boas festas!

Que nesta época festiva e sobretudo que no Novo Ano que se aproxima cultivemos a capacidade de…

… estar atentos e partilhar

… nos colocarmos no lugar do outro

… ouvir e tentar entender

… acreditar

… ser solidários

… e que consigamos alcançar aquele equilíbrio sempre necessário, seja como seres individuais seja colectivamente.

A todos os que continuam a passar pelo Discretamente, desejo um Bom Natal e um ano de 2023 com tudo o que é importante para vós e para os que vos são queridos.

E para o mundo, que seja definitivamente um tempo de resolução e de apaziguamento de conflitos. Creio ser esse o desejo de todos nós.

Um abraço e voltarei em 2023!🤗

(Desenho de Dulce Delgado)

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experimentações #37

Continuando a partilha de experimentações gráficas, depois do álbum elaborado em 2011 sobre as férias passadas nos Açores e já aqui publicado no último post desta série, só poderia fazer algo mais simples e menos exigente. Por isso, de uma forma muito natural em 2012 predominou a escrita intercalada aqui e ali com alguns registos gráficos, fotografias ou com aquilo que a natureza me ia oferecendo.

Este álbum abarca cerca de dois meses, englobando férias que se realizaram… férias que não se concretizaram…. e ainda outro tipo de situações familiares e sociais ocorridas nesse instável período de crise nacional e internacional. Diria que, mais do que um álbum de férias, ele é um álbum de vivências ocorridas no Verão de 2012.

Tendo em conta a quantidade de texto e as muitas folhas sem qualquer registo de outra natureza, vejo-o mais como um documento vivo do que como um album gráfico. Mas essa perspectiva não lhe tira qualquer valor emocional pois, pelo contrário, creio que até o fortalece.

Sendo este o último fim-de-semana de Novembro, que seja um tempo tranquilo e bem aproveitado por todos!

a fuga

Mantendo a tradição, também o jantar deste Dia de S. Martinho será passado com a família em redor de uma mesa com petiscos confeccionados pela minha irmã (contrariamente a mim, ela é perita nessa matéria!) e envoltos num ambiente de boa disposição.

Como sempre acontece as castanhas estarão presentes no menú……excepto estas duas que conseguiram fugir a tempo!😉

Um bom Dia de S. Martinho e, sendo sexta-feira, que o fim-de-semana seja calmo e a gosto de cada um!

🌰🍄🍂🍁🍷🍀🌞

experimentações #36

Em 2011, no âmbito da quarta visita ao arquipélago dos Açores e à ilha das Flores nasceu o álbum de férias que hoje partilho e um dos que me é mais querido.

As circunstâncias desta viagem foram muito diferentes das anteriores, seja pelo contexto familiar seja porque a disponibilidade era maior e permitiu conhecer a ilha de uma forma mais profunda e exploratória através de percursos pedestres. Foram por isso umas férias de muitos quilómetros andados, de amplas vistas, de imensos detalhes e de momentos inesquecíveis.

A viagem incluiu inda uma ida à menor ilha dos Açores – a do Corvo – ilha que juntamente com a das Flores, formam o grupo ocidental do arquipélago

Seguindo a linha dos anteriores, este álbum foi idealizado e planeado in loco à medida que os dias iam acontecendo. Alguns desenhos foram realizados no momento e possui também colagens, fotografias, elementos da flora, areia, etc.

Contem ainda um CD com os estranhos e inesquecíveis sons das cagarras (Calonectris borealis), aves que nidificam nestas ilhas e que se ouvem especialmente à noite.

Tal como noutros registos já partilhados, este é também um verdadeiro “guardador de memórias e de emoções”. E cada vez lhe dou mais valor porque, muito honestamente, creio que já não teria paciência para elaborar algo semelhante. Se a Vida e a idade nos alteram as prioridades… também nos alteram a forma de viver e de sentir as férias.

Mas como sempre gosto de acrescentar: nunca digas nunca!

experimentações #35

Se as férias anuais continuavam a dar origem a blocos com desenhos/registos, nos restantes dias do ano iam crescendo os cadernos com sketches diversificados e baseados em objectos comuns do dia-a-dia.

Em 2010, no entanto, apeteceu-me variar e resolvi começar a preencher um caderno apenas com desenhos de mãos, tendo por base o “modelo” sempre disponível: a minha mão esquerda. Sendo completamente destra, a mão direita era a activa e a esquerda sempre a passiva.

Desenhar mãos é bastante difícil, pelo menos para mim. Recordo que raramente ficava satisfeita com o resultado mas, sendo o objectivo apenas treinar e aprender, o meu “gostar” não era realmente importante. Digamos que funcionava apenas como incentivo. Como todos estes esboços eram realizados a caneta, o que saía…era o que ficava.

