outono

Para nós, humanos, este será mais um dia no calendário das nossas vidas. Contudo, ele não deixa de ter um significado especial pois marca um momento importante na dinâmica que rege este planeta onde vivemos. Este dia significa que…

…começa o Outono no hemisfério norte, sendo já evidente o encurtar dos dias e as noites bem mais longas,

…as folhas de muitas árvores, já em processo de secagem, irão começar a cair com mais celeridade e a atapetar os nossos caminhos,

…o nublado/cinzento do céu aparecerá de uma forma mais recorrente e iremos senti-lo mais húmido, fresco e desconfortável,

…as primeiras chuvas já passaram por aqui,

…e em muitos de nós, talvez se instale uma espécie de nostalgia sobre o Verão e sobre as férias que entretanto já terminaram.

Mas para esta andorinha e para muitas outras aves que partilham o Verão connosco…

…habita uma certeza instintiva que as levará muito em breve a enfrentar os céus para mais uma louca viagem de milhares de quilómetros para Sul, em busca de lugares mais quentes e soalheiros,

…será uma viagem incrível e a primeira aventura para as que nasceram este ano,

…entretanto, estão a viver dias de preparação e de acumulação de energia a fim de enfrentarem essa poderosa jornada,

…e não saberão se a força que habita a sua aparente fragilidade será suficiente para cumprir mais uma vez essa vital missão que se repete anualmente geração após geração.

Se as aves pensassem…diria que a andorinha da imagem estaria a navegar nestes pensamentos….

Quanto a mim, limito-me a desejar a todas elas uma boa viagem até ao Verão do hemisfério Sul, levando cumprimentos meus para os que vivem nessa metade do mundo….e que leram este post até aqui!

E a todos nós que o Outono irá envolver a partir das 19h 21m de hoje, que ele seja um tempo de bom senso e equilíbrio, e que apreciemos com prazer os belos detalhes que a Natureza nos irá oferecer!

Bom Outono!🍁🍂🍄🌰

ternura matinal

Por vezes, ao começo do dia, o Sol nasce com um imenso desejo de afagar a rugosa pele da Terra com os seus raios dourados e rasantes.

E com esse gesto, presentear-nos com um belíssimo, luminoso e terno momento!

(Serra de Monsanto, Lisboa, 8 Setembro 2021)

38

Este primeiro dia de Setembro apareceu envolto num nevoeiro morno e agradável, daquele que o corpo não rejeita. Por esse cinzento deambulei um pouco logo pela manhã na zona ribeirinha de Lisboa, levando comigo o sentir luminoso que vivi neste mesmo dia há 38 anos atrás, data em que tu nasceste e eu fui mãe pela primeira vez.

Sempre que os filhos fazem anos, como mães voltamos atrás e vibramos entre recordações e um mar de emoções. As minhas são doces e fluidas, como foi todo o processo do teu nascimento e como têm sido estes 38 anos da nossa relação. Hoje também tu és mãe e eu uma feliz avó do teu filho!

Entretanto a vida foi acontecendo neste planeta/universo. A Terra deu trinta e oito belíssimas voltas ao Sol… mas em nós a sensação é de rapidez… de um tempo fugaz…como aquele gesto simples e meio inconsciente de rasgar ou de riscar mais uma folha do calendário que “gere” o tempo. Não deveria ser assim…

Nestes 38 anos demos incontáveis passos como pessoas individuais. Tu no teu caminho e eu no meu. Atravessamos nevoeiros, céus azuis, dias soalheiros, certezas e incertezas, momentos de pura felicidade e alguns de tristeza. Mas ambas sabemos que é na atenção pelo outro, no estar presente, no aconchego, na troca e no jogo entre o dar e o receber que está tudo o que vale realmente a pena no desenrolar dos dias e da Vida.

Isso é a essência. Diria mesmo que é o Sol que sempre está presente mesmo nos dias de nevoeiro!

Muitos Parabéns minha filha, e continuação de uma boa viagem pela Vida!

(Dulce Delgado, 1 Setembro 2021)

olhares

Cruzam-se por aí
incontáveis olhares,
rede invisível de energias
que se tocam
sem querer
saber
ou pensar.

Olhares doces
intensos
objectivos
seguros ou perdidos,
bucólicos
tristes
disfarçados ou plenos.

Olhares de nós.

Alguns
poucos
aninham-se noutro olhar
ou lugar…

…ficando a maioria
perdida no tempo
no vazio
no éter
e no ar…

…perdidos de nós!

(Desenho e poema de Dulce Delgado, Agosto 2021))

sentir de avó

Neste Dia Mundial dos Avós já sei o que é sentir o aconchego (e o peso!) de um neto nos braços e uma nova ternura no coração!

O nascimento do Vasco em Agosto de 2020 permitiu recordar alguns detalhes já desfocados na minha memória de mãe e, especialmente, perceber que o empirismo intuitivo, a tradição familiar e também a simplicidade logística da maternidade de há quase quatro décadas foi bastante ultrapassada, dando agora lugar a uma maternidade centrada em conhecimentos e conceitos, assediada pelo marketing, e onde a tecnologia está bastante presente através de um mundo de aplicações disponíveis num telemóvel.

