cantando violeta parra

 

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No início de Abril, publiquei um post sobre a cantora chilena Violeta Parra, no âmbito das comemorações do centenário do seu nascimento (1917-1967).

Volto hoje ao assunto, uma vez que na próxima terça-feira dia 12 de Setembro, a filha e a neta de Violeta Parra, respectivamente Isabel e Tita Parra, estarão no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, para dar um concerto integrado na programação de Passado e Presente – Lisboa, Capital Ibero-americana de Cultura 2017.

Serão cantados os temas mais emblemáticos de Violeta Parra e outros da autoria das suas descendentes, num espectáculo que irá certamente aliar a música popular, tradicional e de intervenção chilena com uma forte componente emocional, tendo em conta os laços familiares e afectivos que estarão sobre o palco. Este espectáculo é organizado pela Secretaria de Cultura do Governo do Chile.

Ainda no âmbito deste centenário, a 4 de Outubro, dia em que a cantora completaria cem anos, haverá na Sociedade de Instrução e Beneficência A Voz do Operário, sediada em Lisboa, um outro espectáculo musical, este produzido pelo grupo el Sur.

Serão momentos com características diferentes, mas estou certa que ambos terão como lema a partilha, a força e a paixão que orientaram a vida desta mulher.

 

 

 

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para sempre

Todas as crianças têm um pai e uma mãe, seja qual for posteriormente o seu contexto familiar. Todas necessitam de afecto, que deve ser genuíno e facilitador do diálogo e da aproximação. No fundo, que parta de um coração e chegue a outro coração!

Dengaz, é um cantautor português que se enquadra nos ritmos rap /hip-hop, estilo que não aprecio especialmente, apesar de considerar que as palavras e as mensagens a eles associadas são bastante interessantes. Porém, Dengaz compôs um tema musical dedicado às filhas e que, sempre que o ouço, me emociona um pouco.

Para sempre é o nome dessa canção e foi inicialmente editada no álbum homónimo editado em 2015. Porém, a versão que mais aprecio, integra uma reedição de 2016 e inclui a belíssima voz do cantor brasileiro Seu Jorge, na sua primeira parceria com um cantor português.

Não sei o que os levou a cantar este tema em conjunto. Gosto de pensar que foi o facto de ambos serem pais e de ambos terem filhas, sendo por isso semelhantes os sentimentos e os afectos sentidos. Certo é que as suas vozes encaixam bem e o tema ficou muito valorizado.

Muitos já o conhecerão, pois ouve-se amiúde nas emissões de rádio portuguesas. Mas isso não me impede de o partilhar aqui, não apenas porque aprecio a mensagem e a simplicidade da música, mas porque gosto do sentimento que está na sua origem, o amor e o afecto que todas as crianças necessitam. Especialmente dos pais. Todos os dias e não apenas neste dia dedicado às crianças.

uma simples canção

 

 

Na minha infância e juventude, o dia em que ocorria o Festival da Eurovisão da Canção era um dia especial porque, naquela época, era um evento que se destacava talvez pela ausência de outros. Ainda recordo a maioria das canções que nos anos 60/70 representaram Portugal nesse festival, melodias que eu sempre achava especiais e que na minha perspectiva, mereciam sempre ganhar. Mas isso nunca aconteceu e em cada ano a frustração sentida transformava-se em esperança no ano seguinte.

Entretanto…a vida tomou outros rumos e interesses, e apenas muito pontualmente voltei a dar alguma atenção a esse evento. E quando o fazia era apenas para ver o nosso representante cantar, o que, diga-se na verdade, muito raramente me agradava. O festival cansava-me, porque tudo parecia igual, confuso, muito barulhento e com demasiados estímulos associados. Sem espaço para respirar. Por isso, se me perguntarem quem representou o nosso país nos últimos anos… sinceramente, não sei! Talvez seja triste, mas é a verdade.

Porém, depois de muitas décadas, ontem sentei-me no sofá a ver uma boa parte desse festival e, obviamente, também a nossa belíssima canção. E senti um pouco aquela sensação da infância, de achar que as nossa canção era muito bonita e que merecia ganhar. Naturalmente recuei no tempo, no entusiasmo e na esperança.

Esperança que começou a ser alimentada ao comparar a simplicidade da composição e da interpretação resultante da parceria dos irmãos Luísa e Salvador Sobral, com a confusão e o artificialismo dos restantes temas e performances a concurso. E especialmente, aquando dos primeiro doze pontos que recebemos logo no início da votação. E os doze seguintes e ainda os outros todos!

