outono

Para nós, humanos, este será mais um dia no calendário das nossas vidas. Contudo, ele não deixa de ter um significado especial pois marca um momento importante na dinâmica que rege este planeta onde vivemos. Este dia significa que…

…começa o Outono no hemisfério norte, sendo já evidente o encurtar dos dias e as noites bem mais longas,

…as folhas de muitas árvores, já em processo de secagem, irão começar a cair com mais celeridade e a atapetar os nossos caminhos,

…o nublado/cinzento do céu aparecerá de uma forma mais recorrente e iremos senti-lo mais húmido, fresco e desconfortável,

…as primeiras chuvas já passaram por aqui,

…e em muitos de nós, talvez se instale uma espécie de nostalgia sobre o Verão e sobre as férias que entretanto já terminaram.

Mas para esta andorinha e para muitas outras aves que partilham o Verão connosco…

…habita uma certeza instintiva que as levará muito em breve a enfrentar os céus para mais uma louca viagem de milhares de quilómetros para Sul, em busca de lugares mais quentes e soalheiros,

…será uma viagem incrível e a primeira aventura para as que nasceram este ano,

…entretanto, estão a viver dias de preparação e de acumulação de energia a fim de enfrentarem essa poderosa jornada,

…e não saberão se a força que habita a sua aparente fragilidade será suficiente para cumprir mais uma vez essa vital missão que se repete anualmente geração após geração.

Se as aves pensassem…diria que a andorinha da imagem estaria a navegar nestes pensamentos….

Quanto a mim, limito-me a desejar a todas elas uma boa viagem até ao Verão do hemisfério Sul, levando cumprimentos meus para os que vivem nessa metade do mundo….e que leram este post até aqui!

E a todos nós que o Outono irá envolver a partir das 19h 21m de hoje, que ele seja um tempo de bom senso e equilíbrio, e que apreciemos com prazer os belos detalhes que a Natureza nos irá oferecer!

Bom Outono!🍁🍂🍄🌰

o que nos envolve

Todas as camadas gasosas que envolvem esta bola gigante que nos conduz pelo espaço têm uma função e são a chave para o equilíbrio entre a natureza e todos os que nela habitam.

Globalmente, todas as nossas acções têm repercussão nessas camadas e, uma vez que tudo está ligado, os efeitos desencadeados recaem invariavelmente sobre nós, numa aleatoriedade incontrolável e por vezes devastadora. Portanto, está em nós, como humanidade, zelar por essas camadas. Como?

Por um lado…

…limitando a produção de gazes que contribuem para o efeito de estufa (vapor de água, monóxido e e dióxido de carbono, gazes provenientes da queima de combustíveis fosseis e ainda os chamados CFC’s/clorofluorcarbono provenientes de aerossóis e de sistemas de refrigeração, assim como o metano que é expelido pelo gado e está presente na decomposição de lixo orgânico).

Todos eles influem e têm importância no mecanismo que regula a temperatura da terra e que possibilita a vida na sua superfície. Na prática, eles funcionam como isolantes e a sua presença, sem ser em excesso, é fundamental na medida em que absorvem parte da energia emitida pela terra. Porém, se esses gazes são demais também isolam demais, ficando mais calor retido na atmosfera. E assim surge o tão falado aquecimento global com todas as suas consequências.

Por outro lado…

…as nossas acções também afectam outra das camadas que envolve este mundo onde nos tentamos equilibrar. Refiro-me à camada de Ozono, uma faixa com alguns quilómetros de espessura composta por moléculas com três átomos de oxigénio que funciona como uma barreira que nos protege dos raios ultravioleta, como o video acima bem explica. Sabe-se contudo, que essa camada é destruída pelos tais CFC’s acima mencionados, porque eles têm Cloro e este elemento tem a capacidade de destruir as moléculas de Ozono.

Na prática, tudo se relaciona com tudo, o que exige estarmos conscientes, alerta e actuantes. Teoricamente já todos sabemos isto, mas não faz mal relembrar uma e muitas vezes, mais não seja porque, meteorologicamente falando, vivemos tempos estranhos e de evidente mudança, com impacto em nós e na natureza. Vivemos tempos em que todos os gestos têm importância. Todos os dias.

