paixão

 

IMG_1529a

IMG_1540a

 

Perde-se no tempo a paixão das nuvens pela Serra de Sintra, paixão dinâmica e sem pudor que o nosso olhar acompanha quantas vezes extasiado. Ora se abraçam, ora se enroscam, ora dançam… ou se afastam simplesmente e cada qual vive o seu tempo.

Mais fulgurantes nessa paixão são os cumes mais altos e/ou os localizados próximo do Atlântico e do Cabo da Roca, como esta imagem revela. Neste mesmo dia, a zona oriental da serra e oposta a esta, a que abrange o Castelo dos Mouros, o Palácio da Pena ou a Cruz Alta, olhavam livremente para um céu azul e com raríssimas nuvens.

Também na paixão é importante o afastamento… o dar espaço… e o respirar com gratidão!

 

 

 

Advertisements

o navegador

 

IMG_4655ac

 

Seiscentos anos depois, o Infante D. Henrique, de cognome O Navegador e o grande impulsionador dos descobrimentos portugueses, enfrentou impávido e sereno um “monstro” disforme chamado nevoeiro, que esta manhã se formou no rio Tejo antes do nascer do dia.

Não resisti a  captar esta imagem, não apenas pelo simbolismo, mas pelo profundo respeito e admiração que tenho pelos portugueses daquela época. Nas piores condições, eles enfrentaram os “monstros”, interiores e exteriores, para seguir o sonho de descobrir o que estava para além da linha do horizonte.

Algumas horas depois, já apaziguado, este “monstro” dissipou-se, continuando o Infante a sua eterna tarefa de perscrutar o além.

 

Deste modo, e em tons de nevoeiro e de descobertas…desejo a todos um excelente fim-de-semana!

 

 

 

momentos especiais

 

IMG_3384

 

Tranquilidade, é o adjectivo mais adequado para caracterizar a costa alentejana, sentimento que se inspira nas suas vastas praias mas igualmente em áreas adjacentes, sendo sempre um prazer ali voltar para rever ou conhecer novos lugares.

Por vezes, as circunstâncias levam-nos a visitar determinados locais na hora perfeita, sendo a luz existente uma mais-valia na percepção das suas potencialidades. Foi o que sucedeu no dia em que fizemos o Percurso da Casa do Peixe, inserido na área da Reserva Natural das Lagoas de Santo André e da Sancha, uma zona húmida localizada a norte de Sines.

A luminosidade da tarde espalhou sobre a paisagem um tom laranja-prateado que aqueceu o nosso olhar e criou contrastes perfeitos. Apesar de curto, este percurso misturou a ruralidade da zona com a dinâmica da vida da lagoa e das imensas aves que a habitam, nomeadamente uma colónia de flamingos e de muitos galeirões.

Porque as palavras são limitadas, deixo algumas imagens reveladoras do passeio, do nosso sentir e daquele fim de dia. Brevemente voltaremos àquele lugar. Disso estamos certos.

 

IMG_3347a

 

IMG_3352

 

DSC_0315

 

IMG_3370

 

IMG_3377a

 

DSC_0295a

 

IMG_3375

 

IMG_3404a

 

IMG_3407

 

IMG_3433

 

IMG_3439

 

Desejo a todos uma luminosa semana!

 

sobre passadiços

 

IMG_2422a

 

De elemento a elemento se faz uma construção… e de tábua a tábua se constrói um passadiço em madeira, aqueles belos caminhos suspensos, ou não, que permitem apreciar a beleza de certos locais sem colidir com a sua sustentabilidade e preservação.

Apreciando as potencialidades desses equipamentos de engenharia mais ou menos complexa, já lhes dediquei um post no início deste blog. Hoje volto ao tema porque um recente período de férias permitiu-nos explorar e percorrer duas dessas estruturas, muito diferentes na construção, mas igualmente no esforço que exigem, na paisagem que as envolve e nos estímulos que oferecem aos nossos sentidos. Refiro-me aos passadiços do Paiva e aos passadiços da Barrinha de Esmoriz, ambos localizados a norte de Portugal.

Os primeiros “adaptaram-se” às encostas do rio Paiva, um rio de montanha afluente do Douro e um dos menos poluídos da Europa. É um percurso exigente pelo declive, mas que revela uma beleza muito própria que será certamente maior noutra altura do ano (na Primavera, por exemplo), em que o verde estará mais presente assim como o caudal do rio mais forte.

