the versatile blogger award

 

vba

 

Foi com curiosidade e surpresa que recebi de Fernanda Leal, autora do blog Essência da poesia, uma agradável mensagem informando-me que incluíra este espaço na sua escolha para o Versatile Blogger Award. Ignorando o que tal significava, fui investigar, chegando à conclusão que se tratava de um incentivo e de uma espécie de corrente que fomenta a partilha e a divulgação de blogs no vasto mundo da blogosfera. Curiosamente, dois dias depois ao passar pelo blog Documento de viagem, verifiquei com surpresa que em Maio fora igualmente indicada pelo casal Paula e Marcelo e, ontem mesmo, recebi de Sandro Ernesto, do blog Panografias, outra nomeação. Obviamente que fiquei satisfeita, porque significa o reconhecimento do Discretamente pelos seus pares.

Consultado o site do Versatile Blogger Award e lidas as regras, resolvi então aceitar o desafio proposto, começando por agradecer a esses três bloggers que me nomearam.

Em seguida, devo indicar quinze blogs do meu agrado. Escolha difícil, porque todos os que acompanho têm algo que aprecio. Para facilitar a selecção, decidi que deveriam ser escritos em português (de Portugal ou do Brasil) ou ainda, se escritos em inglês, com temáticas relacionadas com o meu país. Esta escolha “patriótica” justifica-se com o facto de hoje, dia 10 de Junho, se festejar o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades, evento que primeiramente será comemorado na cidade do Porto e depois na cidade de S. Paulo, no Brasil, com a presença do sempre bem disposto Presidente da República de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa. Estando hoje os países de língua portuguesa mais próximos, resolvi então homenagear o espírito português.

Gostava de acrescentar que, apesar de apreciar o trabalho dos bloggers que me indicaram, não os incluí nesta lista uma vez que já foram nomeados. Sendo o VBA uma espécie de “jogo de partilha” entre bloggers, preferi dar a hipótese de outros entrarem, aumentando assim o leque de blogs que serão divulgados nas listas. Além disso, ficarão mais pessoas satisfeitas com o reconhecimento!

É esta então a minha escolha, por ordem alfabética:

  • ChronosFeR, de Fernando Rozano, onde são criadas parcerias entre a fotografia, as palavras e a música, resultando uma harmoniosa unidade entre todas essas formas de expressão.

 

  • O blog  Dias com Árvores, onde Paulo V. Araújo e Maria P. Carvalho nos falam do reino vegetal com conhecimento científico e com sensibilidade. Gostando muito da natureza e de plantas, este blog é sempre uma mais-valia.

 

  • Viajo pouco, mas gosto de ler as dicas e as informações práticas que Mel Rolan insere em Listas de viagem. Viajante de muitos continente, ela também aprecia com carinho o meu país, publicando alguns posts sobre ele.

 

  • Sendo para mim a música sentida de uma forma essencialmente emocional e sem qualquer conhecimento teórico, o blog Luis Henriques, do musicólogo açoriano Luis Henriques, apresenta-se em inglês e é o mais “complexo” desta lista. Porém, talvez por isso mesmo, é um desafio que gosto de ler/ouvir. No geral, aprendo sempre qualquer coisa nos posts mais específicos que publica e aprecio o seu trabalho em prol da divulgação da música antiga, nomeadamente da portuguesa.

 

  • Mariel Fernandes, em Mariel Fernandes, mostra-nos “os seus pontos de vista” sobre diferentes momentos, temáticas, mas sempre com grande sensibilidade e actualidade. Gosto muito da forma como trabalha as ideias e as palavras, e como as revela em cada post publicado.

 

  • Multidimensões de um despertar, é o lugar das palavras de Felipe Abras que, em prosa ou poesia, reflectem uma filosofia de vida um pouco diferente e uma sensibilidade que aprecio.

 

  • Não me livro desse blog, de Tiago Masutti, é um blog virado para aspectos mais culturais. Sendo o autor também escritor, tem uma forma de escrever mais elaborada, que alia uma grande capacidade de relacionar os diferentes assuntos a um humor muito próprio. Proporciona uns bons momentos de leitura e com ele, ficamos sempre a saber algo que desconhecíamos.

