2022

A proximidade de um novo ano enche-nos de esperança e de futuro, mas é igualmente a altura em que surge o maior pensamento-incógnita de todos, ou seja, irá a Vida permitir-nos usufruir dos próximos…

… doze meses

… cinquenta e duas semanas

… trezentos e sessenta e cinco dias?

Pessoalmente e em seu seguimento, logo outros pensamentos surgem na minha mente…“Se assim for, como evidentemente gostaria, ficarei muito grata, tal como estou grata por este ano que agora termina; mas se tal não se concretizar, será certamente porque terei outro caminho a percorrer. E aí, onde quer que esteja, gosto de imaginar que também estarei grata pela Vida que tive e pelo que nela partilhei…”

……..

O futuro…

… o futuro está neste bater de coração que a minha mão sente quando a encosto ao peito. Muito objectivamente são, em média…

… 72 batimentos por minuto

… 4320 numa hora

… 102 680 num dia

Perante esta evidência tão orgânica como maravilhosa, SIM, prefiro ir vivendo e saboreando um dia de cada vez. Prefiro ir vivendo as imensas 102 680 batidas diárias do meu coração e apreciando o facto de me manterem viva, activa e até aqui saudável.

Mesmo que nestes dias de transição de ano vagueemos pelo futuro, pela esperança, pelos sonhos, desejos e por toda essa panóplia que a mente adora envolver-nos, agarremos com as nossas mãos cada momento que nos é oferecido por este coração que bate dentro de nós. Com apreço, ternura e gratidão.

Seja qual for o significado desta passagem para cada um de vós, que seja um bom 2022 para todos!

boas festas!

O meu neto, agora com dezasseis meses, adora luzes e de andar com o dedinho no ar a apontar para tudo o que brilha e a dizer “uzzz  uzzz”. Para ele, a luz é algo mágico que neste momento o fascina e atrai de sobremaneira.

Para mim Luz é esperança, energia positiva, caminho, descoberta, magia, transcendência, paz… algo que o mundo no geral e cada um de nós em particular precisa de “conquistar” e sentir.

Seja qual for o significado associado a este termo…

…que a Luz, real ou imaginária, simples ou transcendente, esteja presente no vosso Natal e no Novo Ano que se aproxima. Isto significa que, em tons de Luz e de amizade, desejo a todos umas BOAS FESTAS!

(Obrigada minha filha, pela ajuda técnica com a fotografia!)

inverno

O Inverno chegará hoje ao hemisfério norte quando faltar um minuto para as 16 horas. .

Neste cantinho da Europa prevê-se um dia cinzento, chuvoso e desagradável, fazendo justiça às suas melhores qualidades. Nós agradecemos, esperando que assim continue. A realidade diz-nos que precisamos dele bem molhado, porque o solo e os aquíferos precisam da sua frescura. Certo é que, sem excepção de raça, credo ou riqueza, todos dependemos desse precioso líquido para viver.

A essa vertente húmida e desagradável mas cada vez mais importante responderemos com protecções, aconchego…e paciência! Pelo menos os que podem dispor disso…

Bem vindo Inverno a este estranho 2021! Que seja um profícuo tempo de recolhimento e interiorização!

(para os que vivem abaixo da linha do Equador, que seja um Verão a gosto de cada um!)

árvore do ano 2022

Como tem acontecido nos últimos anos, mais uma vez estou aqui para alertar os apreciadores de árvores que até ao próximo dia 5 de Janeiro está a decorrer a votação para a eleição da Árvore do Ano de Portugal 2022. Mais do que o aspecto visual das espécies a concurso, é importante conhecer as suas histórias e ter isso em conta no momento da escolha.

Passem por aqui e escolham dois entre os dez exemplares que estão a concurso. No final, o que ganhar irá representar o nosso país na eleição da Árvore Europeia do Ano 2022.

Vale a pena conhecer estes guardiões da Natureza!

diálogos de outono

Gosto de “brincar” com as dádivas do Outono, seja com as folhas secas seja com as sementes que ele nos oferece. Esta ultima brincadeira juntou duas pacíficas castanhas e duas irrequietas sementes de tipuana.

