doce notícia!

Dois anos e um mês depois do Vasco ter nascido e de eu adquirir o estatuto de avó, posso agora partilhar convosco que, se tudo correr como previsto, na próxima Primavera serei duplamente avó.

A notícia foi divulgada de uma forma extremamente criativa como bem mostra o grafismo da t-shirt que o meu neto vestiu nesse dia.

Dou os meus parabéns aos papás designers pela engraçada ideia que tiveram e ao meu neto por desempenhar tão bem o papel que lhe foi atribuído neste futuro evento familiar.

Entretanto….se a alegria e a ternura que este tipo de notícia sempre envolve são uma realidade nas minhas emoções, quando a minha parte mais racional prevalece incomoda-me muito o estado do mundo onde esse bebé irá nascer e os meus netos irão crescer.

Diria que aquele optimismo “genético” que sempre me habitou está em fase de reflexão perante tanta insensatez, ganância, guerras absurdas, despotismo, etc., e pelo mais que evidente desequilíbrio ambiental que nos envolve.

Não é agradável pressentir um futuro que não gosto para os meus netos. É certo que eles aprenderão a viver nele, criarão defesas e espero que tudo façam para o melhorar.

Pela minha parte e enquanto a vida me permitir, tentarei ser aquela avó que prefere a paz e a sensatez, que respeita muito o outro e ainda mais a natureza e, especialmente, que sempre valoriza o imenso que temos e que nos rodeia.

Para já, o único e mais profundo desejo é que tudo corra bem com a futura mamã e seu rebento!

(Foto de Diana Oliveira/ André Simóes)

fotografia

Uma fotografia é uma forma mágica de “materializar” um momento que nos toca. Com ela guardamos um instante que será recordação e talvez um dia história…uma boa ou dolorosa emoção…aquele olhar que tocou o nosso sentido estético… ou um momento de sintonização com o mundo que habitamos.

As máquinas de hoje fazem-nos esquecer um pouco a magia associada ao tradicional click que sempre as caracterizou. O facilitismo técnico a que chegaram leva-nos a disparar quase automaticamente. É bom e mau porque, como bem sabemos, tudo o que é fácil torna-se banal.

Seja a fotografia o que for para cada um, neste Dia Mundial da Fotografia não posso deixar de referir o quanto aprecio esta descoberta que teve uma evolução extraordinária no tempo e que faz parte dos nossos dias. De todos os dias, através das formas mais ecléticas de a registar.

Eu tenho a minha forma de a sentir. Através dela gosto especialmente de captar os olhares e os detalhes que me dão tranquilidade… apesar de saber que o mundo real não é exactamente assim.

Com esta imagem, partilho o meu desejo de um tranquilo fim-de-semana!

regressada de férias…

…. faço nestes dias um evidente esforço para me integrar no trabalho e em certas rotinas indispensáveis, sendo certo que este tempo absurdamente quente, irrespirável e inquietante que vivemos torna tudo mais complexo. Amiúde a minha mente envolve-se em imagens refrescantes como esta obtida no final das férias, detalhe que me recorda outros momentos igualmente frescos vividos nas ultimas semanas.

Em breve voltarei também à “rotina” do Discretamente. Assim como existe uma re-adaptação ao trabalho, também com calma e discrição me sintonizarei com a blogosfera, seja como autora seja como leitora.

Tal como me desprendi de tudo nestas ultimas três semanas, também o blog foi englobado nessa “limpeza”. Esqueci-o completamente, pelo que terei que fazer uma “revisão da matéria” pois, honestamente, não me recordo o que estava em projecto ou tinha possibilidade de ser partilhável. Preciso mesmo de me encaixar nos dias…

Por hoje, limito-se a agradecer os votos de boas férias deixados por muitos de vós no último post que publiquei há três semanas. Muito obrigada a todos.

Para já, apenas posso dizer que foi um excelente período de descanso (e de um saudável cansaço também), que oportunamente partilharei convosco.

Bom resto de semana!

de férias!

Como sempre tem sucedido no meu período de férias, o Discretamente também irá descansar temporariamente para um qualquer virtual lugar longe de mim.

Esta mudança de estação levar-me-á por aí, por caminhos e descanso, entre verdes e mar, e com os sentidos bem alerta. Preciso muito de tranquilizar as emoções da vida e as preocupações com o mundo, algo que quase três semanas em contacto com a natureza deverão certamente ajudar.

Assim, neste ultimo dia de Primavera e em véspera de mudança de estação, desejo um bom Verão a uns e um tranquilo Inverno para outros. E desejo especialmente melhores noticias para o mundo e para todos nós!

Um abraço e até meados de Julho! 🤗🌳😎🌞⛱🍉

para amenizar o olhar…

Com nevoeiro ou céu azul, as gruas continuam ali impávidas e metálicas perturbando certamente muitos olhares. O meu, como já partilhei aqui, é um deles. Ponto final.

Porém…e porque há sempre um “porém” que inventamos para tentar amenizar as questões que tendem a perturbar-nos, apercebi-me há poucos dias que, quando o sol se encontra a oeste – portanto na parte da tarde – as quatro gruas-gigantes que se intrometeram no meu olhar ficam mais “simpáticas” pois adquirem uma cabeça, um rosto e, vejam só, também uma boca aberta!

