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De vez em quando Sintra e os seus detalhes, lugares e memórias passam discretamente por aqui. Sendo uma área que me é muito querida, todos os motivos são bons para a partilhar.

O post de hoje incide num dos três palácios nacionais existentes no perímetro da Serra de Sintra, mais especificamente o Palácio Nacional de Monserrate. Este, tal como outros equipamentos históricos e espaços envolventes, são geridos e valorizados desde 2000 pela Parques de Sintra-Monte da Lua, uma empresa que tem feito um trabalho de destaque na recuperação do património edificado e natural da região.

Este Palácio, tal como o parque adjacente, são um dos melhores exemplo do Romantismo português do séc. XIX. Mas não me alongarei sobre isso. Quem tiver interesse em saber mais, encontra muitos dados na sua descrição e história.

Apesar de restaurado já há alguns anos, não o tinha voltado a visitar. Por isso a memória ainda guardava imagens de muita degradação, sendo deveras agradável constatar o cuidado e atenção que orientaram esta intervenção.

 

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A entrada principal do Palácio no Torreão Sul

 

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Torreão Norte

 

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Pelo interior do Palácio

 

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O corredor central

 

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Detalhe dos estuques

 

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A sala da música com a sua belíssima cúpula

 

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Pormenores da cozinha

 

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O tronco da enorme Pohutukawa (Metrosideros excelsa) ou árvore-do-fogo que se encontra adjacente ao palácio

 

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Este magnifico e elegante relvado foi o primeiro a ser plantado em jardins portugueses

 

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Uma ruína…já construída para ser ruína!

 

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Pelo Vale dos Fetos

 

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Poderia incluir muito mais imagens, mas não pretendo ser exaustiva. Quero ser apenas um ponto de partida.

Visitar estes espaços e em particular a vila de Sintra ainda em tempo de pandemia foi uma surpresa e uma mais-valia.

Apesar de saber que os turistas são importantes para a economia do país, é muito mais agradável fazer estas visitas sem o movimento e o ruído a que estávamos habituados. A tranquilidade sentida na minha juventude instalou-se novamente… mesmo que por pouco tempo.

A verdade é que gostei disso, assumo, porque o romantismo de Sintra “penetra” melhor na pele e na alma com o silêncio e sem a presença dos muitos visitantes que normalmente inundam estes espaços durante todo o ano.

De qualquer forma, com mais ou menos gente, o Palácio Nacional de Monserrate e o seu parque são sempre um lugar belíssimo para visitar!

 

 

 

 

 

tavira

 

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Tavira é uma urbe que se localiza no sotavento algarvio – mais precisamente a leste desta província do sul de Portugal – e comemora este ano os cinco séculos da sua elevação a cidade. Mas são longínquos os antecedentes históricos da região em que se insere, sendo vários os povos que a invadiram e ocuparam. Os primeiros conhecidos são os fenícios no séc. VIII a.C., mas foram os romanos e os árabes que por ali passaram mais tempo, aproveitando a boa localização da cidade junto ao Rio Gilão e à Ria Formosa.

O facto de ter passado recentemente uns dias de férias nesta cidade e usufruído das belas praias da região, leva-me a partilhar algumas imagens assim como alguns aspectos que me parecem interessantes.

Começando pelas praias, refiro apenas os 11 km de areal existentes na ilha de Tavira – uma das cinco ilhas barreira que protegem a Ria Formosa – e que é acessível por barco a partir da cidade de Tavira e da vila de Santa Luzia, que lhe fica próxima. Para a Praia do Barril, também nesta ilha, existe a possibilidade de ir a pé ou num pequeno comboio que atravessa o sapal sobre uma ponte aí construída.

São praias belíssimas, amplas e em que a água do mar tem uma temperatura média de 22/23ºC. Enquanto ali permanecemos a temperatura esteve nos 24/25ºC, o que foi  simplesmente fabuloso.

 

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Voltando à cidade de Tavira, esta é muito harmoniosa contrariamente a outras do Algarve em que a pressão turística levou à construção desenfreada de edifícios com grande altura. Aqui, a linha do horizonte não foi invadida por prédios altos, o que é muito agradável de constatar.

Nas duas imagens que se seguem, partilho um aspecto da cidade visualizado a partir do Castelo, uma fortaleza conquistada aos muçulmanos por volta do ano 1240 d.C. e ainda um detalhe do interior desta construção fortificada.

