instantes #54

Praia de Santo Amaro, Oeiras, Portugal, Junho 2021
(Um mar bem tranquilo para equilibrar o mar irreverente do ultimo post!)

 

Bom fim de semana!ūüĆě

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mar do meu olhar

Enormes,
as ondas envolviam-se sobre si
num aconchego ao espaço
e olhar para o interior.

Crescendo em tamanho e força
libertavam um véu
que se desfazia no tempo
no vento
no mar
e no espanto do meu olhar!

Por fim,

a explos√£o
e a festa do branco,
um campo de espuma
como um campo de neve,
sem desaparecer
sem nunca deixar de ser!

Apetece tocar…
Apetece fugir…

Estranho o mar
e as suas formas…
…estranhos os sentimentos que me provoca!

Sempre presente na minha vida,
querendo o meu sentir
agarrando o meu fugir,
n√£o me permitindo deixar de olhar.

Porque é mar
de amar…

…e porque eu tenho medo!

Para este Dia Mundial do Mar (26 Setembro)…
…partilho mais um poema antigo, n√£o datado, mas sempre actual no meu sentir…e a acompanh√°-lo uma imagem obtida em 2017 na Praia da Costa Norte (ou Guia), em Sines.
Estavam umas ondas belas, assustadoras e inesquec√≠veis!  

pela ilha da madeira (IV)

Dou as boas vindas ao Outono com um √ļltimo post sobre as f√©rias de Ver√£o na ilha da Madeira. Creio que √© tempo de terminar esta tem√°tica no Discretamente, apesar do tema de hoje ‚Äď os seres vivos ‚Äď sempre terem a nossa aten√ß√£o durante todo o ano.

Ao longo dos dias que permanecemos na Madeira foram muitos os animais que cruzaram o nosso olhar e que nos ‚Äúcumprimentaram‚ÄĚ, seja em passeios realizados pelo interior da ilha seja na zona costeira.

Come√ßo por aqueles que utilizam o solo como seu habitat principal….

…e a√≠, a sensa√ß√£o com que ficamos √© que os lagartos/lagartixas foram os mais vistos especialmente nas zonas mais perif√©ricas e soalheiras da ilha. De tons diversos, eles est√£o em muros, pedras ou no calhau rolado, bastando apenas um pouco de aten√ß√£o para logo os ver. S√£o fugidios mas, se pararmos em pouco, s√£o capazes de se aproximar….de tal forma que estando eu sentada tranquilamente num muro a apreciar o mar‚Ķolho para o lado e vejo um a explorar o exterior da minha mochila. Reagi e ele logo fugiu. Digamos que os aprecio, desde que n√£o entrem no meu ‚Äúterrit√≥rio pessoal‚Ä̂Ķ

Leves, ágeis e apreciadores quer da terra quer do mar, os caranguejos merecem uma referência, pois foram muitos os que vimos.

De patas bem assentes no solo mas bem mais possantes e pachorrentas, as vacas  cruzaram o nosso caminho em v√°rios momentos, sempre com aquele ar que as caracteriza que fica entre a indiferen√ßa e a tranquilidade. Cabras e ovelhas deram igualmente um ar da sua gra√ßa‚Ķ

Dispersando um pouco o olhar, √© altura de me centrar naqueles que conseguem voar. Vejamos primeiro as aves…

…ficamos com a sensa√ß√£o que quem reina na ilha s√£o os soci√°veis tentilh√Ķes, mais ou menos coloridos consoante o sexo ou idade. A ave que inicia este post √© um tentilh√£o macho j√° adulto. As f√™meas, como geralmente acontece no mundo das aves, s√£o bem mais s√≥brias.

Adaptaram-se t√£o bem √† din√Ęmica dos muitos turistas que visitam a ilha, que fazem da sua presen√ßa uma mais-valia. Constatamos que muitos procuram o final dos trilhos, locais onde a maioria das pessoas p√°ra para descansar, comer qualquer coisa‚Ķe a√≠ deixar migalhas! Ent√£o √© v√™-los a aproximar-se sem qualquer medo, como mostram as duas fotos que se seguem.

Este permaneceu perto de mim, por imenso tempo!

Para al√©m dos tentilh√Ķes foram poucas as esp√©cies de aves que vimos. Pela minha parte apenas consegui fotografar uma lavandeira (que no continente tem o nome de alv√©loa-cinzenta) e um pensativo garajau comum a apreciar a ondula√ß√£o!