É então com um sorriso um pouco amarelo a rondar-me as emoções que nessa altura do dia eu consigo ver esta parte do porto de Lisboa invadida por quatro gigantes criaturas com pernas/corpo…um enorme pescoço e, na face, talvez um grito de desespero… talvez um sorriso….não sei. Na verdade, não percebo nada sobre as emoções de gruas gigantes!

Há um provérbio que diz ”se não consegues vencê-los junta-te a eles”. Eu não me irei aliar porque definitivamente não compreendo a sua localização nesta zona de Lisboa. Apenas tento coabitar…e nessa tarefa a imaginação pode ter muita, mas muita força.

Desejo um bom fim-de-semana!🤗

coisas pequeninas

Luisa Sobral é uma cantautora portuguesa que se rege pela simplicidade e onde se sente um bater de coração em tudo o que faz. Para além de ter sido a autora do tema cantado pelo seu irmão Salvador Sobral e que permitiu a Portugal em 2017 vencer o Festival da Eurovisão, tem vários álbuns editados com temas carregados de emoções, alguns com dedicatória aos seus filhos e direccionados para um publico mais infantil.

Ao seu estilo, sempre nos alerta para aquilo que vale realmente a pena enquanto seres humanos, para o valor das emoções, o amor que a vida merece, o respeito, mas também para aquele gesto de nada que pode ser tanto no nosso dia-a-dia. É nessa linha que no final de 2021 editou um tema intitulado

Terça-feira (coisas pequeninas)

que já ouvi várias vezes no rádio e que integra o álbum Camomila composto de sete canções de embalar, cada uma dedicada a um dia da semana.

Neste desvario dos dias, das emoções pessoais, das notícias do mundo ou de uma guerra que tanto nos doi… deixemo-nos embalar por algumas das imensas “coisas pequeninas” que animam a vida, a ternura dos dias e que, sem darmos por isso, esquecemos amiúde de apreciar devidamente.

Este post associado a um momento de embalar está um pouco relacionado com a circunstância do meu neto Vasco ficar connosco quatro dias /três noites, uma estadia com uma duração bem acima da média. É nosso desejo que corra bem, mas não deixa de ser uma experiência diferente e um novo sentir para nós, para ele e especialmente para os pais, bastante necessitados de um descanso.

Entre instantes de deleite e outros eventualmente menos simples, vou vivenciar de coração aberto os momentos, os passeios, as brincadeiras, a ternura, os abraços…mas também alguma birra que possa surgir ou as três noites pior dormidas que provavelmente me esperam.

Tudo faz parte das emoções da Vida…sejam elas mais doces e “pequeninas”, sejam elas mais intensas, dolorosas ou exigentes!

Bom fim-de-semana!🌞

primeiro encontro…

Depois de dois anos e dois meses, ele apanhou-me pela garganta, ignorando basicamente o restante corpo. Como entrou? Não faço a mínima ideia! Mas gosto de pensar que talvez tenha vindo com o vento…

Apenas sei que apareceu sorrateiro com uma matinal rouquidão que deixou o meu sotaque algarvio bastante mais sexy do que o habitual. Depois, ao fim do dia deu umas suaves pancadinhas na minha cabeça, algo que foi o  suficiente para me deixar alerta e levar a  realizar um autoteste rápido de antigéno ao SARS-CoV-2.

Seguidas as instruções e após uns momentos de dúvida….lá estava uma ténue risquinha a olhar para mim. Que mais poderia fazer senão aceitar a realidade, encarar o “bicho” de frente e iniciar os trâmites obrigatórios? Foi isso que fiz.

O pensamento inicial de que iria ficar horas em espera na linha telefónica SNS 24 revelou-se falso, uma vez que fui surpreendida com um sistema automatizado para utentes com autoteste positivo de uma eficiência que me espantou. Em pouco tempo tinha comigo os códigos necessários para o teste de confirmação em clínica e para acesso à declaração de isolamento. Objectivamente, um ritual que todos se queixam de ser lento e que na passada quarta-feira foi de uma eficiência sem mácula e que me deixou extremamente orgulhosa do nosso Serviço Nacional de Saúde.

No dia seguinte…o “bicho” estava raivoso e mordendo estupidamente a metade esquerda da minha garganta como se fosse o fim do mundo. O acto inconsciente e habitual de engolir a saliva tornou-se um suplício, também porque a dor daí resultante se alongava até ao ouvido, órgão que colaborou silenciosamente na parceria. Sem saber bem o que fazer ou tomar, ainda consegui contactar o meu médico de família que me medicou devidamente.

Foi apenas ao quinto dia que o intruso resolveu dar-se por rendido, depois de uma luta cerrada e desagradável que incluiu algumas noites mal dormidas. Agora, a restante contenda será entre as minhas defesas imunitárias e a sua agonia final.

Deste encontro, resta-me o conforto de saber que, para já, não fui “ponte de passagem/transmissão” para contactos próximos. Ou seja, por aqui parece que “ele” não deixou prole!


