genérico/ créditos finais

 

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Seja em casa ou no cinema, a visualização de um filme é um momento de partilha e uma apreciação do trabalho de todos os que nele colaboraram, apareçam ou não no écran.

Especialmente numa sala de cinema em que os créditos finais são bastante perceptíveis pela dimensão das letras, não compreendo que a maioria dos espectadores se levante e abandone a sala mal aparecem as primeiras palavras que se seguem à última cena do filme. Sistematicamente isso acontece, sendo raros os que ficam até ao fim.

Com essa atitude, não apenas tapam a vista e incomodam os que permanecem sentados e atentos ao que continua a acontecer no écran, como perdem por vezes cenas que surgem durante ou após a passagem do genérico e que dão pistas importantes ao próprio filme ou a sequelas que ele possa ter. Mas, principalmente, ignoram as pessoas que contribuíram para aquele momento de lazer que acabaram de usufruir.

Creio que esta atitude estará relacionada com a “aceleração” em que se vive…com o não pensar nos outros… mas, essencialmente, com o facilitismo que prolifera por aí.

Na verdade, tudo é fácil e um dado adquirido. Moldados neste espírito, uma grande maioria consome o imediato, o momento, o que gera estímulo. Pouco mais interessa, muito menos o trabalho dos outros.

Se esses espectadores que se levantam tivessem o seu nome no genérico, certamente ficariam até ao fim. O ego precisa de alimento… então, porque não o fazer como forma de agradecer aos outros, ao “contingente silencioso” que lhes permitiu aquele momento?

Se a leitura deste post tiver como consequência que uma única pessoa permaneça na sala, atenta, até ao final do genérico da próxima vez que for ao cinema… ele já valeu a pena.

 

 

A imagem inicial é um detalhe dos créditos finais do filme Um ano especial, realizado por Ridley Scott (2006)

 

 

14 thoughts on “genérico/ créditos finais

  1. você fez um post mais que oportuno. penso até que, pelo aqui no Brasil, essa questão é mais cultural associada a um certo “desprezo” (sei, a expressão é forte) pelos créditos seja de um filme, mesmo de um livro – quantos leem a folha onde estão os créditos? – ou de qualquer outro suporte cultural. lembro que li, não tem muito tempo, uma crítica feita aqui em Porto Alegre sobre um concerto onde o público aplaudiu nos espaços onde deveria predominar o silêncio. é complicado isso tudo, e você tem toda a razão. sei bem, nos tempos em fui editor, além do cuidado com o texto, capa, revisão, etc., a folha de créditos sempre foi uma página feita com cuidado e respeito. a propósito, sou dos que ficam até os créditos desaparecerem da tela. repito, post oportuno. o meu abraço.

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    1. Sendo um assunto que sempre me incomoda bastante, teria de “discretamente” o abordar por aqui.
      A atitude desta maioria revela de certa forma o egoísmo que prolifera na sociedade em geral.
      Por vezes, mais do que egoísmo e falta de educação, parece que o que move meio mundo é a “urgência do momento seguinte”, o querer sempre algo mais sem saborear o presente.
      Mas, provavelmente, é isto tudo junto!
      Muito obrigada pelo comentário e agradeço o facto de referir outro tipo de créditos, como por exemplo os de um livro, tantas vezes também ignorados.

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  2. Lembrando ainda que os créditos são os nomes das pessoas que colaboraram com aquele trabalho. Por respeito, já seria um bom motivo de apreciação. No jornalismo, trabalhava na produção, local dos anônimos que fazem um projeto nascer e acontecer. Fazia parte dos créditos que a maioria não quer ver.

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    1. Mais uma experiência na primeira pessoa que revela como esta indiferença se estende a tantos níveis. É que é ainda tanto o que temos que aprender como “seres humanos”!!
      Obrigada Cris e uma boa semana!

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  3. Aqui vai a resposta em banda desenhada. Quem realizou este pequeno clip percebe perfeitamente o que dizes … e eu sempre pertenci a esta tribo (cada vez mais rara) que fica até ao fim.

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    1. Tu, eu e todos os que aqui decidiram comentar pertencem a essa “tribo rara”…
      Somos poucos mas uma amostra interessante e consciente da situação. Quiçá, semente de futuras sementes mais respeitadoras do próximo…
      Agradeço o facto de complementares o post com este video que, como bem referes, é bastante elucidativo do assunto em causa.
      Obrigada, e uma boa semana em tons de azul!!

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  4. Não poderia concordar mais com a Dulce. Conheço, inclusivamente, pessoas cujo comportamento se alterou com o passar dos anos, pessoas que ficavam e criticavam os que saíam e agora fazem o mesmo. A instantaneidade em que se vive é preocupante e é por isso que faço questão de, sempre que posso, largar tudo o que me obrigue a viver na ânsia de uma acção/reacção.

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    1. Obrigada Miguel pela partilha desse sentir e de uma situação real que infelizmente não contribui para o que seria o justo e o natural. Espero que não estejamos a regredir, em vez de evoluir e de dar o devido valor a cada situação.
      Mas como eu sou sempre positiva, gosto de acreditar que a filosofia “slow” presente em vários campos de acção da nossa sociedade, poderá um dia chegar às salas de cinema e então tenhamos um “slow cinema”… degustado até ao fim!
      Haja esperança, não é?

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  5. Que pertinente. Me refrescou percepções, atitudes e pensamentos. Grande observação, Dulce, e obrigado pelo post.
    Ademais, tantos comentários enriquecedores, com direito a vídeo específico.
    Concluo a leitura com outros ares. Sensacional.

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    1. Fico agradada que este tema e que os comentários entretanto surgidos o tenham alertado/sensibilizado para um aspecto bastante ignorado.
      Mais uma prova de que a vida é mesmo esta troca de “detalhes”, deste dar e receber. O importante é estarmos atentos, alerta e abertos a uma mudança de atitude.
      Muito obrigada e desejo um dia tranquilo!

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    1. E eu diria que ainda hoje quando encontro um nome nitidamente luso no genérico de um filme estrangeiro, parece que encontrei alguém da família!
      Se calhar ainda não cresci muito…
      Grata pelo cometário!

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