uma semana…

A imagem acima foi captada hoje ao nascer do sol, exactamente uma semana depois do conjunto de imagens que se segue e que, por diversos motivos, não consegui publicar no dia em que foi captado (quarta-feira, 18 Janeiro).

Como a beleza não tem data vou hoje partilhá-las, uma vez que a zona ribeirinha de Belém e os edifícios/monumentos que a pontuam são sempre um cativante lugar e um iman para o meu olhar.

Entre estes dois momentos…

…passaram precisamente sete dias;

…a terra deu sete voltas no seu eixo imaginário;

…nos relógios passaram 168 horas o que corresponde a 10 080 minutos;

…os dias cresceram alguns minutos, pois na foto de hoje o sol já nasceu nitidamente mais à esquerda do Cristo-Rei do que na imagem similar obtida no dia 18;

… as nuvens e a chuva desapareceram para dar lugar a dias muito frios e de céu limpo;

…centenas de aviões atravessaram este céu antes de aterrar no aeroporto de Lisboa;

…imensas pessoas passaram por aqui, simplesmente passeando, fazendo jogging ou andando de bicicleta/trotinete…

…e as aves que por aqui deambulam diariamente, como é o caso das gaivotas, guinchos, corvos marinhos, gansos do Egipto, pombos, melros, etc, continuaram as suas rotinas de sobrevivência.

Visto desta forma, sete dias parecem muito tempo…mas guardo a sensação que esses dias se esfumaram e quase não dei pela sua passagem, apesar de ser uma pessoa relativamente atenta.

Objectivamente esse tempo passou…passou mesmo…

…mas creio que ele correu mais rápido do que a minha Vida!

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religião

A etimologia da palavra que dá titulo a este post mudou ao longo dos tempos, mas gosto da versão que a associa a religare…re-ligar… unir…

Unir modos diferentes de estar, pensar, sentir e, especialmente, de viver a fé.

Entre religiões, movimentos religiosos, crenças ou outras formas de associar ideias e de lidar com o que possa estar para além da nossa materialidade, existe um leque enorme de possibilidades.

Perante essa realidade, cada habitante deste planeta deveria viver livremente a sua escolha e o modo de lidar com as energias que ligam tudo o que existe. Assim como ter a liberdade de recusar qualquer tendência ou religião. Mas para isso ser possível, o respeito pela diferença teria obrigatoriamente de ser a base e a essência de todas essas formas de estar/sentir.

Verifica-se porém a incapacidade de muitos em lidar com a diversidade e com a liberdade de escolha, o que levou a que a religião – algo que deveria unir seja um dos factores que ao longo dos séculos maior instabilidade e desunião criou e continua a criar no mundo. A intolerância religiosa existe, sendo um factor gerador de separações, conflitos, guerras, genocídios, migrações forçadas, etc., etc.

Isto é algo inexplicável, inquietante e talvez o maior absurdo desta humanidade que somos, sobretudo porque o sentir associado a cada divindade/religião (ou ausência dela) é do foro pessoal, íntimo, imaterial, e não tem explicação racional. Como pode então ser gerador de conflitos?

Hoje é o Dia Mundial da Religião, um dia que foi criado com o objectivo de promover a união, a tolerância e o respeito por aquilo que é intrínseco a todas as religiões – a fé – algo maior, intemporal e, como tal, com infinitas formas de se expressar.

Em suma, seja qual for o caminho escolhido, nenhum obstáculo, sociedade, política ou forma de pensar poderá impedir alguém de sentir e expressar como quiser o que considera como sagrado, transcendente ou divino.

Diria que tudo se resume a uma palavra, seja neste tema seja em muitas outras áreas da Vida: Respeito!

Que seja um bom domingo para todos!🍀

Achei muito curioso o facto de não haver um consenso sobre a data deste dia. Para uns, ele celebra-se sempre no dia 21 de Janeiro, mas para outros no terceiro domingo de Janeiro. Basta fazer uma busca pela internet e perceber essa discrepância. De certa forma isso reflecte a dificuldade que existe em harmonizar algo que é universal, como é a fé.
Eu optei pela segunda hipótese – terceiro domingo de Janeiro – não só por ter  mais disponibilidade para fazer/publicar o post, mas especialmente por considerar o domingo um dia que concentra em si  melhores e mais positivas energias!

ir… e voltar!