Na foto acima algo não estava a correr bem entre as sementes-pássaro, revelando ambas uma evidente situação de confronto. Porém, decidiram dialogar e, como todos bem sabemos, os conflitos resolvidos com base no diálogo levam normalmente a um entendimento/conciliação e ao restabelecimento do equilíbrio.

Foi exatamente isso que aconteceu com esta dupla de sementes….

…que, tranquilamente num recanto de minha casa, desfruta em paz estes últimos dias deste Outono!

🤗🌰💕🍂

ao ritmo de um chá…

Entre as mãos e a alma
uma chávena de chá
aquece    
e acalma,
infusão de natureza
que o corpo recebe
com paz
e gentileza!  

15 Dezembro – Dia Internacional do Chá 
Na origem deste dia dedicado ao chá não está propriamente a temática deste pequeno poema, ou seja o prazer de o degustar, mas algo mais profundo e que se prende com os problemas associados à sua produção, como é o caso dos direitos dos trabalhadores e preços justos na sua comercialização. 
Para nós é muito fácil ir a uma loja, adquirir um pacote de chá e apreciá-lo com toda a tranquilidade. Porém, esse gesto simples resultou do trabalho de muitos, por vezes sem condições nem direitos. Aliás, como acontece em muitos dos produtos que fazem parte da nossa vivência diária.
Por isso, lembrar a existência destes datas é importante e, no mínimo, podem-nos levar a reflectir sobre a origem de algumas das nossas escolhas.

momento único

Nas entranhas da cidade,
dois olhares
presos no magnetismo de um instante.

Unidos ficaram
num momento doce, intenso e único,
apenas o tempo de uma paragem
infinitos segundos
antes de outra viagem.

Partiu o Metro
e a janela que os uniu,
prolongando-se o olhar até ao túnel
desaparecendo no escuro
mas não em quem o sentiu.

Nas entranhas de um corpo
ou na memória da idade,
ficou aquele olhar
pairando pela cidade.

Dulce Delgado, desenho e poema (1978/79?) 

solo

A leitura de uma qualquer enciclopédia diz muito sobre este termo, designadamente sobre a sua origem, composição, tipos, função, etc., sendo certo que cada um de nós e especialmente cada área de actividade olhará para ele de forma diferente. Provavelmente um agricultor não olha para o solo de mesma forma que um biólogo, e este último não o verá pelo mesmo ângulo de um engenheiro civil ou de um arquitecto.

Todos estão certos dentro das suas lógicas, pois é no solo que muito acontece. Aí se constroem as casas que habitamos, criam-se espécies animais e vegetais (muitas das quais são a base da nossa alimentação), nascem fontes ou correm linhas de água que são vitais para todos. Além disso é aquele lugar em que a natureza exprime muita da sua beleza e exuberância.

O solo resultou da passagem do tempo e da actividade dos elementos sobre a “rocha- mãe”, processo erosivo que deu origem a estratos diferentes, de maior mobilidade, porosidade, mas também férteis e ricos em nutrientes…uma camada que, por ter essas características, é leito de sementes e raízes, abrigo de espécies e um polo de vida que gera vida. É seguramente a componente fértil da terra, qual útero superficial que recebe com alegria a água que a penetra assim como o abraço do sol ou o do ar que tudo envolve.

Se divagarmos um pouco podemos ver o solo como a parte “humana” do planeta… como aquela pele ou camada superficial mais orgânica e moldável que se adaptou às deformações, reviravoltas e convulsões da crosta terrestre.

Com essa versatilidade, ele é suporte, sobrevivência, palco… e nele a Vida acontece. Basta vermos que é directamente sobre ele que nasce a maioria dos animais ou que os ovos de muitas espécies são incubados.

Já para muitos de nós, talvez pelo facilitismo que nos habita ignoramos amiúde o seu poder, energia e generosidade. É algo adquirido que está ali, simplesmente, e que mais facilmente somos capazes de explorar/deteriorar do que o apreciar ou proteger. E não deveria ser assim.

Amanhã será o Dia Mundial do Solo, um bom momento para reflectir sobre este precioso recurso terrestre.