ioga sentido

 

34a

(Este post complementa outros publicados com esta temática, em especial ioga III )

 

Como resiste à realidade e ao dia-a-dia, o bem-estar geral sentido após uma aula de ioga?

Diria simplesmente que a duração desse período está directamente relacionada com o tempo de prática desta actividade que, no meu caso, tem perto de dezoito anos, pelo que não estou a falar sem conhecimento de causa.

Nos primeiros tempos, o bem-estar sentido era efémero. Bastava o trânsito no trajecto para casa ou a ideia de uma ida ao supermercado, para terminar com a “magia” da aula de ioga. Digamos que era demasiado vulnerável e rapidamente absorvido pelos meandros dos momentos seguintes.

Porém, à medida que os anos foram passando, a sensação foi-se alterando progressivamente. É certo que foi muito lentamente, mas começou a suceder o processo inverso, ou seja, o bem-estar da aula de ioga, começou a “absorver” e a resistir à realidade dos dias e da vida. Digamos que foi calmamente integrado a todos os níveis e formando uma espécie de “almofada” que atenua as dificuldades, os choques, as irritações, etc, etc. No geral, tudo é sentido, olhado e compreendido com outra postura, relativizando as situações e tentando dar-lhe o devido valor. Ou colocando-as no lugar que devem ocupar.

Isto não significa que se fique imune ao que nos rodeia ou a pairar por aí. Nada disso. Antes pelo contrário. Significa sim, que se está muito mais atento e com uma maior consciência do mundo em que estamos integrados e, simultaneamente, uma maior consciência do nosso corpo e das suas capacidades e limites. Também as “dores e resmunguices” que ele sempre nos oferece são percepcionadas e aceites de uma forma mais consciente e dialogante. Para quê nos zangarmos, se é ele que nos permite estar neste mundo? Temos é que o ir tratando o melhor possível, ter cuidado com o que lhe damos de alimento e levá-lo ao médico quando realmente não o entendemos.

Para concluir, eu diria que a prática continuada de ioga permite uma harmonização geral com esta vida que nos foi “emprestada”. Nesse sentido, temos que a tratar o melhor possível, tentando transformar/sublimar as energias menos boas que todos possuímos em algo de melhor, para que um dia, quando ela nos for retirada, possa continuar calmamente o seu caminho e a sua evolução.

 

 

 

Advertisements

experiência sushi…

 

3

Degustar Sushi, está na moda. Isso é facilmente perceptível na quantidade de restaurantes que surgem com essa opção, mas igualmente pelo interesse que desperta em muita gente.

Apesar de já ter provado pontualmente essa especialidade, nunca o tinha feito no local mais apropriado. Contudo, porque os anos e as oportunidades passam rápido e, além disso, gosto de fazer experimentações para formar uma opinião, decidi que era altura de partilhar com alguém conhecedor dessa linha alimentar a minha primeira e verdadeira experiência sushi da vida. Como guia e orientadora tive a minha filha, uma grande apreciadora desses sabores orientais.

Não vou nomear o restaurante, porque ele não tem culpa do que eu vou dizer. Apenas posso referir que era muito agradável, bem decorado, com um serviço eficiente e atencioso, e bem cotado nos sites da especialidade.

Optamos por um “All you can eat”, que permitia experimentar várias espécies de sushi e sashimi, o ideal para esta situação, tendo em conta o objectivo da refeição.

Algum tempo depois, depositarem na mesa uma grande e lindíssima tábua cheia de iguarias com vários formatos, cores, texturas e harmoniosamente dispostas. A primeira sensação foi simplesmente não apetecer comer nem destruir tal empreendimento artístico, mas… era para isso que estávamos ali, pelo que, mais ou menos insegura peguei nos hashi e comecei sistemática e calmamente a provar tudo o que nos fora disponibilizado…com todo o tempo…muita conversa pelo meio….e tentando apreciar cada bocado com a devida concentração e atenção.

Com o passar do tempo, a tábua foi ficando vazia…nós suficientemente alimentadas…e eu, definitivamente consciente do que já “desconfiava”… sushi e sashimi não são a minha onda, tenham eles mais ou menos qualidade!

Na verdade, o que sinto sempre que coloco uma daquelas obras de arte na minha boca é algo que sei tratar-se de uma enorme “afronta” para a filosofia sushi: qual é a piada de ser comido frio? Quente seria muito melhor! Por alguma razão, os rolos mornos e estaladiços incluídos no pack, foram os que achei mais interessantes.

