desejo de um Outono (que para outros será Primavera), conjugado ao gosto e ao tempo de cada um!

 

Que saudades eu sinto desta flor,
Que vai murchar!
E desta gota de água e de esplendor,
Um pequenino mundo que é só mar.
E desta imagem que por mim passou
Misteriosamente.
E desta folha pálida e tremente
Que tombou…
Da voz do vento que me deixa mudo,
E deste meu espanto de criança.
Que saudades de tudo eu sinto, porque tudo
É feito de lembrança…

 

 

Versos Pobres (LXVII) – Poesia de Teixeira de Pascoaes
Org. de Silvina Rodrigues Lopes
Lisboa, Editorial Comunicação, 1987

 

 

 

cinema solidário

 

 

O que de verdade importa… é ir ao cinema visualizar este filme, sabendo que o valor da receita terá um fim solidário. Em Portugal será para a nova Unidade de Transplante de Medula do Instituto Português de Oncologia de Lisboa, dando continuidade à onda solidária que já percorreu vários países e ajudou muitas instituições. O promotor desta iniciativa é Paco Arango, o seu realizador.

Há quinze anos,  ele decidiu que deveria fazer algo diferente como forma de agradecer a vida feliz que tinha. Resolveu então ser voluntário numa instituição que tratava crianças com cancro, o que ainda continua a fazer. Além disso, abraça várias causas que lhe permitem angariar fundos para a Fundação Aladina que criou em Espanha em 2005, cujo objectivo é melhorar a vida de crianças com cancro e, implicitamente, a das suas famílias.
Os filmes que realizou, Maktub em 2011 e o que agora refiro e que originalmente tem o título The Healer, tiveram ambos um fim solidário.

É importante referir que esta película é dedicada a Paul Newman (1925-2008), actor que em 1988 fundou a rede de acampamentos de crianças doentes Serious Fun Children´s Network, que conta actualmente com trinta espaços espalhados pelo mundo. Em 2007, Paco Arango conheceu Paul Newman, momento que lhes  permitiu perceber que tinham objectivos solidários comuns.

O que de verdade importa, é um filme que celebra a Vida, misturando a comédia, o drama, o realismo e a magia num perfeito equilíbrio. Estreou a 13 de Setembro em Portugal e está disponível em muitos cinemas do país.

Vale a pena a sua visualização, porque são 113 minutos em que damos um pouco… e muito recebemos!

 

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Imagem de Paul Newman com crianças retirada de
http://www.grandmagazine.com/2018/09/the-best-week-of-their-lives-paul-newmans-promise-to-kids/

 

 

 

dia energia

 

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A primeira imagem que o dia nos oferece contribui de certa forma para a energia com que o iremos encarar.

Logo pela manhã, sempre procuro uma janela virada a oriente para ver as infinitas formas do nascer do dia e as flutuações associadas à sequência das estação do ano. É uma espécie de ritual de Vida.

Nesta altura do ano…

…o meu acordar coincide mais ou menos com o nascer do sol. Apesar de ainda estarmos no Verão, por vezes um manto de nuvens ocupa o céu impedindo de apreciar esse momento. Noutros dias porém, como revela esta imagem captada recentemente, a luminosidade é tão bonita e mágica que penetra no olhar… no respirar… nos poros… nos gestos… e especialmente na energia do nosso dia!

 

Este, só poderia ser um dia bom!

 

 

 

(Dulce Delgado, Setembro 2018)

 

 

juliet, nua

 

 

Juliet, Nua é um filme com bons actores, bons diálogos e que, como todos os filmes românticos nos conta uma história de amor. Nele encontramos um Ethan Hawke distante da juventude de Antes do amanhecer (1995), longe do jovem adulto de Antes do anoitecer (2004) ou do adulto de Antes da meia noite (2013). Neste filme, ele faz o papel de um ex-cantor rock, já grisalho e capaz de ser avô. Ao seu lado, partilhando o filme realizado por Jesse Peretz, estão os actores Rose Byrne, Chris O’Dowd e Azhy Robertson, em bons desempenhos.

É um filme discreto, sem efeitos especiais e habitado por gente comum com problemas semelhantes aos nossos. Talvez por isso estas palavras e a referência a alguns aspectos que me chamaram a atenção…

…como pode ser mentalmente limitativo o enfoque num ídolo, havendo o perigo de criar uma teia de ideias e certezas que nada têm a ver com a vida desse ser que se idolatra. Além disso, pode levar a um alheamento da realidade e a “esquecer” as pessoas que estão por perto;

…a vida é uma grande mestra, pelo que muitas vezes nos leva a encontros que vão ter um papel importante na forma de lidarmos com a “bagagem” acumulada e com os fardos que nos acompanham. Gosto de pensar que são as “pessoas-campainha”, porque accionam mecanismo internos que facilitam olhar de frente para o que tem que ser enfrentado, especialmente em nós próprios e, com o tempo, permitirem que nos tornemos melhores pessoas;

…e por último fala-nos de amor, talvez do verdadeiro amor, daquele em que uma das partes se afasta para dar espaço porque ainda não é o momento desse amor ter o seu tempo. Nem sequer há a certeza que ele possa acontecer, porque o que está “no meio” é prioritário e tem a palavra. Entretanto, a vida continua…

É uma película simples que me agradou bastante, para além de possuir uma agradável banda sonora. Alguns dos temas são cantadas, e bem, pelo próprio Ethan Hawke, o que contribui igualmente para o interesse do filme.

Apenas uma dica: não sair do cinema mal começa o genérico!

 

 

 

harmonias

 

 

Harmonizar continentes, países, raças, sexos, ideias e sentimentos faz parte do imaginário de muitos de nós. Porém, neste mundo um tanto “cor-de-rosa” em que habito, isso é simples através da música e de algumas vozes que se harmonizam em duetos, como as que hoje partilho.

– No video inicial, Robert Plant, ex- Led Zeppelin e Alison Krauss, cantora country e violinista, juntaram o Reino Unido e os EUA no álbum Raising Sand (2007). Umas das faixas intitula-se Your long journey, um tema antigo e já cantado por outros artistas. Mas as suas vozes harmonizam na perfeição!

 

– Também Vanesa Martín, espanhola, se aliou no final de 2017 ao angolano Matias Damásio e em conjunto cantaram Porque queramos vernos, um dos temas que integra o álbum Munay, editado por esta cantora em 2016.

 

 

– E por último, sugiro o tema Naturalmente Naturalmente incluído no álbum Já É (2015) do artista brasileiro Arnaldo Antunes, aqui cantado em parceria com a portuguesa Manuela Azevedo, um dos elementos do grupo Clã.

 

 

E assim, discretamente, talvez o mundo tenha ficado um pouco mais harmonioso neste domingo à tarde….

 

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No início deste blog, em 2016, partilhei um post com alguns temas igualmente cantados em dueto. De certa forma, o post de hoje complementa esse, pelo que seria interessante passarem por ele e ouvirem as parcerias aí incluídas e que também aprecio bastante.