mães

Ao dia da mãe

…da mãe que já não tenho e que se chamava Teresa,
da mãe que sempre serei…
…e de todas as mães-natureza!

E a todos aqueles dias
que não sendo dias da mãe …

…perto ou longe do olhar,
os filhos são alma
presença
coração
e um sensível respirar
que alimenta o nosso estar
como fonte de alegria
e eterna preocupação!

Este ano em Portugal, o Dia da Mãe coincide com o Dia do Trabalhador.
Poetizando e imaginando pontes entre esses dois eventos, pergunto: não será a maternidade o mais doce, perfeito, intenso, desgastante e sempre inacabado trabalho da vida de uma mulher?  Trabalho remunerado?
Sim… por uma vida de emoções! 🧡
(Dulce Delgado, 1 Maio 2022)

presenças ausentes

Apesar de pouco consciente em nós, é uma arte que está em todo o lado e todos os dias passa pela nossas mãos, seja numa revista ou jornal, nos livros que recebem o nosso olhar, na capa daquele disco compacto ou vinil que ouvimos, nas agendas em papel ou calendários que nos regem o tempo, nas caixas de medicamentos que consumimos ou nos modelos e documentos oficiais…seja nos belíssimos rótulos de garrafas de vinhos que existem actualmente ou nas inscrições que identificam qualquer produto.

Ainda mais indiferente ao nosso olhar, essa arte está igualmente naqueles flyers irritantes que sempre colocam nos nossos carros dizendo que o querem comprar…nos folhetos com promoções dos super e hipermercados que nos esperam na caixa de correio, em toda a publicidade de habitações para arrendar e vender, e ainda, na organização de conteúdos de todo o tipo de publicidade que nos chega às mãos em suporte de papel….e que, na maioria das vezes, vai directamente para a reciclagem.

O design gráfico está presente no que é palpável mas igualmente na construção das inúmeras páginas virtuais que diariamente procuramos na internet (aqui sob a forma de web design), e que foram construídas e modeladas por um olhar especializado para que a nossa experiência visual seja apelativa e mais facilmente atraída e conquistada.

São os trabalhadores escondidos da estética dos nossos dias e de certa forma de um certo “consumismo” que nos rege. Ao colocarem um título, imagem, desenho, texto ou um espaço no lugar certo, estão a construir e a atrair emoções. As nossas emoções. Diria que eles trabalham para o nosso olhar e para que os nossos dias sejam esteticamente mais agradáveis, mesmo que não tenhamos consciência desse facto.

Eles são os designers gráficos e hoje, 27 de Abril é o seu dia mundial.

Na generalidade, este post é para todos esses trabalhadores de bastidores e de pouca visibilidade. E é particularmente para a minha filha e para o seu companheiro, ambos designers gráficos e detentores de um sentido estético que muito aprecio. 🧡

Valorizemos o trabalho destes artistas-técnicos, inclusive naquelas áreas e detalhes que normalmente nos são indiferentes e que ignoramos.

liberdade de abril

Não é cravo mas é flor
Não é vermelha mas tem cor…

Nasceu na liberdade deste Abril,
vive junto a um muro que a ampara,
olha o sol
projecta sombra
é beleza…
…e leveza,
apesar das raízes
e terrena natureza.

Não é cravo mas é flor
Não é vermelha mas tem cor…

Recordando a Liberdade nascida em Abril
e que o nosso imaginar
também permitiu libertar,
escolho esta flor como símbolo do dia,
viva
vibrante
e de cor amarelo energia!

Ao 25 de Abril de 1974, dia de uma liberdade conquistada em Portugal através da Revolução dos Cravos e sempre um dia para lembrar…
…os muitos que sofreram e deram a vida pela liberdade de hoje
… os direitos e os deveres adquiridos
… a liberdade de expressão e a igualdade que se deseja
…o que somos, o que conseguimos, o que queremos e o que poderemos ser como pessoas e como comunidade
…que a nossa liberdade só tem sentido quando a liberdade do outro for respeitada
… 
… e por aqui, é também o dia de discretamente valorizar a flor silvestre, um dos detalhes da natureza que mais respira liberdade!

páscoa

Num dia em que muitas famílias se juntam para celebrar a Páscoa, muitas outras estarão dolorosamente separadas devido a uma guerra e a atrocidades inconcebíveis. Abstraindo-me da importância religiosa que a data terá para muitos, prefiro agarrar a ideia de transformação e renovação a que indirectamente a Páscoa está associada e desejar…

… que as diferenças, seja da cor da pele, de ideologia, de país, mas também de língua, tendência, gostos ou culturas não seja sinónimo de descriminação, isolamento ou guerra.