Este post é um pequeno contributo para o Dia Internacional da Preservação da Camada de Ozono que hoje se comemora.

(Link do video:  https://www.youtube.com/watch?v=o3svX2Hjnhk

azáfama

Deixar o nosso olhar acompanhar a dinâmica do exterior de um formigueiro não é de todo um tempo perdido nem o estar perante algo indiferente. Sempre sinto esses momentos como uma lição de vida e um relembrar de valores que o egoísmo dos dias tende a esbater em nós.

Na sua pequenez, as formigas são enormes, intensas, fortes, persistentes, focadas, cooperantes, solidárias, inteligentes, etc, etc, no sentido mais restrito destas palavras e da dimensão destes minúsculos seres. Revelam-nos isso em poucos minutos, seja na forma de procurar e transportar alimento para a sua comunidade, seja no modo como lidam entre si e na entreajuda que é tão natural na espécie.

Sempre me questiono como o conseguem com tanta eficiência, como comunicam com tanta eficácia e como aparentemente não se distraem nem se cansam?

Este tempo de azáfama para as formigas é, para muitos de nós, um tempo de férias e de descanso.

Seja qual for o lado em que nos situemos – trabalho ou férias – tentemos que ele seja focado, inspirador e bem aproveitado!

Imagens captadas junto de um formigueiro situado no promontório do Cabo Espichel (Sesimbra)… ou seja, de um formigueiro com vista para o Atlântico!

de volta (II)

O corpo e a mente não acompanham ao mesmo ritmo o regresso ao trabalho no pós-férias.
O primeiro adapta-se melhor e rapidamente reaprende as rotinas…mas a mente, bem mais dispersa, vagueia entre esses dois tempos num saltitar irrequieto que apenas o passar dos dias permite tranquilizar um pouco mais.
Como sempre me acontece, mais uma vez estive dentro desse filme em modo bem activo. Por vezes até cansa esse  “deambular” sem sair do mesmo sitio…

Entretanto, a transição vai acontecendo porque a realidade se impõe e exige atenção e concentração. Contudo, não obstante este voltar à realidade, de vez em quando surgem sentires…imagens…detalhes que nos levam a esses dias…..

…a visão da maré baixa (que adoro!)
…os longos areais e os passeios matinais à beira-mar
…o primeiro banho de mar do dia, logo bem cedo e que nos faz sentir em comunhão com a Vida e com tudo!
…dormir na praia (tão bom!)
…o sabor de inesquecíveis bolas de Berlim
…a satisfação de degustar deliciosas sardinhas assadas


…e aquele dolce far niente que só os dias de férias permitem!

E há um momento, muito especial e bem diferente deste tipo de sentires que não desaparecerá da memória: o da imagem que inicia este post!

Este guarda-rios pousou a pouco mais de dois metros do observatório onde nos encontrávamos no parque Ambiental de Vilamoura. Vi-o, mas logo me escondi parcialmente para que o meu companheiro, em boa posição e já com a máquina ligada o pudesse fotografar devidamente.

Dada a proximidade do tronco em que esta pequena ave se encontrava, se naquele exacto momento eu ligasse a minha máquina, certamente ele voaria pois são aves muito assustadiças e que reagem ao  mínimo gesto ou som em seu redor.
Para nosso deleite, ele permaneceu alguns segundos naquele tronco. Virou-se para um lado, depois para outro e foi lindo, pois nunca tínhamos visto esta espécie tão próximo e com tanto pormenor. Não o fotografei, é certo, mas não tenho pena. Por vezes é importante saber parar e não querer demais…para que não se perca tudo.

Fico muito feliz em partilhar esta imagem captada pelo meu companheiro. É dele, mas indirectamente também é minha. E ambos sabemos que este silencioso momento das nossas férias nunca será esquecido!

de volta!

