ao outono…

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Com o fim do Verão, instala-se progressivamente uma certa acalmia nas energias que nos movem.  Se por um lado sabe bem essa travagem, por outro fica um certo saudosismo do tempo que termina, um período de maior movimento, luz, cor, energia e actividade. É um tempo naturalmente diferente, porque é diferente a energia que o modela.

Apesar de estar um dia abrasador, o Outono entrou hoje no calendário e na nossa Vida. Por isso partilho um poema que, sempre que o leio, associo à energia do Outono…à energia do “olhar para trás”… da nostalgia… da saudade…e de uma certa interiorização.

Foi escrito em 1949 por Teixeira de Pascoais (1877-1952), o autor mais representativo do saudosismo português, aquele estado de alma tão associado ao nosso povo. Apesar de não apreciar muito essa visão nem a forma como por vezes ele a expressa, gosto deste poema pela simplicidade, pelo olhar sobre o tempo, seja na vida que passou ou na natureza que se modifica.

Com ele, fica o meu desejo de um Outono (que para outros será Primavera), conjugado ao gosto e ao tempo de cada um!

 

Que saudades eu sinto desta flor,
Que vai murchar!
E desta gota de água e de esplendor,
Um pequenino mundo que é só mar.
E desta imagem que por mim passou
Misteriosamente.
E desta folha pálida e tremente
Que tombou…
Da voz do vento que me deixa mudo,
E deste meu espanto de criança.
Que saudades de tudo eu sinto, porque tudo
É feito de lembrança…

 

 

Versos Pobres (LXVII) – Poesia de Teixeira de Pascoaes
Org. de Silvina Rodrigues Lopes
Lisboa, Editorial Comunicação, 1987

 

 

 

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cinema solidário

 

 

O que de verdade importa… é ir ao cinema visualizar este filme, sabendo que o valor da receita terá um fim solidário. Em Portugal será para a nova Unidade de Transplante de Medula do Instituto Português de Oncologia de Lisboa, dando continuidade à onda solidária que já percorreu vários países e ajudou muitas instituições. O promotor desta iniciativa é Paco Arango, o seu realizador.

Há quinze anos,  ele decidiu que deveria fazer algo diferente como forma de agradecer a vida feliz que tinha. Resolveu então ser voluntário numa instituição que tratava crianças com cancro, o que ainda continua a fazer. Além disso, abraça várias causas que lhe permitem angariar fundos para a Fundação Aladina que criou em Espanha em 2005, cujo objectivo é melhorar a vida de crianças com cancro e, implicitamente, a das suas famílias.
Os filmes que realizou, Maktub em 2011 e o que agora refiro e que originalmente tem o título The Healer, tiveram ambos um fim solidário.

É importante referir que esta película é dedicada a Paul Newman (1925-2008), actor que em 1988 fundou a rede de acampamentos de crianças doentes Serious Fun Children´s Network, que conta actualmente com trinta espaços espalhados pelo mundo. Em 2007, Paco Arango conheceu Paul Newman, momento que lhes  permitiu perceber que tinham objectivos solidários comuns.

O que de verdade importa, é um filme que celebra a Vida, misturando a comédia, o drama, o realismo e a magia num perfeito equilíbrio. Estreou a 13 de Setembro em Portugal e está disponível em muitos cinemas do país.

Vale a pena a sua visualização, porque são 113 minutos em que damos um pouco… e muito recebemos!

 

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Imagem de Paul Newman com crianças retirada de
http://www.grandmagazine.com/2018/09/the-best-week-of-their-lives-paul-newmans-promise-to-kids/

 

 

 

harmonias

 

 

Harmonizar continentes, países, raças, sexos, ideias e sentimentos faz parte do imaginário de muitos de nós. Porém, neste mundo um tanto “cor-de-rosa” em que habito, isso é simples através da música e de algumas vozes que se harmonizam em duetos, como as que hoje partilho.

– No video inicial, Robert Plant, ex- Led Zeppelin e Alison Krauss, cantora country e violinista, juntaram o Reino Unido e os EUA no álbum Raising Sand (2007). Umas das faixas intitula-se Your long journey, um tema antigo e já cantado por outros artistas. Mas as suas vozes harmonizam na perfeição!

 

– Também Vanesa Martín, espanhola, se aliou no final de 2017 ao angolano Matias Damásio e em conjunto cantaram Porque queramos vernos, um dos temas que integra o álbum Munay, editado por esta cantora em 2016.

 

 

– E por último, sugiro o tema Naturalmente Naturalmente incluído no álbum Já É (2015) do artista brasileiro Arnaldo Antunes, aqui cantado em parceria com a portuguesa Manuela Azevedo, um dos elementos do grupo Clã.

 

 

E assim, discretamente, talvez o mundo tenha ficado um pouco mais harmonioso neste domingo à tarde….