No final, Portugal ganhou! Fiquei tão contente! E que sensação estranha, porque inesperadamente se cumpriu aquele desejo de infância que tinha ficado latente, quase adormecido. Estou certa que muitos portugueses terão sentido algo de semelhante, pelo menos aqueles que nasceram entre os anos cinquenta e sessenta do século passado e que, tal como eu, viviam com grande sentimento este evento.

Cantada de uma forma muito peculiar e genuína, a canção fala de amor. Simplesmente de amor. E será a forma como este sentimento foi partilhado que convenceu as emoções de milhões de pessoas, os que percebem e os que não percebem de música. Como eu, que encaro esta arte de uma forma muito emocional, com o coração e nada por conhecimento teórico.

Estou quase certa que  esta canção marcará um ponto de viragem na qualidade deste evento. Deu para perceber de uma forma muito clara o que as pessoas querem e desejam. Talvez a partir daqui prevaleça o que marca a diferença pela qualidade e não pela quantidade de estímulos, pela confusão e aparato tecnológico e visual.

Mais uma vez podemos ser pioneiros neste mundo. Povo de um pequeno país, mas cheio de força e de garra. Que gosta de descobrir novos caminhos e mostrar novos horizontes como aconteceu à cinco séculos atrás, seja agora, quiçá, no campo da música de uma Europa que perdeu a sua personalidade, pelo menos neste tipo de eventos.

Gosto de alimentar esta ideia, mesmo que daqui a uns anos chegue à conclusão que me enganei e desista novamente de me sentar no sofá. Mas enquanto há vida há esperança, e esperança é algo que nunca me falta.

Por fim… é muito bom perceber que hoje todo o país está feliz com uma canção que fala de amor!

 

 

violeta parra

Capturarviol parra

Ultimamente tem sido divulgado um espectáculo de entrada gratuita, que se irá realizar no próximo dia 8 de Abril no teatro Capitólio em Lisboa, em homenagem a Violeta Parra pelo centenário do seu nascimento.
Conhecia um dos seus temas mais populares, como é Gracias a la vida, mas relativamente pouco do seu percurso. A curiosidade levou-me a procurar um pouco mais e não resisti a escrever este post

…Violeta del Carmen Parra Sandoval (1917-1967) foi compositora, cantora, artista plástica e activista política, sendo considerada a fundadora da música popular chilena, gosto que herdou dos pais. Bem cedo começou a tocar e a compor, optando logo na juventude por se dedicar à vida artística.

Teve uma vida emocional algo complexa, com três casamentos e vários filhos, alguns que se dedicaram também à música, cantando com eles durante um certo período da sua vida. Foi igualmente a grande precursora da música de intervenção, produzindo letras revolucionárias que incidiam maioritariamente na injustiça social e nas condições de vida dos pobres.

Na sua curta mas intensa vida, em que intercalaram os momentos bons e os muito difíceis, como o da morte de uma filha, foi sempre uma mulher de grande energia e força, lutadora pelos direitos dos mais desfavorecidos, mas também irreverente e que sabia o que queria.

No final dos anos 50, num período em que esteve doente e mais inactiva devido a uma hepatite, explora as artes visuais, dedicando-se a criar as arpilleras, curiosas tapeçarias bordadas que, mais tarde, foram associadas à resistência das mulheres chilenas no período da ditadura do General Pinochet. Através da figuração que nelas inseriam, iam transmitindo o que estavam a viver e a sentir enquanto os maridos estavam presos. Mas foram igualmente uma forma de sobrevivência material.

As arpilleras, assim como a pintura, o papier maché ou as esculturas em arame, foram as técnicas artísticas que Violeta Parra escolheu para expor, juntamente com as letras e canções que escrevia, tudo o que sentia, os princípios em que acreditava e pelos quais lutou toda a vida.

Estranhamente, suicidou-se aos 49 anos, não muito tempo depois de ter composto Gracias a la vida, o que de certa forma é um pouco paradoxal. Mas, a separação dramática do seu terceiro companheiro e ainda um projecto que não terá corrido bem, poderão ter contribuído para tão drástica decisão.

Pelo facto de ter deixado um grande legado, em Novembro de 2014 foi criada a Fundação Museu Violeta Parra, a fim de preservar e difundir a obra desta mulher que teve um papel tão importante na sociedade chilena.

Não poderia terminar este post sem a sua  belíssima voz. Escolhi dois temas já compostos na década de sessenta, Gracias a la vida e Run run se fue pa’l norte, criados sob emoções bastante opostas. O primeiro surgiu na sequência do grande amor que sentiu pelo seu último companheiro, o antropólogo e músico suiço Gilbert Favre; e o segundo, depois de ele a ter deixado, separação que teve fortes repercussões na sua vida.

