ondas

 

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Uma onda…
outra…
e outra mais…
muitas ondas…

Linhas deslizantes
que se cruzam
neutralizam
e ultrapassam
no tempo de um olhar.

Desejos fluidos
do mar
nascidos em cada instante,
seja ao longe
na linha do horizonte,
ou aqui,
na beira deste lugar
tão fácil de eu amar!

Uma onda…
outra onda…

Serão as ondas
as mãos do mar
que acariciam a beira-mar?

 

 

(Dulce Delgado, Outubro 2018)

 

 

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ria formosa III

 

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Voltando a este lugar…

No primeiro post publicado sobre este tema optei por dar informações gerais… no seguinte, o meu olhar percorreu a paisagem a nível do horizonte… e hoje, para concluir, irei centrar-me na beira-mar e nos seus areais, pelo que as imagens serão essencialmente detalhes de uma região que vive do dinamismo das marés.

Entre os extremos destes fluxos passam seis horas e alguns minutos, sendo estes últimos variáveis. É assim neste planeta que habitamos, seja aqui ou em qualquer outro lugar junto ao mar. Em Julho, apesar das marés serem mortas, o facto desta área natural possuir grandes bancos de areia permite sentir bem os seus extremos.

 

Maré vazia…

Nesse recuo, são variadas as formas que o mar escolhe para se despedir da areia…

 

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Para além dessas aleatórias marcas, ele aproveita os recursos que tem à mão e naturalmente “desenha” na areia suaves linhas ou manchas de maior densidade e visibilidade.

 

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Nesse tempo de aparente paragem o mar permite o descanso das formas, seja em silenciosa solidão ou em caos partilhado…

 

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Algumas horas depois do início da vazante, o calor do sol seca a “pele da areia” fazendo nascer novos grafismos. Por outro lado, aqui e ali, surgem marcas reveladoras da passagem de humanos.

 

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Um segundo…

Será um segundo o tempo que separa o final de uma maré e o início de outra. No relógio. Talvez exista mesmo um período de quietude e de nada, mas à beira-mar esse momento é imperceptível. Porém, com um pouco de imaginação e pela calmaria das águas, vamos supor que seria o instante da imagem que se segue…

 

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Algum tempo depois, a subida das águas começa a ser visível de variadas formas, seja através das pequenas ondas e das espécies que vêm embaladas por esse fluxo…

 

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…seja no efeito de ondas mais activas que fazem surgir bolhas resultantes do ar que entretanto se infiltrara na porosidade da areia.

 

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Em zonas de ria, em que os fluxos são mais passivos, a subida da maré pode ser acompanhada pelo contínuo arrastamento de finas placas de areia na superfície liquida…como pequenas nuvens em andamento que vão projectando a sua sombra no fundo arenoso…

 

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E assim, ao ritmo da terra, da lua e do mar, a maré vai tranquilamente enchendo. E depois voltará a baixar, sem cansaço nem atrasos.

Enquanto isto… maré após maré…dia após dia…talvez todos os dias do ano…

…na areia seca, as carochas deambulavam sem parar, de declive em declive, até o meu olhar as perder de vista.

Que procuram?… Para onde vão?… Encontrarão a família?…

 

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Mas a carocha da imagem seguinte era especial e determinada. Por isso termino o post com a sua companhia.

Subia…e caía…subia e voltava a cair…e subia e caía novamente…

E ali ficou, naquela luta, insistindo, na tentativa de chegar a algo….

 

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Senti-a tão humana e tão parecida connosco!!

 

 

 

(Dulce Delgado, Outubro 2018)

 

 

 

partilha

 

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Era uma vez um bivalve pequenino, com genes de ostra.

Teve a sorte de não ser apanhado por um peixe enquanto andou livre, ao sabor das correntes ou nos fundos arenosos. Depois cresceu um pouco, chegando o momento de parar e talvez de se fixar a algo para as suas conchas desenvolver. Muito perto desse lugar estaria um búzio vazio, sem alma nem gente.

A nossa ostra começou a crescer e, nesse expandir de camadas estava a entrada do búzio. Então…porque não aproveitar e ali depositar algum carbonato de cálcio? Uma casa com anexo, não é privilégio de muitos bivalves!

