colorindo lisboa

 

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Lisboa ameniza o cinzento e a inconstância desta estranha Primavera com a beleza dos jacarandás que recentemente iniciaram a floração, como um relógio da natureza que marca o tempo no colorido da cidade.

Em muitos recantos o seu lilás abraça o céu e as nuvens, noutros encosta-se aos edifícios ou delicia-se a pintar os passeios e as estradas com as flores já caídas, atraindo docemente o nosso olhar……olhar que espera que o sol apareça sem filtros e puro, para saturar as cores, contrastar a cidade e permitir apreciar esta época de uma forma mais viva e límpida.

A cor dos silenciosos jacarandás pontua e acompanha a energia e a confusão das festas da cidade e dos santos populares que agora se vive. E pontua a nossa! Afinal o reaparecimento deste lilás também significa mais um ano no livro da nossa história, no nosso corpo e nas emoções que nele vibram. E indica que a Primavera está prestes a terminar….e que brevemente outro Verão aparecerá no calendário.

Pela minha parte….

…para o ano aqui estarei mais uma vez para partilhar a minha satisfação pela sua presença nos meandros da cidade e, obviamente, nos caminhos do meu olhar!

 

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o voo da buganvília

 

No início deste blog revelei o meu gosto por buganvílias. Poucos dias depois, no começo de Maio, foi-me oferecido um exemplar desta espécie repleto de flores (post do dia 10 de Maio, intitulado Buganvilia II).

Sendo uma planta de exterior e não possuindo a minha casa uma varanda, fiquei expectante relativamente à sua adaptação/ sobrevivência, pelo que a coloquei num móvel que se encontra junto ao parapeito de uma janela que normalmente está aberta.

Duas semanas depois começou a perder as flores, que desapareceram totalmente em poucos dias. Fiquei então com uma buganvília sem flores, mas com muita esperança que a sua adaptação ainda fosse possível.

Um dia chegamos a casa e a buganvília não se encontrava no lugar. Senti um grande aperto no coração e rapidamente percebi que a sua ausência só poderia resultar do vento muito forte que se fazia sentir naquele dia… muita trepidação… pequenos deslizes sucessivos… e a buganvília só poderia ter caído do décimo andar onde vivo! Um voo de dez andares!!!

Desci rapidamente até à rua. Procurei-a e encontrei-a junto a um canteiro, perto de um pequeno monte de terra, com as raízes todas visíveis e as três hastes murchas e sem qualquer vitalidade.

Peguei nela cuidadosamente, levei-a para casa e coloquei-a em nova terra e novo vaso. Em poucas horas algumas das folhas ganharam alguma firmeza, iniciando-se a fase dos “cuidados intensivos”, com muito acompanhamento, diálogo e obviamente, um “cinto de segurança” para impedir novas quedas.

Duas das hastes conseguiram recuperar, sendo que a outra secou definitivamente. Após duas semanas, reparei que estavam a nascer novas folhas. Dias depois apareceram pequenos pontos de cor, que pareciam flores. E foram mesmo, o que se revelou uma enorme alegria para mim!

Um mês e meio após a queda, a minha buganvília estava a ficar cheia de flores e a crescer a olhos vistos. Até foi passar uns dias de férias ao Algarve, para uma varanda, estadia que seguramente lhe agradou, dada a sua evolução.

Voltou para casa e continua muito bonita, como mostra esta fotografia tirada recentemente. Parece feliz e espero que assim continue. Porque eu também estou!

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Mas, tão importante como essa alegria que sinto, é a lição que ela tem dado a todos os que a temos acompanhado nos últimos tempos: mesmo após uma grande queda, podemos dar a volta e recuperar para a vida e voltar a ser felizes. O ser vivo é, por natureza, um lutador e um sobrevivente. E se tivermos a sorte de ter alguém que goste e cuide de nós, que nos ampare e incentive nesses momentos, então a recuperação será mais provável, fácil e rápida!