olá verão!

 

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A repetição dos ciclos da natureza marca o tempo da nossa vida. Entre um solstício e outro passam seis meses…até ao seguinte outros seis….o que na prática significa um ano que fluiu em nós como um vento, por vezes brisa, por vezes vendaval.

Hoje, no hemisfério norte, damos as boas vindas a um novo Verão e ao dia com mais horas de luz do ano. Para outros será o oposto. E para os que vivem nos extremos norte e sul desta belíssima esfera viajante do espaço, haverá respectivamente 24 horas de sol ou 24 horas de sombra.

Nesse instante que acontece precisamente às 11h 07m de hoje, os sensores da pele e da retina de quem habita nos quatro “cantos do mundo” estarão a receber informações totalmente diferentes. A relatividade da vida está aqui bem expressa: todos estamos certos, sentindo sensações diferentes ou até opostas!
Que bom seria que esta constatação fosse bem mais ampla e abrangesse outros campos que separam a humanidade! Ou que a diversidade fosse tão naturalmente aceite!

Voltando ao tema de hoje, e ao Verão…

…nos últimos dias, uma irrequieta e instável Primavera foi surpreendida por um calor repentino, abafado, tropical e que deixou o ar quase irrespirável. O corpo não apreciou tão brusca mudança e relaxou. O cérebro, pelo contrário, activou as sinapses e os processos do pensamento mas, curiosamente, orientando-os apenas numa direcção: vontade de férias e de descanso!

Sendo o Verão um tempo de energias positivas, simbolicamente um tempo em que a luz supera as trevas, que essa imagem seja nossa mentora mesmo quando cansados e precisando urgentemente de parar e de descansar. Que se reflicta nas pequenas coisas, no detalhe, na vontade de sentir, de estar, de partilhar. De dar algo.

É esse o desejo que me acompanha hoje…aqui… neste cantinho europeu… neste recanto do mundo…neste Universo infinito em que somos apenas um ínfimo ponto….

…e neste dia em que o Verão decidiu nascer cinzento, ventoso e chuvoso em Portugal!

 

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A vida é sempre uma surpresa!

Para uns, que seja um bom Verão…e para outros um Inverno de aconchego!

 

 

 

 

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a agenda…

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No primeiro dia de Janeiro de 2018, vivi mais uma vez o ritual da nova agenda. Em papel, como gosto. Agenda escolhida com cuidado, com espaço suficiente para registar o que o futuro gostará de saber, seja algo emocionante ou inquietante…

…há dados que se mantêm todos os anos, como aniversários e outras datas que a memória poderia esquecer. Mas outros existem que a agenda recebe, com surpresa, e curiosa de entender;

…uma agenda do passado tem sempre razão porque, quando era presente, recebeu verdades neutras ou cheias de emoção;

…aconchegada entre agendas guardo numa gaveta uma boa parte da minha vida. Um recanto de memórias que não voaram com o tempo, muitas vezes úteis, por vezes inúteis, mas sempre uma fonte de histórias;

…estranho… é não saber se uma agenda chegará ao fim… ou se haverá uma próxima esperando por mim!

 

Voltando a esse dia e a esse ritual que aprecio …

…diria que preparar uma agenda para um novo ano é um momento solitário vivido num dia essencialmente de alegria e de convívio. É um tempo partilhado com algo que receberá diariamente a minha atenção e o meu olhar, passará pelas minhas mãos e guardará alguma da minha energia. Tranquilamente e sem contestar;

…é uma forma objectiva e peculiar de dar as boas-vindas ao “tempo novo” e “em branco” que me é oferecido, mesmo sem ser pedido;

…revela-se como um dos momentos interessantes de olharmos a nossa Vida como algo especial e bem mais abrangente que os 365 dias que supostamente temos pela frente. Porque, sendo cada um de nós um pequeno microcosmos e um pouquinho da energia que forma este Todo, material e imaterial, temos o dever e a obrigação de tentar o mais possível estar em sintonia com as energias e com a “agenda” deste tão amplo Universo.

 

Que outro sentido e objectivo poderiam ter o Tempo, e a nossa Vida, senão esse?

 

 

 

primeiro ano

 

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Faz hoje precisamente um ano que publiquei o primeiro post neste espaço, facto que me merece alguma atenção.

Discretamente tenho tentado “alimentá-lo” de forma variada, de acordo com o que observo, penso e sinto, mas não só, porque ao estar inserida numa sociedade em constante transformação e pródiga em acontecimentos, de uma forma ou de outra alguns detalhes do mundo acabam por estar presentes.

Mais importante do que o número de seguidores ou de posts publicados, de visualizações, número de likes ou de comentários partilhados, é o que ele tem significado para mim, tendo em conta a forma como então justifiquei a sua criação. Nessa altura escrevi …”Talvez porque os anos estão a passar tão rápido quanto os dias, senti necessidade de estruturar o que me caracteriza. Não tenho planos a cumprir...”