Ao verbalizar muito baixinho este sentir do corpo e dos sentidos..sou imediatamente alvo de risota…e quase “expulsa” da mesa, exagerando um pouco, obviamente. Mas, a verdade…é que é exactamente isso que o sushi desperta em mim!

Confesso: viverei até ao fim dos meus dias envolta numa nuvem de “culpa” por não apreciar sushi e afins…serei estigmatizada pelos apreciadores dessa iguaria como uma “pecadora”… mas, definitivamente… o sushi quentinho era muito melhor!

 

 

areia sentida

 

IMG_0913a

 

A cada estação do ano associamos determinados rituais. Com o final da Primavera e o início do Verão, o corpo ganha um protagonismo diferente, desnuda-se e solicita um vestuário e calçado mais leve, num ritual que leva a pele a inspirar lentamente a sensação de “ar livre”. Esse progressivo arejamento permite também uma maior fluidez de gestos e atitudes.

Uma das melhores sensações que estas estações do ano nos oferecem, é o momento em que, depois de meses de recolhimento entre meias e sapatos, os nossos pés finalmente libertos penetram na macieza da areia seca de uma praia. Eles ficam felizes…e riem…apertam a areia… afagam…quase dançam!

É uma sensação que dura segundos, apenas o tempo dos primeiros passos ou até a mente se distrair e nos levar para outro sentir.

Momento bastante efémero, sem dúvida…talvez até indiferente para muitos…talvez desagradável para os que não gostam de areia…mas pessoalmente, um momento marcante, inspirador e deveras libertador!

 

 

junho…

 

IMG_9429

 

Para quem vive no hemisfério norte, o mês de Junho é, claramente, o tempo que faz a transição para o Verão e para o principal período de férias do ano.

Há medida que o mês avança e a temperatura atmosférica vai subindo, vamos sentindo na pele e no corpo uma vontade de movimento e de exterior, numa espécie de antecipação ao que está para vir. Diria que é o mês em que as férias saem do “mapa de férias” afixado no placard dos locais de trabalho e deixam de ser apenas uma ideia, uma perspectiva ou um desejo, passando a algo mais físico e emocional.

Se por um lado o corpo fica mais irrequieto, também começa a ser muito mais fácil a nossa mente sair por aí e iniciar um imenso voo em tons de céu, de verde ou de mar e, num ápice sem tempo nem conta-quilómetros, nos levar àquele lugar que está planeado na agenda, escrito no bilhete de avião real ou electrónico, ou apenas guardado como projecto ou desejo.

Depois… tão naturalmente como partiu, a mente volta à casa-mãe e, com um sorriso invisível leva-nos a pegar novamente na caneta, no teclado do computador ou em qualquer objecto/tarefa que faça parte do nossa actividade diária e pede que continuemos… e nós vamos continuar, certos que o processo se vai repetir… até chegar o primeiro dia de férias!

Digamos que o mês que o antecede, Maio, ainda nos permite estar na quietude do tempo, do espaço e das rotinas que nos envolvem com uma certa tranquilidade. Mas Junho, o irrequieto mês de Junho, é sinónimo de uma agradável inquietude, de um fervilhar e do desejo de outro respirar. E muitas vezes, vontade de outro lugar!

Indiscutivelmente…Junho está comigo!

 

 

eles podem ser …

 

…sólidos…naturais…de aromas…com pedaços…magros…0%…líquidos…com cereais…cremosos…infantis…bifidus…biológicos…contra o colesterol…de soja…sem lactose…açucarados…bi-compartimentado mix…com gelatina…gregos…búlgaros…etc.

 

Certamente que neste momento têm a palavra “iogurte” na vossa mente, a única que pode anteceder todas as características acima mencionadas.

Apesar de todos os iogurtes resultarem de uma fermentação láctea com bactérias, como por exemplo os Lactobacillus bulgaricus ou o Streptococus thermophilus, o momento de escolher um pack num expositor com dezenas de marcas e centenas de embalagens diferentes, não é tarefa fácil, especialmente quando existe a preocupação de olhar para os seus rótulos. Talvez essa seja a área do supermercado em que o acto de decidir é mais difícil e demorado, a não ser que já exista um produto de eleição…ou que não haja a preocupação de olhar para o rótulo!

