árvores com história

 

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Estando a ocorrer mais uma vez a votação online para a eleição da árvore portuguesa do ano, não poderia deixar de o mencionar neste blog. A ideia é escolher a árvore com a história mais interessante, o que não significa que seja a mais bonita. Posteriormente a vencedora irá participar no concurso europeu Tree of the year 2019. Recordo que em 2018 Portugal venceu este evento com o sobreiro assobiador de Águas de Moura (Marateca, Palmela).

A imagem inicial deste post pertence a uma das árvores a concurso. É uma Tuia-gigante, talvez sem a história mais bonita mas é sem dúvida imponente e vive há cento e cinquenta anos no Parque da Pena, na Serra de Sintra. Escolhi-a simplesmente porque entrou no meu olhar há mais de quatro décadas e, desde então, sempre que a visito consegue deslumbrar-me com a sua mística, expressividade e elegância. Diria que a escolha desta imagem foi feita com o coração!

A votação racional… termina no próximo dia 21 de Novembro. Mesmo que não votem, vale a pena conhecer estas histórias da natureza!

 

Imagem retirada de https://portugal.treeoftheyear.eu/Trees/Tuia-gigante

 

 

 

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por torres novas

 

torres novas

 

Gostando de surpresas, aprecio tudo o que positivamente me surpreende. Foi isso que sucedeu numa recente passagem pela cidade de Torres Novas, urbe do distrito de Santarém e localizada nas margens do rio Almonda, um afluente do rio Tejo.

O principal motor desta incursão pelo Ribatejo foi conhecer as grutas da vila de Lapas, localizadas nos arredores da cidade e recentemente abertas ao público de forma regular apesar de estarem classificadas como Imóvel de Interesse Público desde 1943.

Estes túneis labirintos foram escavados no morro onde assenta a aldeia, razão porque esta adoptou o nome de Lapas. O percurso visitável é apenas uma parte dessa rede, uma vez que muitas estão em terrenos privados e foram reaproveitadas para adegas, arrecadações, etc,. É um espaço diferente, também pelo facto de terem sido talhadas por mão humana.
Deixo o link sobre o que oficialmente é dito deste local. A nível popular, há quem as associe a lendas e outras histórias.

 

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Deixamos esta aldeia e seguimos para o centro da cidade de Torres Novas, começando por ir ao acolhedor castelo que o rei D. Sancho I conquistou aos mouros em 1190. Este possui onze torres, permite uma ampla vista sobre a área envolvente e no interior guarda um tranquilo jardim. Foi alvo de várias reconstruções, sendo a última datada de 1940.

 

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Em seu redor, especialmente para norte e leste, e ladeando os meandros do rio, desenvolve-se um amplo parque verde com vários equipamentos municipais.

 

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Mais antigos são o Açude Real, que foi fundamental no reencaminhar das águas para importantes unidades fabris que existiram na cidade e ainda a Ponte Pedrinha, que tem por perto uma tarambola gigante que continua a rodar serenamente.
Penso que as imagens transmitem melhor a ambiência do que qualquer palavra.

 

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Por último, ainda visitamos na periferia da cidade as ruínas romanas de Vila Cardílio, um espaço que necessita de alguma atenção e investimento, o que se espera ocorra brevemente.

 

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Como nota final, o facto de todos estes equipamentos (grutas, castelo e ruínas romanas) serem de acesso gratuito. É claro que isso sabe bem, mas penso que deveria ser cobrada uma taxa, mesmo que mínima e simbólica, para ajudar à sua manutenção. Verifica-se muitas vezes que tudo o que é fácil de adquirir acaba por não ser devidamente apreciado e cuidado.

Neste link encontram muitos locais com interesse na bonita região do Ribatejo. A cidade de Torres Novas é apenas um deles!

 

 

virtual solidão

 

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São imensos os conteúdos que circulam por este virtual mundo sem fronteiras. Entre o interessante e o absurdo tudo existe, cabendo ao bom senso de cada um dar ou não continuidade ao que lhe chega à caixa de e-mail.

É essa perspectiva que me leva a não travar a viagem das ilustrações constantes neste post e provavelmente já do conhecimento de muitos de vós.

