vida respirada

 

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Perceber o que é Viver,
este Estar
e este Ser,
é tudo o que queremos saber.

Gosto de sentir a Vida
como um acto de respirar,
como um fôlego que entra em nós,
alimenta
cresce
e vai,
para um dia talvez voltar.

A vida seria então um profundo inspirar …

…de sensações sentidas
entre a dor e o amor,
de saberes e presenças
momentos e experiências,
e da emoção,
talvez longa
talvez efémera
de estar nesta construção.

E seria um expirar…

…de pensamentos viajantes,
palavras ditas no ar
sorrisos ténues ou vibrantes,
e de gestos,
de tantos e tantos gestos que são nossos
sem pensar!

Inspirar… Expirar…RESPIRAR…

E no fluir deste Respirar
somos Vida,
resistência
luta
partilha
afectos,
e solidão também.

Mas mais do que tudo
somos,
uma sublime energia
vivendo a aventura
deste acto de magia!

Eu,
tu
e todos nós!

 

 

(Dulce Delgado, Abril 2018)

 

 

 

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olá, primavera!

 

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O calendário da natureza vive da passagem das estações e hoje, no hemisfério norte, mais uma vez iremos assistir à chegada da Primavera, evento que ocorrerá exactamente às 16 horas e 15 minutos.

Para a receber condignamente, as abundantes chuvas com que Março nos tem presenteado deram uma pequena trégua, estando previsto o reaparecimento do sol a partir do meio da manhã, para quebrar a humidade e o cinzento das últimas semanas.

Na natureza, voltam a expandir-se as energias do renascimento e da procriação entre espécies. E será o tempo da sedução, do namoro e dos afectos sentidos e partilhados. O tempo do Amor.

Hoje detenho-me nesta última palavra, ou não seja a imagem que escolhi o detalhe de um vaso de “amores-perfeitos” que me foi oferecido por uma amiga de infância da minha filha, uma bióloga com a natureza no sangue, que os elegeu como forma de agradecer uma lembrança dada pelo seu casamento. Eles são o simbolismo de um amor, estão plenos de vigor e, visivelmente felizes, partilham a sua beleza com a vista da minha janela.

Gosto da ideia de começar a Primavera com estes “amores-perfeitos” por perto, apesar de não acreditar em amores perfeitos. Acredito em amores trabalhados, amores construídos e amores partilhados no dia-a-dia. Com risos e com momentos difíceis. Com verdade e respeito. E com muitas palavras ditas, porque há palavras que não devem ficar guardadas sob pena de se transformarem em mágoas. E acredito nos momentos de felicidade sentidos nos amores imperfeitos!

Nesta renascida Primavera, a trilogia “amor-sentir-energia” irá manifestar-se em cada um de nós de acordo com a passagem do tempo pelas nossas vidas, ou melhor, consoante o número de Primaveras já vividas. Nos mais novos, estará mais presente na vitalidade dos corpos, dos afectos e dos sentidos. Na minha idade, eu diria que ela entra pela pele e pelo olhar, alimenta o fervilhar das ideias que querem ser, intensifica a vontade de partilha, reanima a necessidade de viver mais intensamente o exterior e a natureza, e como consequência, o gosto em observar a vida em ebulição que nela renasce em cada recanto.

Que mais poderemos querer?

 

Por tudo isto, que seja essencialmente um tempo de descoberta e de renovação!

(Para outros, que este equinócio se revele um refrescante e aconchegante Outono!)

 

 

 

poema ao novo tempo

 

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Quero um poema
puro
simples
e humano,
para receber o Novo Ano.

Quero-o límpido
diáfano
de luz,
doce de sentir
e fácil de espalhar,
com o meu
o teu
e o nosso olhar.

E com ele sermos faróis
fontes de luz
e de paz,
capazes de iluminar
as névoas que sempre
pairam
neste imenso habitar.

Não,
não é utopia,
apenas um desejo
semente
a receber um novo tempo,
para cultivar com amor
regar
e cuidar em cada dia!

 

Que 2018 revele o que profundamente desejam para vós e para o mundo!

 

 

(Dulce Delgado… no último dia de Dezembro de 2017!)

 

 

 

 

the only living boy in new york…

 

 

A frase que dá título a este post foi um dos temas do álbum Bridge over troubled water editado em 1970 pela dupla Simon and Garfunkel. Mas The only living boy in New York é também o título do último filme realizado por Marc Webb, agora em exibição nos cinemas.

Conta uma história simples, com princípio, meio e um inesperado fim, como convém a uma boa história. Fala de gente maioritariamente honesta e genuína, e fala de amor, de vários tipos de amor, seja do que se sente e mostra, do que flui no sangue e não se mostra, daquele que se dá porque mais não se pode dar, do amor vivido à distância, ou ainda do que ficou para trás e aí continua… à espera. Fala de amor, de amizade e de afectos.

É uma história-surpresa desempenhada por um grupo de actores jovens e menos jovens, como Callum Turner ou Jeff Bridges, que se desenrola ao som de numa excelente banda sonora. Pelo encadeamento, dinâmica das cenas e tipo de diálogos, pontualmente fez-me lembrar as películas de Woody Allen.

Diria que é um  filme “sem nada de especial”, mas que proporciona um momento agradável e nos faz sentir bem. Simplesmente isso.

Sendo essa uma boa sensação, deixo a sugestão!

 

 

 

conforto… aconchego…

 

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Aquele calor inspirador
que nos abraça,
ou o doce
odor,
que das paredes
extravasa.

A quietude de uma paz
interior,
ou a asa,
que no ar esvoaça
e nos protege com amor.

Conforto… aconchego…

Para alguns,
uma fria
distante
e dolorosa miragem.

Para outros,
a doce aragem
que ampara como um amigo,
e ajuda a perceber
o valor
de um porto de abrigo!

 

 

(Dulce Delgado, Novembro 2017)

 

 

 

sonhar é…

 

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… um profundo respirar da mente,
que uns assumem sem receio
e outros escondem eficazmente!

… a humana e ilusória capacidade
de tudo conseguir alcançar!

…adoçar a realidade,
inventando um lugar,
mágico e lindo,
que se esfuma com facilidade!

… insistir nas expectativas,
e chegar à conclusão
que são sinónimo de desilusão!

…  criar e destruir, avançar e recuar,
sem efeitos, sem mácula
e sem sair do mesmo lugar!

… uma forma da fragilidade contornar.
Sem esforço somos heróis,
donos de sete sóis
e de muitos castelos no ar!

 

E sonhar é ainda…

…viajar sem sair do lugar
…imaginar um mundo sem dor
…escrever no ar palavras que vamos calar
…dar tudo, sem medo sentir…

…e é acreditar sempre, mas sempre no Amor!

 

(Dulce Delgado, Janeiro 2017)