Em dia de regresso…

…começo por agradecer os muitos comentários deixados no ultimo post desejando-me boas férias e a que não dei resposta. O compromisso que fiz de me afastar duas semanas deste espaço foi literalmente cumprido, sendo certo que é importante distanciarmo-nos um pouco do que nos “prende” pois sempre voltamos com um olhar mais atento e renovado.

Agradecer faz parte dos meus dias, muitas das vezes em silêncio e centrada em pequenos detalhes. Hoje porém, para além do agradecimento inicial, também em palavras escritas eu gostaria de…

…agradecer o facto de tudo ter corrido sem precalços nestas duas ultimas semanas;

…agradecer os belíssimos dias de praia e de sol que aqueceram o corpo e aquietaram a alma;

…agradecer ao vento pelos dias em que decidiu soprar sem exagero do quadrante sueste e assim aquecer a água do mar algarvio como tão bem sabe fazer;

…agradecer ao mar não ter exagerado nas ondas e permitido deliciosos banhos entre o tranquilo e o activo;

…agradecer ao céu o seu belíssimo azul…e às nuvens, por não terem aparecido durante toda a semana de praia…mas apenas após esse período!

…agradecer à natureza alguns agradáveis passeios, assim como a possibilidade de observar e fotografar bastantes aves… apesar de Julho e Agosto serem os piores meses do ano para o fazer!

E por último…

…agradecer o facto de ter saúde e condições para poder desfrutar destes períodos fora de casa e das rotinas habituais… e em que os relógios, as notícias e a pandemia quase foram esquecidos!

…e por ter a meu lado um companheiro em doce sintonia na partilha de todos estes agradáveis momentos!

(E já agora agradeço o estarem a ler isto… e a me acompanharem novamente!🙂)

férias!

Começando neste fim-de-semana a “respirar férias”, seguirei à risca o espírito desse período e irei afastar-me tanto quanto possível dos gestos e hábitos de todos os dias.

Nessa perspectiva, também o blog irá discretamente de férias nas próximas duas semanas, pelo que não será “alimentado” nem acompanharei as publicações de outros autores como normalmente tento fazer.

Não quero obrigações nem compromissos… mas apenas estar disponível para os dias e para a natureza que me irá envolver.

Até breve!🌞

 

 

arriba fóssil

Atraí-me imenso tudo o que se relaciona com a geologia do nosso planeta e com os efeitos, formas e texturas que os elementos naturais lhe provocam através da erosão.

O território português é pequeno, mas apresenta uma grande diversidade de ambientes naturais, uns convertidos em parques naturais, outros em paisagens protegidas e muitos sem qualquer classificação mas igualmente interessantes.

A Área Protegida da Arriba Fóssil da Costa da Caparica foi criada em 1984 e, entre as suas várias componentes, tem uma arriba paralela à zona costeira constituída por estratos de rochas sedimentares com cerca de 10 milhões de anos (do período Pliocénico). Uma arriba fóssil é uma zona costeira alta, mas “morta”, ou seja, onde o mar já não chega e não lhe provoca erosão. Contudo, é afectada pelas chuvas, vento, temperatura, etc, que a vai desgastando e dando origem a formas muito peculiares.

Na costa portuguesa existem outros locais com arribas fósseis, mas creio que pelas características e antiguidade, esta é a única integrada numa área protegida.

Um percurso de alguns quilómetros ao longo do areal que separa o mar desta arriba permitiu-nos visualizar muitas formas de grande beleza e expressividade, imagens que hoje gostaria de partilhar.

A deposição de sedimentos diferenciados deu origem a estratos com várias colorações e sobretudo com diversos graus de resistência à erosão. Este facto levou ao aparecimento de formações não uniformes, seja em volumetria seja em textura.

Por tudo isso, esta paisagem é propícia a aliar a imaginação com o olhar e a vislumbrar o que a criatividade quiser. Nesta foto que se segue, por exemplo, facilmente encontro um conjunto de silenciosos seres numa marcha parada no tempo…

Uma aproximação à arriba através da máquina fotográfica (era difícil chegar perto devido ao terreno acidentado e à vegetação), permitiu perceber melhor a textura e os elementos constituintes de alguns desses estratos.

