tavira

 

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Tavira é uma urbe que se localiza no sotavento algarvio – mais precisamente a leste desta província do sul de Portugal – e comemora este ano os cinco séculos da sua elevação a cidade. Mas são longínquos os antecedentes históricos da região em que se insere, sendo vários os povos que a invadiram e ocuparam. Os primeiros conhecidos são os fenícios no séc. VIII a.C., mas foram os romanos e os árabes que por ali passaram mais tempo, aproveitando a boa localização da cidade junto ao Rio Gilão e à Ria Formosa.

O facto de ter passado recentemente uns dias de férias nesta cidade e usufruído das belas praias da região, leva-me a partilhar algumas imagens assim como alguns aspectos que me parecem interessantes.

Começando pelas praias, refiro apenas os 11 km de areal existentes na ilha de Tavira – uma das cinco ilhas barreira que protegem a Ria Formosa – e que é acessível por barco a partir da cidade de Tavira e da vila de Santa Luzia, que lhe fica próxima. Para a Praia do Barril, também nesta ilha, existe a possibilidade de ir a pé ou num pequeno comboio que atravessa o sapal sobre uma ponte aí construída.

São praias belíssimas, amplas e em que a água do mar tem uma temperatura média de 22/23ºC. Enquanto ali permanecemos a temperatura esteve nos 24/25ºC, o que foi  simplesmente fabuloso.

 

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Voltando à cidade de Tavira, esta é muito harmoniosa contrariamente a outras do Algarve em que a pressão turística levou à construção desenfreada de edifícios com grande altura. Aqui, a linha do horizonte não foi invadida por prédios altos, o que é muito agradável de constatar.

Nas duas imagens que se seguem, partilho um aspecto da cidade visualizado a partir do Castelo, uma fortaleza conquistada aos muçulmanos por volta do ano 1240 d.C. e ainda um detalhe do interior desta construção fortificada.

 

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Um olhar mais pormenorizado sobre a cidade permite perceber que mesmo as construções mais recentes harmonizam de certa forma com a traça original, seja em volumetria seja em certos detalhes arquitectónicos.

 

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O branco predomina nas fachadas e reflecte o quente sol algarvio. Aqui e ali, zonas de lazer, jardins e esplanadas permitem o descanso e a frescura que se deseja nos dias de maior calor. A Praça da República, onde se encontra o edifício da Câmara Municipal é um desses locais de encontro.

 

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São muitas as igrejas que pontuam a cidade com as suas torres brancas. Partilho apenas um aspecto geral e um detalhe da Igreja Matriz de Santa Maria do Castelo, hoje monumento nacional, e que se diz que terá sido construída entre os séculos XIII e XIV sobre a antiga mesquita.

 

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O rio que atravessa a cidade e que nasce na Serra do Caldeirão, tem dois nomes: Séqua até à ponte romana e Gilão até à foz, o que acontece na zona das Quatro Águas em plena Ria Formosa. Corre tranquilo, espelhado e refresca o ar e o olhar.

 

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A chamada Ponte Romana, já muito transformada mas ainda com algumas características dessa época, é umas das ligações pedonais existentes entre as duas margens do rio. No coração da cidade une as praças mais procuradas e é percorrida por muitos locais e turistas, sendo certo que este ano estes últimos estão bastante ausentes.

 

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Nas grades de protecção dessa ponte, assim como acontece em imensas passagens pedonais noutros lugares do mundo, os cadeados estão presentes e relembram amores anónimos que por ali passaram. Amores de hoje… e muitos certamente já do passado e dissolvidos no tempo.

Não deixa de ser curiosa esta necessidade humana de tentar materializar e  “eternizar” sentimentos tão íntimos e sensíveis de uma forma tão rígida, metálica e fria. Faz-me pensar…

 

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Ficam os cadeados como instantes de um tempo que passou… e fica igualmente por aqui este meu olhar discreto sobre a cidade.

O resto é para descobrir, porque Tavira e o seu concelho têm muito para nos oferecer.

Em harmonia, guardam lugares, história, locais de culto, natureza, belas praias, muito mar e, principalmente, um tempo de muita tranquilidade pronto a ser apreciado.

 

 

 

 

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25 thoughts on “tavira

  1. A Dulce trouxe-me tão amadas e dolorosas recordações. Tavira, mais precisamente, ilha de Tavira, foi onde passei as melhores (e mais odiosas, esquecendo esta parte) ferias de Verão por muitos muitos anos.
    É sem qualquer dúvida um lugar quase que “paradisíaco”. A sua descrição trouxe-me tantas recordações – aventuras, amizades, situações – que aí passei.
    Este ano, por volta de Setembro, irei para muito perto, Manta Rota. E este local foi escolhido pela grande proximidade à praia, senão iria de novo para a ilha, mas este ano, já não foi possível.
    Gostei tanto deste post Dulce. É das maravilhosas fotos que o acompanharam.

