dança de luz

 

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No último fim-de-semana a vila de Cascais, localizada na região da Grande Lisboa, iluminou-se para a 6ª edição do Festival de Luz – Lumina, que este ano teve como tema a Natureza. Neste post vou apenas referir uma das vinte obras apresentadas nesta edição porque, na minha perspectiva, foi a que melhor homenageou e valorizou a temática do festival.

Recorrendo a lasers, fumo e vento, o português Telmo Ribeiro criou numa grande área do Parque Marechal Carmona um tecto de luz e de cor formado por planos que aparentemente se moviam sobre nós, justificando perfeitamente o título Underlight que deu à instalação. Por outro lado, a intersecção destes planos com as árvores e outro tipo de vegetação existente no jardim, davam origem a um lindíssimo jogo entre a luz e a sombra.

A tecnologia, na sua mais vibrante expressão, nada tem a ver com a vibração da mãe natureza. Porém, em muitos momentos este artista conseguiu o objectivo de nos transportar até aos pólos deste planeta e simular a sensação de estarmos perante uma aurora boreal (ou austral), certamente um dos mais bonitos fenómenos naturais que se conhece.

Nunca tive o privilégio de assistir a um evento desse tipo e, sendo realista, será pouco provável que tal venha a suceder. Contudo, a experiência vivida naquele lugar e que me conseguiu deslumbrar será, até ver… a “aurora boreal” da minha vida!

 

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As imagens acima não são reveladoras da realidade porque lhes falta o essencial: o movimento. Tentei fazer um vídeo, mas não resultou. De qualquer forma, creio que o seu conjunto permite ter uma ideia das características da obra em causa.

 

 

 

 

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a procissão

 

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Em Portugal, a primeira procissão do Corpo de Deus (Corpus Christi) decorreu em Lisboa em 1389, atingindo esta celebração o seu auge no séc. XVIII durante o reinado de D. João V. Nessa época incorporava as ordens religiosas, mas igualmente as militares e as corporações profissionais da cidade, reflectindo a organização do reino e, sobretudo, a grande importância da igreja e do rei.

No século seguinte houve um período em que não se realizou, mas foi posteriormente retomada ocorrendo a partir daí anualmente por ocasião do dia do Corpo de Deus, festa do calendário católico que se celebra na quinta-feira a seguir ao Pentecostes.

Desde sempre que o Município de Lisboa se empenhou nesta procissão, tradição que se mantém ainda hoje com a participação no cortejo das principais forças da autarquia.
Deixo aqui a história deste evento, sugerindo a sua leitura para melhor perceber a importância que teve na vida da cidade.

A recriação dessa procissão, através de 1587 miniaturas em barro não cozido, encontra-se actualmente exposta numa enorme vitrina da sala do capítulo do Convento da Graça, no bairro com o mesmo nome.
O autor de tal empreendimento foi o empresário e ceramista Diamantino Tojal (1897-1958), que as elaborou entre 1944 e 1948. Nessa época todo o conjunto esteve exposto no Palácio Galveias, o que não mais se repetiu até à actualidade.

Mais do que a qualidade ou pormenor das peças, esta exposição tem um notável valor documental, pois permite perceber a dimensão e a organização do cortejo. A cargo da imaginação de cada visitante ficará a visualização do que não está recriado, como a multidão que seguia na cauda da procissão ou as ruas completamente engalanadas por onde passava.

A sala onde se encontra esta mostra foi recentemente restaurada, tal como a portaria e um dos claustros do convento, espaços que podem ser visitados gratuitamente. De notar que as miniaturas apenas estarão expostas até ao próximo dia 1 de Outubro.

Também a zona envolvente ao Convento/Igreja da Graça foi requalificada, oferecendo agora mais zonas pedonais. Vale a pena dar uma volta pelo jardim, espreitar a vista do miradouro ou descansar na esplanada aí existente. O bairro da Graça tem muitos detalhes arquitectónicos interessantes, alguns relacionados com as vilas operárias que acolheu no início do século XX e que ainda preserva. Deambular por ele e pelas áreas circundantes, permite juntar o passado com a modernidade que nos é transmitida por algumas pinturas murais realizadas no âmbito da street art.

