variação em dois temas…

É raro o dia do ano que não está associado a qualquer comemoração, sendo certo que as homenagens existentes variam entre o compreensível e o estranho, o que por vezes faz nascer em nós um curioso sorriso.

Verifiquei recentemente que no dia 11 de Março de 2021, hoje portanto, se comemorara o Dia Mundial do Rim… e o Dia Mundial da Canalização! Essa constatação levou-me primeiro a uma certa surpresa, seguida da sensação que isso poderia não ser por acaso e logo me questionando se haveria uma razão para se juntarem num mesmo dia.

Pensei um pouco e comecei de imediato a encontrar pontes de ligação…

…ambos implicam a presença de uma infinidade de “tubagens” de calibres diferentes onde circulam líquidos mais ou menos puros;

…o rim, ao funcionar como um filtro purificador do sangue excreta para a bexiga resíduos resultantes do metabolismo celular que não interessam ao organismo, funções que exigem um complexo sistema de canais, veias, artérias, arteríolas, etc,…

…diluídos em água, esses resíduos saem pela uretra para o exterior através da urina…e seguem, juntamente com outras águas residuais pela imensa rede de esgotos e tubagens que se desenvolve nos subterrâneos das nossas cidades, vilas, etc. até chegarem às ETAR’s…

…aqueles locais onde um complexo sistema de milhentas tubagens tratará em várias etapas essas águas até estarem capazes de serem reutilizadas na rega ou em lavagens de ruas. Outra parte, já livre de poluentes chegará ao mar e perder-se-á na sua imensidão…

…enquanto isto acontece… o ciclo da água prossegue na natureza, através da evaporação….formação de nuvens… e chuvas mais ou menos abundantes… que convergem para os rios e seguem para as barragens. Aí…

…consoante as necessidades das populações, será captada por enormes tubagens, depois purificada…e, por outra teia imensa de canalizações chegará a cidades, vilas, aldeias e lugares… e às nossas torneiras…

…onde, num gesto simples encherá o copo que temos na mão e irá saciar a nossa sede, hidratar o nosso corpo…

…e em nós, irá percorrer aquele imenso e maravilhoso sistema de canais e funções que somos, será absorvida e alimentará todas as células do nosso organismo, e será parte daquele sangue que continuamente, através das artérias renais chega ao rim para ser filtrado e purificado…num ciclo que se repete continuamente.

Ou seja, tudo tem a ver com tudo…e tudo tem por base a água, esse bem precioso que sustenta a vida neste planeta. Nele, para ser possível vivermos em condições mínimas de salubridade circula artificialmente por condutas, canais, tubagens, canos….e, no nosso corpo, será sob a forma de sangue e linfa que circula, utilizando uma intrincada rede de canais.

Desventurados serão – e são muitos ainda – os que não têm as infra estruturas básicas em suas habitações que lhes permita o gesto de abrir uma torneira de água potável ou de ter acesso a uma rede pública de esgotos.…como desventurados serão os milhões de seres humanos que em todo o mundo não têm os seus rins a funcionar saudavelmente e, enquanto aguardam eventuais transplantes, precisam de recorrer duas a três vezes por semana à hemodiálise, onde um intrincado e inventivo sistema de tubos e máquinas substituirá a função dos seus rins.

Mais uma vez, o que é aparentemente banal e dado como adquirido deve ser devidamente valorizado. E não o fazermos apenas quando algo falha, ou seja, quando um cano se rompe em casa, a água falta…ou quando os rins doem ou a sua função está alterada.

Por isso….sim, estes dias comemorativos têm realmente sentido!

2021

Nesta aventura de viver e de acompanhar a passagem do tempo chegamos ao desejado 2021, depois de um inesquecível, turbulento e esperemos que irrepetível 2020. Para muitos de nós, este primeiro dia do ano é o momento de olhar para uma nova agenda… de substituir o calendário na secretária ou na parede…e de encararmos estes novíssimos 365 dias como um “tempo limpo, aberto e disponível”.

O que lhe pedir?

Que seja saudável, íntegro, transparente e equilibrado
Que se revele um tempo gerador/guardador de mentalidades mais iluminadas, solidárias e menos egoístas
Que seja um período de paz, de união e sempre de cooperação

O que lhe podemos oferecer?

Empenho e verdade
Equilíbrio
A nossa curiosidade e espírito de descoberta
Atenção, cooperação, respeito e solidariedade
Gratidão
Genuína alegria

Fazendo uma analogia com o desenho acima, diria que a taça é o tempo “limpo, aberto e disponível” do novo ano, cabendo a cada um de nós proceder ao seu “enchimento” da forma mais adequada e de acordo com os objetivos e princípios que nos orientam.

Mas seja qual for o modo de o fazermos, não esqueçamos de acrescentar aquela irreverência saudável que a vida nos merece, de manter a curiosidade e um certo espírito de aventura, e ainda, de temperar tudo isso com uma genuína alegria. Enfim, não esqueçamos o nosso lado mais infantil e travesso…como esta dupla de coelhinhos sempre me recorda e insiste em mostrar.