 

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Um olhar mais pormenorizado sobre a cidade permite perceber que mesmo as construções mais recentes harmonizam de certa forma com a traça original, seja em volumetria seja em certos detalhes arquitectónicos.

 

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O branco predomina nas fachadas e reflecte o quente sol algarvio. Aqui e ali, zonas de lazer, jardins e esplanadas permitem o descanso e a frescura que se deseja nos dias de maior calor. A Praça da República, onde se encontra o edifício da Câmara Municipal é um desses locais de encontro.

 

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São muitas as igrejas que pontuam a cidade com as suas torres brancas. Partilho apenas um aspecto geral e um detalhe da Igreja Matriz de Santa Maria do Castelo, hoje monumento nacional, e que se diz que terá sido construída entre os séculos XIII e XIV sobre a antiga mesquita.

 

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O rio que atravessa a cidade e que nasce na Serra do Caldeirão, tem dois nomes: Séqua até à ponte romana e Gilão até à foz, o que acontece na zona das Quatro Águas em plena Ria Formosa. Corre tranquilo, espelhado e refresca o ar e o olhar.

 

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A chamada Ponte Romana, já muito transformada mas ainda com algumas características dessa época, é umas das ligações pedonais existentes entre as duas margens do rio. No coração da cidade une as praças mais procuradas e é percorrida por muitos locais e turistas, sendo certo que este ano estes últimos estão bastante ausentes.

 

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Nas grades de protecção dessa ponte, assim como acontece em imensas passagens pedonais noutros lugares do mundo, os cadeados estão presentes e relembram amores anónimos que por ali passaram. Amores de hoje… e muitos certamente já do passado e dissolvidos no tempo.

Não deixa de ser curiosa esta necessidade humana de tentar materializar e  “eternizar” sentimentos tão íntimos e sensíveis de uma forma tão rígida, metálica e fria. Faz-me pensar…

 

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Ficam os cadeados como instantes de um tempo que passou… e fica igualmente por aqui este meu olhar discreto sobre a cidade.

O resto é para descobrir, porque Tavira e o seu concelho têm muito para nos oferecer.

Em harmonia, guardam lugares, história, locais de culto, natureza, belas praias, muito mar e, principalmente, um tempo de muita tranquilidade pronto a ser apreciado.

 

 

 

 

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o rei e o jacarandá

 

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Discretamente e ano após ano, o lilás dos jacarandás passa por este espaço a fim de partilhar a ambiência vivida na cidade de Lisboa neste período de transição entre a Primavera e o Verão. Estou certa que até o mais desatento lisboeta será atraído por tanta beleza e magnetismo espalhada pelas ruas da capital.

Foi um instante que me levou a este detalhe surpresa na Praça do Rossio, também denominada Praça D. Pedro IV, monarca cuja estátua encima uma coluna colocada no seu centro. A copa deste jacarandá isolou e elevou a figura, destacando-a sobre o coração da cidade. Então, lá bem no alto e observando em redor…

…foi fácil imaginar este rei de liberais ideias e dois títulos, mais precisamente D. Pedro IV em  Portugal e  D. Pedro I no Brasil, a recordar e a pensar…

…sobre a sua voluntariosa, dinâmica e intensa vida amorosa

…talvez sobre este pequeno e aventureiro país que o viu nascer e onde morreu

…quiçá sobre o estado do mundo em geral

…ou sobre o Brasil em particular, país onde viveu quase toda a sua vida e que levou à independência

…talvez recordando o famoso grito que deu junto ao rio Ipiranga

…ou, simplesmente pensando com alguma tristeza: “Brasil… Brasil…onde tu chegaste!”

 

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Um aspecto geral da Praça D. Pedro IV ou Praça do Rossio – Lisboa

 

 

a rotunda das papoilas

 

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Por muito criativas que sejam os milhares de rotundas de circulação rodoviária existentes neste país, nenhuma até agora me cativara o suficiente a ponto de lhe dar duas voltas a pé para apreciar e fotografar o espectáculo que me oferecia. 

Esta rotunda tem meia dúzia de árvores plantadas, vivendo o restante espaço da dinâmica das estações do ano. Diria que é um círculo de terra gerido pela natureza onde naturalmente ela expõe a sua criatividade, sem qualquer interferência humana.

