escolhas

 

IMG_8281ab

 

A vida é uma escolha
livre,
entre caminhos que se bifurcam
pessoas que nos tocam
opções que nos atraem
emoções que se negam
ou razões
que não se encontram.

Conscientes ou inseguros
seguimos por aqui
ou por ali,
acertando
errando
aprendendo
mas sempre tentando
e sempre escolhendo.

Difícil
é viver com a escolha errada,
ter coragem de o dizer
humildade para aceitar,
força para resolver
ou para seguir por outro lado!

 

 

(Dulce Delgado, Agosto 2017)

 

 

 

ser imagem

 

IMG_7657ab

 

Antes do nascimento
somos uma imagem,
ecográfica
idealizada
imaginada
de luminosa esperança
uma ideia-criança.

Ao nascer,

saímos desse estado de matéria
etérea,
e passamos a concretos seres
humanos
emocionais
racionais
espirituais
banais ou especiais
e pontualmente ideais!

 

Passa a vida…

Chega a morte…

 

E naturalmente,
voltamos ao virtual
fluído
e intemporal
estado de imagem,
talvez recordada com saudade
presente na ausência
que habita numa moldura
envolta em ternura
que se desvanece no tempo…

…imagem história

…imagem memória

 

Ou imagem, apenas.

 

 

(Dulce Delgado, Julho 2017)

 

 

 

 

 

conservar/recuperar

 

restaurar

 

– Conservar/recuperar determinadas capacidades do ser humano (motoras, sensoriais ou mentais)

– Conservar/ recuperar aspectos e valores originais de certos objectos ou de obras de arte

 

São vários os campos da vida em que esta parceria “conservar/ recuperar” pode ser aplicada, como são muitas as situações em que o descuramos. Porque cuidar, manter e/ou melhorar exige esforço e… muitas vezes o esforço cansa! Além disso, o facilitismo, a pressa e até um certo egoísmo que nos rege, não se coadunam com o trabalho e a paciência exigidos na recuperação de determinados valores ou capacidades entretanto perdidas. Mas obviamente existem excepções e são muitos os que o fazem no seu dia-a-dia, seja pessoal ou profissionalmente.

Por um lado, temos todos os agentes de saúde, em particular os terapeutas, que se dedicam com profissionalismo, empenhamento e muita paciência aos deficientes físicos, aos deficientes mentais ou aos idosos, numa atitude que visa a manutenção das suas capacidades, mas igualmente à reaquisição total ou parcial de outras que lhes poderão proporcionar autonomia, bem estar e uma melhor integração na sociedade.

Por outro, e num campo totalmente oposto na medida em que não lidam directamente com o corpo, os sentidos ou a mente mas sim com princípios e materiais, encontramos os conservadores-restauradores de arte, que mais não são do que terapeutas que recuperam valores patrimoniais. Também eles zelam preventivamente para que a deterioração não se instale e actuam no sentido de recuperar os aspectos materiais e/ou estéticos danificados por descuido ou acidente, tendo sempre em mente o respeito total pelos valores originais da obra de arte.

Curiosamente, a minha formação profissional abrangeu estes dois campos de acção: primeiro como terapeuta ocupacional, área em que me formei na juventude e trabalhei por um curto período de tempo; e posteriormente, como conservadora-restauradora de pintura, actividade a que me dedico há muitos anos. As semelhanças que apresentam são tão grandes, como são enormes as diferenças que as separam, basta o facto de estar em causa lidar com pessoas ou o lidar com objectos.

Porém, na base de ambas as profissões está a mesma essência, o mesmo tipo de olhar, a mesma filosofia, o mesmo cuidado e, de certa forma, o mesmo tipo de sensibilidade e atenção. Talvez por isso, ambas foram importantes na minha formação como pessoa e têm sido tão complementares ao longo da vida.

Contudo, alargando o campo de abrangência dos termos que dão título a este post, verifica-se que o conceito que lhes está subjacente é, seguramente, a base de toda a dinâmica da vida.

Na realidade, a parceria “conservar/restaurar” representa por um lado, a “luta” que todos necessitamos de empreender para nos conservarmos saudáveis e genuínos; e por outro, o “trabalho de recuperação” e o esforço que nos é exigido quando surgem desequilíbrios provocados por interferências, imprevistos, desvios ou abanões.

Por fim, é interessante perceber que este processo que se passa com cada um de nós é comparável ao que se passa na própria natureza e neste planeta que nos recebe. Também eles têm mecanismos que lhes permite “conservar uma certa estabilidade” e, noutros momentos, reagir com forças mais activas e dinâmicas capazes de contrabalançar e recuperar o equilíbrio…quantas vezes posto em causa por nós, os humanos, a mais inteligente raça que deles depende!

 

 

junho…

 

IMG_9429

 

Para quem vive no hemisfério norte, o mês de Junho é, claramente, o tempo que faz a transição para o Verão e para o principal período de férias do ano.

Há medida que o mês avança e a temperatura atmosférica vai subindo, vamos sentindo na pele e no corpo uma vontade de movimento e de exterior, numa espécie de antecipação ao que está para vir. Diria que é o mês em que as férias saem do “mapa de férias” afixado no placard dos locais de trabalho e deixam de ser apenas uma ideia, uma perspectiva ou um desejo, passando a algo mais físico e emocional.

Se por um lado o corpo fica mais irrequieto, também começa a ser muito mais fácil a nossa mente sair por aí e iniciar um imenso voo em tons de céu, de verde ou de mar e, num ápice sem tempo nem conta-quilómetros, nos levar àquele lugar que está planeado na agenda, escrito no bilhete de avião real ou electrónico, ou apenas guardado como projecto ou desejo.

