disponibilidade

 

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Disponibilidade…
…é a cumplicidade
dos sentidos com a alma.

Um bem estar
que alimenta o olhar,
uma carícia
que afaga os sentidos,
a pele,
o corpo
e deixa o mundo nos tocar.

Disponibilidade
é ser
e estar inteiro
em qualquer lugar!

 

(Dulce Delgado, Outubro 2019)

 

 

 

 

o cata-vento

 

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Irrequieto,
o vento
fustiga o cata-vento,
que roda loucamente
sem parar.

Pára!
Pede o galo
do alto do cata-vento,
estou tonto,
cansado
sem norte
e farto desta sorte!

Porquê?
pergunta o vento,
num rodopio
sonoro e menos turbulento…

Porque…
não canto
não voo
não acordo ninguém
não tenho par
nem um quintal onde reinar!
E estou preso
nesta alma de metal,
fria e intemporal!

Mais calmo,
o vento soprou
com ternura
e ecoou…

Puro engano
meu amigo!

Tu és norte,
orientação,
e o corpo que me dá voz.
És o vento que o olhar mais simples
compreende,
linguagem universal
clara e sem igual.

Não voas
é certo,
mas desse lugar
podes ver mais mundo
e horizonte que muitos
a voar.

O teu “quintal” é vasto
aprecia-o com alegria.
E voa,
quando quiseres
e disso precisares.

Basta sentires
o meu afagar em teu corpo
com emoção,
ou a minha loucura
sem razão,
e  terás penas
e asas
e voos de imaginação!

Se este é o teu lugar
e destino,
não vires as costas
ao sopro que te dá vida,
sente-o simplesmente
guiando a emoção
para junto do coração!

 

(Dulce Delgado, Junho 2019)

 

 

dias de primavera

 

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São novas as energias que vagueiam na atmosfera!

Leve e docemente,
invadem os espaços tristes
que o inverno esqueceu no nosso corpo.

Suavemente,
afagam-nos a pele
amaciam as arestas dos dias frios
e a alma fica mais quente!

Como é bom espreguiçar a vida em dias de Primavera!

 

 

(Dulce Delgado, Maio 2019)

 

 

 

 

árvore-poesia

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Poesia…

…uma árvore plantada
na sensibilidade dos dias,
nascida da energia
boa ou dorida
dos afectos
e da vida.

O tronco,
será a Ideia nascida da semente
e amadurecida nas raízes…

Os ramos,
os caminhos a trilhar pelas palavras
na expressão do seu sentir…

E as folhas,
os detalhes que diferenciam
cada árvore-poesia,
pedaços de alma
que lhe dão força e energia!

 

Ao dia da Árvore, da Poesia e da Criatividade

 

(Dulce Delgado, 21 Março 2019)

 

 

 

 

aquele lugar…

 

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Ao ultrapassar a realidade, a imaginação tem algo de mágico e de maravilhoso.
Sem esforço, nessa viagem tudo alcançamos, contornamos e criamos. Os olhos da mente elaboram planos, resolvem situações, alteram comportamentos e criam lugares… por vezes maravilhosos. Certamente que haverá por aí muita imaginação menos prosaica e mais destrutiva que a minha, mas tal não interessa para o tema.

Nos meus sessenta anos de olhares, muitos sobre o céu e as nuvens, foram imensos os momentos que me cativaram e alimentaram a imaginação. Mas nunca encontrara aquele lugar já imaginado, aquele lugar de linhas desenhadas e fluídas… misto de montanha e cidade…uma espécie de mundo paralelo habitado de horizontes e de infinito….

Encontrei esse lugar, recentemente, ao amanhecer.
Estava ali, à espera do meu olhar. Fiquei parada, vidrada e maravilhada. Registei o momento com emoção e depressa percebi a sua efemeridade, porque num dos extremos, o ritmo de dispersão das nuvens era evidente. Minutos depois tudo se alterou e desapareceu. Ele não estava ali só para mim, mas eu estava sensibilizada para o encontrar.