 

  • Luis Torres chamou ao seu espaço O blog que ninguém lê, mas que certamente é lido por muitos, sendo eu um desses leitores. Versátil em temáticas, gosto da forma objectiva como analisa os acontecimentos da vida pessoal e da sociedade, recorrendo a uma linguagem simples e sem pretensões, pontualmente mais forte e emocional. Mas a vida é essa ambígua mistura de humores e de formas de reagir!

 

  • Em Os meus desenhos,  Fernanda Lamelas, mostra-nos uma forma pessoal e visual de registar os momentos pelo desenho. Gosto do seu risco espontâneo e da forma como enquadra os objectos representados no espaço branco de uma página, permitindo sempre ao desenho um saudável “respirar”.

 

  • Em Patriaamarga, Marcelo Raymundo é um contador de histórias, de encontros e desencontros, de momentos, e de vidas que vão cruzando o seu caminho. Fala de si próprio como “uma mente em constante criação”, frase com que sinto afinidade. Talvez por isso, gosto de passar pelo seu blog e ir vendo o que tem para contar.

 

  • Pedalopelacidade, de Nelson Branco, é o blog de alguém que tem uma grande paixão por bicicletas e que gosta de percorrer a pedalar… o que nós fazemos de carro! Partilha os seus trajectos com prazer, boa disposição e muitas imagens. Apreciando eu também essa actividade (sem aventuras nem obstáculos!), percebo um pouco do espírito que o orienta. Por isso, gosto de “pedalar” no seu blog!

 

  • Leandro Tissiano é o autor de Proseudiaficarmelhor, onde partilha com simplicidade as suas vivências e o que a vida lhe vai ensinando. Escrita sensível e que toca as emoções de todos.

 

  • José Leite é o autor do blog Restos de colecção, um interessantíssimo espaço sobre a história de lugares, acontecimentos, edifícios, eventos, etc, etc. Permite conhecer Portugal de uma perspectiva diferente e aprender imenso com as informações que disponibiliza. É um blog muito português!

 

  • Termino com Salt of Portugal, um blog escrito em inglês, mas também ele de alma bem portuguesa, que resulta do trabalho de Francisca e Sérgio Rebelo, Maria Rebelo, Rui Barreiros Duarte, Pedro Rebelo, Pedro Teles e Tomás Rebelo. Neste blog, os lugares do meu país são percorrido e saboreados com todos os sentidos, associando muitas informações e dicas para quem o queira visitar. Ou para nós que nele vivemos!

 

Contrariamente à maioria dos bloggers nomeados, o que acontece talvez por não terem lido as regras disponibilizadas no site do Versatile Blogger Award, apenas vou falar um pouco de mim, “em sete pontos”, com os autores que me indicaram, o que farei oportunamente através de e-mail.

Discretamente… as regras são para cumprir!!

 

 

 

a imaginação de Rich McCor

 

 

Rich McCor, a.k.a., Paperboyo, é um fotógrafo e artista inglês, muito jovem, que gosta de transformar as imagens, tanto as mais banais como as que guardamos de certos lugares-ícone, acrescentando-lhes recortes de papel em pontos estratégicos.

A ideia é de uma enorme simplicidade, certamente diferente da parte técnica que exigirá algum trabalho desde a concepção até à realização da foto final. Porém, produz um efeito interessante, envolvente e que nos faz sorrir, porque nos transporta de imediato para outra dimensão, para outros lugares e permite um novo olhar sobre o mundo, objectos e situações.

Deixo algumas imagens das suas aventuras fotográficas, assim como o link para a sua página no Instagram, espaço cheio de surpresas e o mais indicado para perceber a amplitude da sua imaginação.

 

 

paperboyo-9

 

 

 

 

Taking to the slopes in Val D'Isere, Rich placed a spray can next to a cloud - with mesmerising results

 

Thanks to a cut out of a snail, London's unusually-shaped City Hall has been transformed into a mollusc 

 

Existe muita informação disponível na Internet sobre este artista. Basta procurar!

