pelo nevoeiro de sintra…

 

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Numa recente incursão pela Serra de Sintra, esta recebeu-nos da forma que mais aprecia: envolta em nevoeiro!

Apesar de eu não ser uma forte adepta da humidade e do frio associados a esse estado meteorológico, nesta serra tão próxima das minhas emoções ele transforma-se em magia para o olhar e preenche-o de tal forma que se torna belo, envolvente e acolhedor.

Ao atenuar os detalhes e as cores, o nevoeiro valoriza as formas e a sua expressividade…

 

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Mas os detalhes estão ali, agarrados aos troncos das árvores, na textura dos blocos graníticos ou no coberto vegetal do solo. Basta olhar…

 

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E na base de toda esta vida está a água, sempre o elemento água, que de uma forma mais ou menos visível está bem presente nesta altura do ano.

 

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Estas poucas imagens, das imensas que aqui poderiam estar, foram obtidas na periferia do Santuário da Peninha, local que fica relativamente perto do cabo da Roca, o ponto mais ocidental da Europa Continental.

Espero que as apreciem!

 

 

 

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descanso

 

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No silêncio do meu olhar
sigo uma ave pelo ar.

A distância a levou
e o meu olhar se dispersou.

Então ele vagueou
no desejo de encontrar
outro lugar onde pousar.

Não encontrou.

Fechei os olhos
e guardei esse olhar…

…que feliz se aninhou
num recanto do meu sentir
para o descanso apreciar!

 

 

(Dulce Delgado, Dezembro 2018)

 

 

 

no outono…

 

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…cada folha caída de uma árvore tem uma história de vida.

Saberá…

…o sabor do sol
…a frescura da chuva
…como é o vento que a abanou com ternura ou violência
…talvez a sensação provocado por um insecto na sua pele
…ou o calor de um pássaro que perto se abrigou e ela carinhosamente protegeu.

Saberá ainda o que é a partilha, a igualdade e o viver com as demais por um objectivo comum. Nesse estar, sentiu os dias com alegria e as noites sem medo, foi cúmplice em muitos momentos e, talvez, também de alguns segredos sussurrados na sombra da árvore-mãe.

A folha da imagem nasceu na Primavera, viveu no Verão e, neste Outono, perante o meu olhar fez um elegante voo e caiu num dos lagos do Jardim da Tapada das Necessidades em Lisboa. Surpreendente é a vida que lhe ofereceu tal epílogo e a possibilidade de saber o que é flutuar…

Discretamente, talvez termine aqui a sua história…

Será?

 

 

detalhes de outono

 

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Volto ao Jardim 9 de Abril em Lisboa, espaço já aqui referido mais do que uma vez. E esta não será certamente a última…
Talvez me repita um pouco ao dizer que gosto muito deste recanto por onde passo diariamente. É um sentir de quase quatro décadas, nascido de uma observação viva e continuada, estação após estação, ano após ano.

Em Novembro de 2017, há precisamente um ano, publiquei um post com uma imagem geral deste jardim em pleno Outono. Este ano vou aproximar o olhar um pouco mais e mostrar a relação entre a paineira-rosa, a árvore central, e a vinha-virgem que a circunda. Se aparentemente a força e o poder está na robustez do tronco da primeira, é a fragilidade da segunda que protege esse tronco e dá estabilidade e beleza ao conjunto.

Muitas vezes, os que parecem mais frágeis conseguem com a sua sensibilidade e gestos obter o respeito dos mais fortes. E, lado a lado, ambos cooperarem com um fim comum. Neste caso…diria… em prol da beleza que alimenta os nossos dias!

 

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As imagens acima foram captadas a uma sexta-feira, na véspera de um fim-de-semana que se revelou cinzento, desagradável, com vento e muita chuva. Nesse período, a maioria das flores da paineira-rosa e das folhas da vinha-virgem caíram, cobrindo o chão de um tapete de cor.

 

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Naturalmente, tudo mudou em dois dias para estes seres vivos e para este recanto da cidade, mostrando bem o dinamismo e a força da natureza.

Para mim, contrariamente, esse foi um tranquilo fim-de-semana, caseiro e muito acolhedor!

