o rei e o jacarandá

 

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Discretamente e ano após ano, o lilás dos jacarandás passa por este espaço a fim de partilhar a ambiência vivida na cidade de Lisboa neste período de transição entre a Primavera e o Verão. Estou certa que até o mais desatento lisboeta será atraído por tanta beleza e magnetismo espalhada pelas ruas da capital.

Foi um instante que me levou a este detalhe surpresa na Praça do Rossio, também denominada Praça D. Pedro IV, monarca cuja estátua encima uma coluna colocada no seu centro. A copa deste jacarandá isolou e elevou a figura, destacando-a sobre o coração da cidade. Então, lá bem no alto e observando em redor…

…foi fácil imaginar este rei de liberais ideias e dois títulos, mais precisamente D. Pedro IV em  Portugal e  D. Pedro I no Brasil, a recordar e a pensar…

…sobre a sua voluntariosa, dinâmica e intensa vida amorosa

…talvez sobre este pequeno e aventureiro país que o viu nascer e onde morreu

…quiçá sobre o estado do mundo em geral

…ou sobre o Brasil em particular, país onde viveu quase toda a sua vida e que levou à independência

…talvez recordando o famoso grito que deu junto ao rio Ipiranga

…ou, simplesmente pensando com alguma tristeza: “Brasil… Brasil…onde tu chegaste!”

 

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Um aspecto geral da Praça D. Pedro IV ou Praça do Rossio – Lisboa

 

 

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O que se passa com o Brasil?

O que é que está a acontecer no país da alegria, da boa disposição natural e de uma certa tranquilidade? Até há pouco tempo, o que de pior acontecia no Brasil era associado ao tráfico de droga, aos gangs das favelas, etc., ou seja, à classe com menos poder e provavelmente menos educação. Apesar disso, parecia relativamente saudável e a crescer, o que justificou o retorno de milhares de emigrantes ao país a fim de aí reconstruírem as suas vidas.

Porém, em relativo pouco tempo, tudo parece ter mudado. Hoje o Brasil parece um país doente. Neste momento, quando penso nele, associo a um daqueles jardins que estava relativamente bonito, mas que em pouco tempo deixou de o ser porque as ervas ruins cresceram sem controlo. Com o desabrochar dessa nova espécie, foram-se os princípios, foi-se o bom senso e entrou-se no ”vale tudo” para se chegar onde se quer. É como se tivesse ocorrido uma estranha epidemia naqueles que deviam ter mais juízo como representantes de um país, ou seja, os políticos, os partidos políticos, os detentores do poder, a justiça, etc. supostamente as pessoas com melhor nível de educação e das quais se esperaria uma postura correcta.

Honestamente, o que incomoda, não é saber em que lado ou partido está a razão, se à direita ou esquerda, e ainda menos se a presidente deveria ou não ter sido destituída. O que me incomoda mesmo no actual Brasil, é ter a sensação que o país está à nora e perdeu a razão. Tornou-se estranho, desunido, extremado e quase absurdo, na medida em que as instituições se desdizem/anulam, e os partidos querem à força manter ou ganhar o poder. É certo que isso acontece um pouco em todos os países, mas não desta forma tão rude e sem princípios.

Deste lado do Atlântico, sou certamente uma ignorante da verdadeira realidade do país. O que escrevi é apenas um sentir resultante das informações diárias e eventualmente limitadas e/ou tendenciosas dos meios de comunicação. Mas, o que gostaria mesmo, era que o Brasil rapidamente se reencontrasse e saísse deste filme, porque este filme triste não faz parte do seu ADN. Estou certa que o povo brasileiro é bem melhor do que aquilo que estamos a ver diariamente através dos seus representantes. O mundo precisa de um Brasil decente, com bom senso e com boa energia.

Além disso, sendo palco em breve de uma Olimpíada, seria bom que se equilibrasse e conseguisse integrar e transmitir o espírito de paz, de respeito pelas diferenças e de união que caracterizam esse evento.