É essa palavra “estruturar” que sintetiza o que se passou neste último ano, porque encaro agora este espaço como o meio que me faltava para dar forma e organizar o que estava latente mas não conseguia “agarrar” coerentemente. Ele está a permiti-lo, porque me “obrigou” a objectivar aqueles pensamentos que surgiam e que no momento seguinte se perdiam, a materializar a imaginação que me constrói ou, ainda, a partilhar algumas das emoções que sinto ou lugares a que a curiosidade me leva. Hoje, há textos, poemas, desenhos ou fotografias que não vão para a gaveta e naturalmente são partilhados. E isso tem sido muito bom!

Reaprendi a estar mais atenta, atitude que ficara parcialmente esquecida com o passar dos anos e das rotinas a que somos obrigados e que sempre criam raízes em nós. Tenho hoje a sensação que aquele “olhar” interior e exterior que a todos alimenta, não apenas é mais abrangente como está mais focado e é melhor aproveitado.

Este período permitiu-me ainda organizar os dias de uma forma mais racional porque, apesar das solicitações serem semelhantes, o tempo necessário para publicar 174 posts apareceu…não sei bem como! Obviamente que muitas horas de sono não foram cumpridas, mas sinto que conquistei muito tempo à vida.

Por último, proporcionou-me uma gratificante viagem pela blogosfera, ao facilitar o acesso a páginas de áreas e conteúdos muito variados, algumas literáriamente excelentes. Estou certa que todas serão fruto do empenhamento de pessoas que, como eu e dando o seu melhor, encontraram uma forma de se expressar e de partilha.

Estou grata a todos aqueles que, de uma forma mais ou menos activa e através do blog ou fora dele, me têm incentivado ao longo deste ultimo ano. Será por mim e por eles, que espero continuar. Assim  a vida o permita.

 

 

 

borda d’água

 

Equinócio de Outono a 22 de Setembro às 15h 21m….
Lua cheia às 20h 05m….
Eclipse penumbral da lua a 16 de Setembro….
Dia Internacional dos Assistentes Virtuais…
Dia de S.Crescêncio e de Sta Anastácia….
Tempo instável….tempo variado…
Enxertar damasqueiros, cidreiras…..no jardim, semear amores-perfeitos…

 

Capturar

São estas e outras informações de um leque bem mais vasto, que o almanaque Borda d’Água disponibiliza há oitenta e sete anos. Sou fã desse folheto porque, de certa forma, ele simboliza o outro lado desta nossa sociedade em que o virtual e o electrónico tem o primado.

Compreendo que para esta nova geração ele não tenha sentido. Talvez o possa ter apenas pelo seu estilo retro, na medida em que é uma publicação de hoje com características e design do passado. No geral, já não lhes interessa saber em que fase está a lua ou qual é a altura ideal para plantar a salsa ou as batatas. A lua não lhes dá nada de objectivo e a salsa ou as batatas compram-se no supermercado. Aliás, para uma grande maioria (porque felizmente há sempre excepções!) o seu olhar apenas é cativado para o conteúdo dos pequenos écrans dos iphones e smartfhones, e já não perdem tempo a olhar para o céu. Muito menos lhes interessará saber que é dia de S. João Nepomoceno, de S. Atanásio ou de Sta Eufrosina, ou ainda que é Dia Nacional dos Moinhos, dia Mundial do Olá ou Dia Internacional da Voz. Também é certo que a previsão meteorológica dada pela app do meteo será bem mais fiável do que o “tempo variado ou instável” do Borda d’Água.

Eu também não planto batatas nem salsa e vou ao site do IPMA ver o tempo, mas aprecio especialmente a “poesia” do Borda d’Água!

Logo nos primeiros dias de Janeiro, começo por gostar de lhe cortar as páginas que vêm unidas, numa espécie de ritual de saudação ao novo ano que está a começar; gosto dos sons das palavras que emprega, tantas já fora do nosso vocabulário; gosto dos estranhos nomes dos santos atribuídos a cada dia do ano, ou quando ele indica que o tempo vai estar chuvoso e eu olho para a janela e o dia está lindo; gosto da linguagem deliciosa das suas previsões astrológicas para o ano a que se refere, ou ainda, no oráculo de cada mês, a forma como descreve cada signo e diz, por exemplo, que as mulheres de Maio, “são formosas e bem proporcionadas, meigas e sensíveis….”, ou que os homens de Julho são “…altivos, orgulhosos e valentes, generosos, boas maneiras e boa figura”; gosto de saber que existem dias mundiais de tudo e mais alguma coisa, que aquela figura histórica, poeta ou artista nasceu ou faleceu naquele dia (muitas vezes, o Google também os recorda na sua página inicial); gosto de saber que as pessoas que não conheço e que vivem nos recantos deste pequeno país, como por exemplo, no concelho das Lajes das Flores ou em Amares, têm feriado em determinado dia e que, por isso, estão cheias de sorte e não vão trabalhar; e gosto ainda de muitas outras coisas que ele nos conta por apenas 2,10 euros/ano!

Mas gosto especialmente de o ter no meu placard e de lhe dar uma olhadela pela manhã antes de sair de casa ou sempre que me apetece. Porque todos os dias tem algo para me dizer ou fazer sorrir!