subtilezas de um copo…

 

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Um copo cheio…meio cheio…meio vazio…vazio..

Tanto faz. Por agora, interessa o copo.

Associemos a ele um carácter humano e uma existência mais ou menos transparente consoante a vontade de partilhar ou não o seu conteúdo.

Pode ser um copo grosseiro e resistente daqueles que saem imunes de uma queda, ou um copo frágil e sensível que ao mínimo toque fica com marcas e danos irreversíveis.

O facto de ser elegante e de belo porte, ou apenas básico e de uso comum, nada significa quanto ao que pode conter. Um copo de cristal, para muitos o mais perfeito, é beleza exterior porque anima o olhar e o tacto. Porém, pode conter um péssimo vinho ou um desagradável espumante, daqueles que quebram a boa energia a qualquer tchim tchim. Por outro lado, um copo sem estatuto pode proporcionar um momento grandioso de satisfação se, na circunstância certa, conter uma deliciosa bebida ou uma água puríssima e fresca, daquelas que alimentam o corpo e a alma.

Contudo, seja na nossa vida ou na durabilidade de um copo, um imprevisto indesejável pode levar a uma quebra. Sem retorno. O fim do tchim tchim à vida.

Neste divagar…

…tudo é tão relativo na transparência de um copo, como na opacidade da nossa dura, frágil, mas bela existência. Porque o que é ou aparenta ser, pode ser ou não. Tudo pode estar certo no lugar certo, certo no local errado, ou simplesmente tudo errado. Não há normas para a vida, apenas inúmeras hipóteses a serem conjugadas de preferência com algum equilíbrio, o objectivo porque sempre lutamos.

Neste estar, em cada “copo-vida” mistura-se realidade, desejos, sentimentos, emoções e muito, muito mais, em intensidades e proporções variáveis. Depois, ou “bebemos” esse conteúdo de forma impessoal e insípida sem perceber bem o seu sabor, ou exigimos a nós próprios o tempo, a disponibilidade, a sensibilidade e a persistência para degustar o nosso “copo” com mais ou menos moderação, mas sempre com a devida atenção.

Aprecie-mo-lo… de preferência com o espírito do “copo meio cheio”!

 

 

 

14 thoughts on “subtilezas de um copo…

  1. A metáfora tem essa virtude de dar uma outra roupagem aquilo que é comum e ordinário transformando-o em algo extraordinário. É desse modo que falas do copo e do líquido que pode conter, como se se tratasse de um qualquer ser humano e da vida que o preenche … o “copo-vida”, como bem dizes. A paragem no tempo para apreciar o que vai no interior desse “copo-vida” é fundamental e transformador, diria eu.

    Isto leva-me à segunda parte deste video da Marina Abramovic, uma artista que muito admiro, em que literalmente ela fala do tempo necessário para apreciar a água que bebemos de um copo. Aqui não há metáfora. Existe uma pessoa que bebe um copo com água. Uma coisa simples.

    Porém, a consciência deste gesto simples, a distensão no tempo desse momento, a continuidade de uma acção em 10 minutos de um gesto que demoraria normalmente alguns segundos, são transformadores e geradores de uma nova energia que, acredito, transforma tanto o “copo-corpo” como a “água-vida”… e aqui voltamos às metáforas, para fechar este pequeno texto inspirado nas tuas “subtilezas de um copo”.

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    1. Que bom ver-te por aqui…já estava com saudades destes teus comentários!
      E este é muitíssimo interessante e deveras importante na medida em que nos sensibiliza a valorizar um gesto comum e que fazemos várias vezes ao dia. Como tantos outros a que somos indiferentes….
      Pessoalmente, apesar de não levar 10 minutos, valorizo imenso o primeiro copo de água do dia, um ritual matinal que não prescindo e que me prepara para a jornada diária.
      Mas o importante é a mensagem deste video e a grande sensibilidade desta artista.
      Muito obrigada pela partilha e aparece sempre!

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  2. I just watched the Marina Abramovic video – I love it. I’m glad joliveira posted it in that comment.
    I have known about Abramovic for years, but I have not seen much of her work. This little interview shows me I need to pay more attention to her. And to water. 😉
    (But actually I am having this experience with water in the mornings these days, when I get up. I take a small sip of water before anything else, quietly, and it is just like she says – it’s everything in that moment, one of the best parts of the day.)

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    1. I didn’t know Marina Abramovic, so I really enjoyed this video. A very interesting artist.
      About water … for many years the first action I do when I wake up in the morning is to drink a glass of tepid water (but I still do not take the 10 minutes Marina does …) next to a window facing east and the rising sun. And simply thanks one more day.
      On September 2016, I published a post about that moment (link below). Maybe using Google translator you will understand the content.
      Thank you very much for your comment!

      https://discretamente.wordpress.com/2016/09/12/agradecer-um-novo-dia/

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      1. Abramovic is controversial and I don’t like everything she does, but I enjoyed the video. I don’t take 10 minutes either! Standing near an east-facing window is so nice, and the thanks. I will take a look at your post, thank you. (And I’ll see if google translator helps – usually I only use it for a few words).

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