dança de luz

 

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No último fim-de-semana a vila de Cascais, localizada na região da Grande Lisboa, iluminou-se para a 6ª edição do Festival de Luz – Lumina, que este ano teve como tema a Natureza. Neste post vou apenas referir uma das vinte obras apresentadas nesta edição porque, na minha perspectiva, foi a que melhor homenageou e valorizou a temática do festival.

Recorrendo a lasers, fumo e vento, o português Telmo Ribeiro criou numa grande área do Parque Marechal Carmona um tecto de luz e de cor formado por planos que aparentemente se moviam sobre nós, justificando perfeitamente o título Underlight que deu à instalação. Por outro lado, a intersecção destes planos com as árvores e outro tipo de vegetação existente no jardim, davam origem a um lindíssimo jogo entre a luz e a sombra.

A tecnologia, na sua mais vibrante expressão, nada tem a ver com a vibração da mãe natureza. Porém, em muitos momentos este artista conseguiu o objectivo de nos transportar até aos pólos deste planeta e simular a sensação de estarmos perante uma aurora boreal (ou austral), certamente um dos mais bonitos fenómenos naturais que se conhece.

Nunca tive o privilégio de assistir a um evento desse tipo e, sendo realista, será pouco provável que tal venha a suceder. Contudo, a experiência vivida naquele lugar e que me conseguiu deslumbrar será, até ver… a “aurora boreal” da minha vida!

 

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As imagens acima não são reveladoras da realidade porque lhes falta o essencial: o movimento. Tentei fazer um vídeo, mas não resultou. De qualquer forma, creio que o seu conjunto permite ter uma ideia das características da obra em causa.

 

 

 

 

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revisitar

 

Voltar a certos lugares anos depois, sempre permite descobrir algo de novo. Para além da natural transformação física que neles ocorre, nós também estamos diferentes, acompanhando o nosso olhar essa evolução. E se esse lugar é no meio da natureza, basta que a estação do ano, a hora do dia ou as condições atmosféricas sejam distintas, para tudo parecer diferente e quase novo.

Andar “por aí”, termo que gosto de usar e a que associo um certo espírito de aventura e exploração, é sempre um prazer acrescentado, apesar da vida e da logística não permitirem fazê-lo tão amiúde quanto gostaria. E quando essas explorações são partilhadas com alguém que tem um olhar diferente do nosso e está atento a outros pormenores, esses momentos sabem ainda melhor e deixam-nos reciprocamente mais ricos.

Foi nesse espírito que, alguns anos depois, voltamos à zona da ribeira de Murches e ao Parque urbano das Penhas do Marmeleiro, no concelho de Cascais, distrito de Lisboa.

 

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A bonita envolvência revelou surpresas…

…começando pela pior, porque gosto sempre de terminar com a parte positiva, foi com tristeza que encontramos o passadiço em madeira que personaliza esse espaço com vários troços destruídos, quer por incêndio quer por evidente vandalismo/desleixo.

Há perto de um ano referi esse equipamento num post intitulado Passadiços, mas actualmente uma grande parte dele está intransitável, ou apenas ultrapassável se o espírito de aventura e alguma agilidade física ainda superarem o receio de uma queda.

Preferi não inserir aqui a fotografia do estado em que se encontra e envia-la para a Câmara Municipal de Cascais, lamentando a situação e esperando que a mensagem que envolve essa imagem possa contribuir para uma futura resolução do problema.

Ultrapassada esta visão, seguimos ao longo das margens da Ribeira de Vinhas, para montante. E nesse trajecto o olhar foi encontrando pequenas preciosidades que gostaria de partilhar.

 

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Não faltou a presença de um rebanho de ovelhas e cabras, cujos guizos acompanhavam o chilrear dos pássaros e davam uma sonoridade lindissima e bucólica a todo o ambiente.

 

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Rapidamente esquecemos a visão negativa dos passadiços destruídos, porque a envolvência era tão calma e bonita, e a luz filtrada pelo céu azul tão transparente, que aquele mesmo trajecto já percorrido há alguns anos, foi uma revelação.

Neste caso, a grande diferença estará no facto de, aquando da primeira incursão, estarmos em pleno Verão e agora no início da Primavera. Então predominava a secura e a falta de água da ribeira, o que não aconteceu agora, em que a água e o verde eram presença em cada recanto.

Tudo muda, a natureza muda e nós mudamos. O importante é não cristalizar nas ideias já feitas, nas opiniões definitivas ou nas imagens já vistas, e permitir sempre uma certa abertura para acolher a mudança, seja através de um pensamento, de uma sensação ou de um novo olhar oferecido pelo mundo.

Seja ele mais ou menos bom.

 

 

 

a arte da luz

 

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Na Finlândia, o Outono e o Inverno são longos e escuros. Esse facto contribuiu para que o artista Kari Kola, oriundo desse país, desde sempre se sentisse fascinado pela escuridão e pelas possibilidades da luz como contraponto a essa escuridão, dedicando-se a explorar e a modelar essa forma de energia.

Desse trabalho têm nascido ambientes de magia, daquela magia que desde crianças associamos aos contos de fadas, às florestas encantadas ou a mundos misteriosos, e que ele vai espalhando por aí através de instalações artísticas. Este ano foi possível apreciar a sua obra Magical Garden no Parque Marechal Carmona em Cascais, no âmbito da 5ª edição do Festival de Luz Lumina, que aí decorreu entre 8 e 11 de Setembro. Creio que participou neste  festival pela terceira vez.

Pessoalmente aprecio imenso a sua forma de iluminar espaços arborizados, ao criar uma envolvência que sempre me recorda algumas cenas do filme Avatar, de James Cameron, datado de 2009. Mas no jardim de Kari Kola, a ficção transforma-se numa realidade tangível com base na imaginação e na técnica, que permite aos visitantes percorrer calmamente um espaço de fascínio embalados por uma música encantatória, suave e envolvente. Talvez por isso o silêncio e um certo recolhimento tome naturalmente conta do público, como se inconscientemente estivesse a atravessar o interior de uma catedral de Natureza e de Luz. É um momento muito especial.

O Lumina integra em cada edição um leque de obras mais ou menos criativas. Porém, pelas suas características, creio que as instalações que Kari Kola tem mostrado no Parque Marechal Carmona são diferentes e especiais, pela profunda envolvência que permitem.

Do festival deste ano gostava ainda de mencionar a obra Intrude da artista Amanda Parer, constituída por vários coelhos gigantes, insufláveis e luminosos, que invadiram e se instalaram na Baía de Cascais, formando um quadro delicioso.

 

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livros miniatura

A pequena exposição que se encontra patente na Biblioteca de S. Domingos de Rana sobre livros miniatura é uma delícia. Também as condições que esse espaço oferece ao público foram uma agradável surpresa, dada a modernidade do edifício, as amplas instalações e a luminosidade que o envolve.

Esta exposição, que consta de dois núcleos (o outro encontra-se na Biblioteca Municipal de Cascais – Casa da Horta da Quinta de Sta. Clara), é apenas uma pequena amostra dos cerca de quinhentos livros que o coleccionador João Lizardo possui. São pequenas relíquias expostas em mesas-vitrinas, abrangendo temáticas, estilos e épocas muito diferentes e que nos levam facilmente para uma outra dimensão. Apetece imenso tocar-lhes e desfolhar as suas pequenas páginas… mas tal só é mesmo possível com o olhar!

Merece uma visita!

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