o voo da buganvília

 

No início deste blog revelei o meu gosto por buganvílias. Poucos dias depois, no começo de Maio, foi-me oferecido um exemplar desta espécie repleto de flores (post do dia 10 de Maio, intitulado Buganvilia II).

Sendo uma planta de exterior e não possuindo a minha casa uma varanda, fiquei expectante relativamente à sua adaptação/ sobrevivência, pelo que a coloquei num móvel que se encontra junto ao parapeito de uma janela que normalmente está aberta.

Duas semanas depois começou a perder as flores, que desapareceram totalmente em poucos dias. Fiquei então com uma buganvília sem flores, mas com muita esperança que a sua adaptação ainda fosse possível.

Um dia chegamos a casa e a buganvília não se encontrava no lugar. Senti um grande aperto no coração e rapidamente percebi que a sua ausência só poderia resultar do vento muito forte que se fazia sentir naquele dia… muita trepidação… pequenos deslizes sucessivos… e a buganvília só poderia ter caído do décimo andar onde vivo! Um voo de dez andares!!!

Desci rapidamente até à rua. Procurei-a e encontrei-a junto a um canteiro, perto de um pequeno monte de terra, com as raízes todas visíveis e as três hastes murchas e sem qualquer vitalidade.

Peguei nela cuidadosamente, levei-a para casa e coloquei-a em nova terra e novo vaso. Em poucas horas algumas das folhas ganharam alguma firmeza, iniciando-se a fase dos “cuidados intensivos”, com muito acompanhamento, diálogo e obviamente, um “cinto de segurança” para impedir novas quedas.

Duas das hastes conseguiram recuperar, sendo que a outra secou definitivamente. Após duas semanas, reparei que estavam a nascer novas folhas. Dias depois apareceram pequenos pontos de cor, que pareciam flores. E foram mesmo, o que se revelou uma enorme alegria para mim!

Um mês e meio após a queda, a minha buganvília estava a ficar cheia de flores e a crescer a olhos vistos. Até foi passar uns dias de férias ao Algarve, para uma varanda, estadia que seguramente lhe agradou, dada a sua evolução.

Voltou para casa e continua muito bonita, como mostra esta fotografia tirada recentemente. Parece feliz e espero que assim continue. Porque eu também estou!

buganv2

Mas, tão importante como essa alegria que sinto, é a lição que ela tem dado a todos os que a temos acompanhado nos últimos tempos: mesmo após uma grande queda, podemos dar a volta e recuperar para a vida e voltar a ser felizes. O ser vivo é, por natureza, um lutador e um sobrevivente. E se tivermos a sorte de ter alguém que goste e cuide de nós, que nos ampare e incentive nesses momentos, então a recuperação será mais provável, fácil e rápida!

 

buganvília

 

Se o título do blog está explicado, porquê a presença de um ramo de buganvília junto a ele?

Em primeiro lugar, porque gosto muito de plantas e de flores (enraizadas, e não cortadas ou dentro de jarras!), mas especialmente porque tenho uma ternura particular por buganvílias.

Gosto das suas cores, dos cachos floridos que formam e da personalidade dos troncos que as sustentam. Enche-me o olhar ver um alpendre com buganvílias e admiro a sua capacidade em manter a floração quase todo o ano em climas temperados e soalheiros como o nosso.

Para além desse aspecto afectivo, todos temos sonhos, mais ou menos concretos ou (ir)realizáveis. Mais do que um sonho, eu tenho dentro de mim a imagem de uma casinha branca, térrea, com uma buganvília cheia de flores junto à porta. A casa tem um pequeno terreno à volta e nele está um limoeiro. Se olhar melhor, vejo ainda uma laranjeira (e com sorte uma figueira!), um canteiro com salsa e coentros, assim como algumas alfaces e dois ou três tomateiros. O resto é um prado cheio de flores silvestres! Mas o que está mais focado nesta imagem é a buganvília, em grande contraste com o branco da parede.

Não perco tempo a pensar nas voltas que a minha vida teria que dar para esta imagem ser realizável. Diria mesmo que é uma remota possibilidade …..mas não uma impossibilidade, pois não gosto de dizer nunca.

Porém, uma coisa é certa: a imagem da buganvília, daquela buganvília contrastando com uma parede branca estão e estarão sempre comigo enquanto eu viver.

Daí a sua presença no início deste blog!