arte urbana

Sou uma apreciadora convicta da chamada street art, seja daquele detalhe tímido que se encontra num recanto, seja daquela obra de grande formato que ocupa uma empena, muro ou outro espaço com alguma dimensão.

Nesta matéria, como em quase tudo, existe o lado agradável e existe o lado menos bom. Este post centra-se no primeiro, em obras que considero de qualidade, já que há muito rabisco inscrito por aí sem qualquer interesse e que não representa mais do que ruído visual e falta de civismo.

Centrando-me no assunto do post:

Ao saber através da internet da existência do Mapa online de arte urbana da Amadora (cidade adjacente a Lisboa), resolvemos ir em busca das obras aí referidas, o que foi realizado em três incursões, já que a urbe é bastante grande e as obras muitas. Fomos fotografando o que mais nos agradou, fosse pela técnica, dimensão, imaginação ou até pelo humor.

Começando pela imagem que dá início a este post, é uma obra da autoria do artista português Sérgio Odeith e representa dois personagens da série televisiva americana Breaking Bad. Ele é um dos autores que mais aprecio e, sendo originário do conselho da Amadora, mais precisamente da Damaia, são várias as obras com a sua assinatura existentes nesta área.

Actualmente está mais dedicado a obras anamórficas o que significa, de uma forma muito sucinta, que são pinturas realizadas com deformações mas, quando observadas de determinado ângulo, a percepção da forma é a correcta e o que foi pintado aparece a três dimensões, ou seja, penetrando ou destacando-se das paredes. Algumas são realmente fabulosas como poderão verificar no site oficial do artista.

Tal como a imagem inicial, também a série que se segue é da sua autoria. De realçar que as duas primeiras têm algumas das características que mencionei no parágrafo anterior.

Odeith, Light music
Odeith, ?
Odeith, Fernando Pessoa, 2017
Odeith, José Afonso (2016)
Odeith, Amália Rodrigues, (2016)
Odeith – Carlos Paredes (2015)
Odeith, Vasco Santana, 2018

Desde 1989 que o município da Amadora promove um festival de BD para promoção e divulgação deste tipo de arte. Apenas a pandemia cortou esse ciclo, que este ano deverá ser retomado. Sendo um evento reconhecido e muito importante, são várias as pinturas promovidas pela Associação Portuguesa de Arte Urbana que o homenageiam. Deixo aqui uma pequena selecção de obras de vários autores, das muitas que ocupam grandes espaços na cidade.

Este ultimo conjunto de imagens que seleccionei integra obras de diferentes autores e estilos. Tal como os anteriores, também estes são portugueses e mostram muito bem a sua qualidade. 

Daniela Guerreiro
Pantónio, 2018
Regg Salgado, 2016 (Aspecto parcial da pintura)
Tamara Alves, 2019
Pedro Peixe, 2018
Caver, 2019
Estúdio Altura/Pedro Peixe, 2019

Não visitamos todos os locais possíveis e verificamos que algumas das pinturas indicadas no roteiro já não existem ou foram substituídas. Ou que outras apareceram entretanto, não estando nele mencionadas.

Por último, não posso terminar sem salientar a profunda admiração que tenho por estes artistas que pintam grandes superfícies, talvez porque tenho a noção das dificuldades que se podem sentir ao fazer algo… apenas em pequeno formato!

Esta forma de expressão é certamente uma viagem bem desafiante pelo mundo da arte!

Rui Lacas, 2009 (detalhe)

serra de carnaxide

Os dois períodos de confinamento a que fomos sujeitos em Portugal no último ano no âmbito da pandemia, concentraram o nosso olhar num circulo muito mais restrito do que o habitual. Por um lado, a casa, os detalhes, as suas janelas e o que estas nos ofereciam; e por outro, a área em que se insere a nossa residência, território que foi o limite do nosso restrito mundo durante esses meses.


Foi nesse contexto que a Serra de Carnaxide, uma pequeno maciço pertencente ao Complexo Vulcânico de Lisboa com uma área de 6 quilómetros quadrados e 211 metros de altura, foi por nós explorado em vários momentos, uma vez que a nossa residência se encontra na sua periferia.

Limitada a leste pela ribeira de Algés e a oeste pela ribeira do Jamor, é no seu cimo que passa a linha que separa os concelhos de Oeiras e da Amadora.

A área correspondente a este segundo concelho, localizado no lado norte, está a ser urbanizada e literalmente engolida por arruamentos e grandes empreendimentos habitacionais.

Infelizmente o mesmo está a suceder noutras áreas que integram o perímetro da serra, como é o caso da urbanização de grande volumetria que está a crescer em redor do pequeno maciço onde se localiza o farol da Mama de Carnaxide, este já no concelho Oeiras. Uma verdadeira dor de alma!

Já o lado sul do maciço central da serra, tal como bem revela a primeira imagem deste post, ainda mantém o seu estado natural e a flora espontânea que foi nascendo quando as terras deixaram de ser cultivadas. Algumas áreas porém, pertencentes a privados, ainda são alvo de cultivo.

São várias as colmeias que ainda existem no perímetro da serra

Por ser uma zona com nascentes, nas suas entranhas passa um aqueduto construído no séc. XVIII que forneceu a vila de Carnaxide e ainda contribuía com água para o grande Aqueduto das Águas Livres que abastecia Lisboa. Por esse motivo são várias as claraboias/respiradouros que pontuam esta serra e que muito a personalizam. A Mãe de Água é a estrutura de maior dimensão e de planta octogonal.

Em Carnaxide a água era recebida neste chafariz, datado de 1766 e mandado construir pelo rei D. José I. A primeira imagem mostra o seu alçado principal, em cantaria e equipado com duas bicas e um tanque; e a outra o alçado posterior com revestimento em azulejos, que creio serem já do séc. XX.

Voltando à serra e aos nossos passeios, foram muitos os atalhos que percorremos e exploramos…muitas subidas e descidas…por zonas abertas ou de densa vegetação…com ampla vista ou sem ela.
Cada incursão significou um novo caminho, mas em todos foram imensas as flores e os insectos que nos acompanharam e deleitaram o olhar.

No céu, em voos planados, as aves de rapinas estiveram presentes em vários momentos.

Por isso termino com esta bonita imagem de uma Águia d’asa redonda (Buteo buteo) captada pelo meu companheiro. Creio ser uma boa forma de concluir este post…por esses voos representarem aquela liberdade sem restrições que nós realmente não tínhamos.

Foto de Jorge Oliveira