 

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No início deste blog, em 2016, partilhei um post com alguns temas igualmente cantados em dueto. De certa forma, o post de hoje complementa esse, pelo que seria interessante passarem por ele e ouvirem as parcerias aí incluídas e que também aprecio bastante.

 

 

 

 

criativa paciência

 

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A paciência manifesta-se de inúmeras formas e põe à prova a nossa capacidade de resistir e de não desistir.
Ser paciente é igualmente uma forma de aprendizagem, que engloba não apenas o saber esperar, mas também o tolerar os outros com as suas diferenças e, mais difícil ainda, a capacidade de controlarmos as nossas impaciências.

De certa forma, a paciência também está associada ao “silêncio” da expressão artística. O acto de criar é suficientemente elástico para se situar entre a espontaneidade emocional de um momento e a elaboração detalhada e minuciosa de uma obra extremamente exigente em paciência. Neste último caso, porventura ainda associada a um trabalho prévio de procura e planeamento.

É precisamente um destes casos que quero hoje partilhar. Refiro-me ao trabalho realizado em meio natural por James Brunt, artista que encontra na natureza os materiais e o suporte para as suas mandalas. Isso é muito interessante, tal como o facto de estarmos perante obras muito exigentes em paciência mas simultaneamente efémeras, porque em meio natural os elementos e as condições não podem ser controladas. A natureza decide e…

…uma chuvada, uma rajada de vento ou uma onda rasteira nascidos de um momento…poderão, em segundos, pôr fim a horas e horas de trabalho e de muita concentração….

James Brunt é, sem dúvida, um artista com uma enorme paciência e certamente uma personalidade muito curiosa!

 

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(Todas as imagens foram retiradas do site do próprio artista)

 

 

 

quatro mãos

 

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Falar deste maravilhoso instrumento que são as nossas mãos, é falar de precisão, coordenação, harmonia, perícia, elegância, expressão, sentimento, habilidade e muito, muito mais. Também poderia referir o lado sombra das mãos, mas tal não é relevante para hoje.

Por fazerem parte do nosso corpo são uma forma de nos relacionarmos, de partilhar sensações, de sentir o que nos rodeia, de expressar sentimentos e de materializar as capacidades que nasceram connosco (e com elas!), desde que estejamos dispostos a fazer essa exploração ao longo da vida.

Se uma parte da nossa sensibilidade depende da relação que estabelecemos com os nossos sentidos – relação que pode ser mais ou menos íntima – de certa forma as mãos/tacto são a vertente mais dinâmica dessa relação. Mas todos os sentidos “brincam” e cooperam entre si, em diálogos vividos de uma forma activa e relativamente consciente.

Num músico instrumental, a audição brinca com os sons através das mãos. E estas dançam sobre as teclas de um piano, nas cordas de uma guitarra ou na sensibilidade de qualquer outro instrumento. Hoje, porém, escolho o piano e a guitarra portuguesa, e as mãos da pianista Maria João Pires e do guitarrista Carlos Paredes. Porque neste dia 23 de Julho, a primeira completa setenta e quatro anos de vida e o segundo catorze anos que deixou de estar entre nós.

Dois artistas incríveis, dois lutadores, e quatro fabulosas mãos que encantam os nossos sentidos e a nossa alma.

 

 

 

Como portuguesa, lamento que Maria João Pires desiludida com Portugal e com as suas instituições, tenha saído do país há cerca de uma década, vivendo actualmente no Brasil. Mas a minha admiração por ela não diminuiu.

 

 

 

dia da espiga

 

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Segundo o calendário católico, quarenta dias após a Ressurreição de Cristo ocorre a festa da Ascensão, evento religioso que sempre sucede a uma quinta-feira. Este ano é a 10 de Maio, hoje portanto.

Por todo o país, mas especialmente a sul de Portugal onde o cultivo de cereais é mais abundante, este dia está associado ao Dia da Espiga, uma tradição que consiste na recolha de várias espécies vegetais e com elas compor um ramo que irá passar um ano pendurado atrás de uma porta, até ser substituído por um novo no ano seguinte.

Nesse período, ele protegerá a habitação de energias menos boas e chamará a abundância. A sua boa energia estará relacionada com o facto de ser recolhido no auge da Primavera, uma época de luz, cor e vitalidade, e que para além de marcar o início da época das colheitas está associada à fecundidade da terra. Nesse ramo…

…as espigas de cereal representam o pão; as papoilas vermelhas o amor e a vida; o ramo de oliveira, o azeite, a paz e a luz; os malquereres, o ouro e a prata, ou seja a riqueza; o alecrim, a saúde e a força; e o ramo de videira, o vinho e a alegria.