Solto um inquieto pensamento
que a brisa leva,
simplesmente.

Nesse voar…

…um pássaro os pressente
e sorri para esse vento

… as folhas da árvore agitam
num aceno doce e lento

…e ao passarem sobre o mar
provocam o seu ondear!

Depois de muito viajar
pede o pensamento à brisa
para casa o levar…

…e ele regressa ao meu pensar,
agora mais calmo e tranquilo
depois da liberdade provar!

Dulce Delgado, Janeiro 2023
(Poema nascido de um imenso olhar que atravessou a janela da sala onde trabalho e me levou para bem longe ………
Ainda bem o fim-de-semana está  por perto!)

Que seja um tempo tranquilo para todos!🤗

agradecimento

Como um ser individual que sou, creio que a melhor forma de começar um novo ano é estando grata por aqui ter chegado com saúde e saber que esse precioso bem está presente naqueles que me são mais queridos. E por muitas outras razões, obviamente.

Como um ser colectivo e que interage com outros, agradeço os momentos bons e menos bons que me fizeram crescer e ficar mais atenta, assim como as ocasiões de partilha que sempre permitem novas aprendizagens. E agradeço profundamente o facto de viver num país que não tem conflitos com o exterior e onde impera a liberdade de acção e de expressão.

E por último, como um ser virtual que se insere neste imenso “tronco” cheio de ramos e ligações que é a blogosfera, onde se entrecruzam palavras e energias, olhares e emoções, pensamentos e criatividade, alegrias e tristezas, primaveras e invernos, outonos e verões, aniversários e natais…

… quero agradecer colectivamente a todos os que passaram pelo post que publiquei no passado dia 23 de Dezembro 2022 e nele deixaram simpáticas mensagens e/ou votos de Boas Festas, palavras a que não respondi atempadamente pois, estando em férias, sempre tento afastar-me das rotinas inclusive do blog.

… e dizer ainda que é meu desejo continuar discretamente por este novíssimo ano de 2023 a partilhar, com vontade e sinceridade, o que genuinamente me habita.

Com o enorme “abraço” que a imagem acima também simboliza, o meu obrigado e o desejo de um Bom Ano para todos! 🍀🥂

boas festas!

Que nesta época festiva e sobretudo que no Novo Ano que se aproxima cultivemos a capacidade de…

… estar atentos e partilhar

… nos colocarmos no lugar do outro

… ouvir e tentar entender

… acreditar

… ser solidários

… e que consigamos alcançar aquele equilíbrio sempre necessário, seja como seres individuais seja colectivamente.

A todos os que continuam a passar pelo Discretamente, desejo um Bom Natal e um ano de 2023 com tudo o que é importante para vós e para os que vos são queridos.

E para o mundo, que seja definitivamente um tempo de resolução e de apaziguamento de conflitos. Creio ser esse o desejo de todos nós.

Um abraço e voltarei em 2023!🤗

(Desenho de Dulce Delgado)

dois tempos

Que contrastes
nos oferece o olhar!

Perto da terra e da tradição
um moinho,
lugar de simplicidade
e talvez de desalento
pela impossibilidade
de enfunar com o vento.

A seu lado,
eólicas gigantes
e nada bucólicas
invadem a paisagem
o ar
e o nosso olhar,
reflexo da tecnologia
que não pára de avançar.

Para o moinho…
…serão as eólicas o “adamastor”?

Para as eólicas…
…será o moinho inspirador?

Haverá rancor
no cimo daquele monte…
…ou viverão a passagem do tempo
e a evolução
com respeito e humor?

(Dulce Delgado, Novembro 2022)

a magia…

E se por estranha magia
entre um olhar e o outro
e num infinito momento,
tudo ficasse diferente
tudo se tornasse harmonia
e paz no meio da gente?

Que veríamos então
com este nosso coração?

Que as sombras também são cor
que o tempo se diluiu no tempo
que não há falta de amor
mas receio de o olhar de frente.

