dúvida

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Quando a vida não quer
o nosso querer
e diz não,
suponho…
…talvez seja o sonho que vai em contra-mão.

Ou não.

Então,
o que mudar de direcção?

A vida ou a ilusão?

 

 

(Dulce Delgado, Fevereiro  2019)

 

 

 

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vida aventura

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Há quem aprecie insectos e quem os deteste.

Eu gosto, numa relação inversamente proporcional ao gosto que eles demonstram pela minha pele. É claro que uns são mais interessantes do que outros mas, na generalidade, aprecio a sua leveza, subtileza, resistência, função e, em muitas espécies, a beleza.

Muito recentemente, um insecto diferente dos habituais decidiu entrar em minha casa. Era noite quando o encontramos na dispensa e, parecendo morto, ficou sobre a mesa a fim de o observar melhor no dia seguinte.

De manhã, bem vivo, passeava tranquilamente na superfície onde o deixara. Percebi que era bonito, mas só a sessão fotográfica que se seguiu revelou a textura e as cores metalizadas do seu corpo. Algumas pesquisas realizadas levam-me a supor que se tratava de uma Chrysolina americana Linnaeus, 1758

Depois….

…transportado numa pequena caixa levei-o cuidadosamente para um jardim e depositei-o num canteiro com flores. Não sei se o local foi do seu agrado ou se terá ficado aborrecido pelo facto de eu contrariar o seu esforço na busca de um tecto…

…contudo, não tenho dúvida que escolheu a habitação certa para tal aventura. Para além de encontrar gente amigável que lhe poupou a vida e o apreciou, ainda foi fotografado e irá perdurar num post, algures no éter…na “nuvem”…ou por aí…

Até na vida de um insecto, há dias em que as energias e o destino estão de acordo!

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o humor dos dias

 

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Limpo
alaranjado
cinzento
ou chuvoso,
o dia acorda
lento
e silencioso.

No ar,
uma energia
que gosto de acompanhar,
com o corpo
e o olhar
num calmo respirar.

Então…

…no meu trajecto diário
e matinal
pelas margens da capital,
em vários dias parei
naquele lugar,
a fim de fotografar
a poesia
a energia
e o humor de cada dia.

Seis dias…seis imagens…

Em cada uma
um sentir
único e pessoal,
talvez alimento visual
para o humor do meu dia!

 

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Imagens captadas em Lisboa perto das oito horas da manhã, nos dias 28, 29, 30  e 31 de Janeiro e a 1 e 4 de Fevereiro, de um ponto localizado entre o Padrão dos Descobrimentos e a Torre de Belém.

 

(Dulce Delgado, Fevereiro 2019)

 

 

 

boas-vindas

 

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Os passageiros que nesta quarta-feira aterraram no aeroporto de Lisboa antes do nascer do sol, foram recebidos de uma forma singular.

A dispersão de nuvens pelo vento “derramou” numa faixa de céu e sobre os aviões que aí passavam um véu fluído de luz, minúsculas gotas de água e energia.

Seria apenas um banal fenómeno atmosférico resultante do interagir de alguns elementos da natureza, mas…..porque não o ver e sentir como algo especial, como uma espécie de graça, bênção, ou algo do género?

Ou como uma forma diferente de dar as boas-vindas e desejar uma boa estadia?

Ou um bom dia?

Ou…apenas uma boa aterragem…

Foram esses os pensamentos que nasceram do meu sentir perante tão magnífica visão.

E silenciosamente, tudo isso desejei aos desconhecidos daquele avião!

 

 

 

divagações temporais

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Um novo mês…
…e literalmente uma nova folha na minha vida!

Sempre que início uma nova página no livro de ponto que diária e obrigatoriamente tenho que assinar como funcionária do estado, penso: como estarei quando preencher a última linha deste mês?
Pergunta sem resposta, porque o futuro não tem resposta. Apenas possibilidades.

Cada linha está dividida em células, sendo quatro as que me são concedidas em cada dia. Quatro células com tempo…e algumas ideias fantasiosas…

…certamente que o tempo, algo tão volátil e indomável, se deve sentir amarrado e comprimido dentro de cada uma daquelas células…

…sempre que rubrico uma célula, meto-me com o tempo…talvez, até lhe faça algumas cócegas com a caneta…

…e nesse momento silencioso por vezes “ouço”: Ok, Dulce, agradece, este tempo já é teu!

E a Dulce agradece!

– De uma forma mais ou menos tranquila no momento em que rubrico a primeira célula no início de cada mês, como hoje aconteceu mais uma vez;

– E de uma forma bem mais agradecida, ao rubricar a última “célula de tempo” de um mês que termina, como ontem sucedeu…

Nos restantes dias, encaro pontualmente aquele livro e as suas páginas com este pensamento: “Se a Vida o permitir, que surpresas me reserva o “tempo escondido” em todas estas células ainda “virgens”?
Ou nas páginas ainda por preencher?
Ou…em futuros livros?

 

(…a imaginação é a melhor forma de lidar com as “grilhetas” de um livro de ponto!!)

 

 

 

o olhar da natureza

 

1 - Cópia a

 

A Natureza é poderosa e sábia.

Acredito que de uma forma silenciosa controla as nossas acções, reagindo na devida altura para se defender e equilibrar.

Aqui e ali terá os seus observadores capazes de captar com a sua sensibilidade a nossa (in)sensibilidade, dados que lhe chegarão de uma forma que desconhecemos. Na altura devida, decidirá onde, quando e como actuar na tentativa de restabelecer o equilíbrio necessário.

Ao encontrar este olhar no tronco de uma árvore, imaginei estar perante um desses seres silenciosos e mágicos. Só poderia ser um desses seres!

Magia aparte….

…o “olhar” pertence à Brachychiton acerofolius ou Árvore do Fogo que se encontra no Jardim Botânico do Porto, mais precisamente no espaço que envolve a Galeria da Biodiversidade/Centro de Ciência Viva, o segundo pólo do Museu de História Natural e da Ciência da Universidade do Porto.

Esta Galeria, a que aconselho vivamente uma visita, ocupa a Casa Andresen, aquela que foi a habitação dos avós da poetiza Sophia de Mello Breyner Andresen e que a acolheu em muitos períodos da sua infância. Quer a casa quer os jardins inspiraram Sophia em muitos dos seus contos e poemas.

Numa altura em que se iniciam as comemorações do centenário do nascimento desta escritora (1919 – 2004), quer a casa quer o jardim serão palco de eventos e referências. A par disso, no espaço temporal que se situa entre a Primavera e o Verão, a Árvore do Fogo irá florir, espalhará novamente a sua beleza e cativará muitos olhares. Mas o seu olhar, este olhar que aqui partilho e nos questiona é intemporal e está ali todos os dias.

Não sei a história nem a idade desta árvore, mas gosto de imaginar que é a guardiã daquele jardim. E acredito que, se existisse desta forma há um século, poderia facilmente tornar-se numa fonte de inspiração para Sophia.

Essa ideia torna-a ainda mais bonita!

 

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A natureza é realmente espantosa em seus detalhes!

Não concordam?