… que impere o respeito por todas as fronteiras, sejam elas físicas ou de ideias

… que o desejo de possuir e de controlar a qualquer preço seja neutralizado e banido

… que a convivência pacífica e alicerçada na diferença e no respeito se torne uma realidade entre todos

… que…

Utópico? Sim, é verdade… mas será certamente o grande desejo de muitos de nós, seja neste dia, seja em todos os outros.

Boa Páscoa!🧡

por abril

Começa Abril com o estranho “dia das mentiras” (e subsequentes verdades) e com o orgulho de ser o primeiro mês cheio de Primavera.

Entre muitos outros provérbios, a sabedoria popular diz  “em Abril águas mil” e “ao princípio e ao fim, Abril costuma ser ruim”…..bem… que venham as águas mil e até um tempo ruim, mas que a ruindade não passe disso, pois já basta a que grassa pelo mundo. Sobre isso, poderia rapidamente elaborar uma lista de más notícias, em várias áreas, de âmbito local, nacional e especialmente internacional. Mas não, não quero ir por aí neste primeiro dia de Abril, mês de bela e fluida sonoridade e de muitas energias em latência que pairam por aí….

Na Natureza…

…campos e prados estão a ficar lindos e cheios de flores!

…árvores e arbustos já exibem os novos rebentos e o desabrochar de pequenas folhas cheias de vontade de crescer;

…muitos animais estão concentrados nos seus ritos de acasalamento. Aves e insectos –  talvez os mais fáceis de observar – estão em pleno namoro. Aliás, basta observar os pombos que abundam nas nossas cidades e jardins e ver o rodopio dos machos em redor das fêmeas. Dá para perceber que pode ser bastante difícil conquistar uma mulher!

Por esta Europa…

…acredito que a energia primaveril de Abril poderá minimizar as dificuldades de integração de milhões de refugiados ucranianos especialmente neste hemisfério norte. É apenas um detalhe, é certo, mas é algo que poderá contribuir positivamente para a força dos que estão a ser ajudados e de todos aqueles que solidariamente os apoiam;

…as temperaturas de Primavera serão igualmente uma grande ajuda no controle da pandemia, seja na diminuição drástica do número de casos ainda activos, seja no regresso ao equilíbrio que tanto se deseja.

Pelos nossos dias…

… acredito que as energias de Abril – em Portugal muito associadas à ideia de Liberdade – surjam em força e em todo o seu potencial. E que no campo da criatividade, os espectáculos, as exposições e todo o género de eventos acelerem o processo de reabertura/ expansão e voltem em pleno ao vigor pré- pandemia;

…em Lisboa, já são muitos os turistas que vagueiam pelos recantos da cidade, no geral muito encalorados e vivendo o seu Verão na nossa Primavera. Entre jovens e menos jovens, é bom ver a disponibilidade que os guia e a atenção que dão a detalhes já indiferentes à rotina dos nossos olhos e dos nossos dias. São sangue novo nas artérias da cidade!

E por aqui…

…com os período de férias já definidos em Março, Abril é naturalmente um mês de fazer o balanço entre o que se gostaria de concretizar e as possibilidades reais. Um mês em que a “liberdade” fica mais próxima e o desejo de férias começa a minar o pensamento;

…Abril será o mês de aniversário do Discretamente. Seis anos será a conta. Um tempo importantíssimo na minha vida e na minha estabilidade criativa.

…por fim, habita-me um desejo maior, que creio será de todos nós: que Abril “ilumine” as mentes obscuras de alguns e seja berço daquele momento que o mundo tanto anseia: que a paz e a estabilidade regresse rapidamente a este velho continente!

