lisboa… entre margens

 

2016-11-21 10.35.00

 

Inaugurada há precisamente 54 anos (1966), a sua elegância une margens e suspende sobre o rio uma belíssima obra de engenharia. Como via estruturante, a Ponte 25 de Abril é um elo de ligação e um detalhe fundamental da capital.

Diariamente, a partir da margem norte do Tejo, o meu olhar percorre-a sem se cansar…..leva-me ao cimo dos seus pilares….mergulha vertiginosamente no rio….conhece as suas dinâmicas ao longo do dia….e aprecia o seu magnífico recorte no perfil maior da cidade.

Na Lisboa de hoje, este meu olhar e o olhar de tantos outros, agradecem a sua presença, beleza e função!

 

 

 

 

genérico/ créditos finais

 

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Seja em casa ou no cinema, a visualização de um filme é um momento de partilha e uma apreciação do trabalho de todos os que nele colaboraram, apareçam ou não no écran.

Especialmente numa sala de cinema em que os créditos finais são bastante perceptíveis pela dimensão das letras, não compreendo que a maioria dos espectadores se levante e abandone a sala mal aparecem as primeiras palavras que se seguem à última cena do filme. Sistematicamente isso acontece, sendo raros os que ficam até ao fim.

Com essa atitude, não apenas tapam a vista e incomodam os que permanecem sentados e atentos ao que continua a acontecer no écran, como perdem por vezes cenas que surgem durante ou após a passagem do genérico e que dão pistas importantes ao próprio filme ou a sequelas que ele possa ter. Mas, principalmente, ignoram as pessoas que contribuíram para aquele momento de lazer que acabaram de usufruir.

Creio que esta atitude estará relacionada com a “aceleração” em que se vive…com o não pensar nos outros… mas, essencialmente, com o facilitismo que prolifera por aí.

Na verdade, tudo é fácil e um dado adquirido. Moldados neste espírito, uma grande maioria consome o imediato, o momento, o que gera estímulo. Pouco mais interessa, muito menos o trabalho dos outros.

Se esses espectadores que se levantam tivessem o seu nome no genérico, certamente ficariam até ao fim. O ego precisa de alimento… então, porque não o fazer como forma de agradecer aos outros, ao “contingente silencioso” que lhes permitiu aquele momento?

Se a leitura deste post tiver como consequência que uma única pessoa permaneça na sala, atenta, até ao final do genérico da próxima vez que for ao cinema… ele já valeu a pena.

 

 

A imagem inicial é um detalhe dos créditos finais do filme Um ano especial, realizado por Ridley Scott (2006)

 

 

comunicar…agradecer…respeitar…

 

Aproveitando a “boleia” do Dia Internacional do Obrigado que, segundo o almanaque Borda D’água /2017 se comemora hoje, 11 de Janeiro, vou divagar um pouco sobre os termos que constituem o título deste post e que, de certa forma, estão relacionadas com o termo “obrigado”.

Todos somos diferentes e detentores de uma personalidade própria e com características únicas. Essa individualidade permite-nos ter preferência por determinado modo de comunicar, sendo certo que qualquer forma coerente de o fazer deve ser aceite e respeitada pelo outro. Se uns gostam da palavra e da proximidade, haverá outros que preferem falar pelo telefone e outros ainda que são mais adeptos da palavra escrita. E haverá sempre aqueles que preferem partilhar/dar pela acção, através de ajudas, apoio, etc. O importante é que haja atenção na recepção de qualquer uma destas formas de comunicar/partilhar…e obviamente, um cuidado na resposta!

Por exemplo: apesar de normalmente não nos esquecermos de agradecer um bem material ou uma prenda, essa atitude difere muitas vezes quando se trata de algo não material mas mais direccionado para conteúdos pessoais/emocionais, apesar de estes serem igualmente “prendas”. Concretizando um pouco melhor, é simpático e educado que se responda a um postal, a uma carta (rara certamente, mas ainda há quem goste de as escrever), a um email ou a um simples sms, se o assunto em causa for de índole pessoal. Um obrigado dito por telefone, por email ou por sms demora segundos, não exige selo, nem a necessidade de levar a carta ao correio.

