poema ao novo tempo

 

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Quero um poema
puro
simples
e humano,
para receber o Novo Ano.

Quero-o límpido
diáfano
de luz,
doce de sentir
e fácil de espalhar,
com o meu
o teu
e o nosso olhar.

E com ele sermos faróis
fontes de luz
e de paz,
capazes de iluminar
as névoas que sempre
pairam
neste imenso habitar.

Não,
não é utopia,
apenas um desejo
semente
a receber um novo tempo,
para cultivar com amor
regar
e cuidar em cada dia!

 

Que 2018 revele o que profundamente desejam para vós e para o mundo!

 

 

(Dulce Delgado… no último dia de Dezembro de 2017!)

 

 

 

 

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the only living boy in new york…

 

 

A frase que dá título a este post foi um dos temas do álbum Bridge over troubled water editado em 1970 pela dupla Simon and Garfunkel. Mas The only living boy in New York é também o título do último filme realizado por Marc Webb, agora em exibição nos cinemas.

Conta uma história simples, com princípio, meio e um inesperado fim, como convém a uma boa história. Fala de gente maioritariamente honesta e genuína, e fala de amor, de vários tipos de amor, seja do que se sente e mostra, do que flui no sangue e não se mostra, daquele que se dá porque mais não se pode dar, do amor vivido à distância, ou ainda do que ficou para trás e aí continua… à espera. Fala de amor, de amizade e de afectos.

É uma história-surpresa desempenhada por um grupo de actores jovens e menos jovens, como Callum Turner ou Jeff Bridges, que se desenrola ao som de numa excelente banda sonora. Pelo encadeamento, dinâmica das cenas e tipo de diálogos, pontualmente fez-me lembrar as películas de Woody Allen.

Diria que é um  filme “sem nada de especial”, mas que proporciona um momento agradável e nos faz sentir bem. Simplesmente isso.

Sendo essa uma boa sensação, deixo a sugestão!

 

 

 

conforto… aconchego…

 

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Aquele calor inspirador
que nos abraça,
ou o doce
odor,
que das paredes
extravasa.

A quietude de uma paz
interior,
ou a asa,
que no ar esvoaça
e nos protege com amor.

Conforto… aconchego…

Para alguns,
uma fria
distante
e dolorosa miragem.

Para outros,
a doce aragem
que ampara como um amigo,
e ajuda a perceber
o valor
de um porto de abrigo!

 

 

(Dulce Delgado, Novembro 2017)

 

 

 

sonhar é…

 

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… um profundo respirar da mente,
que uns assumem sem receio
e outros escondem eficazmente!

… a humana e ilusória capacidade
de tudo conseguir alcançar!

…adoçar a realidade,
inventando um lugar,
mágico e lindo,
que se esfuma com facilidade!

… insistir nas expectativas,
e chegar à conclusão
que são sinónimo de desilusão!

…  criar e destruir, avançar e recuar,
sem efeitos, sem mácula
e sem sair do mesmo lugar!

… uma forma da fragilidade contornar.
Sem esforço somos heróis,
donos de sete sóis
e de muitos castelos no ar!

 

E sonhar é ainda…

…viajar sem sair do lugar
…imaginar um mundo sem dor
…escrever no ar palavras que vamos calar
…dar tudo, sem medo sentir…

…e é acreditar sempre, mas sempre no Amor!

 

(Dulce Delgado, Janeiro 2017)

 

 

leonard cohen

 

 

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“Chegámos a um tempo em que somos tão velhos que os nossos corpos se desfazem; penso que serei o próximo, dentro em pouco. Quero que saibas que estou tão próximo de ti que, se estenderes a mão, talvez possas tocar a minha. Sabes que sempre amei a tua beleza e sabedoria, mas não preciso de discorrer sobre isso porque já sabes de tudo perfeitamente. Quero apenas desejar-te boa viagem. Adeus, velha amiga. Todo o amor, encontramo-nos no caminho.”

 

Foram estas as palavras que Leonard Cohen escreveu e que Marianne Ihlen ouviu antes de falecer em Julho passado. Esta norueguesa foi a musa que o inspirou em muitos temas, nomeadamente em So long, Marianne.

Viveu com ela na Grécia durante alguns anos, afastaram-se porque ele não resistia a uma mulher bonita…mas ela, foi sempre o seu grande amor.

Leonard Cohen morreu na passada quinta-feira. Gosto de pensar que ele e Marianne se irão encontrar brevemente … algures… no tal caminho… para, sem tentações nem desencontros, continuarem o seu amor.

E nós, ficaremos com a memória de uma voz inconfundível, com as suas emoções, ideias, palavras e belas músicas… e ainda com a sua imagem, única e cheia de charme… para ir serenamente apreciando neste nosso caminho!

 

Imagem retirada de  http://catswithoutdogs.blogspot.pt/2016_07_01_archive.html

 

as ondas…

 

…de longe deslizam
suavemente
sobre o mar,
talvez na ideia
de um amor encontrar.

Abraçam a praia
com uma carícia de espuma branca
leve e refrescante,
delícia sentida
por uma areia expectante.

Fundem-se a onda e a areia
à beira-mar,
palco único
e eternamente escolhido,
para tão bela forma de amar!

 

(Dulce Delgado, Julho, 2016)