de castelo em castelo

Estrategicamente posicionados são imensos os castelos que enriquecem a paisagem de muitos países. Localizados normalmente em posições altaneiras, a maioria terá cumprido no auge da sua existência a missão para que foram edificados. Em Portugal são muitos os que pontuam o horizonte sendo variados os seus estados de conservação. Certo é que são lugares de muita história, mas igualmente de amplas vistas e sempre uns agradáveis locais de visitação.

Mas outros castelos existem, bem mais voláteis que estes e que tocam a nossa existência…

…é o caso dos castelos de cartas que quase todos construímos em criança e que, por mais cuidado que tivéssemos, um sopro ou um nada os faria desabar sem dó nem piedade. E lá se ia mais uma tentativa…

…também os castelos de areia passaram pelas nossas mãos. Construídos a partir de um balde ou moldados manualmente, com eles formamos efémeras paisagens que uma onda sempre acabava por engolir. Surgia então aquele “Ohhhh” que já espreitava dentro de nós o momento de se manifestar.

Já os castelos construídos longe de ondas não seriam engolidos pelo mar, mas sim destruídos pelo sol e brisas, num desmoronar lento e bem mais doloroso. Diria que para qualquer castelo de areia o fim é seguramente a destruição.

…fim semelhante mas um pouco mais prosaico têm os castelos no ar ou castelos de vento, aqueles sonhos impossíveis e sem fundamento que alimentam a nossa mente. São as utopias, grandes ou pequenas, que mais tarde ou mais cedo se vão como o vento!

…já no campo alimentar recordo o castelo da melancia, que correspondia à parte central desse fruto. É um termo que trago da minha infância e que era muito desejado por ser o mais doce e não ter pevides.

…curiosa, é também a ideia da clara de um ovo ter potencial para virar castelo, dando origem às famosas claras em castelo, aquelas construções de consistência espumosas e efémera existência que são o segredo de muitos doces e preciosas na pastelaria.

..novidade para mim, foi descobrir recentemente a existência dos termos náuticos castelo de popa e o castelo de proa, que referem zonas localizadas respectivamente nas traseiras e na frente de uma embarcação.

…em Portugal, a palavra castelo, tem ainda o potencial de emprestar o seu nome a muitos aglomerados populacionais de dimensão variada. Temos por exemplo as cidades de Castelo Branco e de Viana do Castelo, assim como as vilas/aldeias de Castelo de Paiva, Castelo Rodrigo, Castelo de Vide, Castelo Melhor, Castelo Novo, Castelo Bom, Castelo Mendo, entre muitas outras que agora não recordo. Entra igualmente no nome de uma das maiores barragens do país, a de Castelo do Bode, localizada no centro de Portugal.

…e por herança familiar, a palavra castelo é ainda apelido de muitos portugueses e provavelmente de pessoas oriundas de países de expressão portuguesa.

Porquê este divagar, perguntarão?

Porque hoje é o Dia Nacional dos Castelos.

E não desfazendo no significado deste dia no conhecimento e preservação dessas estruturas históricas ou o quanto aprecio “conquistar” mais um esteja ele onde estiver, também adoro este jogo de explorar uma palavra em todas as suas vertentes e possibilidades.

E hoje foi o dia de castelo!

31 thoughts on “de castelo em castelo

  1. Adorei. Sou fã de castelos e da arquitetura militar daquele período em que tudo era resolvido “à porrada”… vou aproveitar este dia maravilhoso para dar um salto até ao Castelo do Queijo e contemplar a beleza do atlântico desde o Forte de São Francisco Xavier que é quase um Castelo. 🙂
    Bom final de semana.

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    1. São realmente estruturas que mexem com o nosso imaginário e nos levam a viajar por aí…e também pelo tempo.
      Falando em tempo…certamente que com este tempo meteorológico primaveril o passeio de ontem até ao Castelo do Queijo foi muito agradável!
      Obrigada e um bom fim-de-semana!

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    1. É um termo que não uso, mas creio que já vi /ouvi ou li. Não me é totalmente desconhecido. Mas sem duvida que será bem aplicado em pessoas com as características que descreve…ou seja, em pessoas cheias de “defesas”.
      Muito obrigada e desejo um bom fim-de-semana.

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  2. Bonito. Eu, aqui, estou rodeada deles, vejo pelo menos 2 da minha janela, para não esquecer como foi dura e persistente a nossa defesa. Lembro-me também da melancia, que vendiam na estrada, e que nos davam 1º a provar o castelo.

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    1. Para matar a minha curiosidade, onde é que vive e já agora, que castelos recebem o seu olhar?
      Sobre as melancias que vendiam nas estradas e creio que também em mercados, recordo bem o tiraram/recortarem um bocado em profundidade para dar a provar a melhor parte, ou seja o dito castelo. Detalhes engraçadas que ficam para sempre.
      Muito obrigada e desejo um tranquilo fim-de-semana.