 

 

presenças

 

O Natal é a época do ano em que a tradição tem mais força. Associada a essa tradição está a memória dos que já partiram…pelos seus hábitos… pelos objectos que nos deixaram e que por vezes são apenas utilizados em épocas mais festivas… pelo legado gastronómico…ou simplesmente pela saudade!

Eu acrescentaria até, que na maioria das mesas da noite ou do dia de Natal, existe uma ou mais “cadeiras invisíveis”, onde se sentam as memórias daqueles que já não podem fisicamente estar ali a partilhar aquele momento.

É sobre essas presenças que fala o escritor Manuel Alegre no poema que passo a transcrever, e cujo título é exactamente Presenças. Porque aprecio a sua obra, tanto em prosa como em poesia, hoje cedo-lhe a palavra.

 

Eles estão por dentro. Nas
palavras
e nos actos.

Nas cadeiras
nas gavetas
nos cabides e nos fatos.

Quando menos se espera
fogem
dos retratos.

Tem cuidado quando te calças
eles podem esconder-se
nos sapatos.

Na sopa e na maçã
quem sabe se
no vinho.

Vê bem por onde vais
eles gostam das curvas
do caminho.

Na cama onde te deitas
nas camisas
e nas meias

no lençol com que te enxugas
no remédio que tomas para
desentupir as veias

no garfo sobre a mesa
nos copos
e nos pratos

eles estão por dentro e estão por fora.
Podes crer que nunca ficam
nos retratos.

 

Extraído do Livro do Português Errante, Publicações D. Quixote, Lisboa, 2001

 

lisboa – conhecer e contar a cidade

 

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Quem aprecia a cidade de Lisboa, tem agora disponível a plataforma digital Conhecer e contar a cidade, uma iniciativa da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (FCSH/NOVA) e que se baseia na partilha dos conhecimentos adquiridos ao longo dos anos por aquele estabelecimento de ensino.

A origem e o objectivo deste projecto resume-se nestas frases que podem ser lidas no site daquela faculdade e que afirmam:  “A produção científica empreendida pelos docentes, investigadores e estudantes sobre a cidade de Lisboa, resultante de trabalhos académicos, cursos e projetos de investigação da FCSH/NOVA, originou um espólio sobre a cidade que não pode nem deve estar confinado à comunidade académica. A transferência de conhecimento é um dos pilares deste projeto. Esse conhecimento reúne contributos sobre património da cidade – material e imaterial – bem como sobre tempos, territórios e relações sociais.”

Para além de muita informação disponível, por temáticas ou de forma interactiva, sugere roteiros e permite o uso de uma aplicação baseada na georeferenciação que nos ajuda a saber locais e informações de interesse perto da nossa localização.

Uma vez que se trata de uma nova forma de conhecer a nossa capital, fica a sugestão.

 

Imagem retirada de  http://maislisboa.fcsh.unl.pt/fcsh-lisboa/

 

leonard cohen

 

 

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“Chegámos a um tempo em que somos tão velhos que os nossos corpos se desfazem; penso que serei o próximo, dentro em pouco. Quero que saibas que estou tão próximo de ti que, se estenderes a mão, talvez possas tocar a minha. Sabes que sempre amei a tua beleza e sabedoria, mas não preciso de discorrer sobre isso porque já sabes de tudo perfeitamente. Quero apenas desejar-te boa viagem. Adeus, velha amiga. Todo o amor, encontramo-nos no caminho.”

 

Foram estas as palavras que Leonard Cohen escreveu e que Marianne Ihlen ouviu antes de falecer em Julho passado. Esta norueguesa foi a musa que o inspirou em muitos temas, nomeadamente em So long, Marianne.

Viveu com ela na Grécia durante alguns anos, afastaram-se porque ele não resistia a uma mulher bonita…mas ela, foi sempre o seu grande amor.

Leonard Cohen morreu na passada quinta-feira. Gosto de pensar que ele e Marianne se irão encontrar brevemente … algures… no tal caminho… para, sem tentações nem desencontros, continuarem o seu amor.