Saltit√Ķes ou voadores, os insectos s√£o sempre um desafio. Ainda consegui captar estes gafanhotos (um maior e outro pequen√≠ssimo), um escaravelho (?), uma aranha e v√°rios abelh√Ķes, ficando aqui apenas o melhor exemplar deste √ļltimo.

Por fim, as borboletas! Sempre irrequietas e coloridas, foram muitas as que vimos. Eu porém, apenas consegui fotografar decentemente estes dois exemplares que se seguem.

Mas sendo estas férias partilhadas com o meu companheiro e um tempo inesquecível para ambos, termino com mais três exemplares de borboletas lindamente fotografadas por ele (Jorge Oliveira) e de que gosto muito.

Se estas f√©rias foram um “voo a dois”, que este final seja tamb√©m de ambos!

Para terminar…

… desejo sinceramente que a mudan√ßa de esta√ß√£o hoje ocorrida – Outono para uns e Primavera para outros – seja um tempo de tranquilizar o mundo e, indirectamente, de tranquilizar a Vida de todos n√≥s.

Bom fim-de-semana!ūüćÄ

doce notícia!

Dois anos e um mês depois do Vasco ter nascido e de eu adquirir o estatuto de avó, posso agora partilhar convosco que, se tudo correr como previsto, na próxima Primavera serei duplamente avó.

A notícia foi divulgada de uma forma extremamente criativa como bem mostra o grafismo da t-shirt que o meu neto vestiu nesse dia.

Dou os meus parabéns aos papás designers pela engraçada ideia que tiveram e ao meu neto por desempenhar tão bem o papel que lhe foi atribuído neste futuro evento familiar.

Entretanto‚Ķ.se a alegria e a ternura que este tipo de not√≠cia sempre envolve s√£o uma realidade nas minhas emo√ß√Ķes, quando a minha parte mais racional prevalece incomoda-me muito o estado do mundo onde esse beb√© ir√° nascer e os meus netos ir√£o crescer.

Diria que aquele optimismo ‚Äúgen√©tico‚ÄĚ que sempre me habitou est√° em fase de reflex√£o perante tanta insensatez, gan√Ęncia, guerras absurdas, despotismo, etc., e pelo mais que evidente desequil√≠brio ambiental que nos envolve.

N√£o √© agrad√°vel pressentir um futuro que n√£o gosto para os meus netos. √Č certo que eles aprender√£o a viver nele, criar√£o defesas e espero que tudo fa√ßam para o melhorar.

Pela minha parte e enquanto a vida me permitir, tentarei ser aquela avó que prefere a paz e a sensatez, que respeita muito o outro e ainda mais a natureza e, especialmente, que sempre valoriza o imenso que temos e que nos rodeia.

Para j√°, o √ļnico e mais profundo desejo √© que tudo corra bem com a futura mam√£ e seu rebento!

(Foto de Diana Oliveira/ André Simóes)

pela ilha da madeira (III)

Os detalhes…

…um a um, eles vão encaixando como um puzzle e formando uma realidade paralela que complementa a paisagem. São pequenos mosaicos de uma grande construção e um verdadeiro privilégio da natureza, seja nesta ilha seja em qualquer lugar do mundo.

Olhando para o solo…

…ele √© o grande recept√°culo da √°gua/humidade existente. Por ele correm rios, ribeiros, canais e levadas‚Ķ repousa a √°gua das chuvas e dos nevoeiros‚Ķ. assim como toda a que se condensa na vegeta√ß√£o em quantidades inconceb√≠veis.

Esse solo √© por isso o cerne da vida e √ļtero de uma imensa rede de ra√≠zes de uma flora caracter√≠stica e muito diversificada. Mais recentes ou centen√°rias, formam um verdadeiro mundo subterr√Ęneo que espreita √† superf√≠cie.

O nosso caminhar afaga-as e talvez as perturbe. Ou talvez n√£o. Certo √© que nos oferecem beleza e expressividade, mas em troca requerem aten√ß√£o pois, sendo muitas vezes escorregadias‚Ķ facilmente passam uma ‚Äúrasteira‚ÄĚ √† nossa desaten√ß√£o.

As bermas das levadas mostram uma vegeta√ß√£o de beleza √ļnica composta por fetos, musgos e muitas outras esp√©cies. Deliciam o olhar dos mais atentos e est√£o ali para ser apreciadas.

Alguns caminhantes porém, percorrem os trilhos com tamanha velocidade que me pareceu nada verem….

Os fetos têm nesta ilha um dos seus paraísos. Abrindo-se em folhas gigantes ou de pequena dimensão, a sua presença é realmente marcante. E o seu desabrochar é e será sempre um detalhe que nos encanta.