Contudo, decidi “reenviá-las” através do blog pois considero que a mensagem é importante, apesar de pontualmente exagerada. Com humor, tocam numa realidade que é também um pouco nossa, quase todos portadores de um smartphone, iphone ou algo do género. Mais não seja para repensarmos a nossa atitude perante este “brinquedo” que nos liga ao mundo e simultaneamente nos deixa mais isolados.

 

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(Não gosto de publicar imagens sem indicar devidamente a autoria. Neste conjunto, algumas ilustrações têm essa indicação, outras não tanto. Por isso, o meu pedido de desculpa aos autores não indicados ou cujo nome é pouco legível).

 

ver com outros olhos

 

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O meu olhar permite-me ver e com ele preencher de imagens os meus dias. É naturalmente sentido como um dado adquirido, a que apenas damos o real valor quando confrontados com a sua falta ou perante situações em que nos apercebemos da realidade de outros que estão impedidos de o ter da mesma forma.

Ver com outros olhos é o título de uma exposição que resultou de uma parceria entre o Movimento de Expressão Fotográfica (MEF) e a Fundação Calouste Gulbenkian através de um projecto associado à arte, no qual foram convidadas pessoas de várias idades e com problemas de visão (amblíopes e cegas totais), para que registassem em imagens algo que tivesse a ver com a sua vida, vivência, percurso, gostos, sonhos, etc. Alguns conseguiram fazê-lo sem ajuda, outros descreveram a sua imagem e construíram-na com o apoio de outros.

Mais do que apostar na criatividade de pessoas com dificuldade de visão, esta exposição aposta na profunda sensibilidade que revelam, quer na escolha de detalhes quer nos pensamentos partilhados e que acompanham as imagens. A exposição é composta por vários módulos baseados em conceitos diferentes.

Todo o espaço expositivo está preparado para ser percorrido e sentido sem o olhar, impondo-se o táctil e o sonoro. Apesar de saber que “Ser cego não é fechar os olhos”, uma das frases que recordo da exposição, em vários momentos tentei agir como se fosse invisual, ou seja, fechei os olhos e senti/ouvi o que me era apresentado. Só posteriormente os abria e confrontava o que tinha percepcionado com a realidade, o que se revelou uma experiência estranha, diferente, mas muitíssimo interessante.

O olhar é uma forma fácil de nos relacionarmos com o mundo. Quem não o tem, desenvolve a “sabedoria dos sentidos” a partir de uma profunda e dorida aprendizagem nascida das dificuldades. E assim constrói um mundo semelhante ao de todos nós e composto igualmente de alegrias, tristezas, sonhos, devaneios, criatividade, paixões e tudo o mais que possamos imaginar. Mas sem facilitismos.

Esta exposição estará patente na Fundação Calouste Gulbenkian (Piso 0), até ao próximo dia 12 de Novembro e tem entrada livre.

 

José Oliveira, um amigo sempre presente neste blog, não só me alertou para a existência desta exposição, como continua a colaborar com o projecto que levou à sua montagem.
A imagem inicial é uma parte de um cartaz sobre a exposição e foi retirada de  https://irisinclusiva.pt/index.php?oid=3138&op=all
A fotografia original é da autoria de Igilcia Andrade / MEF,

 

 

artes e ofícios

 

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Numa sociedade predominantemente tecnológica e em que os saberes tradicionais passaram para um segundo plano, prezo saber que na capital do meu país tem havido algum cuidado na preservação desses conhecimentos, sendo certo que qualquer apoio que se associe à vontade, ao esforço e ao investimento dos próprios artífices, é potencialmente positivo.

Se há algum tempo divulguei aqui a iniciativa das Lojas com História, hoje quero referir a Rede de Artes e Ofícios de Lisboa, onde é possível encontrar, por zona da cidade ou ramo de actividade, uma série de profissões que o tempo colocou num segundo plano e que requerem conhecimentos especializados, técnica e sensibilidade. Nesta rede encontramos ofícios de todo o género, assim como os contactos de quem os realiza.

No sentido de divulgar estas actividades, também abriu recentemente o Mercado dos Ofícios do Bairro Alto, iniciativa que resultou de uma parceria entre o Município, a Misericórdia e entidades especializadas em ofícios tradicionais.