A complexidade maior está em conciliar o “desejo de variar de iogurte” com a leitura dos seus constituintes, porque é assustador o que os rótulos oferecem a quem os lê com atenção, especialmente sobre a quantidade de açúcar ou a presença de substitutos ainda menos saudáveis, caso do aspartamo. E assim, de prateleira em prateleira e de decepção em decepção, passam-se largos minutos no tal corredor em busca do iogurte perfeito. Gigantesca tarefa!

Pontualmente somos levados a transgredir, porque o apelo sentido por determinada embalagem, conteúdo ou novidade supera aquele princípio já adquirido: que os melhores iogurtes para o paladar..são sempre os menos saudáveis! É triste, mas é assim!

Neste momento estarão a perguntar: um post sobre iogurtes…qual o interesse?

Nenhum! Mas não resisti a fazê-lo quando li que o dia 17 de Maio, hoje portanto, é o Dia do Iogurte. Nunca imaginei que um iogurte também tivesse o seu dia!

 

 

 

renovação

 

IMG_6586a

 

A Primavera acordou instável. Talvez por ter chegado a uma segunda-feira, o dia mais difícil da semana… veio com um certo mau humor, fresca, enevoada e até chuvosa.

As perspectivas meteorológicas dizem que esta instabilidade se irá manter por mais algum tempo. Seja qual for a sua duração não vamos dar-lhe importância, porque a energia que a nova estação tem em latência é real e já bem visível.

Essa vida está em todo o lado. Encontra-mo-la nos novos rebentos que brotam em cada árvore, nas plantas que temos em nossa casa, nas flores e na vegetação espontânea que cresce em qualquer pedaço de terra, nas ervas que decoram as fendas dos muros que ladeiam as estradas ou que naturalmente nasce nos interstícios da calçada de pedra que pisamos todos os dias.

Também para a maioria das espécies animais, o apelo da Primavera já é uma realidade. Chegaram as andorinhas para mais uma estadia e, na generalidade das aves, os rituais de acasalamento começam a surgir com os voos e cantos de chamamento. Aliás, bem no centro das nossas cidades, basta ver os movimentos de sedução dos muitos pombos que as habitam. Os instintos de procriação vão atingir o seu auge e a descendência aparecerá nos próximos meses.

O objectivo único de todo este processo será a renovação de gerações. Na espécie humana, a inteligência e a consciência puseram um controle a esses instintos de procriação. Felizmente, acrescente-se. Resta-nos o prazer, e a possibilidade de não nascerem filhos todos os anos, mas apenas quando o desejamos.

Cingindo-me aos aspectos mais físicos que nos suportam, essa necessidade de exteriorização, de movimento, de respirar profundamente, de expor e partilhar a pele seja com o outro, com o o ar ou com o sol, é real e sentida por todos nós.

Essa é a nossa Primavera! Por isso aprecie-mo-la com ternura e alegria à medida que ela se for manifestando com mais intensidade. Afinal, é a Vida em estado puro. Tudo o resto que nos possa incomodar será certamente importante mas, de certa forma, são derivações do facto de estarmos vivos. E isso, é o mais relevante!

 

 

vida(s)

img_7066

Envolto em pensamentos
e ao som da respiração,
bate o coração,
lento
louco
irreverente
ou cheio de emoção.

A esse pulsar
chamamos vida,
misto de células e de energia
que um rio,
vermelho e sem foz,
alimenta com sabedoria.

Um dia,
pára o rio e o coração,
terminando essa magia
na última expiração
de um corpo,
sem vida nem reacção.

Fica a energia,
talvez a alma,
talvez  o espírito…
algo que desconheço,
mas sinto
e acredito!

Passará um tempo,
transitório,
lento
e sem memória,
até chegar a hora
da energia e da magia
iniciarem outro ciclo
e escrever uma nova história.

Novo corpo
outro coração
e outro rio…

Uma primeira inspiração
faz nascer um novo ser,
que na vida irá escolher
e aprender,
com o bem e o mal
a vitória e a derrota
o amor e a dor
o dar e o receber
o medo
o sofrimento
o arrependimento
a partilha
a paz
a felicidade
e sempre
mas sempre com a verdade!

Não,
a Vida não pode ser
apenas um único Viver!

 

(Dulce Delgado, Fevereiro 2017)