√Č aqui, neste mundo dos fetos que encaixa a fotografia inicial deste post, uma imagem simb√≥lica e onde encontro uma bel√≠ssima e solid√°ria parceria visual entre um tronco queimado/cortado e o feto que a seu lado cresceu empaticamente. Gosto de imaginar que a solid√£o e tristeza deste tronco assim ficou menor…

√Č importante referir que a Madeira sofreu grandes inc√™ndios na ultima d√©cada, creio que em 2010 e 2016, eventos que deixaram feridas ainda bem vis√≠veis em v√°rios locais.

Erguendo um pouco o olhar….

…t√£o ou mais expressivos que as ra√≠zes s√£o os troncos, solo e abrigo de muitas esp√©cies e onde naturalmente a vida ganhou novas formas. Tamb√©m aqui, fungos, musgos e l√≠quenes s√£o uma presen√ßa que o olhar n√£o consegue ignorar.

A beleza est√° na vida mas tamb√©m a encontramos na morte, especialmente no reino vegetal. A expressividade das √°rvores e troncos secos, s√£o puros gritos de beleza para as nossas emo√ß√Ķes.

Diversificando o olhar √© tempo de reparar nas flores, um verdadeiro ex-libris desta ilha que lhes dedica  inclusivamente uma festa em cada Primavera. Pela minha parte lamento que tantas sejam plantadas e depois cortadas para decora√ß√£o desse evento. Pessoalmente isso d√≥i-me.

Neste post apenas me interessam as flores que decoravam os caminhos por onde andamos. Foram muitas, variadas e sempre belas, na sua simplicidade ou sofisticação.

Destaco o massaroco da Madeira, uma planta end√©mica que marca presen√ßa em muitos lugares, especialmente de m√©dia altitude. Formam feixes de flores c√≥nicas de tom azul-lil√°s e s√£o sempre um encontro agrad√°vel sejam quais forem as condi√ß√Ķes atmosf√©ricas envolventes.

Detalhe maior relacionado com esta ilha e que não pode realmente ser esquecido são as bananas, um fruto com características um pouco diferentes das que consumimos normalmente, uma vez que são mais pequenas e o seu gosto ligeiramente diferente.

S√£o cultivadas em grande escala a baixas altitudes, especialmente nas vertentes e faj√£s do lado sul.

Das muitas fotografias que tirei na Madeira, o foco esteve essencialmente na paisagem e na flora, mas também na fauna, temática que estará presente no próximo post desta série e que será o ultimo sobre as férias de 2022.

Mas outros detalhes despertaram a minha aten√ß√£o, nomeadamente a n√≠vel da geologia, sendo com dois deles que termino este post. Fazem parte de um lote de imagens captado na Ponta de S. Louren√ßo, no √ļltimo dia e antes de nos dirigirmos para o aeroporto. 

Escolhi-os por serem curiosos e por transmitirem um dinamismo que √© real e constante neste planeta que nos recebe. Certo √© que, ao observ√°-los, quase consigo ver o movimento daqueles n√ļcleos a virem √† superf√≠cies e a serem ‚Äúparidos‚ÄĚ pela terra. Mas escolhi-os, especialmente, porque foram os √ļltimos detalhes fotografados antes do regresso.   

Num sil√™ncio p√©treo, estes ‚Äúfilhos” daquela terra despediram-se do nosso olhar. E n√≥s simplesmente agradecemos!

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Porque o teu olhar aprecia a simplicidade…..

…porque prefere “aquele menos” que diz mais‚Ķ

…e porque sempre consegue encontrar no aparentemente banal aquela linha de for√ßa, energia ou est√©tica que pode tornar algo mais belo…

‚Ķofere√ßo-te neste dia uma fotografia que tirei no in√≠cio deste ano e que muito aprecio. Na sua subtileza encontro uma certa transcend√™ncia, seja na nudez dos troncos que revelam o essencial, seja nas n√©voas que temos que ultrapassar para chegar √† clareza, √† luz e a um ‚Äúc√©u mais azul‚ÄĚ.

Gosto da sua harmonia, mensagem e por este pouco me dizer-me tanto. E hoje gosto especialmente porque sei que também a irás apreciar.

A par destas palavras é o que te quero oferecer neste mundo virtual. No real terás muito mais. Haverá presenças, partilha e sentirás aquele abraço especial e aquela ternura que só uma mãe sabe dar. E que tu como mãe, já sabes bem como é profundo, intenso e tudo preenche.

Muitos parab√©ns minha filha!ūüß°