Caro Abril, com a tua energia primaveril…sê um mês gentil!🤗

(Foto captada hoje, dia 1 de Abril, ao nascer do dia na zona de Belém, Lisboa)

uma imagem…

Todas as imagens contêm uma mensagem, por mais simples que seja. Outras, pelo contrário dizem-nos imenso, mesmo que num primeiro olhar impere a simplicidade.

Na imagem acima é intenso o confronto entre a máquina e o homem, seja pela forma seja no seu conteúdo…

…a modernidade do paquete vs. a simplicidade da canoa

…o grande vs. o pequeno

…o objectivo colectivo vs. o objectivo individual

…o dinamismo vs. a tranquilidade

…o força de um motor vs. a força braçal

…a confusão vs. o silêncio

…a poluição vs. o ecológico

Assim como nos meandros de um rio – neste caso do Tejo prestes a chegar à sua foz – também nos caminhos da existência humana a Vida acontece e avança gerindo confrontos, contrastes, objectivos e dinâmicas diferenciadas, adaptações constantes, lutas, modos de agir distintos, confusões ensurdecedoras, solidões, modos de estar “poluentes”, etc, etc,.

Em qualquer circunstância, a Vida simplesmente continua.

pequenas invasões

Desde ontem, em consequência da passagem da depressão Célia, assistimos à invasão de uma nuvem poluída e de cor alaranjada proveniente do norte de África formada por finas poeiras em suspensão. Um estranho “filtro” que se interpôs no exterior entre o nosso olhar e tudo o que ele abrange.

Num campo totalmente diferente, outra invasão aconteceu recentemente no terminal de Alcântara do Porto de Lisboa, quando o vimos ser ocupado por quatro gruas gigantescas de origem japonesa, as quais, segundo li, são o supra sumo em tecnologia. Além disso, o seu tamanho e funcionalidades irão permitir a atracagem de navios porta-contentores igualmente gigantes, o que até aqui não sucedia.

Isto significa que a partir de agora, o olhar de quem habita e/ou trabalha naquela área da capital e desfrutava de vista para o rio foi violado por estes quatro monstros que, em certos ângulos, abafam totalmente a bela ponte 25 de Abril. Pessoalmente, deixei de ter a sua elegância no meu olhar e passei a ter umas descomunais estruturas vermelhas e brancas que ainda não consigo aceitar. E como eu, tantos outros sentirão certamente o mesmo.

Relacionando tudo isto….

…a invasão deste respirar poluído foi por momentos metaforicamente sentida como a “materialização” da “nuvem” que se abateu ultimamente sobre a energia do mundo, algo que a minha esperança precisa de acreditar que terá um fim em breve… tal como a poeira do deserto desaparecerá e dará lugar a um bonito céu azul;

…mas nada diz a minha esperança sobre a invasão das gruas-monstros, que ficarão para sempre como intrusos na “alma” desta zona ribeirinha de Lisboa. De um dia para o outro, a minha e muitas janelas foram amputadas de uma vista que me encantava todos os dias há quarenta e um anos. E sinto-me triste por isso.

Numa época em que a palavra “invasão” assombra as nossas mentes e transformou o tempo que habitamos, este post é apenas um conjunto de pequenos detalhes e emoções associadas a essa palavra que infelizmente reentrou em força no nosso vocabulário pelas piores razões. Porém, também ficará associada a uma grande “invasão de solidariedade”!

Diria, para terminar, que ele se centra nas pequenas “invasões” inócuas que vão marcando os nossos dias…porque a vida continua para além daquela (im)possível e bárbara invasão da Ucrânia.

incompreensível

Não, esta imagem não é do dia de hoje, mas simbolicamente ela representa muito bem o negrume, a dor e a tristeza que hoje se instalou na vida de um povo, na dinâmica de um país e, indirectamente, em todos os povos e países que respeitam a liberdade, a democracia e a independência.

Sou por norma positiva, pacífica e respeitadora do espaço/ideias dos outros. Hoje porém, não sei onde está essa Dulce, pois apenas encontro uma Dulce profundamente revoltada, incrédula, com uma angústia a que não estou habituada e com perguntas prementes no pensamento:

Até onde irá esta absurda e revoltante invasão da Ucrânia?

E o que irá realmente este dia significar na vida de todos nós?