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      1. Em Setúbal, desde há uns anos. Vejo o Forte de S.Filipe, o Sado e Troia, a Sul, e o Castelo de Palmela, a Norte. Vivo numa zona bem alta, à entrada de Setúbal, o que permite esta vista fantástica!

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  3. Nos últimos dias passei por alguns castelos, o que não é difícil pois muitas das nossas cidades, vilas e até aldeias têm o seu. 🙂 E gostei desse jogo de palavras.

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  4. O texto da Dulce reflete a complexidade da nossa língua e os muitos significados que uma simples palavra pode ter. A minha mãe tinha uma expressão engraçada: “não faças disso um castelo”, quando alguém tentava enfatizar alguma coisa ou ver um problema onde não havia. E ao ponto mais alto da minha aldeia, sem castelo, chamamos “o castelo” 😊 . Bonita reflexão.

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    1. Esse termo não conheço, mas está bem adequado. Será talvez um termo mais local, neste caso mais alentejano, certo?
      E é muito curiosa essa “vontade” de ter um castelo, mesmo quando ele não existe. No fundo é algo tão nosso e tão comum no nosso país que quem não o tem… inventa-o!
      Acho uma delícia!
      Obrigada Antónia e desejo um fim-de-semana a gosto!

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      1. Não sei se será alentejano se era uma expressão dela, não me lembro de ouvir a outras pessoas… Obrigada Dulce e um fim-de-semana a gosto também.

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  5. Wow, you really thought of everything! I’ve never heard of the idea of the watermelon castle…and I love that you included imaginary air castles – that was brilliant! Your drawing gets right to the essence of “castle.” I didn’t know it was National Castle Day and I think I’ll have to celebrate with an imaginary one – they are in short supply over here! 😉

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    1. In this “old world” full of history, castles abound and are really part of our landscape. To know a place is almost mandatory to visit its castle, as long as it exists. I like “conquering” castles!
      They really continue to be places where the imagination has no walls!
      Thank you very much and I wish you a pleasant weekend.

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      1. Yes, it’s an old world phenomenon. The “old world – new world” idea took on vivid meaning when I finally traveled to Europe, which was only a few years ago. History can be a real anchor. I hope you have a great weekend, too!

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  6. Gosto de castelos erguidos com o poder insofismável da pedra e materiais semelhantes. Talvez porque o termo encaixava nas histórias que ouvia em criança, criei ideia completamente diversa da realidade. Em meu entender, uma princesa não podia senão viver entre brocados e conforto, isenta de correntes de ar, apesar de aposentos arejados e luminosos. Quando vi o primeiro castelo português, achei-o absolutamente impróprio para albergar a realeza. Mais tarde compreendi que os nossos castelos, na sua maioria não eram ocupados em permanência por reis e muito menos por rainhas. E que palácio não é sinónimo de castelo.
    De todos os castelos que construí, primei pelos castelos no ar, dos que desfazem como bolhas de sabão. É tarde para os erguer na areia; balde, pá, ancinho só conheci os que a realidade me apresentou em ponto grande. Talvez por terem uma mãe tão pouco dada a fortificações, não me lembro de – eles sim, tinham pás, baldes e o mais – os meus filhos construírem castelos na areia. E nada sei sobre cartas. Contudo, as claras em castelo sempre me maravilharam, são uma beleza culinária.
    Mas é verdade que existem aldeias, vilas e cidades portuguesas que copiaram o nome. E apelidos. E nomes próprios. Ser Maria do Castelo, por exemplo, dá logo um ar territorial e superior a qualquer.
    E, no entanto, acho eu, existimos fortificados.

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    1. Depois deste detalhado comentário que comenta os detalhes do post, que mais posso eu dizer senão agradecer a disponibilidade da Bea em escrever tudo isto partilhando também a sua experiência e sentires?
      Se calhar Bea, não estamos assim tão fortificados. Afinal ainda somos capazes de partilhar o que nos passa na alma, no pensar e no imaginar!🤗
      Muito obrigada e desejo um bom fim de semana.

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  7. Eu nunca construi castelos, embora goste de alguns. Um que eu visitei na infância para conhecer uma lenda da região. Mas não sou muito fã dessas edificações antigas. Mas, adoro certas lendas que se orientam por suas paredes.
    Eu desenhei um, certa vez e a professora resolveu analisá-lo… era apenas um desenho, mas ela enxergou lendas muitas ali e eu me diverti com a análise.
    Gostei do seu post e que bom que a data o motivou, permitiu-me saber mais.

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    1. Creio que todos nós já construímos algures um “castelo” daqueles voláteis e que habitam o imaginar. Esses são de arquitectura simples e quando se desmoronem, geralmente as consequências não são muito graves….
      Enfim, entre castelos, gradeço a leitura e o comentário!
      E desejo uma boa semana!

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