junho…

 

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Para quem vive no hemisfério norte, o mês de Junho é, claramente, o tempo que faz a transição para o Verão e para o principal período de férias do ano.

Há medida que o mês avança e a temperatura atmosférica vai subindo, vamos sentindo na pele e no corpo uma vontade de movimento e de exterior, numa espécie de antecipação ao que está para vir. Diria que é o mês em que as férias saem do “mapa de férias” afixado no placard dos locais de trabalho e deixam de ser apenas uma ideia, uma perspectiva ou um desejo, passando a algo mais físico e emocional.

Se por um lado o corpo fica mais irrequieto, também começa a ser muito mais fácil a nossa mente sair por aí e iniciar um imenso voo em tons de céu, de verde ou de mar e, num ápice sem tempo nem conta-quilómetros, nos levar àquele lugar que está planeado na agenda, escrito no bilhete de avião real ou electrónico, ou apenas guardado como projecto ou desejo.

Depois… tão naturalmente como partiu, a mente volta à casa-mãe e, com um sorriso invisível leva-nos a pegar novamente na caneta, no teclado do computador ou em qualquer objecto/tarefa que faça parte do nossa actividade diária e pede que continuemos… e nós vamos continuar, certos que o processo se vai repetir… até chegar o primeiro dia de férias!

Digamos que o mês que o antecede, Maio, ainda nos permite estar na quietude do tempo, do espaço e das rotinas que nos envolvem com uma certa tranquilidade. Mas Junho, o irrequieto mês de Junho, é sinónimo de uma agradável inquietude, de um fervilhar e do desejo de outro respirar. E muitas vezes, vontade de outro lugar!

Indiscutivelmente…Junho está comigo!

 

 

59…

 

59

 

Num rápido olhar sobre os últimos 59 anos, vejo que…

… fui feliz na década da infância
… ultrapassei sem traumas a década da adolescência/juventude
… na terceira década vivenciei a maternidade com enorme alegria
… passei a quarta década na busca de maior equilíbrio e de novos caminhos
… vivi a quinta década como um tempo de maturação das escolhas
… e nesta última década prestes a terminar, a sexta, percebi entre várias outras coisas, que muito gradualmente todas as células se estão alterando…

Ou seja, estou precisamente a 365 dias de me tornar sexagenária, o que visto das décadas anteriores significava naturalmente “ser velha”…

…porém,

sempre que vejo um parque infantil, tenho uma vontade enorme de entrar…transgredir…sentar-me num baloiço…e andar nele totalmente à maluca!

Será que já estou a entrar na fase de regressão?
Ou será que ainda não cresci?

 

 

 

risos e sorrisos

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Três dias separam o Dia Mundial do Sorriso (28 de Abril), do Dia Mundial do Riso (hoje, 1 de Maio) …um tempo curto … mas longo para tão curta diferença!

Entre sorrisos, risos… ou gargalhadas (será que também existe o dia mundial da gargalhada?), o importante é que os espalhemos por aí, bem genuínos e evitando os falsos e os “amarelos”, sendo salutar a capacidade de, com humor, nos rirmos das nossas próprias incongruências.

Sendo um belo sorriso uma boa energia, permite-me imaginar…

… que os verdadeiros sorrisos ficam no ar…a pairar…talvez a voar…e que posteriormente têm o dom de pousar onde são necessários, ajudando não só a melhorar a disposição de pessoas de “sorriso difícil”, mas igualmente a pacificar a arrogância e a intolerância em algo de mais amistoso, positivo e facilitador da paz ….

… como, por exemplo, nas mentes irresponsáveis de alguns decisores mundiais da actualidade, peritos em atitudes incompreensíveis, absurdas, perigosas e capazes de alterar o equilíbrio já precário deste planeta.

Receio bem que, para eles, um belo “bando de sorrisos” não fosse suficiente!

 

 

 

primeiro ano

 

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Faz hoje precisamente um ano que publiquei o primeiro post neste espaço, facto que me merece alguma atenção.