Este ano a Primavera pintalgou-a de várias cores, mas é o vermelho das papoilas que impera fortemente.

 

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Hoje vou olhar apenas para estas flores silvestres e para a sua cor, beleza, força, simplicidade e fragilidade. E para a atracção que exercem sobre muitos de nós, atracção que eu penso vir exactamente desse misto de sentires quase opostos que nos proporciona, como é a força da cor versus a fragilidade da flor.

Primeiro atrai-nos pela cor, pelo vermelho da paixão e das emoções fortes. E depois pela  fragilidade com que reage a qualquer aragem e pela aparente vulnerabilidade. Essas sensações desencadeiam naturalmente uma vontade de aproximação e de protecção… originando em nós um olhar bastante emocional e afectivo.

 

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A par da cor e da fragilidade, também a expressividade é evidente. Manifesta-se especialmente nas hastes que seguram os botões das futuras flores, exprimindo um misto de submissão e saudação ao olhar que nelas pousa. Como se tivessem a dizer um tímido e silencioso olá…

 

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O próprio nascimento da flor é quase “humano” e muito “orgânico”. As pétalas nascem amarrotadas, frágeis, inseguras e quase pedindo que cuidemos delas.

 

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Será a própria brisa/vento a que são tão sensíveis que as ajudará a desabrochar, a alisar …e a fortalecer a personalidade. E então, em plena maturidade, brincam com o sol, abrem-se para os insectos e dançam ao sabor do vento que as abana… inclina… quase dobra…mas não quebra. Orgulhosamente elas resistem, continuando a alimentar muitos olhares e também o nosso imaginar.

Foi tão fácil encontrar uma papoila-borboleta a voar!

 

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Terminado o tempo da dança e desta estação do ano, o vento levará uma pétala…outra cairá…e outras secarão E ficará a essência, materializada no ovário e nas sementes, qual útero que as próximas estações ajudarão a abrir…a dispersar…e que daqui a um ano  voltarão certamente a dar cor e beleza a este lugar!

 

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Como complemento, falta dizer que esta rotunda situa-se no extremo oeste da Avenida de Portugal, em Carnaxide, nos arredores de Lisboa.

Ontem voltei a visitá-la, tem ainda mais papoilas e está simplesmente magnífica! E hoje, neste Dia da Mãe, algumas vieram à pouco ter comigo pela mão da minha filha. Para tentar secar e guardar com todo o carinho!

 

 

 

 

o navegador

 

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Timoneiro de uma barca com raízes em terra firme, o infante D. Henrique recorda ao nosso olhar e memórias o espírito de procura, de aventura, de conquista e de superação que está na genética dos portugueses, desde que a vontade tenha energia suficiente para ir à luta.

Eu sou uma portuguesa um tanto acomodada e o meu mundo algo restrito, familiar e de pequenas conquistas. Contudo, sempre que aprecio na beira-Tejo este grande monumento/escultura liderado simbolicamente pelo espírito aventureiro deste homem, sinto muito orgulho no potencial deste país tão pequenino em dimensão e do tanto que ele já deu ao mundo. Eu sei que isto daria uma longa conversa, eventualmente controversa, mas não desejo ir por aí.

As verdadeiras razões da publicação deste post são duas: a primeira é o facto de hoje fazer anos que nasceu o infante D. Henrique, de cognome o Navegador (4 Março 1394); e a segunda, o desejo de partilhar num contexto mais emocional e não isoladamente esta fotografia que tirei recentemente, de que gosto muito e em que o infante é um dos intervenientes.

Na verdade…

…gosto da imponência deste lugar-monumento reflectido num espelho da cidade

… gosto da solidão visual daquele desconhecido que corre à beira-mar numa tímida e fria manhã de Inverno, mas em plena sintonia com a solidão do timoneiro da barca

… gosto de relembrar a emoção que senti perante esta imagem

….e gosto de pensar que 626 anos depois estou a recordar alguém que foi fundamental na história do meu país.

 

Este é portanto o dia certo para a imagem certa.

 

 

 

 

 

lisboa natalícia

 

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Um passeio nocturno pela Baixa de Lisboa é um ritual anualmente repetido nesta época festiva.