Esta falta de cuidado também se manifesta noutras situações. É simpático, por exemplo, dar resposta atempada ao que se disse que se faria e não deixar os outros à espera por uma, duas, três semanas, ou mesmo indefinidamente. Se por qualquer razão não se pode concretizar o que se previu em tempo oportuno, basta apenas comunica-lo, dizendo que não é possível ou que está adiado mas não esquecido. É simples, fica clarificado e com essa atitude fazemos o mais importante: respeitamos o outro e o seu espaço/tempo.

A ausência de uma resposta ou de qualquer feedback pode ser sentido como indiferença. É desagradável e até pode magoar. Neste tipo de situação não está em causa o uso objectivo do termo “obrigado”, mas sim a “obrigação” de ter uma atitude atenta e que respeite os outros.

Além disso, agradecer, dar uma resposta ou cumprir com o que se disse é, no mínimo, uma questão de educação. Uma falha pontual ou um lapso todos temos, pois faz parte da nossa condição humana. Porém… são tantas as situações em que constato um desapego, uma indiferença e uma crescente falta de atenção, que me assusta um pouco o caminho que estamos a seguir enquanto sociedade.

Mas, talvez seja eu que esteja fora de moda…

 

 

agradecer um novo dia

 

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Haverá muitas formas de o fazer, consoante as convicções, fé ou filosofia de vida; mas esse momento pode existir, apenas, como um simples acto de agradecimento.

Muitas pessoas seguramente não o fazem, agindo como se cada dia fosse um dado adquirido. Mas ele não é. Saberão isso no seu íntimo, mas deixaram que essa verdade se diluisse na inquietude e na azáfama da vida.

Pessoalmente, esse momento faz parte de cada um dos meus dias. Como um ritual. Faço-o junto a uma janela aberta virada para oriente, sentindo o ar fresco da manhã e olhando para um sol já nascido, prestes a nascer ou mesmo tapado pelas nuvens ou nevoeiro.

Partilho esse momento com um copo de água, a base de toda a vida deste planeta, que bebo tranquilamente. Através dele agradeço um novo dia para o mundo, para a natureza e para aqueles que me são queridos. E obviamente para mim, como uma pequeníssima parte desse todo.

Mesmo que os problemas me ocupem ou preocupem, aquele instante é único, limpo e de luz. Quase sagrado. Não prescindo dele e sinto-me sempre feliz naquele momento, sendo com esse espírito e energia que parto para um novo dia.

A vida merece-nos esse carinho e essa atenção.

 

 

apenas um agradecimento

 

Circular na via pública como condutor ou peão é um acto de cidadania, na medida em que pressupõe uma relação equilibrada entre o direito e o dever.

Como condutores, não custa agradecer uma prioridade que nos dão ou fazer o mesmo aos outros. É simpático e demora apenas uns parcos segundos nas 24 horas do nosso dia.

Também o dever de deixarmos passar um peão na passagem que lhe é devida, fica mais ”doce” quando do outro lado surge um agradecimento, um aceno ou um sorriso. Tudo simples, sem custo nem preço associado.

Mas a realidade muitas vezes é outra, reflectindo os desequilíbrios que nos acompanham e a competição crescente que prolifera nas nossas cidades.

É nessa linha que surgiu ultimamente uma geração de condutores que, sentados nos seus carros (muitos de gama alta, mas não só…), se comportam como seres especiais, em que a palavra dever foi absorvida pela complementar direito.

No geral são carros relativamente recentes, pertencentes a donos com indiscutível poder de compra, mas que revelam muitas vezes um comportamento incomodativo para com os restantes condutores. Geralmente andam apressados e abusam em manobras que exigem um certo respeito pelo outro. Diria que os seus “cavalos”, sejam eles mais ou menos, são para galopar, pelo que tudo o resto é secundário. Como tal, um agradecimento ou um gesto de simpatia é algo que muitos desconhecem.

Apesar de constatar isto no dia-a-dia, preciso de acreditar que, fora do seu “trono” e ao circularem ao nível dos outros numa passagem de peões, ainda serão capazes de dar um sorriso ou agradecer a quem lhes deu passagem.