instantes #2

 

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O olhar

 

(Praia de Santo Amaro, Oeiras, Agosto 2016)

 

 

 

 

para além do olhar

 

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A existência daquele conjunto de árvores passou literalmente ao meu lado até ao dia em que o seu contorno atravessou o meu olhar e fui atraída pela elegante nudez, despojamento e solidão que exprimiam.

No tronco e nos ramos possuem uma grande quantidade de espinhos agressivos e duros, estruturas que estou certa cumprem bem a sua função e que impedem qualquer tentativa de aproximação. Na prática, apenas o olhar as pode tocar.

Há certas pessoas que são um pouco assim. Que têm o dom de atrair olhares por um qualquer aspecto ou detalhe mais físico, mas simultaneamente afastam a vontade de aproximação, seja pela atitude, pelas palavras ou até energia. São pessoas que têm “espinhos” como este Espinheiro-da-Virgínia (Gleditsia triacanthos L.).

Contudo, tal como esta árvore protege no seu âmago os frutos e as sementes, a sua verdadeira essência, também esses seres humanos “guardam” algo potencialmente genuíno, vital, humano e doce.

Indefinida e difícil poderá ser a forma de contornar esses “espinhos” e de chegar ao que é importante.

Mas tal é sempre possível.

 

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experimentações #1

 

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Pegar num papel…verter sobre ela tinta-da-china preta… e deixá-la escorrer, brincando com o papel…

 

Não sei datar esta experimentação, mas tem seguramente mais de quatro décadas. Ela é importante porque simboliza o espírito do “vamos ver o que dá”, sem objectivos, ideias ou qualquer mensagem latente a não ser explorar o momento, os materiais, as formas e a dualidade preto-branco.

Durante um certo tempo o preto foi a escolha na exploração de formas e perspectiva, como mostrarei brevemente num post desta série.

 

 

(Dulce Delgado, Janeiro 2020)

 

 

 

 

 

2020

 

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E assim nasceu o primeiro dia do ano na região de Lisboa, envolto em neblinas e com nevoeiro sobre o rio Tejo. No céu, muitas linhas de aviões, de caminhos para novos lugares, de mudança, e sempre, sempre de esperança.

Que este novo tempo permita mais senso a este mundo do qual todos fazemos parte, e a nível individual a concretização dos desejos surgidos nos instantes que uniram o ultimo dia de 2019 ao primeiro de 2020. Agarremos essas sensações com energia, seja qual for o campo em que se manifestem… e continuemos este caminho, em paz e com saúde! Será esse certamente o maior desejo de todos nós.

Pessoalmente creio que não pensei muito e limitei-me a apreciar o momento, partilhado com alegria sob um belíssimo fogo de artifício. Afinal já cheguei a 2020! Se quando era jovem o ano 2000 era algo bem longínquo, esta data é um marco. Como será no futuro cada ano e cada década que a vida saudavelmente me queira oferecer!

Contudo, os pensamentos mais organizados e de balanço surgidos nos últimos dias aliam-se agora à vontade de fazer pequenas mudanças, nomeadamente num contexto mais criativo, campo onde se insere este blog.

O que será diferente?

A ideia de iniciar cada publicação com uma fotografia ou desenho da minha autoria como sucedeu na maioria dos 460 posts já editados será mantida. Mas pretendo igualmente mostrar essas formas de expressão individualmente, com pouco ou nenhum texto de acompanhamento.

Esta decisão resulta da constatação de que tenho muitas imagens que aprecio (algumas já publicadas no Instagram), assim como desenhos, aguarelas, registos de viagens e colagens que os anos viram nascer. Ao publicar esse material terei mais alguma disponibilidade para voltar a treinar a mão e o olhar de uma forma mais consistente, algo a que a existência deste blog e o acompanhamento de outras páginas veio tirar muito tempo. Mas que para mim é tão importante como continuar com este espaço.

Na prática significa apenas partilhar um pouco mais do passado para ter mais tempo para crescer e construir o futuro. Criativamente falando, obviamente!

Assim, para além da tipologia de publicações já vossa conhecida, surgirão neste Discretamente as séries

.  instantes #1…. #2….#3…, com fotografias

. experimentações #1…. #2….#3…., com desenhos, aguarelas, colagens e tudo o que mais possa surgir.

Serão estas as pequenas mudanças para este novo tempo!

 

Desejo um excelente 2020 para todos!

 

 

 

 

boas festas!

Capturar

 

As pequenas searas de trigo germinado (brotos) estão crescidas, bonitas, e com elas o desejo simbólico de uma boa energia para esta época e para o novo ano.

Julgo que este também seria o motivo que levaria a minha mãe a fazer todos os anos diversas searinhas – de trigo, grão e de outros cereais/leguminosas – que depois colocava junto ao presépio. Era uma tradição sobre a qual nunca a questionei porque era simplesmente assim. Hoje sei que esse hábito se estende a várias regiões do país e não apenas ao Algarve de onde era oriunda.

No início de Dezembro o cereal é colocado em água, num recipiente baixo, e assim mantido para que ocorra a germinação. Há muitos anos recuperei esse ritual, que mantenho, não apenas pela memória de minha mãe e simbologia associada, mas pelo prazer de seguir diariamente o seu crescimento.

Actualmente tenho uma amiga que todos os anos me oferece o trigo necessário para as fazer. Na sua família têm o hábito de associar cada membro da família a uma seara, levando a uma certa disputa para ver qual se desenvolve mais…e quem terá o melhor ano!

Nunca saberei se este espírito estaria associado às várias searas que a minha mãe religiosamente cultivava. Talvez. Pessoalmente faço sempre mais do que uma, centrando nelas o meu desejo de um ano de “abundância”, seja qual for o sentido que cada um possa dar a este termo.

Eu prefiro pensar em paz, saúde e afectos. Outros talvez se centrem em algo mais material. Seja qual for a preferência, que seja partilhado. E agradecido. Afinal o espírito desta época é, ou deveria ser essencialmente esse.

Voltando às minhas searas, que o seu saudável crescimento seja um bom presságio. Para mim, para os que me são queridos… e também para os meus leitores!

Boas Festas e obrigada por este dar e receber!

 

 

Entre o Natal e o final do ano estarei ausente do blog. Será uma discreta paragem de alguns gestos habituais como, por exemplo…o ir ao computador!
Encontramo-nos em 2020!

 

 

 

ao inverno

 

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Há dois dias nasceu a primeira flor da minha Kalanchoe após meses sem florir. A primeira de muitas, pois são imensos os botões que se preparam para esse desvendar para a luz.

O facto de hoje começar o Inverno neste hemisfério norte não perturbou em nada a sua vontade de dar flor, algo talvez natural nesta espécie, não sei. Eu fiquei feliz com isso, porque gosto da ideia de ter esta companhia colorida ao longo do próximo Inverno.

É apenas um detalhe esta primeira flor da minha Kalanchoe. Mas eu gosto de detalhes, são eles que fazem a diferença. Significam que existe atenção, seja com o olhar, seja com o coração. E isso é bom, para nós e para os outros!

Um bom Inverno (ou Verão) para todos vós!

 

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