Aproveitou a oportunidade…cresceu…cresceu um pouco mais…o tempo passou… e um dia, a vida que guardava….morreu!

O tempo não parou, porque o tempo nunca pára.

Naturalmente, o mar e as marés fizeram o resto separando as duas partes da ostra, que se afastaram para sempre. Uma ficou só e só estará neste mundo.

Esta não. Agarrada ao búzio, viajaram pelo mar. Muito…pouco…ninguém saberá!

Num dia do mês de Julho de 2018, as ondas do Atlântico deixaram-nas a descansar durante a maré baixa no vasto areal da ilha de Tavira, na Ria Formosa. E aqui entro eu na história…

…ao passear pela beira-mar, vi este conjunto e fiquei encantada não com a sua beleza mas com tão estranha partilha. Agarrei-a com carinho, logo com o intuito de a oferecer a uma amiga bióloga e coleccionadora de conchas, que a recebeu com muito agrado e me explicou, com mais exemplos, o processo que leva a esta partilha de corpos.

Todas as histórias têm um final. Se este é feliz…eu não sei!

Porque…

…talvez este par tivesse preferido ficar naquela beira-mar e deixar que o tempo, a natureza, um instante ou uma onda quebrasse o elo que o une… ou, quem sabe…

..talvez esteja feliz com esta inesperada longevidade, num conforto partilhada com muitas da sua família.

 

Seja qual for a verdade, obrigada Lília pelas explicações e…cuida bem deste par!

 

 

 

ao mar do meu olhar…

 

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…neste Dia Nacional do Mar!

Este poema é um “mar-divagar” pessoal e nada diz sobre a real importância deste elemento na vida de todos os portugueses. O mar é a nossa história, o nosso percurso e estou certa que será uma parte fundamental do nosso futuro.
Pretende-se apenas que, neste dia, cada um relembre o seu próprio Mar!

 

Mar,
de longo e infinito olhar
onde é fácil imaginar
aquele lado da vida
que a vida não nos quer dar.

Horizonte de poesia
que me leva a passear,
deixando os pensamentos
profundos
ou em fragmentos,
pelas águas navegar.

Uns mergulham nas ondas
e ficarão sempre a nadar,
outros preferem voar
levados por um véu de água
que se evapora no ar,
e muitos,
felizes e sem mágoa,
diluem-se na branca espuma
que na areia vai descansar.

Tranquilamente,
percorro a beira-mar…

…talvez a procurar
um pensamento
meu,
escondido numa concha,
morando no coração
de um búzio,
ou dormindo na areia
que os meus pés estão a pisar!

 

(Dulce Delgado, Novembro 2017)

 

 

pela areia

 

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Percorrer a beira-mar,
é afagar a fronteira entre a terra e o mar.

Caminho
de olhares que se cruzam,
de conversas
perdidas na maresia
e de memórias,
que contornam a maré cheia
e preenchem a vazia.

Deixa cada passo
uma marca na areia,
afagos
de humana energia
que suavemente se unem
sem medo de se tocar.

Marcas efémeras
que as ondas irão apagar,
e com elas levar
a doce energia
que no mar ficará
para sempre a flutuar!

 

 

(Dulce Delgado, Setembro 2017)

 

 

 

olhar neblina

 

nebla

 

Atraente,
espreguiça-se a praia pela beira-mar
levando consigo o meu olhar.

E ele vai,
leve
livre
feliz
voando pelo ar
ou nas ondas a saltitar.

Ao longe,
encontra as neblinas
e com elas se envolve
num breve dançar.

Muito breve…

…depressa ele se esfuma
na magia do ar,
perdendo-se
na luz
na maresia
e no amar,
belo e com sabor a sal,
que une a areia e o infinito mar!

 

 

(Dulce Delgado, Agosto 2017)

 

 

pela beira-mar…

 

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À beira-mar, a areia, a luz do sol e o mar convivem numa harmoniosa parceria, dando origem a belíssimas “obras de arte” especialmente durante a maré vazia.
Um olhar mais atento encontra pinturas…desenhos…baixos-relevos…ou apenas simples detalhes que alimentam a imaginação em tempo de férias e de disponibilidade.

Pessoalmente deliciam-me esses momentos com cheiro a maresia!

 

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Agradeço o vosso olhar!

 

 

(Dulce Delgado, Julho 2017)