continuidade

Terminou o Verão e diluem-se no Outono os últimos instantes com sabor a praia. São momentos maravilhosos pela luz apaziguadora desta época do ano, pela tranquilidade que transmitem ao corpo e pelo amplo espaço que os areais com poucos visitantes permitem ao olhar. Tudo é paz. Ali não entram as incongruências do mundo.

É possível que ainda retorne à praia neste Outono, mas a despedida formal, aquele ultimo banho de agradecimento está em mim. Frio e intenso. Faz parte de um silencioso e íntimo ritual que acontece anualmente, como o ponto final de uma frase….cujo tema reaparece todos os anos a fim de escrever mais um parágrafo.

Entretanto, a vida seguirá pelos nossos dias. É esse o maior desejo. E na natureza também. Sempre.

Nesta praia da despedida e em todas as praias, a areia será movida pelo mar e pelos ventos.. e as ondas voluntariosas e artistas continuarão a desenhar na beira-mar as suas emoções. Todos os dias, sem falhar.

Em linhas simples e belíssimos caminhos de nada!

em nome do ambiente

No início de 2020 acelerava o processo de substituição de plásticos e especialmente a consciencialização em optar por materiais recicláveis ou biodegradáveis.

Começaram a aparecer os primeiros sacos reutilizáveis para frutas e legumes nos supermercados, assim como os talheres descartáveis em madeira, os cotonetes em bambu ou cartão e, na hora do café, o pauzinho em madeira ou a clássica colher de metal já substituíam em muitos locais o estranho estilete de plástico. Também os guardanapos em papel reciclado apareciam em muitos serviços de restauração. Era muito interessante e gratificante observar estas modificações de hábitos a se instalarem aos poucos.

Mas veio a pandemia e com a paragem de tudo também este processo sofreu certamente um hiato, senão um retrocesso. Haverá metas a atingir, mas dadas as circunstâncias em que vivemos não sei se estarão neste momento em cima da mesa como sendo importantes.

Por outro lado…

…a pandemia levou a um aumento de resíduos de todo o género, acrescido agora das máscaras e luvas descartáveis, o que significa mais lixo, muito dele perigoso.

Mais grave é a falta de sensibilidade dos que deitam esses resíduos para o chão. Em zonas costeiras já se verifica um evidente aumento da poluição, uma vez que esses equipamentos são facilmente levados pelas chuvas até ao mar.

As circunstâncias que vivemos não podem ser desculpa para agressões ambientais. Todos os dias, confinados ou não, temos os poder de escolher a atitude ou o gesto mais correcto e equilibrado.

Para isso basta um pouco mais de atenção na hora de comprar e especialmente reforçar o cuidado na hora de deitar fora, fazendo-o apenas para o local certo, aquele que é o menos prejudicial para o planeta.

areia sentida

Enterrar as mãos
apertá-la entre os dedos
e deixá-la esvair-se…

Senti-la na pele…

Morna,
terrena,
na sua macieza agreste
e na sua eternidade…

Areia na pele…
areia no pensamento…

…ou a minha incapacidade
de entender a sua atracção,
se na pequenez de um pequeno grão
se na sua infinidade!

(Dulce Delgado, poema antigo, não datado…mas sempre actual!)

gratidão e paz

Ao sol pedi…
…aquece-me

Ao vento…
…leva-me

À chuva…
…refresca-me

Ao amor…
…abraça-me

E por fim,
à Natureza e à Vida…
…tudo agradeci!

(…inclusive o menos bom, mas que sempre vale de aprendizagem!)

Dia 21 Setembro 2020 – Dia Mundial da Gratidão e Dia Internacional da Paz
Gratidão também é Paz!

mensagens

Que mensagem quererá a mãe natureza transmitir nos sinais que vai deixando pela matéria que a constitui e de que ela própria é escultora?

Que linhas e grafismos são estes, pequenos universos indefinidos, desenhados por mão tão hábil em pedras, rochas, cristais, troncos, folhas, nervuras ou flores?

Estarão nestas linhas as respostas ao que interminavelmente procuramos e queremos entender?

Perante esta dúvida imensa, apenas entendo algumas coisas muito simples, porque as vejo, porque as sinto, porque são perfeitas, quase perfeitas…

…como a linha descrita por um ramo de árvore no ar, linha mágica que é o seu caminho, porque foi aquele que a natureza escolheu…como uma pincelada de artista… espontânea… e lentamente escrita no vazio;

…ou os efeitos da paciente erosão sobre certos materiais, como por exemplo sobre as pedras da imagem acima, onde deixou visíveis estas linhas e não outras, estas formas e não outras…transformando cada pedra numa obra de arte;

…ou o maravilhoso processo que leva ao aparecimento de cristais, alguns de forma e perfeição quase incompreensível…

…ou ainda a beleza que encontramos na forma e cor de cada flor, no recorte das folhas, no traço de cada nervura…

 …

Não é importante dar um nome à força/energia que controla estas dinâmicas que nos rodeiam e sensibilizam. Ou que se manifestam em nós próprios, no processo maravilhoso que modelou o nosso corpo, emoções e pensamento.

O que é realmente importante é estarmos alerta para ver, apreciar, “absorver” e equacionar este enorme leque de mensagens disponíveis. Tal atitude apura a sensibilidade, o que de certa forma favorece a capacidade de relativizar aspectos e circunstâncias da nossa vida, muitos certamente não essenciais.

E sobretudo, ajuda-nos a valorizar apenas o que deve ser valorizado.