Termino com uma imagem da cidade obtida a partir do miradouro da Senhora do Monte, localizado a poucas centenas de metros do Convento da Graça. Na foto, este espreita à esquerda e olha para o Tejo e para o seu vizinho castelo, implantado numa colina adjacente.

 

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a imaginação de Rich McCor

 

 

Rich McCor, a.k.a., Paperboyo, é um fotógrafo e artista inglês, muito jovem, que gosta de transformar as imagens, tanto as mais banais como as que guardamos de certos lugares-ícone, acrescentando-lhes recortes de papel em pontos estratégicos.

A ideia é de uma enorme simplicidade, certamente diferente da parte técnica que exigirá algum trabalho desde a concepção até à realização da foto final. Porém, produz um efeito interessante, envolvente e que nos faz sorrir, porque nos transporta de imediato para outra dimensão, para outros lugares e permite um novo olhar sobre o mundo, objectos e situações.

Deixo algumas imagens das suas aventuras fotográficas, assim como o link para a sua página no Instagram, espaço cheio de surpresas e o mais indicado para perceber a amplitude da sua imaginação.

 

 

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Taking to the slopes in Val D'Isere, Rich placed a spray can next to a cloud - with mesmerising results

 

Thanks to a cut out of a snail, London's unusually-shaped City Hall has been transformed into a mollusc 

 

Existe muita informação disponível na Internet sobre este artista. Basta procurar!

 

 

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A criatividade de Los Carpinteros explodiu literalmente nas Carpintarias de São Lázaro.

Los Carpinteros são uma dupla de artistas cubanos – Marco António Castillo Valdés (1971) e Dagoberto Rodriguez Sánchez (1969) – que trabalham há alguns anos em conjunto e que foram recentemente convidados a expor uma das suas obras no interior de um edifício localizado perto da Praça do Martim Moniz, no centro de Lisboa, denominado Carpintarias de São Lázaro.

Como o nome indica, este espaço já esteve associado à indústria da madeira. Está inserido num edifício que ostenta uma fachada Arte Déco e as carpintarias encerraram nos anos noventa após um incêndio. Recentemente, por concurso público, foram cedidas à Associação Cultural Carpintarias de São Lázaro, a fim de lhes dar novo uso, uma nova vida, e aí desenvolver um centro artístico multifacetado e abrangente.

Show room foi a instalação escolhida para a inauguração e ocupa apenas uma parte desse enorme espaço ainda em bruto. Simula uma paragem no tempo durante uma explosão e os seus efeitos no interior de uma casa. A visão que nos proporciona, vale pelo impacto, pela surpresa e pelos pormenores que não foram descurados. Ali, não estão em causa aspectos estéticos ou a busca de beleza, mas sim uma exploração dos limites da criatividade e da imaginação.

O seu dinamismo está na ausência de movimento. Tudo se move sem nada mexer. Transmite-nos ainda a ideia de destruição, mas é do caos que pode sair algo de novo. Por isso, sugere a entrada de algo, quiçá de novas ideias ou energias, mas igualmente a abertura e a descoberta de novos caminhos, certamente todos aqueles que as renovadas Carpintarias de São Lázaro pretendem trilhar no âmbito da criação artística. E depois partilhá-los com a cidade, aumentando o seu crescente dinamismo e oferta cultural.

Esta primeira exposição estará patente até ao próximo dia 31 de Abril.

 

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uma família de artistas

 

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Imaginem uma família de artistas em que o pai, as três filhas e os dois filhos têm como como foco principal a aguarela, uma difícil técnica que todos exploraram de diferentes formas e estilos.

O pai, Alfredo Roque Gameiro (1864-1935), foi um dos mais importantes aguarelistas portugueses, integrando e ensinando desde cedo esta técnica a seus filhos, Raquel, Manuel, Helena, Maria Emília (Mámia) e Ruy.

Segundo ele, a aguarela deveria ser elaborada in loco perante o modelo/paisagem, princípio que ensinou aos filhos e sempre vigorou na família. Seguindo essa linha de pensamento, retratavam-se entre si nas mais diversas situações, mas também no meio da natureza que muito apreciavam. Os passeios e os convívios eram sempre um bom momento para partilharem o gosto pela pintura.