Neste trajecto é fundamental que a atenção seja dividida entre a paisagem e o nosso andamento porque, não obstante ser seguro e estar bem construído, nem sempre a linearidade do passadiço coincide com o grande recorte e heterogeneidade das encostas onde se adapta. Apesar da(s) protecção(ões) lateral(ais), esconde perigos para adultos mais distraídos… e para crianças, sendo da responsabilidade de quem as acompanha estar muitíssimo atento.
No total, este equipamento acompanha 8,7 quilómetros do percurso do rio. Nos extremos do passadiço existe um serviço de táxis com um preço fixo, que permite um cómodo voltar ao local de partida a todos os que não pretendem percorrê-lo novamente. Neste site, encontram toda a informação e podem efectuar a reserva de bilhetes, adquiridos pelo valor simbólico de 1 euro!

 

IMG_2265a

 

IMG_2292a

 

IMG_2331a

 

IMG_2303a

 

IMG_2368a

 

IMG_2369

 

Já a linearidade do passadiço da Barrinha de Esmoriz/Lagoa de Paramos, permite um passeio em total tranquilidade. Fácil para o corpo e suave para o olhar, estende-se por mais de oito quilómetros de sapal, canavial e dunas, e integra várias derivações que permitem o acesso a praias existentes na área. Atravessa o esteiro por uma elegante ponte, único local em que esse equipamento é um pouco mais elevado, destacando-se por isso na paisagem.

 

IMG_2457a

 

IMG_2471

 

IMG_2456a

 

IMG_2492

 

IMG_2498a

 

Possui um observatório de aves, mas tem vários locais propícios à visualização de uma grande variedade de passeriformes, o que nos deu um prazer redobrado.

 

_G3A4624 a

 

Se os primeiros foram transpostos num dia cheio de luz e com um belo céu azul, este último foi percorrido sob um céu cinzento e algum nevoeiro. Mas vimos nesse facto uma complementaridade interessante pela diversidade de sentires e olhares que ambos nos permitiram. Porque em tempo de férias, especialmente… “se nada podes fazer a um dia cinzento…então aproveita-o simplesmente!” E foi isso que fizemos com alegria!

Termino com uma sugestão: explorem estes espaços, pois ambos proporcionam excelentes passeios!

 

 

dois tempos

 

IMG_1340

 

Esta imagem conta uma história, para além das histórias incógnitas de cada uma das pessoas que nela aparecem.

Entre a inauguração desta ponte sobre o rio Tejo que ocorreu em 1966 e a inauguração em 2016 do Museu de Arte, Arquitectura e Tecnologia (MAAT), cuja fachada aparece parcialmente à esquerda, passaram cinquenta anos na história da cidade. Nasceram duas gerações de cidadãos, saímos de uma ditadura para uma democracia, o país aprendeu a respirar e a explorar o seu potencial, e Lisboa, sempre na vanguarda desse processo, acompanhou com grande disponibilidade essa abertura ao mundo.

Nesta imagem, a ponte e o museu, o passado e o presente, estão em profunda harmonia. Sente-se na cumplicidade das linhas que “desenham” ambas as estruturas, no rio que justifica a sua presença nestes locais ou, ainda, na forma como atraem o nosso olhar, que se deleita com tal elegância.

A luz que tudo envolve, não é passado nem presente, é eterna presença.

É simplesmente a luz de Lisboa!

 

 

a procissão

 

a

 

Em Portugal, a primeira procissão do Corpo de Deus (Corpus Christi) decorreu em Lisboa em 1389, atingindo esta celebração o seu auge no séc. XVIII durante o reinado de D. João V. Nessa época incorporava as ordens religiosas, mas igualmente as militares e as corporações profissionais da cidade, reflectindo a organização do reino e, sobretudo, a grande importância da igreja e do rei.

No século seguinte houve um período em que não se realizou, mas foi posteriormente retomada ocorrendo a partir daí anualmente por ocasião do dia do Corpo de Deus, festa do calendário católico que se celebra na quinta-feira a seguir ao Pentecostes.

Desde sempre que o Município de Lisboa se empenhou nesta procissão, tradição que se mantém ainda hoje com a participação no cortejo das principais forças da autarquia.
Deixo aqui a história deste evento, sugerindo a sua leitura para melhor perceber a importância que teve na vida da cidade.

A recriação dessa procissão, através de 1587 miniaturas em barro não cozido, encontra-se actualmente exposta numa enorme vitrina da sala do capítulo do Convento da Graça, no bairro com o mesmo nome.
O autor de tal empreendimento foi o empresário e ceramista Diamantino Tojal (1897-1958), que as elaborou entre 1944 e 1948. Nessa época todo o conjunto esteve exposto no Palácio Galveias, o que não mais se repetiu até à actualidade.