Apesar de ter consciência que este é um assunto difícil, seja pelo número de vítimas que a pandemia causou nos últimos dois anos, seja pelas sequelas deixadas em milhões de habitantes deste planeta a todos os níveis, a verdade é que este tema entrou e ficará para sempre nas nossas vidas.

Este vírus aparecerá com variantes diferentes, mais ou menos social, mais ou menos “esfomeado”, mas teremos que viver com ele. Por tudo isso, e pelos resultados comprovados da vacinação que continua a ocorrer, talvez seja altura de começarmos a enfrentar a situação com outra atitude, maior segurança, mais racionalidade e especialmente com menos carga emotiva. E a encarar a sua presença como mais uma experiência associada a este conturbado século XXI.

Sabemos que qualquer “dor” nos pode levar a crescer e a ser mais resistentes. Pessoalmente, e restringindo-me apenas à minha sintomatologia, sei que esta experiência me levará a relativizar qualquer outra dorzinha de garganta que tenha futuramente. É pouco…quase nada…mas é uma pequena aprendizagem!

Amanhã sairei do isolamento e a vida continua. Entretanto “sr. bicho”….espero que não nos encontremos nos próximos tempos pois, apesar de não ter sido nada de grave, realmente não foi um prazer conhecê-lo!

(Versão do “intruso” desenhada por Dulce Delgado)

pela cidade

Cidade de gente apressada
cidade de gente indiferente…

Gastam passos sem sentido
passam esquinas, casas, dor
pisam pedras,
pisam gente
negam um olhar decente
ignoram que há luz e cor
e tanto para ser percebido.

Abranda o passo,
esquece o tempo por  momentos
e usa a cidade com amor,
acaricia as pedras ao andar
faz de cada esquina uma descoberta
e de cada azulejo uma obra de arte.

Deixa a cidade tocar-te,

procura no outro uma janela aberta
e põe um sorriso no seu olhar!

Poema e desenho de Dulce Delgado, ambos com mais de três décadas mas de uma temática que se mantem actual. Diria apenas que o poema revela um pouco de idealismo a mais…

 

mães

Ao dia da mãe

…da mãe que já não tenho e que se chamava Teresa,
da mãe que sempre serei…
…e de todas as mães-natureza!

E a todos aqueles dias
que não sendo dias da mãe …

…perto ou longe do olhar,
os filhos são alma
presença
coração
e um sensível respirar
que alimenta o nosso estar
como fonte de alegria
e eterna preocupação!

Este ano em Portugal, o Dia da Mãe coincide com o Dia do Trabalhador.
Poetizando e imaginando pontes entre esses dois eventos, pergunto: não será a maternidade o mais doce, perfeito, intenso, desgastante e sempre inacabado trabalho da vida de uma mulher?  Trabalho remunerado?
Sim… por uma vida de emoções! 🧡
(Dulce Delgado, 1 Maio 2022)

presenças ausentes

Apesar de pouco consciente em nós, é uma arte que está em todo o lado e todos os dias passa pela nossas mãos, seja numa revista ou jornal, nos livros que recebem o nosso olhar, na capa daquele disco compacto ou vinil que ouvimos, nas agendas em papel ou calendários que nos regem o tempo, nas caixas de medicamentos que consumimos ou nos modelos e documentos oficiais…seja nos belíssimos rótulos de garrafas de vinhos que existem actualmente ou nas inscrições que identificam qualquer produto.

Ainda mais indiferente ao nosso olhar, essa arte está igualmente naqueles flyers irritantes que sempre colocam nos nossos carros dizendo que o querem comprar…nos folhetos com promoções dos super e hipermercados que nos esperam na caixa de correio, em toda a publicidade de habitações para arrendar e vender, e ainda, na organização de conteúdos de todo o tipo de publicidade que nos chega às mãos em suporte de papel….e que, na maioria das vezes, vai directamente para a reciclagem.

O design gráfico está presente no que é palpável mas igualmente na construção das inúmeras páginas virtuais que diariamente procuramos na internet (aqui sob a forma de web design), e que foram construídas e modeladas por um olhar especializado para que a nossa experiência visual seja apelativa e mais facilmente atraída e conquistada.

São os trabalhadores escondidos da estética dos nossos dias e de certa forma de um certo “consumismo” que nos rege. Ao colocarem um título, imagem, desenho, texto ou um espaço no lugar certo, estão a construir e a atrair emoções. As nossas emoções. Diria que eles trabalham para o nosso olhar e para que os nossos dias sejam esteticamente mais agradáveis, mesmo que não tenhamos consciência desse facto.

Eles são os designers gráficos e hoje, 27 de Abril é o seu dia mundial.

Na generalidade, este post é para todos esses trabalhadores de bastidores e de pouca visibilidade. E é particularmente para a minha filha e para o seu companheiro, ambos designers gráficos e detentores de um sentido estético que muito aprecio. 🧡

Valorizemos o trabalho destes artistas-técnicos, inclusive naquelas áreas e detalhes que normalmente nos são indiferentes e que ignoramos.