experimentações #7

 

julho 77 mais leve b

 

Vivia um tempo em que as emoções me tocavam de uma forma muito nova, sendo igualmente nova a tentativa de tentar compreender a nossa existência, escolhas, caminho e evolução por uma via mais espiritualista e esotérica.

Leituras, conversas e amizades estavam muito associadas a essa via, que também acabou por ser temática de muitos desenhos então elaborados.

 

Abril 78 mais leve b

 

(Dulce Delgado, lápis sobre papel, 1977)

 

 

 

 

sem descanso

 

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Uma
duas
três
dezenas
centenas
talvez milhares
de seres
e olhares,
de olás
bons dias
boas tardes
ou até já(s)!

Elas vão
e vêm,
rápidas
orientadas
concentradas
e carregadas…

…de tesouros,
talvez de clamores…
talvez de desamores…
talvez apenas do cansaço
de uma vida
dura
sem tempo
nem paragens
e de infinitas viagens.

Será…

…o efémero encontro
no instante de um cruzar
um abraço de amizade?
De afecto e solidariedade?
Cumplicidade?
Felicidade?

Ou apenas um pedido de ajuda…

É a vida
de uma
duas
três
dezenas
centenas
milhares
de estranhas
e incríveis formigas!

 

(Dulce Delgado, Agosto 2019 )

 

 

 

 

the only living boy in new york…

 

 

A frase que dá título a este post foi um dos temas do álbum Bridge over troubled water editado em 1970 pela dupla Simon and Garfunkel. Mas The only living boy in New York é também o título do último filme realizado por Marc Webb, agora em exibição nos cinemas.

Conta uma história simples, com princípio, meio e um inesperado fim, como convém a uma boa história. Fala de gente maioritariamente honesta e genuína, e fala de amor, de vários tipos de amor, seja do que se sente e mostra, do que flui no sangue e não se mostra, daquele que se dá porque mais não se pode dar, do amor vivido à distância, ou ainda do que ficou para trás e aí continua… à espera. Fala de amor, de amizade e de afectos.

É uma história-surpresa desempenhada por um grupo de actores jovens e menos jovens, como Callum Turner ou Jeff Bridges, que se desenrola ao som de numa excelente banda sonora. Pelo encadeamento, dinâmica das cenas e tipo de diálogos, pontualmente fez-me lembrar as películas de Woody Allen.

Diria que é um  filme “sem nada de especial”, mas que proporciona um momento agradável e nos faz sentir bem. Simplesmente isso.

Sendo essa uma boa sensação, deixo a sugestão!

 

 

 

conforto… aconchego…

 

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Aquele calor inspirador
que nos abraça,
ou o doce
odor,
que das paredes
extravasa.

A quietude de uma paz
interior,
ou a asa,
que no ar esvoaça
e nos protege com amor.

Conforto… aconchego…

Para alguns,
uma fria
distante
e dolorosa miragem.

Para outros,
a doce aragem
que ampara como um amigo,
e ajuda a perceber
o valor
de um porto de abrigo!

 

 

(Dulce Delgado, Novembro 2017)