Mais do que a qualidade ou pormenor das peças, esta exposição tem um notável valor documental, pois permite perceber a dimensão e a organização do cortejo. A cargo da imaginação de cada visitante ficará a visualização do que não está recriado, como a multidão que seguia na cauda da procissão ou as ruas completamente engalanadas por onde passava.

A sala onde se encontra esta mostra foi recentemente restaurada, tal como a portaria e um dos claustros do convento, espaços que podem ser visitados gratuitamente. De notar que as miniaturas apenas estarão expostas até ao próximo dia 1 de Outubro.

Também a zona envolvente ao Convento/Igreja da Graça foi requalificada, oferecendo agora mais zonas pedonais. Vale a pena dar uma volta pelo jardim, espreitar a vista do miradouro ou descansar na esplanada aí existente. O bairro da Graça tem muitos detalhes arquitectónicos interessantes, alguns relacionados com as vilas operárias que acolheu no início do século XX e que ainda preserva. Deambular por ele e pelas áreas circundantes, permite juntar o passado com a modernidade que nos é transmitida por algumas pinturas murais realizadas no âmbito da street art.

Termino com uma imagem da cidade obtida a partir do miradouro da Senhora do Monte, localizado a poucas centenas de metros do Convento da Graça. Na foto, este espreita à esquerda e olha para o Tejo e para o seu vizinho castelo, implantado numa colina adjacente.

 

IMG_1127a

 

 

pelo sudoeste de França

 

IMG_9885a
Saint-Cirq Lapopie, nas margens do rio Lot

 

A dois dias da chegada do Verão, voei com o meu companheiro sobre as fronteiras da Península Ibérica e pousamos no sudoeste de França para uns dias de férias, a fim de encontrar algumas imagens que há anos esperavam uma visita que as tornasse realidade.

Naturalmente, deixaram agora de ser imagens e tornaram-se lugares, apreciados com outro olhar, com ternura, com tacto, muito suor, muito calor, alguns chuviscos, mas sempre com algum deslumbramento e rara desilusão.

Percorremos lugares de tradição, de história e de peregrinação, penetramos na ruralidade e na tranquilidade da região, estendemos o olhar nos vastos campos plantados de milho, de vinha e de cereais em tempo de ceifa, contornamos alguns dos sinuosos meandros do rio Lot, sentimos a calma do rio Dordogne ou percebemos a magnitude dos rochedos da região de Quercy. Mas apreciamos ainda alguns dos aromas e da estética da cozinha local, assim como a simpatia dos seus habitantes e a grande dedicação e empenho que têm com o cultivo das flores que embelezam e decoram qualquer vila visitada.

Este não pretende ser um post de palavras alargadas, mas sim um espaço de partilha de alguns dos lugares visitados. Espero que apreciem o passeio!

 

IMG_9884a
Pelas ruas de Saint-Cirq Lapopie

 

IMG_9900a
Caminho de sirga (chemin de halage) que liga Saint-Cirq Lapopie a Bouziès (3,9 Kms), escavado na rocha em 1847 e que permitia o reboque de barcos, por homens ou animais, quando não havia vento ou a corrente do rio era forte.

 

IMG_0005a
Rocamadour, imponente vila santuário e local de peregrinação que se situa sobre o vale de Alzou

 

_G3A4336a
Gouffre de Padirac, que permite penetrar nas profundezas da terra e navegar um rio que aí circula

 

IMG_0140a
La Roque-Gageac, nas margens do tranquilo rio Dordogne

 

IMG_0208a
As flores e a pedra são a imagem das regiões de Périgord e Quercy

 

IMG_0236 mais leve
Um recanto de Sarlat-la-Canéda, que homenageia os gansos e o (polémico…) fois-gras da região

 

IMG_0300 mais leve
O Castelo de Bonaguil, um dos muitos que dominam esta área

 

Esses dias foram complementadas com uma incursão pela costa atlântica do sudoeste de França, que permitiu atravessar a vastidão dos pinhais da Aquitânia e encontrar lugares em que a natureza marca o ritmo e connosco partilha as suas dinâmicas.

 

IMG_0474a
A reserva ornitológica do Teich

 

IMG_0477a
…e algumas das espécies observadas

 

IMG_0620a
Duna de Pilat, na bacia de Arcachon

 

Agora, entre imagens de muitos lugares…ainda estou a tentar reencontrar o meu!