Foi uma mulher de força e de paixões. Mas foram também essas atitudes que a levaram ao suicídio.

Foto retirada de http://www.nosgustaelvino.cl/museo-violetaparra/?age-verified=50f5b1d0a0

nuvens brancas

 

Os sons do compositor e pianista italiano Ludovico Einaudi proporcionam sempre um agradável e tranquilo momento.

Porque estamos a meio da semana, uns minutos de paragem são salutares. Sugiro a audição do tema Nuvole Bianche (Nuvens Brancas), que integra o álbum Una mattina, datado de 2004.

E porque os olhos também ouvem, acompanhem o som com as excelentes imagens deste vídeo, onde as nuvens e as neblinas que envolvem e acariciam este nosso planeta mostram todo o seu dinamismo e beleza.

Nestes seis minutos, o tempo acontece, simplesmente.  Um tempo que é do universo, do planeta, da natureza e de cada um de nós.

 

 

trinta anos

 

 

Comemoram-se na próxima quarta-feira, 23 de Fevereiro, os trinta anos do falecimento de José Manuel Cerqueira Afonso dos Santos, mais conhecido por José Afonso (1929-1987), sendo vários os eventos e concertos previstos no decorrer deste ano.

Muitas palavras serão ditas e escritas por pessoas bem mais avalizadas do que eu sobre a importância deste cantautor, nomeadamente pela forma como utilizou a música e as palavras na luta contra um regime que impedia o pleno uso da liberdade e a melhoria das condições de vida do povo deste país. Foi certamente um dos artistas que melhor transmitiu, até ao 25 de Abril de 1974, o que muitos pensavam e sentiam, mas não eram capazes de o dizer.

Porque aprecio o seu trabalho, não posso deixar de o relembrar neste meu espaço. E faço-o, partilhando uma das canções mais emblemáticas do seu percurso, o tema Menino do bairro negro, que integra o álbum “Baladas de Coimbra” editado em 1963. Foi criado após uma ida do cantor ao Porto, viagem que o impressionou pelas imagens que viu nas zonas mais degradadas e pobres da cidade. É a essa negritude que o poema se refere.

As palavras são simples mas intensas. A música e a voz de José Afonso lindíssimas. Por tudo isso, sinto que partilhar este tema é partilhar também um pouco do passado do nosso país, de uma geração que lutou pela liberdade, que fez história e que permitiu que hoje possamos livremente escolher o nosso caminho.

 

nolwenn leroy

 

Um dos pioneiros do uso da música com fins terapêuticos foi o Professor Alfred Tomatis (França, 1920-2001), que utilizava gravações de Mozart e de canto gregoriano com doentes possuidores de perturbações de vária ordem, pois considerava que determinados timbres e sons favoreciam a harmonização das suas funções orgânicas. Sempre que possível, também recorria à voz materna dos pacientes nos seus actos terapêuticos. A sua técnica de tratamento ficou conhecida por APP (Audio-Psyco-Phonology).

Após a sua morte, seguidores do Método Tomatis descobriram que a sonoridade vocal da cantora bretã Nolwenn Leroy (que ganhou um concurso televisivo em 2002), tinha efeitos terapêuticos superiores aos da música de Mozart. O pioneiro dessa teoria é o neurocirurgião canadiano Dr. Frederick R. Carrick, especialista em situações de coma e lesões cerebrais. Vários médicos aliaram os tratamentos médicos com a voz desta cantora e os resultados foram surpreendentes, inclusivamente em doentes oriundos de vários países e que não conheciam nem as canções nem a língua. Será pois o seu timbre que fará a diferença.

Sabemos que a voz, assim como tudo o que nos envolve, é vibração e energia. Partindo desse princípio e ainda que os nossos sentidos e a nossa percepção são limitados, podemos aceitar a possibilidade de sermos estimulados por determinadas formas vibratórias de que não temos consciência.

Como é natural, este tipo de matéria tem defensores e acusadores. De uma forma geral, a medicina é bastante fechada quando se depara com terapias menos usuais, porque são muitos os interesses instalados que as rejeitam. Contudo, muito lentamente uma “brisa de mudança” vai surgindo na sociedade e, com ela, alguma abertura no reconhecimento de métodos terapêuticos alternativos. Este será um deles.

Abstraindo essas polémicas, este assunto não deixa de ser interessante. Por isso, gosto de pensar que estou a partilhar boas vibrações com os meus leitores, ao deixar aqui os dois temas de Nolwenn Leroy mais utilizados nessas experiências e que se intitulam 14 de février e Suivre une étoile.