ondas

 

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Uma onda…
outra…
e outra mais…
muitas ondas…

Linhas deslizantes
que se cruzam
neutralizam
e ultrapassam
no tempo de um olhar.

Desejos fluidos
do mar
nascidos em cada instante,
seja ao longe
na linha do horizonte,
ou aqui,
na beira deste lugar
tão fácil de eu amar!

Uma onda…
outra onda…

Serão as ondas
as mãos do mar
que acariciam a beira-mar?

 

 

(Dulce Delgado, Outubro 2018)

 

 

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dia energia

 

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A primeira imagem que o dia nos oferece contribui de certa forma para a energia com que o iremos encarar.

Logo pela manhã, sempre procuro uma janela virada a oriente para ver as infinitas formas do nascer do dia e as flutuações associadas à sequência das estação do ano. É uma espécie de ritual de Vida.

Nesta altura do ano…

…o meu acordar coincide mais ou menos com o nascer do sol. Apesar de ainda estarmos no Verão, por vezes um manto de nuvens ocupa o céu impedindo de apreciar esse momento. Noutros dias porém, como revela esta imagem captada recentemente, a luminosidade é tão bonita e mágica que penetra no olhar… no respirar… nos poros… nos gestos… e especialmente na energia do nosso dia!

 

Este, só poderia ser um dia bom!

 

 

 

(Dulce Delgado, Setembro 2018)

 

 

harmonias

 

 

Harmonizar continentes, países, raças, sexos, ideias e sentimentos faz parte do imaginário de muitos de nós. Porém, neste mundo um tanto “cor-de-rosa” em que habito, isso é simples através da música e de algumas vozes que se harmonizam em duetos, como as que hoje partilho.

– No video inicial, Robert Plant, ex- Led Zeppelin e Alison Krauss, cantora country e violinista, juntaram o Reino Unido e os EUA no álbum Raising Sand (2007). Umas das faixas intitula-se Your long journey, um tema antigo e já cantado por outros artistas. Mas as suas vozes harmonizam na perfeição!

 

– Também Vanesa Martín, espanhola, se aliou no final de 2017 ao angolano Matias Damásio e em conjunto cantaram Porque queramos vernos, um dos temas que integra o álbum Munay, editado por esta cantora em 2016.

 

 

– E por último, sugiro o tema Naturalmente Naturalmente incluído no álbum Já É (2015) do artista brasileiro Arnaldo Antunes, aqui cantado em parceria com a portuguesa Manuela Azevedo, um dos elementos do grupo Clã.

 

 

E assim, discretamente, talvez o mundo tenha ficado um pouco mais harmonioso neste domingo à tarde….

 

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No início deste blog, em 2016, partilhei um post com alguns temas igualmente cantados em dueto. De certa forma, o post de hoje complementa esse, pelo que seria interessante passarem por ele e ouvirem as parcerias aí incluídas e que também aprecio bastante.

 

 

 

 

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Neste dia, há trinta e cinco anos, nasceu a minha filha. Foi um momento tranquilo, como tranquila tem sido a proximidade que nos une baseada em sensibilidades muito semelhantes.

Sempre que possível, ela tenta diferenciar este dia e fazer uma pequena viagem. Este ano está em Barcelona, bem acompanhada e feliz. Como qualquer mãe gosta de saber!

A ela dedico estas palavras e a fotografia, que creio apreciará pela simplicidade. Para mim, esta imagem é uma forma sublime de expressar a Vida que nos anima…

…como uma continuidade de fluxos…

…de movimentos ordenados ou aleatórios…

…encontros e desencontros…

…energias que fluem na superfície do nosso sentir…

…um tempo sem margens nem limites…

…e de muitos afectos, que deslizam na pele dos dias!

 

Sendo hoje um dia especial em afectos…

…Muitos Parabéns filha, e um grande e maternal abraço!

 

 

 

partilha

 

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Era uma vez um bivalve pequenino, com genes de ostra.

Teve a sorte de não ser apanhado por um peixe enquanto andou livre, ao sabor das correntes ou nos fundos arenosos. Depois cresceu um pouco, chegando o momento de parar e talvez de se fixar a algo para as suas conchas desenvolver. Muito perto desse lugar estaria um búzio vazio, sem alma nem gente.

A nossa ostra começou a crescer e, nesse expandir de camadas estava a entrada do búzio. Então…porque não aproveitar e ali depositar algum carbonato de cálcio? Uma casa com anexo, não é privilégio de muitos bivalves!

Aproveitou a oportunidade…cresceu…cresceu um pouco mais…o tempo passou… e um dia, a vida que guardava….morreu!

O tempo não parou, porque o tempo nunca pára.

Naturalmente, o mar e as marés fizeram o resto separando as duas partes da ostra, que se afastaram para sempre. Uma ficou só e só estará neste mundo.

Esta não. Agarrada ao búzio, viajaram pelo mar. Muito…pouco…ninguém saberá!

Num dia do mês de Julho de 2018, as ondas do Atlântico deixaram-nas a descansar durante a maré baixa no vasto areal da ilha de Tavira, na Ria Formosa. E aqui entro eu na história…

…ao passear pela beira-mar, vi este conjunto e fiquei encantada não com a sua beleza mas com tão estranha partilha. Agarrei-a com carinho, logo com o intuito de a oferecer a uma amiga bióloga e coleccionadora de conchas, que a recebeu com muito agrado e me explicou, com mais exemplos, o processo que leva a esta partilha de corpos.

Todas as histórias têm um final. Se este é feliz…eu não sei!

Porque…

…talvez este par tivesse preferido ficar naquela beira-mar e deixar que o tempo, a natureza, um instante ou uma onda quebrasse o elo que o une… ou, quem sabe…

..talvez esteja feliz com esta inesperada longevidade, num conforto partilhada com muitas da sua família.

 

Seja qual for a verdade, obrigada Lília pelas explicações e…cuida bem deste par!

 

 

 

criativa paciência

 

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A paciência manifesta-se de inúmeras formas e põe à prova a nossa capacidade de resistir e de não desistir.
Ser paciente é igualmente uma forma de aprendizagem, que engloba não apenas o saber esperar, mas também o tolerar os outros com as suas diferenças e, mais difícil ainda, a capacidade de controlarmos as nossas impaciências.

De certa forma, a paciência também está associada ao “silêncio” da expressão artística. O acto de criar é suficientemente elástico para se situar entre a espontaneidade emocional de um momento e a elaboração detalhada e minuciosa de uma obra extremamente exigente em paciência. Neste último caso, porventura ainda associada a um trabalho prévio de procura e planeamento.

É precisamente um destes casos que quero hoje partilhar. Refiro-me ao trabalho realizado em meio natural por James Brunt, artista que encontra na natureza os materiais e o suporte para as suas mandalas. Isso é muito interessante, tal como o facto de estarmos perante obras muito exigentes em paciência mas simultaneamente efémeras, porque em meio natural os elementos e as condições não podem ser controladas. A natureza decide e…

…uma chuvada, uma rajada de vento ou uma onda rasteira nascidos de um momento…poderão, em segundos, pôr fim a horas e horas de trabalho e de muita concentração….

James Brunt é, sem dúvida, um artista com uma enorme paciência e certamente uma personalidade muito curiosa!

 

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(Todas as imagens foram retiradas do site do próprio artista)