quinta dos azulejos

 

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A cultura, a arquitectura e o imaginário português estão muito associados ao azulejo, tradição importada pelos mouros e que teve grande desenvolvimento a partir do séc. XV.

D. Manuel I foi o primeiro monarca a apreciar devidamente essa arte, fazendo do Palácio Nacional de Sintra um dos primeiros locais onde eles foram usados, apesar de ainda importados de Sevilha.

Sendo um revestimento de baixo custo e com grandes possibilidades decorativas, rapidamente começou a ser produzido no nosso território e largamente aplicado. Primeiro prevaleceram os tons monocromáticos (principalmente o azul e o branco) e mais tarde os mais coloridos e a preferência por padrões mais repetitivos.

O que escrevi até aqui pretende apenas enquadrar melhor o tema do post e o jardim da Quinta dos Azulejos, espaço que recentemente visitei no âmbito do evento Jardins Abertos que decorreu em Lisboa. Localizada na zona do Paço do Lumiar esta quinta é actualmente ocupada, em conjunto com outras quintas adjacentes, pelo colégio Manuel Bernardes, uma grande escola privada da capital.

O jardim em causa revelou-se uma agradável surpresa. Insere-se na periferia de uma casa senhorial do séc. XVII que pertenceu ao ourives da casa real portuguesa António Colaço Torres. O seu interesse vem do facto de paredes, muros, bancos, colunas e outras estruturas serem integralmente cobertos por azulejos com temáticas variadas como cenas mitológicas, cenas bíblicas ou galantes, animais exóticos, etc.

As imagens não transmitem a real beleza do espaço, mas dão uma ideia do seu colorido e personalidade, para o qual também contribuem os tons outonais das lindíssimas vinhas virgens que ocupam as paredes e muitos recantos.

 

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Termino com dois detalhes que achei muito interessantes e que, na minha perspectiva, revelam o “espírito azulejar” que ali se respira. Resulta certamente de um trabalho de sensibilização do colégio para o espaço onde se insere e para a importância do espólio que detêm. Estes painéis foram muito provavelmente elaborados pelos alunos em aulas de Educação Visual.

 

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Se algum dos meus leitores tiver interesse em saber mais sobre este espaço, encontra muita informação na Internet e quiçá, até a possibilidade de uma visita ao local!

 

 

 

 

17 thoughts on “quinta dos azulejos

    1. Eles são realmente uma parte da “alma”portuguesa… mas acho que, no geral, nos esquecemos de os apreciar!
      Contrariamente aos muitos turistas estrangeiros que gostam de os olhar e fotografar, como vejo tantas vezes na zona de Lisboa onde trabalho e cujos prédios têm as fachadas revestidas com azulejos, algo que é muito comum no nosso país.
      Gosto de os ver fazer isso…mas também gosto muito de os apreciar!
      Muito obrigada!

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  1. Lindas as imagens. Azulejos sempre me remetem a Portugal. Aqui tem muito os chamados “cemitérios dos azulejos”, lojas que revendem azulejos raros ou fora de mercado há muito tempo, com peças que são verdadeiras obras de arte. Sempre bom conhece um pouco mais da história de Portugal.

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    1. Muitos dos azulejos antigos que estão por aí em venda foram “desviados” dos seus lugares, arrancados de antigas quintas, etc, etc. É algo que acontece muito no nosso país e fornece um mercado que compra tudo e mais alguma coisa.
      Ainda bem que apreciou o tema do post e as imagens publicadas. Este local também foi uma surpresa para mim.
      Muito obrigada e desejo um bom fim-de-semana!

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  2. muito da minha história de vida está ligada aos azulejos e construções e vivências portuguesas que ainda estão por aqui, e muito fortes, felizmente. minha avó materna é Vinhas, e ela sempre desejou conhecer Portugal. e esse desejo agora está comigo. post que me trouxe muita alegria e felicidade. muito obrigado, Dulce. o meu abraço.

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  3. I’m so jealous! This is a nice “crash course” in Portuguese tile. I think I told you my parents chose Portugal for their first-ever trip abroad, and they loved it so much. My mother came home with a few beautiful pieces of ceramic art. The old tiles in this garden are over the top, just unimaginable for this American. 🙂 I can understand why you would say the images do not convey the real beauty, but to me, they are quite beautiful. Well done! It’s good to see the “tiling spirit” continues on.

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    1. It is notorious the attraction that the tourists who visit us have for this decorative art that covers many facades of our buildings. Your mother is a good example of this!
      Our story is long, as is the history of tiles. They are well rooted in portuguese culture and tradition!
      Thank you so much for your comment and appreciation. I wish you a happy day!

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      1. And the same to you. 😉 One more part of the story – my parents did some hiking on that trip (I don’t know where) to Portugal, and my father hurt his ankle. A man in the village where they were made a cane for him out of wood from a tree. My father was very moved by this. 🙂

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      2. Very interesting this episode. And it shows the help and solidarity spirit of the portuguese. Usually we are very genuine and spontaneous.
        It’s common to associate us with fado, sadness and longing. Perhaps it’s true. But, at the same time, we are very latin, affectionate and always ready to help those in need.

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