E nós, ficaremos com a memória de uma voz inconfundível, com as suas emoções, ideias, palavras e belas músicas… e ainda com a sua imagem, única e cheia de charme… para ir serenamente apreciando neste nosso caminho!

 

Imagem retirada de  http://catswithoutdogs.blogspot.pt/2016_07_01_archive.html

 

trump…

 

Trump ganhou.
Não existem impossíveis e, mais uma vez, o que era expectável resultou em desilusão. Tal como no referendo que levou ao Brexit
Não tenhamos dúvida que o mundo está a mudar, que a intolerância está a substituir a solidariedade, que muitos princípios estão a ser aniquilados e que o caminho que estamos a iniciar é, em poucas palavras, muito triste.

Neste blog, por opção, não entra política. Porém, e discretamente como o seu nome indica, hoje preciso de mostrar o meu estado de alma, porque estou triste com o mundo, preocupada, “anestesiada” e sem palavras. Por isso, nesta cinzenta manhã de Novembro, em que até o sol, assustado, se escondeu…recorro às palavras dos outros, dos mais experientes.

Quase todas as que hoje li nos meios de comunicação poderiam ser minhas, se as soubesse escrever. Como não sei, escolhi a objectividade do artigo Mundo, temos um problema, da autoria do Director do Expresso, Pedro Santos Guerreiro, e ainda um outro com a opinião de Francisco Seixas da Costa, intitulado Outro mundo e editado no jornal Público.

Porque este dia, pelas piores razões, deve ficar registado neste blog. Como eu gostaria de estar enganada!

 

greguerías

 

Ramón Gómez de la Serna é um autor madrileno nascido em 1888, que escreveu em vários estilos, passando pelo romance, crónicas, ensaios, biografias, etc. Chegou a viver algumas temporadas em Portugal, no Estoril, falecendo em 1963 em Buenos Aires. Era um homem que vivia à frente do seu tempo, um vanguardista, mas também um provocador, muito apreciado pelos surrealistas.

Para além dos estilos mencionados, entre 1910 e 1963 escreveu inúmeras frases a que chamou Greguerías, algo que mistura a metáfora com o humor. Porque as aprecio pela acutilância mas também pela sensibilidade e humor, deixo aqui uma pequena selecção, esperando que vos agrade.

 
A lua é o espelhinho com que o sol se entretem de noite a inquietar os olhos da terra.

A harpista toca a música do tear.

À tardinha, passa em voo rápido uma pomba que leva a chave para fechar o dia.

Três andorinhas no fio do telégrafo são o alfinete no decote da tarde.

O que define as mulheres é pensarem que todos os homens são iguais, enquanto que o que perde os homens é crerem que todas as mulheres são diferentes.

A neve apaga-se na água.

O relógio não existe nas horas felizes.

As passas são uvas octógenárias.

O arco-irís é o cahecol do céu.

O pó está cheio de velhos e esquecidos espirros.

Na gruta boceja a montanha.

Vê-se que a água a ferver ficou louca e lhe saltam os olhos.

A cabeça é o aquário das ideias.

A imortalidade do caranguejo consiste em andar para trás, rejuvenescendo até ao passado.

A água solta o cabelo nas cascatas.

O mar é a rotativa mais antiga do mundo que publica incessantemente o jornal A Onda.

O chapéu que voa parece que fugiu com todas as ideias daquele que lhe corre atrás.

No primeiro eléctrico da manhã ainda há sonhos do dia anterior.

A posição mais incómoda para um livro é ficar aberto e de bruços no braço de um sofá.

Há suspiros que ligam a vida à morte.

Quando na árvore só ficou uma folha, parece que ficou com a etiqueta do preço.

O salgueiro toca harpa na água.

O Pensador de Rodin é um jogador de xadrez a quem tiraram a mesa.

Génio: o que vive de nada e não morre.

 
(Todos os dados deste post foram retirados do livro Greguerías, uma selecção, editado em 1998 pela Assírio & Alvim, com escolha e tradução de Jorge Silva Melo).