Há momentos na vida em que um detalhe faz toda a diferença.
Por vezes, circunstâncias diversas provocam uma quebra de energia e uma maior dificuldade em manter o habitual positivismo, sendo fácil surgir o sentimento de estarmos a “atraiçoar” a nossa verdadeira natureza. Um sentir um pouco absurdo, porque somos humanos e nada é linear nem igual nesta vida. Mas nesses momentos de maior fragilidade, essa mesma Vida é perita em nos “oferecer” momentos especiais, por vezes absurdos para os outros, mas muito simbólicos para nós. Como foi este, ou outros já ocorridos na minha vida.

Ele significou que…

… não há impossíveis
… não podemos desistir de acreditar/esperar/encontrar
… é importante manter o foco, um “horizonte”, mesmo que o caminho seja por vezes mais complexo
… na altura certa aparecerá algo que nos alerta/ estimula/ questiona e ajuda
… e que é fundamental manter-mo-nos atentos, seja com o olhar, seja com a alma!

Apenas dessa forma as energias que somos e as energias que nos cercam se poderão “alinhar” para nos mostrar de infinitas e estranhas formas aquilo que precisamos de entender/aceitar em determinado momento da nossa Vida.

 

Por vezes os relógios acordam-nos à hora certa…

 

 

 

diálogo respirado

 

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– Eu respiro!
Diz o corpo

– Eu também!
Responde a alma

– Como?
Pergunta o corpo…

– Suspirando!
Responde a alma.

 

E neste suspiro-respirado libertam-se emoções… talvez inspiradas por engano, porventura nascidas das circunstâncias, do acaso ou fruto das nossas escolhas.

Suspira-se de amor… suspira-se de tédio… suspira-se por um sonho… ou apenas por uma pausa.

Um suspiro…

…é uma brisa que limpa, oxigena e acalma a alma!

 

 

(Dulce Delgado, Julho 2018)

 

 

 

 

pela areia

 

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Percorrer a beira-mar,
é afagar a fronteira entre a terra e o mar.

Caminho
de olhares que se cruzam,
de conversas
perdidas na maresia
e de memórias,
que contornam a maré cheia
e preenchem a vazia.

Deixa cada passo
uma marca na areia,
afagos
de humana energia
que suavemente se unem
sem medo de se tocar.

Marcas efémeras
que as ondas irão apagar,
e com elas levar
a doce energia
que no mar ficará
para sempre a flutuar!

 

 

(Dulce Delgado, Setembro 2017)

 

 

 

vida(s)

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Envolto em pensamentos
e ao som da respiração,
bate o coração,
lento
louco
irreverente
ou cheio de emoção.

A esse pulsar
chamamos vida,
misto de células e de energia
que um rio,
vermelho e sem foz,
alimenta com sabedoria.

Um dia,
pára o rio e o coração,
terminando essa magia
na última expiração
de um corpo,
sem vida nem reacção.

Fica a energia,
talvez a alma,
talvez  o espírito…
algo que desconheço,
mas sinto
e acredito!

Passará um tempo,
transitório,
lento
e sem memória,
até chegar a hora
da energia e da magia
iniciarem outro ciclo
e escrever uma nova história.

Novo corpo
outro coração
e outro rio…

Uma primeira inspiração
faz nascer um novo ser,
que na vida irá escolher
e aprender,
com o bem e o mal
a vitória e a derrota
o amor e a dor
o dar e o receber
o medo
o sofrimento
o arrependimento
a partilha
a paz
a felicidade
e sempre
mas sempre com a verdade!

Não,
a Vida não pode ser
apenas um único Viver!

 

(Dulce Delgado, Fevereiro 2017)

 

 

 

purificar

 

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Entre o nascer e o partir
absorvemos a vida,
como esponjas de um tempo
saboreado,
sofrido,
mas sempre vivido.

Por vezes
sentimos
que não há espaço para mais,
apetecendo depurar o corpo
purificar a alma,
retirar o que não interessa
e guardar
apenas a essência.

Então,
limpos por dentro e por fora,
voltaríamos a nascer para a vida
e para o mundo,
vivendo o aqui
e o agora,
em cada segundo
em cada minuto
e em cada hora!

 

(Dulce Delgado, Fevereiro 2017)