Pontualmente, e já sem saber que mais posições arranjar para a mão, fixava-me apenas num dos dedos ou, para variar, num pé!

Guardo com muito carinho este caderno como exemplo da persistência e da motivação que então me moviam. Hoje já não tinha paciência para fazer isto, sendo talvez por isso que aprecio muito mais o seu conteúdo.

Bom fim-de-semana!🤗

experimentações #34

São inúmeras as possibilidades de registar graficamente o que se observa/pensa/sente se o objectivo final for o guardar memórias de lugares.

Foi exactamente com essa vontade de encontrar outros caminhos que, a par de registos mais tradicionais como o desenho e a aguarela, elaborei o bloco de férias do ano de 2010. O Minho, a província mais a norte de Portugal foi a área escolhida nesse ano, região que nos proporcionou belos passeios e agradáveis momentos gastronómicos.

Neste bloco, a par de alguns desenhos utilizei igualmente recortes de postais e fotografias assim como materiais naturais que ia recolhendo por onde passava. A escrita, como sempre, foi um complemento fundamental.

Partilho a seguir algumas páginas representativas desse livro de férias.

Estes registos foram maioritariamente realizados in loco. Quando não tinha o que precisava para concretizar determinada ideia, nomeadamente fotografias ou recortes, planeava a página deixando espaços em branco para preencher posteriormente.

Recordo ainda que na altura gostei muito desta experiência de utilizar recortes por ser uma técnica bastante versátil, rápida e de me permitir “brincar” com as imagens com um certo humor.

Boa semana!

pela cidade

Cidade de gente apressada
cidade de gente indiferente…

Gastam passos sem sentido
passam esquinas, casas, dor
pisam pedras,
pisam gente
negam um olhar decente
ignoram que há luz e cor
e tanto para ser percebido.

Abranda o passo,
esquece o tempo por  momentos
e usa a cidade com amor,
acaricia as pedras ao andar
faz de cada esquina uma descoberta
e de cada azulejo uma obra de arte.

Deixa a cidade tocar-te,

procura no outro uma janela aberta
e põe um sorriso no seu olhar!

Poema e desenho de Dulce Delgado, ambos com mais de três décadas mas de uma temática que se mantem actual. Diria apenas que o poema revela um pouco de idealismo a mais…

 

experimentações #33

Durante alguns anos centrei-me essencialmente nos álbuns “por aí” como os partilhados no último post desta série.

De vez enquanto surgiam algumas intranquilidades criativas, inquietações que no final de 2008 aumentaram muito, a par da sensação de estar “demasiado parada” e de precisar de crescer um pouco mais.

Comecei também a sentir que o caminho não estaria nos traços que povoavam o meu imaginar como acontecera até então, mas que precisava de saber desenhar melhor o que via, de perceber racionalmente a relação entre as formas/volumes, perspectivas, sequência de planos, etc. Percebi igualmente que precisaria de muito, muito treino até eventualmente sentir que sabia realmente desenhar. Adquiri então alguns livros que me deram dicas importantes e comecei com um treino intensivo que consistia em fazer um desenho por dia o que, verdade seja dita, nem sempre foi cumprido com rigor.

Ao centrar-me na realidade tudo começou a ser alvo do meu olhar e a ser desenhado. Utilizava a caneta para não apagar nada e assim perceber a evolução. E depois foi insistir, insistir e insistir, como consiste no geral qualquer treino.

Os blocos foram sendo preenchidos, ficando aqui apenas alguns exemplos desse treino visual e manual.

Nesse ano de 2009 voltei a fazer um bloco com registos de férias, o que já não acontecia desde 2003. Completamente diferente dos anteriores, ele foi de certa forma uma continuação dos desenhos diários para os quais eu estava “programada”. A grande diferença é que os alvos escolhidos estavam maioritariamente no exterior. 

Na última imagem, as duas páginas do bloco estão preenchidas com registos rápidos de pessoas em movimento, algo para mim extremamente dificil, quer naquela altura quer agora.

Falta-me uma boa memória visual capaz de captar a posição dos corpos em acção como uma imagem fotográfica que depois seria transposta para o papel. Precisaria realmente de muito, muito treino até conseguir registos que exprimissem a naturalidade/espontaneidade dos corpos e das expressões a ele associadas. Porém, até hoje não me apeteceu fazê-lo. Talvez um dia, quem sabe.

Neste momento assumo totalmente essa incapacidade relativamente a algo que, na minha perspectiva, caracteriza e define um verdadeiro desenhador.