Por último, apesar de se situar numa vertente um pouco diferente, não quero deixar de referir os concursos para atribuição de ateliers municipais a baixo custo e com contrato de exploração por quatro anos, um sistema ideal para artistas em início de carreira e com poucos recursos, uma vez que o arrendamento é bastante baixo tendo em conta os altos valores do parque habitacional da capital.

Explorem os links acima e ajudem na sua divulgação.

 

 

 

cinema solidário

 

 

O que de verdade importa… é ir ao cinema visualizar este filme, sabendo que o valor da receita terá um fim solidário. Em Portugal será para a nova Unidade de Transplante de Medula do Instituto Português de Oncologia de Lisboa, dando continuidade à onda solidária que já percorreu vários países e ajudou muitas instituições. O promotor desta iniciativa é Paco Arango, o seu realizador.

Há quinze anos,  ele decidiu que deveria fazer algo diferente como forma de agradecer a vida feliz que tinha. Resolveu então ser voluntário numa instituição que tratava crianças com cancro, o que ainda continua a fazer. Além disso, abraça várias causas que lhe permitem angariar fundos para a Fundação Aladina que criou em Espanha em 2005, cujo objectivo é melhorar a vida de crianças com cancro e, implicitamente, a das suas famílias.
Os filmes que realizou, Maktub em 2011 e o que agora refiro e que originalmente tem o título The Healer, tiveram ambos um fim solidário.

É importante referir que esta película é dedicada a Paul Newman (1925-2008), actor que em 1988 fundou a rede de acampamentos de crianças doentes Serious Fun Children´s Network, que conta actualmente com trinta espaços espalhados pelo mundo. Em 2007, Paco Arango conheceu Paul Newman, momento que lhes  permitiu perceber que tinham objectivos solidários comuns.

O que de verdade importa, é um filme que celebra a Vida, misturando a comédia, o drama, o realismo e a magia num perfeito equilíbrio. Estreou a 13 de Setembro em Portugal e está disponível em muitos cinemas do país.

Vale a pena a sua visualização, porque são 113 minutos em que damos um pouco… e muito recebemos!

 

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Imagem de Paul Newman com crianças retirada de
http://www.grandmagazine.com/2018/09/the-best-week-of-their-lives-paul-newmans-promise-to-kids/

 

 

 

juliet, nua

 

 

Juliet, Nua é um filme com bons actores, bons diálogos e que, como todos os filmes românticos nos conta uma história de amor. Nele encontramos um Ethan Hawke distante da juventude de Antes do amanhecer (1995), longe do jovem adulto de Antes do anoitecer (2004) ou do adulto de Antes da meia noite (2013). Neste filme, ele faz o papel de um ex-cantor rock, já grisalho e capaz de ser avô. Ao seu lado, partilhando o filme realizado por Jesse Peretz, estão os actores Rose Byrne, Chris O’Dowd e Azhy Robertson, em bons desempenhos.

É um filme discreto, sem efeitos especiais e habitado por gente comum com problemas semelhantes aos nossos. Talvez por isso estas palavras e a referência a alguns aspectos que me chamaram a atenção…

…como pode ser mentalmente limitativo o enfoque num ídolo, havendo o perigo de criar uma teia de ideias e certezas que nada têm a ver com a vida desse ser que se idolatra. Além disso, pode levar a um alheamento da realidade e a “esquecer” as pessoas que estão por perto;

…a vida é uma grande mestra, pelo que muitas vezes nos leva a encontros que vão ter um papel importante na forma de lidarmos com a “bagagem” acumulada e com os fardos que nos acompanham. Gosto de pensar que são as “pessoas-campainha”, porque accionam mecanismo internos que facilitam olhar de frente para o que tem que ser enfrentado, especialmente em nós próprios e, com o tempo, permitirem que nos tornemos melhores pessoas;

…e por último fala-nos de amor, talvez do verdadeiro amor, daquele em que uma das partes se afasta para dar espaço porque ainda não é o momento desse amor ter o seu tempo. Nem sequer há a certeza que ele possa acontecer, porque o que está “no meio” é prioritário e tem a palavra. Entretanto, a vida continua…

É uma película simples que me agradou bastante, para além de possuir uma agradável banda sonora. Alguns dos temas são cantadas, e bem, pelo próprio Ethan Hawke, o que contribui igualmente para o interesse do filme.

Apenas uma dica: não sair do cinema mal começa o genérico!