Isso leva a adaptações que os avós de hoje têm necessariamente que fazer. Que eu continuo a fazer. Contudo, essas clivagens associadas à passagem do tempo tornam-se secundárias porque as emoções têm muita força e nada interfere com o amor que generosamente cria raízes entre avós e netos.

Sou apenas avó, papel que assumo com alegria, com prazer e com a necessária distância que separa este “segundo” encontro com a maternidade da verdadeira maternidade que vivi por duas vezes nos anos oitenta do século passado.

Percorro um tempo na minha vida em que impera o que me dá prazer e já não tanto o dever, desfrutando cada momento da presença, crescimento, aprendizagens e aquisições do meu neto como algo novo e encantador. E assumo: é realmente um deleite ser avó deste bebé de sorriso cativante e forte personalidade!

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A foto acima foi tirada há precisamente três semanas. Deste então, o Vasco aprendeu a deslocar-se rastejando, chegando onde quer com todo o dinamismo e muita curiosidade, o que requer atenção redobrada.

Dentro de duas semanas, ele já fará um ano!

E eu, dentro de duas semanas…também farei um ano como avó do Vasquinho!💛🤗

(26 Julho – Dia Mundial dos Avós)

de volta!

Em dia de regresso…

…começo por agradecer os muitos comentários deixados no ultimo post desejando-me boas férias e a que não dei resposta. O compromisso que fiz de me afastar duas semanas deste espaço foi literalmente cumprido, sendo certo que é importante distanciarmo-nos um pouco do que nos “prende” pois sempre voltamos com um olhar mais atento e renovado.

Agradecer faz parte dos meus dias, muitas das vezes em silêncio e centrada em pequenos detalhes. Hoje porém, para além do agradecimento inicial, também em palavras escritas eu gostaria de…

…agradecer o facto de tudo ter corrido sem precalços nestas duas ultimas semanas;

…agradecer os belíssimos dias de praia e de sol que aqueceram o corpo e aquietaram a alma;

…agradecer ao vento pelos dias em que decidiu soprar sem exagero do quadrante sueste e assim aquecer a água do mar algarvio como tão bem sabe fazer;

…agradecer ao mar não ter exagerado nas ondas e permitido deliciosos banhos entre o tranquilo e o activo;

…agradecer ao céu o seu belíssimo azul…e às nuvens, por não terem aparecido durante toda a semana de praia…mas apenas após esse período!

…agradecer à natureza alguns agradáveis passeios, assim como a possibilidade de observar e fotografar bastantes aves… apesar de Julho e Agosto serem os piores meses do ano para o fazer!

E por último…

…agradecer o facto de ter saúde e condições para poder desfrutar destes períodos fora de casa e das rotinas habituais… e em que os relógios, as notícias e a pandemia quase foram esquecidos!

…e por ter a meu lado um companheiro em doce sintonia na partilha de todos estes agradáveis momentos!

(E já agora agradeço o estarem a ler isto… e a me acompanharem novamente!🙂)

vento meu…

Gosto de pensar que o vento que empurra aquele barco está repleto de pensamentos e sentimentos de diversas formas, de sonhos e vontades, tristezas e desejos, alegrias e ternuras, e de muitas das energias que constroem ou destroem cada momento das nossas vidas.

A algumas dessas energias damos toda a liberdade, permitindo que o vento as leve para bem longe; outras porém, ficarão para sempre connosco, ajudando ou impedindo o nosso barco de andar.

Estará naquele “vento” algum bocadinho de mim?

verão

Olho amiúde para o céu….sol….lua…ou estrelas que este meu olhar abarca….e ainda para este chão que me recebe e onde me agarro por umas raízes invisíveis e penso:

Como pode esta “bola gigante” – e ainda por cima ligeiramente achatada e inclinada – que roda sobre si a 460 m/segundo (na zona do equador) e circula em volta do sol a uns incompreensíveis 30 Kms/segundo……não perder o “tino” e a orientação e, com uma precisão impressionante permitir calcular os fenómenos/ciclos daí resultantes e que se repetem dia-a-dia, mês-a-mês, ano-a-ano…

…como o nascer e o pôr-do-sol … os eclipses… ou as estações do ano…

Foi precisamente às 04h 32m da madrugada de hoje que começou mais um Verão neste hemisfério norte onde estão as minhas virtuais raízes. Significa que esta metade do planeta terá o seu dia mais longo, que vai receber mais intensamente os raios solares e que naturalmente iremos adaptar os nossos dias e o nosso corpo a essa circunstância. Assim como a nossa mente, que logo desliga um pouco da rotina e entra de certa forma em “tempo de férias” e de vontade de descanso.

Somos simultaneamente assistentes e participantes desta harmonia/sintonia do Universo, algo pouco consciencializado pela maioria de nós na rotina dos dias, mas algo imenso e quase mágico que, só por si, deveria ser suficiente para que o termo ”respeito” estivesse na base de todas as nossas atitudes e decisões.

E neste respeito incluo o que deveremos ter com esta “bola gigante” em todas as vertentes com ela relacionadas….mas igualmente o respeito entre nós, humanidade que a habita, porque realmente não somos mais do que uma ténue “poeira” espalhada sobre ela.

Essa é uma verdade que esquecemos vezes demais.

A todos, neste dia de solstício, desejo o melhor Verão (ou o melhor Inverno)!