Depois… tão naturalmente como partiu, a mente volta à casa-mãe e, com um sorriso invisível leva-nos a pegar novamente na caneta, no teclado do computador ou em qualquer objecto/tarefa que faça parte do nossa actividade diária e pede que continuemos… e nós vamos continuar, certos que o processo se vai repetir… até chegar o primeiro dia de férias!

Digamos que o mês que o antecede, Maio, ainda nos permite estar na quietude do tempo, do espaço e das rotinas que nos envolvem com uma certa tranquilidade. Mas Junho, o irrequieto mês de Junho, é sinónimo de uma agradável inquietude, de um fervilhar e do desejo de outro respirar. E muitas vezes, vontade de outro lugar!

Indiscutivelmente…Junho está comigo!

 

 

59…

 

59

 

Num rápido olhar sobre os últimos 59 anos, vejo que…

… fui feliz na década da infância
… ultrapassei sem traumas a década da adolescência/juventude
… na terceira década vivenciei a maternidade com enorme alegria
… passei a quarta década na busca de maior equilíbrio e de novos caminhos
… vivi a quinta década como um tempo de maturação das escolhas
… e nesta última década prestes a terminar, a sexta, percebi entre várias outras coisas, que muito gradualmente todas as células se estão alterando…

Ou seja, estou precisamente a 365 dias de me tornar sexagenária, o que visto das décadas anteriores significava naturalmente “ser velha”…

…porém,

sempre que vejo um parque infantil, tenho uma vontade enorme de entrar…transgredir…sentar-me num baloiço…e andar nele totalmente à maluca!

Será que já estou a entrar na fase de regressão?
Ou será que ainda não cresci?

 

 

 

risos e sorrisos

smi

Três dias separam o Dia Mundial do Sorriso (28 de Abril), do Dia Mundial do Riso (hoje, 1 de Maio) …um tempo curto … mas longo para tão curta diferença!

Entre sorrisos, risos… ou gargalhadas (será que também existe o dia mundial da gargalhada?), o importante é que os espalhemos por aí, bem genuínos e evitando os falsos e os “amarelos”, sendo salutar a capacidade de, com humor, nos rirmos das nossas próprias incongruências.

Sendo um belo sorriso uma boa energia, permite-me imaginar…

… que os verdadeiros sorrisos ficam no ar…a pairar…talvez a voar…e que posteriormente têm o dom de pousar onde são necessários, ajudando não só a melhorar a disposição de pessoas de “sorriso difícil”, mas igualmente a pacificar a arrogância e a intolerância em algo de mais amistoso, positivo e facilitador da paz ….

… como, por exemplo, nas mentes irresponsáveis de alguns decisores mundiais da actualidade, peritos em atitudes incompreensíveis, absurdas, perigosas e capazes de alterar o equilíbrio já precário deste planeta.

Receio bem que, para eles, um belo “bando de sorrisos” não fosse suficiente!

 

 

 

primeiro ano

 

IMG_8918

 

Faz hoje precisamente um ano que publiquei o primeiro post neste espaço, facto que me merece alguma atenção.

Discretamente tenho tentado “alimentá-lo” de forma variada, de acordo com o que observo, penso e sinto, mas não só, porque ao estar inserida numa sociedade em constante transformação e pródiga em acontecimentos, de uma forma ou de outra alguns detalhes do mundo acabam por estar presentes.

Mais importante do que o número de seguidores ou de posts publicados, de visualizações, número de likes ou de comentários partilhados, é o que ele tem significado para mim, tendo em conta a forma como então justifiquei a sua criação. Nessa altura escrevi …”Talvez porque os anos estão a passar tão rápido quanto os dias, senti necessidade de estruturar o que me caracteriza. Não tenho planos a cumprir...”

É essa palavra “estruturar” que sintetiza o que se passou neste último ano, porque encaro agora este espaço como o meio que me faltava para dar forma e organizar o que estava latente mas não conseguia “agarrar” coerentemente. Ele está a permiti-lo, porque me “obrigou” a objectivar aqueles pensamentos que surgiam e que no momento seguinte se perdiam, a materializar a imaginação que me constrói ou, ainda, a partilhar algumas das emoções que sinto ou lugares a que a curiosidade me leva. Hoje, há textos, poemas, desenhos ou fotografias que não vão para a gaveta e naturalmente são partilhados. E isso tem sido muito bom!

Reaprendi a estar mais atenta, atitude que ficara parcialmente esquecida com o passar dos anos e das rotinas a que somos obrigados e que sempre criam raízes em nós. Tenho hoje a sensação que aquele “olhar” interior e exterior que a todos alimenta, não apenas é mais abrangente como está mais focado e é melhor aproveitado.

Este período permitiu-me ainda organizar os dias de uma forma mais racional porque, apesar das solicitações serem semelhantes, o tempo necessário para publicar 174 posts apareceu…não sei bem como! Obviamente que muitas horas de sono não foram cumpridas, mas sinto que conquistei muito tempo à vida.

Por último, proporcionou-me uma gratificante viagem pela blogosfera, ao facilitar o acesso a páginas de áreas e conteúdos muito variados, algumas literáriamente excelentes. Estou certa que todas serão fruto do empenhamento de pessoas que, como eu e dando o seu melhor, encontraram uma forma de se expressar e de partilha.

Estou grata a todos aqueles que, de uma forma mais ou menos activa e através do blog ou fora dele, me têm incentivado ao longo deste ultimo ano. Será por mim e por eles, que espero continuar. Assim  a vida o permita.