Ministraram cursos de aguarela que eram muito frequentados. Com o tempo, outras áreas artísticas foram exploradas por alguns dos filhos. Foi o caso de Ruy, que veio a dar preferência à escultura, carreira que foi reconhecida na época apesar do seu falecimento precoce. Já a filha Mámia explorou o guache e o óleo. Também os genros que se juntaram à família, se dedicaram inicialmente à pintura com aguarela. É o caso do marido de Helena, o multifacetado Leitão de Barros, que começou pela pintura mas ficou mais conhecido como realizador de cinema; e o marido de Mámia, o artista plástico Jaime Martins Barata, cujo caminho se centrou especialmente no desenho de selos, moedas, ilustrações e pinturas de grande dimensão.

Na passagem do séc. XIX para o séc. XX, a família, que até aí vivia em Lisboa, mudou-se para a zona da Amadora, porque naquela área o horizonte estava longe e permitia ver amplas paisagens, algo que hoje é inconcebível quando pensamos nessa cidade. Foram para um edifício projectado de raiz pelo próprio artista e mais tarde complementado por Raul Lino. Actualmente, a Casa Roque Gameiro está classificada como Monumento de Interesse Público e é um centro de exposições e eventos culturais.

A vida desta família assim como as suas tendências artísticas estão muito bem apresentadas numa exposição que pode ser vista no Centro Cultural de Cascais até ao próximo dia 22 de Março. Vale a pena apreciar a qualidade das obras expostas, especialmente das aguarelas realizadas por Alfredo Roque Gameiro.

Surgindo a oportunidade de aliar esta exposição com um passeio pela vila de Cascais, torna o objectivo ainda mais agradável!

 

 

Imagem retirada de http://www.cm-cascais.pt/evento/exposicao-roque-gameiro-uma-familia-de-artistas

 

 

pelos detalhes da moda

 

Por natureza sou curiosa, gostando muito de saber como se utilizam certos materiais ou se produzem determinados objectos. Sempre que possível tento convictamente contrariar a actual tendência do olhar “rápido e superficial”, porque considero que a compreensão do que nos rodeia só fica completa se o pormenor não for esquecido.

É no âmbito dessa curiosidade que surge este post, mas igualmente por oposição a outro já publicado em que foquei aspectos da moda que, pessoalmente, considero inestéticos e desagradáveis. Hoje, a ideia é mostrar aquele lado que se alimenta da elegância, da criatividade e do detalhe, sendo possível ver cada peça de vestuário como uma obra de arte. Refiro-me ao mundo da alta-costura, que encaro como criações artísticas e cujo lado utilitário não é importante… porque, na verdade, penso que nem a criatividade nem uma obra de arte necessitam de ser “úteis”.

Seguem-se alguns vídeos surpreendentes sobre a elaboração de peças criadas por estilistas e ateliers diferentes. Vale a pena vê-los com atenção, gostemos ou não do resultado final, e apreciar o trabalho dos profissionais que estão para além do criador, do manequim e da passerelle.

Este é um mundo que passa ao lado da maioria de nós mas, estou certa, que após a visualização destes pequenos filmes, o olhar ficará mais atento e sensibilizado para algo que existe, apesar de encarado por muitos como supérfluo.

 

Preparação da colecção Outono -Inverno 2015/16 – Casa Dior

 

Preparação da colecção Outono -Inverno 2015/16 – Casa Chanel

 

Preparação da colecção Outono -Inverno 2015/16 – Schiaparelli

 

Preparação da colecção Outono/Inverno 2015/16 – Mischka Aoki

 

tecnologia

 

A imaginação humana não tem limites. E quando essa imaginação se alia às tecnologicas existentes, os resultados podem ser surpreendentes.

As três obras/instalações mostradas nestes curtos vídeos são da autoria da teamLab, um colectivo multidisciplinar sediado em Tóquio e formado em 2001. Junta artistas, programadores, engenheiros, arquitectos, designers, matemáticos, etc. que, em conjunto, produzem obras no campo digital, fazendo a simbiose entre a arte, a criatividade, a ciência e a tecnologia. Este conjunto é apenas uma pequena amostra dos muitos trabalhos que essa equipa tem criado.

Porque gosto de “viajar” neste tipo de instalações, hoje partilho uma dessas incursões. Não é ao vivo…mas a imaginação tem muito poder!