ao tempo

 

tempo

 

Na clara evidência dos dias
a vida escorre
em horas sem consciência,
horas
que o tempo leva
fugindo da nossa existência.

Quero tempo,
quero horas, minutos e segundos
limpos
e sem dependência,
quero a vida aproveitar
em pleno
em paz,
e sem sentido de urgência!

 

Quero tempo…

 

 

(Dulce Delgado, Outubro 2018)

 

 

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infinito olhar

 

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Gosto
de imaginar
a linha do horizonte
com os olhares
a repousar…

Sentados…

O meu,
ao lado do teu,
perto de outro
olhando o céu…

Divagando…

E nesse estar
sem conflito
o meu
simplesmente pensar,
que trará o Infinito
para eu apreciar!

 

 

(Dulce Delgado, Setembro 2018)

 

 

 

 

conduzindo…

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A condução de uma viatura requer:

conhecer as regras estipuladas
atenção e concentração
boa visão
bons reflexos e coordenação motora
muita paciência e alguma afabilidade
e, com os outros… um constante cuidado!

Com estas premissas activas, é grande a probabilidade da condução/viagem correr bem, a não ser que a nossa viatura avarie, que lhe falte o combustível ou que outro automóvel choque connosco.

Curiosamente, conduzir a viagem pela vida tem bastante de semelhante. Na verdade:

devemos estar atentos a nós próprios, aos outros e ao que se passa à nossa volta,
orientar da melhor forma os nossos gestos e acções,
manter uma atitude positiva, mas consciente da realidade
ter a capacidade de dar a resposta adequada/reagir no momento certo
respeitar os outros, os princípios que nos orientam e as regras desta sociedade
ser pacientes e afáveis…

…mas, também aqui, a viagem pode não correr bem. Porquê?

Porque o combustível que nos move é um composto onde entram energia, pensamentos, desejos e emoções. Isso leva-nos a escolhas e a seguir direcções em que outros também estarão envolvidos. Não dependemos só de nós. E nessa incógnita viagem em que estão em jogo várias formas de conduzir, poderá haver calmas viagens mas igualmente choques, acidentes e situações difíceis. E haverá troços bem iluminados e outros que não o são, ou até túneis escuros e difíceis de atravessar .

Neste conduzir a vida, tal como na condução de uma viatura, os “problemas/avarias” imprevistos são uma realidade, tornando urgente a necessidade de parar. E de fazer um ponto da situação/revisão, arranjar a viatura, rever o itinerário, reprogramar a viagem e recomeçar. E a necessária aceitação de que algo na engrenagem poderá simplesmente ficar diferente depois desses percalços.
Curiosamente, em ambas as situações – dentro de um carro ou na vida –  poderemos optar por não seguir as regras vigentes e simplesmente transgredir, seja ultrapassando os limites existentes, seja optando pela “contra mão”, acarretando obviamente com as consequências dessa atitude.

Contudo, apesar destas enormes semelhanças, algo importantíssimo separa estes dois actos: o nosso livre arbítrio.

Na condução da vida, ele permite-nos escolher qualquer direcção em qualquer momento. Temos a capacidade de decidir para onde queremos ir, seja em função do trajecto já percorrido, de uma necessidade presente ou do futuro que desejamos. Objectivamente, nada nos impede de fazer escolhas. A não ser nós próprios e toda a “teia” emocional e moralista que fomos construindo ao longo da vida.

Já na condução de uma viatura, a própria estrada é limitativa. Temos bermas, valas, protecções laterais, troços cortados etc, que nos impedem pura e simplesmente de mudar de direcção a qualquer momento. E nela teremos que seguir, talvez procurando bem mais à frente outro caminho.

Apesar disto tudo…é mais fácil lidar com os impedimentos da estrada do que com os impedimentos da vida. Os primeiros, exigem apenas uma aceitação das condições existentes. Ponto final.
Quanto aos segundos…serão uma presença constante dentro de nós, se não houver força para os ultrapassar, sublimar ou decidir mudar de rumo.

No fundo, nós conduzimos a Vida. Um carro, apenas se conduz.

 

 

diálogo respirado

 

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– Eu respiro!
Diz o corpo

– Eu também!
Responde a alma

– Como?
Pergunta o corpo…

– Suspirando!
Responde a alma.

 

E neste suspiro-respirado libertam-se emoções… talvez inspiradas por engano, porventura nascidas das circunstâncias, do acaso ou fruto das nossas escolhas.

Suspira-se de amor… suspira-se de tédio… suspira-se por um sonho… ou apenas por uma pausa.

Um suspiro…

…é uma brisa que limpa, oxigena e acalma a alma!

 

 

(Dulce Delgado, Julho 2018)

 

 

 

 

…60!

 

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Dançam as nuvens
as árvores
e um bando de pássaros…

O ar é o palco
A música é o vento
A valsa, o movimento
E o meu olhar, um abraço!

 

Este pequeno poema que escrevi algures na década de noventa, é um dos que mais aprecio.

De certa forma é um poema sem tempo, pois reencontro-me sempre que o leio, o que me leva a sentir que ele foi passado, é presente e será futuro. Essa intemporal-idade que me transmite é uma boa razão para o partilhar neste dia em que cumpro 60 anos de vida, seis décadas de imensos olhares e sentires, de dificuldades e vitórias, de muitas alegrias, mas igualmente da estranha sensação de que tudo passou rápido demais.

Sei que o tempo que me será oferecido será seguramente bem menor que o já vivido. Seja ele qual for, enquanto o puder fazer em consciência será para abraçar, para envolver com o olhar e partilhar em palavras, imagens ou desenhos, não só com os que estão fisicamente mais perto, mas igualmente com os outros que, através deste blog ou não, vão acompanhando o meu sentir nesta aventura que é a Vida.

Fá-lo-ei da melhor forma possível e sempre tentando descobrir/aprender algo de novo todos os dias, seja em mim, seja nos outros, seja no mundo onde me situo ou na natureza que me envolve. E depois partilhar isso. Porque a vida, mesmo com todas as dificuldades com que nos presenteia, não merece outra forma de estar.

Obrigada por estarem presentes nesta simbólica data da minha vida!

 

 

(Dulce Delgado, 7 Maio 2018)