Discretamente tenho tentado “alimentá-lo” de forma variada, de acordo com o que observo, penso e sinto, mas não só, porque ao estar inserida numa sociedade em constante transformação e pródiga em acontecimentos, de uma forma ou de outra alguns detalhes do mundo acabam por estar presentes.

Mais importante do que o número de seguidores ou de posts publicados, de visualizações, número de likes ou de comentários partilhados, é o que ele tem significado para mim, tendo em conta a forma como então justifiquei a sua criação. Nessa altura escrevi …”Talvez porque os anos estão a passar tão rápido quanto os dias, senti necessidade de estruturar o que me caracteriza. Não tenho planos a cumprir...”

É essa palavra “estruturar” que sintetiza o que se passou neste último ano, porque encaro agora este espaço como o meio que me faltava para dar forma e organizar o que estava latente mas não conseguia “agarrar” coerentemente. Ele está a permiti-lo, porque me “obrigou” a objectivar aqueles pensamentos que surgiam e que no momento seguinte se perdiam, a materializar a imaginação que me constrói ou, ainda, a partilhar algumas das emoções que sinto ou lugares a que a curiosidade me leva. Hoje, há textos, poemas, desenhos ou fotografias que não vão para a gaveta e naturalmente são partilhados. E isso tem sido muito bom!

Reaprendi a estar mais atenta, atitude que ficara parcialmente esquecida com o passar dos anos e das rotinas a que somos obrigados e que sempre criam raízes em nós. Tenho hoje a sensação que aquele “olhar” interior e exterior que a todos alimenta, não apenas é mais abrangente como está mais focado e é melhor aproveitado.

Este período permitiu-me ainda organizar os dias de uma forma mais racional porque, apesar das solicitações serem semelhantes, o tempo necessário para publicar 174 posts apareceu…não sei bem como! Obviamente que muitas horas de sono não foram cumpridas, mas sinto que conquistei muito tempo à vida.

Por último, proporcionou-me uma gratificante viagem pela blogosfera, ao facilitar o acesso a páginas de áreas e conteúdos muito variados, algumas literáriamente excelentes. Estou certa que todas serão fruto do empenhamento de pessoas que, como eu e dando o seu melhor, encontraram uma forma de se expressar e de partilha.

Estou grata a todos aqueles que, de uma forma mais ou menos activa e através do blog ou fora dele, me têm incentivado ao longo deste ultimo ano. Será por mim e por eles, que espero continuar. Assim  a vida o permita.

 

 

 

nunca…

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..será seguramente uma das palavras mais difíceis do nosso vocabulário. Diria mesmo que, tal como a sua antónima sempre, ela é uma das mais “falsas”. Mas como sabemos, os opostos têm frequentemente pontos de contacto.

Hoje, o objectivo é “desmascarar” o termo nunca, porque ele pode ser “falso” quando…

… o aliamos a emoções ou a sentimentos. O tempo ajudará a demonstrá-lo e a desmenti-lo;

… ele se agarra às palavras que proferimos. Mais tarde ou mais cedo serão outras palavras que o poderão contradizer;

 … o associamos a acções que negamos ou recusamos fazer. A necessidade ou uma emergência leva-nos muitas vezes a agir contrariamente;

 … o usamos contra novas sensações. Porque no futuro, outra situação ou  circunstância, poderão levar-nos a aceitar novas experimentações.

O termo nunca é, pois, excessivo e extremado. Podemos usa-lo olhando para o passado, mas não o devemos fazer olhando para o futuro. É muito provável que nos enganemos. Porém, ele é totalmente verdadeiro numa única situação: quando se refere aos termos “futuro/tempo/vida”, porque…

          …nunca sabemos o que pode acontecer no momento seguinte

          …nunca sabemos o dia de amanhã

          …nunca sabemos o que a vida tem ainda para nos dar!

Como podem ser ambíguas as palavras que utilizamos!