A par deste olhar mais terreno, outro bem mais aéreo ia acompanhando o voo das gaivotas sobre o mar…ou, na imensidão do azul do céu, estas “nuvens-ave” gigantes que livremente se deslocavam na tranquilidade do momento.

Num plano mais intermédio – entre esta terra que nos sustenta e o céu que nos aconchega – aproveitamos com prazer mais este momento de contacto com a natureza e a boa energia de um belíssimo dia de Primavera.

Depois de muitos quilómetros percorridos em areia, sentíamos bem o cansaço nas pernas. Mas estávamos felizes!

Boa semana!

morangos floridos

Todos os frutos nascem de uma flor fecundada.

De uma forma muito simplista, a fecundação acontece quando um insecto… a gravidade… o vento… ou o homem proporcionam que o polén que se encontra na extremidade dos estames (a parte masculina), chegue ao carpelo onde se encontram os óvulos, a parte central e feminina da flor.

Após a fecundação começa o processo de crescimento do fruto, o que leva normalmente à queda das pétalas. Já o cálice da flor, formado pelas sépalas, mantem-se muitas vezes agarrado ao fruto. No caso dos morangos, esta estrutura é composta por aquelas folhinhas verdes que retiramos antes de os saborear.

Muito recentemente adquiri uns morangos que ainda apresentavam as pétalas da flor, algo muito pouco habitual.

Achei tão engraçado que não resisti a tirar umas fotografias.

Gosto de pensar que foi uma oferta da natureza para apreciar…saborear….e porque não partilhar?😉

em tons de tipuana

Em tons de Tipuana nasceu este post, porque são umas árvores magníficas e porque gosto imenso do amarelo das suas flores.

A tipuana (Tipuana tipu) é, tal como o Jacarandá, uma espécie oriunda da América do Sul que se adaptou muito bem ao nosso clima. Floresce em Junho, altura em que pinta de amarelo muitos recantos e jardins do nosso país.

Em certos locais ainda se mistura com o lilás dos jacarandás numa bela parceria, como partilhei num outro post publicado faz hoje precisamente três anos.

Este conjunto de imagens é muito recente, sendo todas captadas em Lisboa, na área que fica entre Alcântara e Santos.

O chão que pisamos também pode ter muita beleza!💛

verão

Olho amiúde para o céu….sol….lua…ou estrelas que este meu olhar abarca….e ainda para este chão que me recebe e onde me agarro por umas raízes invisíveis e penso:

Como pode esta “bola gigante” – e ainda por cima ligeiramente achatada e inclinada – que roda sobre si a 460 m/segundo (na zona do equador) e circula em volta do sol a uns incompreensíveis 30 Kms/segundo……não perder o “tino” e a orientação e, com uma precisão impressionante permitir calcular os fenómenos/ciclos daí resultantes e que se repetem dia-a-dia, mês-a-mês, ano-a-ano…

…como o nascer e o pôr-do-sol … os eclipses… ou as estações do ano…

Foi precisamente às 04h 32m da madrugada de hoje que começou mais um Verão neste hemisfério norte onde estão as minhas virtuais raízes. Significa que esta metade do planeta terá o seu dia mais longo, que vai receber mais intensamente os raios solares e que naturalmente iremos adaptar os nossos dias e o nosso corpo a essa circunstância. Assim como a nossa mente, que logo desliga um pouco da rotina e entra de certa forma em “tempo de férias” e de vontade de descanso.

Somos simultaneamente assistentes e participantes desta harmonia/sintonia do Universo, algo pouco consciencializado pela maioria de nós na rotina dos dias, mas algo imenso e quase mágico que, só por si, deveria ser suficiente para que o termo ”respeito” estivesse na base de todas as nossas atitudes e decisões.

E neste respeito incluo o que deveremos ter com esta “bola gigante” em todas as vertentes com ela relacionadas….mas igualmente o respeito entre nós, humanidade que a habita, porque realmente não somos mais do que uma ténue “poeira” espalhada sobre ela.

Essa é uma verdade que esquecemos vezes demais.

A todos, neste dia de solstício, desejo o melhor Verão (ou o melhor Inverno)!