Gosto de o fazer com o meu companheiro com o espírito de descoberta e sem qualquer compra associada para não desvirtuar os objectivos a que nos propomos: apreciar e registar as iluminações natalícias das principais vias e praças do centro da cidade, e sentir de perto a dinâmica própria da época. Se o primeiro objectivo é sempre gratificante pelo factor surpresa, já o segundo foi um tanto confuso pelo vasto “emolduramento” humano de certas zonas

Constatei mais uma vez que a dupla “pessoas/ luzes” me leva naturalmente a recuar até à infância e à feira anual que agitava a rotina da cidade onde morava no sul do país. Por um lado pelos muitos visitantes que a procuravam; e por outro, pelo jogos luz/cor que o evento oferecia e que para um olhar infantil de há cinquenta anos tinha uma certa magia.

Mas voltemos ao séc. XXI, a Lisboa e a este passeio sempre algo mágico…

…a chuva entretanto caída espalhou luz, brilho, reflexos…e deixou tudo ainda mais bonito, como revela a primeira imagem obtida no “coração” da cidade, a praça do Terreiro do Paço.

 

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Termino com a fachada de uma das principais ópticas do nosso país, onde constatei que a imaginação e o humor também iluminam a cidade!

 

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apenas sintra!

 

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Não sou apreciadora de nevoeiro, talvez pelo desconforto e humidade penetrantes que silenciosamente nos oferece. Prefiro realmente o sol, o céu azul e as detalhes limpos de cada estação.

Reconheço contudo a beleza de um lugar quando se envolve com as nuvens e se aconchega nos nevoeiros, especialmente se esse lugar for um recanto de emoções como é para o meu sentir a Serra de Sintra.

Percorrer os seus caminhos em dias brancos permite perceber de uma forma mais marcante o contorno e a expressividade de cada árvore ou ramo, estejam estes  íntegros, quebrados ou procurando o afago de outros.

Neste branco respirar apenas o verde ressalta. Aqui, ali ou além. Ele é dono deste lugar e de imensos detalhes de vida que a água alimenta perante o nosso olhar.

 

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(Apesar de já aqui ter abordado os nevoeiros de Sintra em palavras e imagens, sempre volto a eles……como eles sempre voltam a este belo lugar!

 

(Dulce Delgado, Dezembro 2019)

 

 

 

 

quinta dos azulejos

 

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A cultura, a arquitectura e o imaginário português estão muito associados ao azulejo, tradição importada pelos mouros e que teve grande desenvolvimento a partir do séc. XV.

D. Manuel I foi o primeiro monarca a apreciar devidamente essa arte, fazendo do Palácio Nacional de Sintra um dos primeiros locais onde eles foram usados, apesar de ainda importados de Sevilha.

Sendo um revestimento de baixo custo e com grandes possibilidades decorativas, rapidamente começou a ser produzido no nosso território e largamente aplicado. Primeiro prevaleceram os tons monocromáticos (principalmente o azul e o branco) e mais tarde os mais coloridos e a preferência por padrões mais repetitivos.

O que escrevi até aqui pretende apenas enquadrar melhor o tema do post e o jardim da Quinta dos Azulejos, espaço que recentemente visitei no âmbito do evento Jardins Abertos que decorreu em Lisboa. Localizada na zona do Paço do Lumiar esta quinta é actualmente ocupada, em conjunto com outras quintas adjacentes, pelo colégio Manuel Bernardes, uma grande escola privada da capital.

O jardim em causa revelou-se uma agradável surpresa. Insere-se na periferia de uma casa senhorial do séc. XVII que pertenceu ao ourives da casa real portuguesa António Colaço Torres. O seu interesse vem do facto de paredes, muros, bancos, colunas e outras estruturas serem integralmente cobertos por azulejos com temáticas variadas como cenas mitológicas, cenas bíblicas ou galantes, animais exóticos, etc.

As imagens não transmitem a real beleza do espaço, mas dão uma ideia do seu colorido e personalidade, para o qual também contribuem os tons outonais das lindíssimas vinhas virgens que ocupam as paredes e muitos recantos.

 

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Termino com dois detalhes que achei muito interessantes e que, na minha perspectiva, revelam o “espírito azulejar” que ali se respira. Resulta certamente de um trabalho de sensibilização do colégio para o espaço onde se insere e para a importância do espólio que detêm. Estes painéis foram muito provavelmente elaborados pelos alunos em aulas de Educação Visual.

 

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Se algum dos meus leitores tiver interesse em saber mais sobre este espaço, encontra muita informação na Internet e quiçá, até a possibilidade de uma visita ao local!