a fuga…

Não,
não gosto de sentir
aquela ideia ou pensamento
naturalmente surgidos
e num ápice perdidos
nas névoas da memória
da idade
e do tempo.

Não,
não gosto desta memória
contraditória
que não sabe agarrar
a energia do meu pensar
e que a nega
sem escrúpulos
para depois eu procurar.

E eu,
que não gosto de perder o que é meu,
deambulo paciente
pelos labirintos da mente
buscando uma pista
detalhe ou acção
que me leve
ao que procuro,
e finalmente
agarrar com toda a atenção!

Por vezes consigo…
…muitas não!

(Nestas situações penso: “Pobre memória, não dá para tudo!”
 E sinto-me um pouco melhor…😉)

(Dulce Delgado, Março 2021)

22 thoughts on “a fuga…

    1. Sem dúvida Fernando. Há uma memória base que nos estrutura e constrói, e depois há a que vive num limbo e que, ora funciona ora está distraída e deixa passar o que teoricamente seria para registar. Neste poema refiro-me especialmente a essa memória que gosta de jogar às escondidas connosco!
      Obrigada e um dia feliz!

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    1. Logo no primeiro verso eu refiro “ideias e pensamentos”, porque são especialmente esses que eu não gosto de perder. Por vezes são “ideias malucas e pensamentos tontos”, mas têm imenso potencial, especialmente criativo.
      Quando estão associados a emoções mais fortes, esses não se perdem!
      Obrigada Antónia e um dia feliz!

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    1. Pois…e à medida que os anos passam isso é muito, mas muito mais notório. Como eu gosto de dizer…o “disco interno” está quase cheio!
      Obrigada Fernanda e aproveitemos os momentos… que não precisam muito de memória!!

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    1. Isto é como uma dança daquelas em que se vai trocando de par: por vezes, volta-se ao mesmo par e desse reencontro fica a memória registada; se não se volta a encontrar…é muito provável que caia no esquecimento.
      Enfim, complexidades da mente…
      Muito obrigada!

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  1. Lindo poema!!! E mesmo sendo mais nova identifico-me perfeitamente com o que escreves… principalmente nos últimos meses em que a cabeça não dá mesmo para tudo ❤

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    1. Pois é filha…a cabeça não dá porque estás cansada e o Vasquinho veio alterar os teus ritmos todos. Mas ao olhares para ele esqueces logo isso!
      Além disso, o equilíbrio está a caminho. Em breve ele fará as noites completas e aí…a tua memória também voltará ao que era!
      Bjs de mãe!🧡

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  2. A memória não dá mesmo para tudo Dulce. Por mais que se tente, esses labirintos da mente só nos vão mostrar o que a memória quis que ficasse nesse lugar e muitas vezes ela é complicada de entender.
    Será mesmo melhor pensar que a memória não dá para tudo.
    Um beijinho grande.

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    1. Pois, é isso que tento fazer… para não me irritar comigo!
      Há certas coisas Irina, especialmente ideias/pensamentos diferentes e com potencial criativo que não deveriam ser esquecidos. Mas vão-se… simplesmente…
      Se houver possibilidade, tento logo anotar em papel…porque “anotar na memória”…é mentira, já não resulta! Esfuma-se…… 🙄
      Bj e obrigada!

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