    P.s. essa situação dos cadeados da ponte deve ser mais ou menos recente, até à 20/14 anos atrás não estavam aí. Fiquei surpresa.

    Um beijo grande.

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    1. Associar a um lugar sensações muito boas e muitos más não é o ideal…mas se calhar é a forma de voltar a ele com alguma neutralidade…..já que os opostos se “anulam”… talvez, não sei!
      Eu e o meu companheiro gostamos muito dos areais da Ria Formosa, especialmente das zonas tranquilas e com menos gente. Da ilha de Tavira as praias eleitas são a da Terra Estreita e da Barra da Fuseta.
      A cidade de Tavira conhecia só de passagem. Agora fiquei a conhecer um pouco melhor, mas o calor era tannnnnto que não houve energia para explorar mais. Ficará para a próxima. Mas já apreciei bastante o que vi.
      Obrigada Irina, e desejo um dia criativo e feliz!

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      1. Nunca tinha pensado dessa forma, mas é um bom ponto. Um acumular de coisas muito positivas face a um acontecimento pessimo/terrível faz com que consiga pensar de forma neutra. Mas, são mais as memórias positivas, sem dúvida.
        Também adoro os extensos areais da Ria Formosa, daqueles que podemos caminhar ao longo da praia com a maré vazia e observar as inúmeras coisas que vêm na maré. Para além de que caminhar sobre a área assim não custa tanto.
        Essa zona do Algarve, também é a minha de eleição, exactamente pelos factores que a Dulce disse, menos turismo e mais tranquilidade.
        Quanto à temperatura, bem, é mesmo verdade. É demasiado quente (dependendo da altura) mas é uma constante nos meses de Verão. Recordo-me de umas férias que (também foi na Manta Rota, curioso) tivemos que mudar de casa porque a praia ficava longe e o calor era de tal forma insuportável que não se conseguia estar dentro da casa, nem dormir.
        Engraçado, tantas recordações que esses lugares me trazem.
        Um dia feliz para si também Dulce.

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  2. Ora aqui está uma cidade que não conheço! Mas depois do relato e das, bonitas, fotos fico com vontade de descobrir. Obrigado pela partilha-

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    1. O Nelson gosta muito do seu norte…mas o sul também é caminho!
      Basta pensar na vossa temperatura da água do mar a rondar os 16/17ºC e os 24ºC desta zona….que apetece logo rumar para sul!
      Obrigada e um dia a gosto!

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  3. Ainda não conheço a cidade, mas estão nos meus planos. Esta Ponte Romana é um charme, o lugar parece ser paradisíaco… A água tem uma temperatura agradável, gostei disto. Tai uma cidade para morar no Algarve né. Que foros lindas. Adorei o post Dulce, obrigada. Abraços

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    1. Sim, é certamente uma boa cidade para viver no Algarve. Não me importaria de o fazer!
      Obrigada e ….o Algarve e Tavira espera-a!
      Neste momento todos os turistas são bem-vindos e não encontram confusão!

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  4. Que fotos tão tranquilas e cheias de luz!! Apetece ir já para Tavira… que praias maravilhosas! Gostava de explorar melhor essa zona ❤ Óptimo post!

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    1. Quer a cidade de Tavira, quer a ilha com o mesmo nome que se localiza à sua frente, ou todo o Portugal no geral, gostam muito de receber visitantes e apreciadores. São todos muitíssimo bem-vindos!
      Obrigada e uma boa semana!

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  5. por vários motivos e razões, teu post me trouxe de volta a infância. claro que sei, hoje já existe uma única praia que haja tanto espaço para se sentir livre e caminhar até o horizonte, acolhendo vez por outra a água do mar nos pés…saudade daqueles anos em que o espaço existia de verdade e tudo era verdadeiro. lugar mágico o que nos apresenta, Dulce. muito obrigado. o meu abraço.

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    1. Bem, nesta região da Ria Formosa existem areais e areais que permitem esse deambular à beira mar com poucas e também sem vivalma no horizonte…e sentir tranquilamente tudo aquilo que entra pelos cinco sentidos. Eu também adoro isso, até porque fui criada no Algarve e a praia sempre foi um lugar de liberdade e exploração.
      Ainda bem que este post permitiu essa incursão pela vida e pelo tempo.
      Obrigada Fernando e desejo uma tranquila semana.

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  6. The only beaches I have seen that are remotely like these were in the Caribbean, but these are still more beautiful. And the town, so pleasant, so harmonious. You’re very lucky to spend time here. Thank you for sharing it!

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