 

 

por torres novas

 

torres novas

 

Gostando de surpresas, aprecio tudo o que positivamente me surpreende. Foi isso que sucedeu numa recente passagem pela cidade de Torres Novas, urbe do distrito de Santarém e localizada nas margens do rio Almonda, um afluente do rio Tejo.

O principal motor desta incursão pelo Ribatejo foi conhecer as grutas da vila de Lapas, localizadas nos arredores da cidade e recentemente abertas ao público de forma regular apesar de estarem classificadas como Imóvel de Interesse Público desde 1943.

Estes túneis labirintos foram escavados no morro onde assenta a aldeia, razão porque esta adoptou o nome de Lapas. O percurso visitável é apenas uma parte dessa rede, uma vez que muitas estão em terrenos privados e foram reaproveitadas para adegas, arrecadações, etc,. É um espaço diferente, também pelo facto de terem sido talhadas por mão humana.
Deixo o link sobre o que oficialmente é dito deste local. A nível popular, há quem as associe a lendas e outras histórias.

 

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Deixamos esta aldeia e seguimos para o centro da cidade de Torres Novas, começando por ir ao acolhedor castelo que o rei D. Sancho I conquistou aos mouros em 1190. Este possui onze torres, permite uma ampla vista sobre a área envolvente e no interior guarda um tranquilo jardim. Foi alvo de várias reconstruções, sendo a última datada de 1940.

 

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Em seu redor, especialmente para norte e leste, e ladeando os meandros do rio, desenvolve-se um amplo parque verde com vários equipamentos municipais.

 

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Mais antigos são o Açude Real, que foi fundamental no reencaminhar das águas para importantes unidades fabris que existiram na cidade e ainda a Ponte Pedrinha, que tem por perto uma tarambola gigante que continua a rodar serenamente.
Penso que as imagens transmitem melhor a ambiência do que qualquer palavra.

 

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Por último, ainda visitamos na periferia da cidade as ruínas romanas de Vila Cardílio, um espaço que necessita de alguma atenção e investimento, o que se espera ocorra brevemente.

 

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Como nota final, o facto de todos estes equipamentos (grutas, castelo e ruínas romanas) serem de acesso gratuito. É claro que isso sabe bem, mas penso que deveria ser cobrada uma taxa, mesmo que mínima e simbólica, para ajudar à sua manutenção. Verifica-se muitas vezes que tudo o que é fácil de adquirir acaba por não ser devidamente apreciado e cuidado.

Neste link encontram muitos locais com interesse na bonita região do Ribatejo. A cidade de Torres Novas é apenas um deles!

 

 

reflexões de uma castanha…

 

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…em dia de S. Martinho!

 

“Discretamente ela pegou em mim, limpou alguns resíduos de pó da minha pele e, com cuidado, fotografou-me de vários ângulos. Depois atirou-me para o mesmo saco de onde saíra, para junto de outras da minha espécie.

Em anos anteriores e neste mesmo dia, já aqui escreveu que gosta muito de castanhas seja de que forma for. Mas…reconheçamos…o fim que nos espera revela uma estranhíssima forma de gostar…

A verdade, pura e dura, é que ainda hoje iremos ser cozidas ou assadas, depois despidas e por fim comidas com prazer. Naturalmente e sem qualquer remorso.

Por isso… e caso eu tenha direito a um último desejo, preferia ser cozida! Pelo menos ficaria inebriada com o aroma da erva-doce!

A espécie humana é deveras incongruente…..”

 

 

carpe diem…

 

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Chove novamente…

Singela,
uma gota pousa na janela.

Segue-se outra
e muitas,
muitas mais.

Sem espaço,
escorregam
e perdem o equilíbrio,
iniciando
a radical descida
do transparente
precipício.

Pelo caminho,
outras são arrastadas
sem piedade
jeito
ou respeito,
desaguando todas no lago
que nasceu no parapeito!

 

Moral da história que quis ser poesia:
aproveitemos o momento presente…porque não sabemos o que pode suceder no instante seguinte!

 

 

(Dulce Delgado, Novembro 2018)