Pura ilusão?

Sim,
talvez sim…
…ou talvez não!

(Poema e desenho de Dulce Delgado)

a chuva e a janela

Lá fora, uma chuva persistente continuava a cair e a alimentar a sede da terra.

Entre o meu olhar e o exterior um vidro transparente recebia as gotas que caíam…que aí permaneciam… ou que deslizavam sem rumo definido. Centrei o meu olhar nessa “janela-cenário” e tentei perceber que caminho seguiria a próxima gota…

Impossível, totalmente impossível de determinar. Num ápice senti-me no “jogo da vida”, igualmente imprevisível, aleatório e quantas vezes até desonesto.

Metaforicamente… somos como as gotas de água numa janela em dia de chuva….

…de um momento para o outro podemos ser tocados ou “apanhados” por um qualquer acontecimento, pessoa, sentimento, etc e tudo ficar alterado;

…podemos ser uma gota mais activa, aquela que não pára e avança, que muda de direcção e segue, solitariamente ou depois de “abraçar” outras pelo caminho

…ou ser apenas a gota que foi ficando, sem nada acontecer, acabando mais tarde ou mais cedo por evaporar…

Cada instante pode ser determinante, seja quanto ao passado seja no desenhar do futuro. Diria mesmo potencialmente determinante, como cada uma das gotas de chuva que aleatoriamente tocava no vidro e me fez lembrar a vida de todos nós…com os seus encontros e desencontros, abraços, mudanças de rumo, quedas abruptas, períodos de inércia, indiferença, energia ou actividade intensa, paragens, etc,.

Uma verdadeira “dança da Vida”!

Respirei fundo e de certa forma agradeci por ainda continuar atenta a estes momentos. Resolvi ir buscar a máquina e fazer um pequeno video…que agora verifico que a versão gratuita do WordPress não me permite publicar.

Paciência. Ficam dois detalhes dele retirados e…na próxima vez que a chuva abraçar a vossa janela, observem o “filme”, pois ele será bastante semelhante ao que hoje não consigo partilhar.

Com chuva ou sem ela, desejo a todos um bom final de Outubro!

sempre o tempo…

Voam os anos
aumentando a nossa idade,

voam os meses
a estonteante velocidade,

voam os dias
sem dó nem piedade,

voam as horas
de dias sem identidade

e voam os segundos
antes de serem realidade!

Neste eterno voar
o tempo é um sopro
que passa em nossos
interstícios…

…ele toca
afaga
dói
envelhece
enriquece
esquece,
é instante e memória
derrota e vitória
prazer e partilha
solidão
desilusão
sonho
e Amor,
porque sempre o tempo
tem para nós
um qualquer Amor!

Em cada respirar
habilmente o tempo voa
e a vida vai…

…para depois parar
numa esquina do tempo que passou
e dizer-nos simplesmente…

…atenção
muita atenção,
olha que já aqui estou!

(Dulce Delgado, Maio 2022)

relativizar…

Em Lisboa, o dia e a semana nasceram em tons de cinzento e com previsão de pluviosidade. Pouco depois de nascer logo o sol ficou tapado por densas nuvens ficando desagradável e incómodo para enfrentar uma segunda-feira… talvez o dia da semana em que a capacidade de relativizar é bastante menor…

Porém, as previsões não se concretizaram e logo o cinzento deu lugar a um lindíssimo céu azul com nuvens muito dispersas e temperatura agradável.

Lição a tirar (para além das cada vez mais constantes falhas meteorológicas): quantas vezes olhamos para uma situação com um dramatismo negro e desagradável…para posteriormente verificarmos que tudo foi ultrapassado sem causar perturbação de maior? E que a dificuldade prevista não se concretizou e que tudo fluiu naturalmente?

Certamente muitas vezes e em demasiados momentos da nossa Vida!

É obvio que a chuva se atrasou…desviou o rumo…não sei. Agora a previsão é que comece a cair em Lisboa amanhã, terça-feira, ao fim do dia.

Que venha e nos nolhe!

Afinal já passou a segunda feira……… e precisamos urgentemente da sua presença!