 

Neste dia, todos os anos regresso à infância. E recordo a imagem de minha mãe, mulher nascida a sul e aberta a tradições, a cumprir o ritual da apanha da espiga com as filhas a acompanhar. Depois o tempo passou, a vida mudou, as circunstâncias também e esse detalhe foi-se perdendo no tempo.

De vez em quando um ramo de espiga oferecido ou comprado (porque na cidade não existem prados…e as quintas-feiras são dias de trabalho!), entra serenamente em minha casa e aí se instala…até ser substituído por outro mais activo e com energias “actualizadas”.

Gosto destas tradições que ainda circulam na memória da vida e dos povos. Porque, se pensarmos um pouco mais nesta ideia de “unir” num ramo as energias que nos movem e que dão sabor à vida é algo de encantador. Manter este “microcosmos” literalmente pendurado na alma da nossa casa protegendo e energizando a nossa vida, poderá ser um absurdo para muitos ou visto apenas como algo do passado por outros….eu acho um acto delicioso, curioso e muito simbólico!

Termino com o link para a página de onde retirei a imagem acima e que descreve com algum detalhe outros aspectos associados a este dia e à forma como ele é vivido em várias regiões do país.

 

 

 

versatile blogger award II

 

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Fazendo uma analogia com a natureza, diria que The Versatile Blogger Award é uma espécie de brisa que de vez em quando sopra com mais intensidade pelos meandros da blogosfera. Quando surge, agita um pouco a floresta de blogs que todos cultivamos, incide sobre alguns de uma forma mais activa e, depois, segue viagem ou fica adormecida até ser reactivada e voltar novamente a agitar a tal floresta. Deduzo isto porque, tal como aconteceu em Junho de 2017 em que o Discretamente recebeu três nomeações em poucos dias, agora, quase um ano depois, num único dia ele sentiu essa brisa duas vezes, uma proveniente do Fernando Rosano, autor do ChronosFer2, e outra vinda da Fernanda Leal, autora do Essência da Poesia, dois Fernandos cujo trabalho e sensibilidade sigo com carinho.

Agradeço pois o facto de ambos apreciarem o Discretamente e de o terem indicado para o VBA. Muito obrigada.

Entretanto, e apesar do título ser similar, ao verificar muitas diferenças entre o que me estava a ser agora solicitado e a nomeação anterior, a minha faceta racional entrou em acção e foi pesquisar na Internet. E rapidamente percebi que este “jogo” criou uma grande autonomia e foi alvo de muitas mutações. Para além do “logo” que se deve inserir já ter inúmeras versões, também as regras variam imenso: em Junho de 2017 foram quinze o número de blogs a nomear, agora sugerem dez; também a suposta forma de nos darmos a conhecer é sempre diferente: aqui pedem dez pontos, noutros sugerem onze pontos, em Junho de 2017 pediram-me sete e, noutros ainda, o VBA sugere perguntas para serem respondidas.

Perante tantas possibilidades e considerando que a ideia inicial deve ser respeitada, vou seguir exactamente a conduta de Junho de 2017, que se baseou nas regras indicadas no site do The Versatile Blogger Award. Isto significa que:

– o “logo” inserido é um dos quatro disponíveis nesse site
– indicarei quinze blogs e não dez como me foi agora pedido
– e apenas me darei a conhecer, em sete pontos, às pessoas que me nomearam, o que farei oportunamente através de e-mail.

 

Quanto aos blogs que vou indicar…

… não obstante apreciar devidamente o trabalho de quem me nomeou, considero que não tinha sentido inclui-los na lista. Mas podem o Fernando e a Fernanda crer que estão virtualmente presentes!

… não vou indicar blogs já nomeados em Junho de 2017, pois julgo ser mais interessante dar a vez a outros;

… optei pela ordem alfabética, a forma que me pareceu mais justa para os apresentar.

Passo então a citar:

Amanhã tanto faz de Rafaela Manicka

Depressão com poesia de Cristileine Leão

Divagações & Pensamentos de Geraldo Cunha

Inevitávell de Lucas Sobreira

Listas de Viagem de Zilka Saleh

Lucão de Lucão

Maria Sccarlet de Cris Coelho

Mentiras relativas de Line

Misselenka de Elena

O bem viver de JC Dattoli

O blog do Jauch de Eduardo Jauch

O terceiro acto de Bia Perez

Poesia-me de… Poesia-me

P.R. Cunha de Paulo Renato Cunha

The Perimeter de Quintin Lake

 

Creio que o principal interesse deste tipo de jogo é conhecer outros blogs e formas mais ou menos criativas de escrever e de estar na vida. Por isso, se alguns dos autores indicados optarem por dar continuidade ao processo, será interessante. Se não o fizerem, significa que a brisa do VBA lhes passou apenas ao lado!

Por aqui, o Discretamente ainda sentiu esta brisa!