Depois de um ano tão denso e sério, desejo a todos vós um 2021 progressivamente mais leve, solto e liberto!

inverno

A buganvília que vive em minha casa floresce quando lhe apetece. Este ano o Outono também foi tempo de floração, enchendo de cor o espaço que habita junto a uma janela. Porém, nesta altura do ano essa janela é muitas vezes fechada devido ao frio e à chuva, o que lhe causa certamente alguma tristeza como planta de exterior que é.
Foi esse o sentimento que esta imagem despertou em mim, num dia cinzento, frio, chuvoso… e de janela fechada! Fiz-lhe um afago e pensei “Ok…se floriste no Outono e o crescimento não parou…não pode ser grave! Há dias assim!”.

Novo pensamento:

A chegada do Inverno ao hemisfério norte neste ano totalmente atípico e de menos afectos, levará provavelmente a uma maior interiorização, a mais momentos de melancolia e a uma evidente diminuição da energia.
Apesar da meteorologia ter muita influência nesse processo, creio que este ano será sobretudo a pandemia a funcionar como “algo invisível e frio” que nos afasta do mundo e impede o calor humano.

Recorrendo a uma metáfora e à imagem acima diria que, tal como a minha buganvília, também nós…

…estamos perante uma “barreira invisível” e limitativa que nos separa do mundo
…o cansaço dessa situação leva a momentos de alguma tristeza
…apesar desse cansaço, continuamos a encontrar energia para viver e lutar
…sabemos que no outro lado dessa barreira estará uma saída e a liberdade
…que a esperança é algo poderoso e que a mudança sempre acontece
…e que a “janela”, mais tarde ou mais cedo se abrirá novamente!

E é com esta imagem que mistura tantos sentimentos que vos desejo um Inverno de esperança, de resiliência e apesar de tudo, sempre de gratidão!

Semelhante desejo dirijo aos meus leitores do hemisfério sul que hoje receberam o quente Verão…mas seguramente com alguns sentimentos análogos aos descritos!

entre prosa e poesia…

Dezembro seria um mês banal se não fosse o Natal, aquela festa familiar, bem enraizada e de sabor tradicional.

Em Portugal o mês começa com um feriado, dia que nos relembra um momento fundamental da independência nacional. Uma semana depois um novo feriado, este religioso, para uns algo indiferente e para outros valioso. Mas para a grande maioria, devido à pandemia foram dias sem igual…pelo confinamento geral!

E Dezembro continua… colorido…luminoso…vestindo-se de Natal…e aquecendo com ternura a esperança nacional.

Sem planeamento, qualquer mês de Dezembro pode ser louco em demasia, pelo desejo de comprar algo certo para ofertar a amigos e família. Nesse deambular natalício, sempre surge na minha mente aquele difícil pensamento que opõe o espírito de Natal com o lucro comercial.

Curiosamente, neste peculiar Dezembro de um ano tão impar, não houve confronto mas sintonia, ciente que tudo o que comprarmos ajudará uma economia bastante debilitada em virtude da pandemia.

E assim, passo a passo e sem conflito prosseguirá o ritual que levará ao Natal deste ano inesquecível. E ao mais desejado reencontro familiar – nessa data possível sem esquecer a segurança – mas sobretudo a um tempo de fé e de profunda esperança numa real mudança.

O mundo deseja e o mundo precisa. Esperemos que assim seja!

(Dulce Delgado, Dezembro 2020)

árvore do ano 2021

Termina no final do próximo dia 23 de Novembro a votação que levará à eleição da árvore portuguesa que posteriormente participará no concurso da Árvore Europeia do Ano 2021.

Como vem sendo hábito nos últimos anos mais uma vez relembro este evento que considero importante, não pela eleição em si, mas sobretudo por dar a conhecer algumas árvores emblemáticas e com histórias interessantes que habitam em solo português.

Este é o link que contém todas as informações disponíveis e onde podem escolher as duas árvores que considerem mais interessantes.

Eu já fiz a minha escolha!

(Imagem retirada de  https://portugal.treeoftheyear.eu/Vote)

 

outono

Despede-se hoje o Verão após uma semana meteorologicamente instável, reflectindo um pouco o espírito da estação que esteve entre nós. Foi um Verão algo desconfiado, intercalando o céu azul com o cinzento, as noites amenas com outras bastante frescas, e os raros dias sem vento com muitos de forte ventania. Com variações obviamente entre o norte e o sul do país, revelando o pólo meridional mais sintonia com o verdadeiro Verão.

Tais flutuações meteorológicas impõem uma verdadeira elasticidade mental de adaptação. Aliás, algo bem de acordo com os tempos instáveis que vivemos em que nada é realmente solto e natural, já que a preocupação e os pensamentos “laterais” pairam sobre nós como uma nuvem.

