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Talvez pela proximidade com a minha filha grávida e com tudo o que isso implica, estou mais atenta do que nunca a fenómenos associados à procriação e ao aparecimento de novas gerações.  Tenho a sensação que encontro mais grávidas que em anos anteriores e, mais estranho ainda, é o facto de que tudo o que se assemelha com “barrigas” vir naturalmente ter com o meu olhar. Este será certamente o “síndrome de futura avó”…

Ao reparar que os meus Lírios-da-paz (Spathiphyllum wallisii) estavam “grávidos” de flores, resolvi fotografar esse desenvolvimento ao longo de duas semanas, tempo que decorreu entre a primeira e a ultima imagens que hoje partilho.

Entretanto… mais flores continuam a nascer a bom ritmo neste início de Verão. E eu, um tanto dispersa e aérea… continuo a vibrar com a ideia deste mesmo Verão fazer nascer um “rebento” na família!

 

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Por fim… mostrou a face e sorriu-me!

 

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experimentações #9

 

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A cor foi alternando com o preto e branco, da mesma forma que em mim habitavam dois mundos em confronto: um  imaginário leve, etéreo, algo transcendente e infinitamente belo… e a realidade do mundo em que vivia, repleta de injustiça, egoísmo, sofrimento, pobreza e de uma violência absurda que me revoltava e que eu não entendia.

Mais do que a qualidade artística das formas ou da ingénua simplicidade do traço e da anatomia humana, creio que o mais interessante é a expressividade que, apesar disso, as  figuras conseguem transmitir

 

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(Dulce Delgado, tinta da China, aguarela e lápis sobre papel, 1978)

 

 

 

 

experimentações #8

 

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E um dia, naturalmente, a vontade de cor espreitou e quebrou a hegemonia do preto e branco. Peguei nos guaches e saiu esta controlada composição geométrica, sem perspectiva e essencialmente um belíssimo treino de mistura de cores e de busca de tonalidades.

Mas a cor só espreitou, ainda não ficou…

 

(Dulce Delgado, guache sobre papel, Setembro 1977)

 

 

 

momentos especiais

 

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Hoje, ao fim da tarde, o céu ofereceu este espectáculo a quem se encontrava na zona oeste/ noroeste da cidade de Lisboa. O sol e as nuvens brincaram e criaram um segmento de arco-iris que se abriu numa espécie de portal … triangular … e estrategicamente localizado.

Não sei se a natureza quereria dizer algo a estes estranhos tempos. Talvez sim. Ou talvez não.

Eu prefiro pensar que sim!

 


 

Como este fenómeno começou e evoluiu:

 

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Depois… rapidamente terminou!

E eu agradeci!

 

 

 

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Dooois? Onde estás?

– Quem me chama?

– Eu, o Seis. Anda aqui!

…?

– Senta-te aqui a meu lado!

O Dois senta-se pouco convicto à direita do Seis. Este último sorri e diz:

– Chegou a tua vez de ficar aqui deste lado. O Um foi ontem embora e tu és o seguinte. Não posso ficar sozinho, preciso de me encostar a ti durante um ano…

– E eu tenho que ficar quietinho?

– Sim. Podes espernear mas não sair…

Sentado mas inseguro, o Dois está surpreso e sente-se estranho. Fica silencioso, reflecte, medita… e momentos depois mais consciente da situação diz:

– Ok, se chegou a altura de eu ficar um ano a teu lado e ambos um ano na vida da Dulce, então devemos cumprir o melhor possível essa missão. Já estivemos juntos há muito tempo, quando eu estava no outro lado… éramos mais novos….e tínhamos todos outra energia. Agora, com um pouco mais de experiência tudo devemos fazer para tornar os próximos 365 dias de vida da nossa amiga saudáveis, criativos, afectivos, atentos, de partilha e tranquilos, apesar de se vislumbrar um ano de fortes emoções já que será avó pela primeira vez e está muito feliz com isso. Temos que tentar que tudo corra bem!

– Vamos a isso, diz o Seis! Sejamos então uns simpáticos Sessenta e Dois!

 
Discretamente e com muito carinho, agradeço a intenção do 6 e do 2…dos 62…e desejo com esperança, emoção e do fundo do coração que tais palavras se concretizem e sejam uma realidade!

 

 

(Dulce Delgado, 7 Maio 2020)

 

 

 

 

 

a rotunda das papoilas

 

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Por muito criativas que sejam os milhares de rotundas de circulação rodoviária existentes neste país, nenhuma até agora me cativara o suficiente a ponto de lhe dar duas voltas a pé para apreciar e fotografar o espectáculo que me oferecia. 

Esta rotunda tem meia dúzia de árvores plantadas, vivendo o restante espaço da dinâmica das estações do ano. Diria que é um círculo de terra gerido pela natureza onde naturalmente ela expõe a sua criatividade, sem qualquer interferência humana.

Este ano a Primavera pintalgou-a de várias cores, mas é o vermelho das papoilas que impera fortemente.

 

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Hoje vou olhar apenas para estas flores silvestres e para a sua cor, beleza, força, simplicidade e fragilidade. E para a atracção que exercem sobre muitos de nós, atracção que eu penso vir exactamente desse misto de sentires quase opostos que nos proporciona, como é a força da cor versus a fragilidade da flor.

Primeiro atrai-nos pela cor, pelo vermelho da paixão e das emoções fortes. E depois pela  fragilidade com que reage a qualquer aragem e pela aparente vulnerabilidade. Essas sensações desencadeiam naturalmente uma vontade de aproximação e de protecção… originando em nós um olhar bastante emocional e afectivo.

 

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A par da cor e da fragilidade, também a expressividade é evidente. Manifesta-se especialmente nas hastes que seguram os botões das futuras flores, exprimindo um misto de submissão e saudação ao olhar que nelas pousa. Como se tivessem a dizer um tímido e silencioso olá…

 

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O próprio nascimento da flor é quase “humano” e muito “orgânico”. As pétalas nascem amarrotadas, frágeis, inseguras e quase pedindo que cuidemos delas.

 

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Será a própria brisa/vento a que são tão sensíveis que as ajudará a desabrochar, a alisar …e a fortalecer a personalidade. E então, em plena maturidade, brincam com o sol, abrem-se para os insectos e dançam ao sabor do vento que as abana… inclina… quase dobra…mas não quebra. Orgulhosamente elas resistem, continuando a alimentar muitos olhares e também o nosso imaginar.

Foi tão fácil encontrar uma papoila-borboleta a voar!

 

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Terminado o tempo da dança e desta estação do ano, o vento levará uma pétala…outra cairá…e outras secarão E ficará a essência, materializada no ovário e nas sementes, qual útero que as próximas estações ajudarão a abrir…a dispersar…e que daqui a um ano  voltarão certamente a dar cor e beleza a este lugar!

 

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Como complemento, falta dizer que esta rotunda situa-se no extremo oeste da Avenida de Portugal, em Carnaxide, nos arredores de Lisboa.

Ontem voltei a visitá-la, tem ainda mais papoilas e está simplesmente magnífica! E hoje, neste Dia da Mãe, algumas vieram à pouco ter comigo pela mão da minha filha. Para tentar secar e guardar com todo o carinho!

 

 

 

 

violetas à janela

 

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Não aprecio a cor violeta/roxo. Esse tom nunca acompanhou os meus dias, seja em peças de roupa ou objectos decorativos. Não sei explicar esse sentir, nem estou propriamente interessada em saber. Há muita gente que não gosta de amarelo e eu gosto de amarelo. Como bem diz o provérbio…”gostos não se discutem”!

Contudo, adoro a cor das minhas violetas!

Gosto deste violeta que me preenche a janela nesta altura do ano…gosto da forma como estas violetas presenteiam o meu olhar com a sua beleza, singeleza e aveludado…gosto desta ambígua cor que aqui me delicia os sentidos….. gosto… desta cor que não gosto!

E questiono-me:

Como posso, de uma forma tão oposta, “não gostar” e “gostar” de uma mesma cor?

O que é o “gostar de” e o “não gostar de”?

Talvez seja algo tão relativo e mutável como relativas e mutáveis são as nossas emoções, as nossas opções, as nossas certezas ou os nossos sentidos.

Será?