Mas nada disso é impeditivo do avançar do relógio do tempo e do fluir do tempo da natureza…

É nesta dinâmica que o Outono chegará hoje às 14h 31m ao calendário e aos nossos dias. Aos poucos a natureza fará as suas adaptações, começará a olhar para dentro, espalhará as suas cores de Outono, levará as folhas das árvores a viajar com o vento e talvez ofereça alguma chuva consistente.

E nós continuaremos igualmente a nossa adaptação a este estranho tempo que 2020 nos ofereceu, agora ainda mais atentos do que antes porque as circunstâncias actuais assim o exigem. Tentaremos não esquecer os gestos que começam a ficar esquecidos e reforçaremos as emoções que não precisam de gestos, através do cuidado, da atitude, da palavra, do detalhe. Pode parecer pouco, mas é bastante se for verdadeiro e genuíno.

Que seja um Outono (e uma Primavera no outro lado do mundo), ao desejo de cada um!

E cuidemo-nos. Cuidando de nós, também cuidamos dos outros!

gratidão e paz

Ao sol pedi…
…aquece-me

Ao vento…
…leva-me

À chuva…
…refresca-me

Ao amor…
…abraça-me

E por fim,
à Natureza e à Vida…
…tudo agradeci!

(…inclusive o menos bom, mas que sempre vale de aprendizagem!)

Dia 21 Setembro 2020 – Dia Mundial da Gratidão e Dia Internacional da Paz
Gratidão também é Paz!

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A viagem que anualmente promoves em tempo de aniversário será este ano bastante diferente, pois não haverá aviões, aeroportos ou cidades a explorar.

Em tonalidades bem mais intimistas viverás a tua primeira viagem como mãe por estes ciclos anuais que marcam a nossa Vida. Nesse novo estado sentirás as rotinas e o cansaço próprio de quem cuida e alimenta um filho com três semanas, mas terás certamente detalhes inesperados e momentos diferentes do habitual. E neles viajarás com os sentidos mais atentos e uma imensa ternura à flor da pele!

Pela minha parte, agora de mãe para mãe, um obrigada por teres nascido, um abraço bem apertado…. e um poema!

 

Ser Mãe,
é viajar por um trilho
de experiências novas
e profundas descobertas.

Com o teu filho
irás percorrer prados de ternura
e brincadeira,
caminhos semeados de dúvidas,
cansativas subidas,
atalhos surpreendentes,
florestas de insegurança…

…e alcançarás uma nova visão
da Vida
sem subires a qualquer montanha!

Rirás com detalhes mínimos
e chorarás por pouco
ou nada.
E viverás desconhecidas emoções
como se os teus sentidos,
corpo
e pele,
habitassem um novo mundo
de sentimentos
e sensações.

Neste caminho partilhado
procurarás rios
de informação
para te saciar os medos  e as dúvidas,
mas logo perceberás
que a melhor resposta a essa sede
estará em ti,
no teu coração
e sempre na tua intuição.

Ser mãe
é esta viagem em poucas palavras.
Mas ser mãe não são palavras,
é algo imenso
intenso
e de um Amor sem fim!

 

 

(Dulce Delgado, 1 Setembro 2020)

 

 

 

 

lisboa… entre margens

 

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Inaugurada há precisamente 54 anos (1966), a sua elegância une margens e suspende sobre o rio uma belíssima obra de engenharia. Como via estruturante, a Ponte 25 de Abril é um elo de ligação e um detalhe fundamental da capital.

Diariamente, a partir da margem norte do Tejo, o meu olhar percorre-a sem se cansar…..leva-me ao cimo dos seus pilares….mergulha vertiginosamente no rio….conhece as suas dinâmicas ao longo do dia….e aprecia o seu magnífico recorte no perfil maior da cidade.

Na Lisboa de hoje, este meu olhar e o olhar de tantos outros, agradecem a sua presença, beleza e função!

 

 

 

 

curiosidades

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Existe o Dia do Pi que se comemora a 14 Março (3/14)… e existe o Dia da aproximação de Pi que se comemora hoje, ou seja, o dia em que a data numérica mais se aproxima do valor de 3,1415926…que lhe é atribuído.

Convertendo este dia 22 de Julho em números, teremos 22/7…o mesmo que 22:7… cujo resultado é 3,1428…um número muito semelhante ao valor de Pi, inclusive nas duas primeiras casas decimais.

Se em Março 2019 foi uma surpresa descobrir que havia um dia para este infinito número e até lhe dediquei um poema, agora a admiração aumentou ao saber que também existe o Dia da Aproximação de Pi.

Este Pi……π……ou 3,14…..tem, indiscutivelmente, uma dinâmica misteriosa e envolvente, pois só isso justifica a sua capacidade em ocupar anualmente dois dias do nosso gregoriano calendário. 

Definitivamente, gosto deste Pi!