fogo e água

 

IMG_5564a

 

O dia nasceu fogo na região de Lisboa. Nasceu vibrante, esmagador e pousou esta imagem no meu olhar, que agora deixo a repousar neste post .

Mas a água “controla” o fogo, mesmo no céu. Em pouco tempo, as nuvens muito cinzentas tudo cobriram e a chuva, por vezes intensa, continuou a cumprir maravilhosamente o popular ditado Em Abril águas mil.

Entre água e fogo chegará o fim-de-semana. E assim permanecerá, para alimentar todos os gostos e partilhar connosco o seu descanso.

Que seja um tempo tranquilo!

 

 

 

 

Advertisements

a chuva…

 

IMG_5261a

 

… finalmente chegou e instalou-se nos nossos dias. Dizem os especialistas que ficará ainda por algum tempo… para já, talvez uma semana ou um pouco mais… o que é muito pouco, sabemos; contudo, pode ser que prolongue a sua estadia: afinal, há muito que não era tão bem recebida por todos nós!

Com ela, regressaram imagens e sensações já um pouco esquecidas…

… a tranquilidade que sinto ao vê-la escorregar suavemente nos vidros da janela… gota aqui… gota ali…;

… como é bom estar neste lado, no lado do aconchego, a observar a sua dança selvagem com um vento que de vez em quando sopra furioso e destemido;

… quão agradável é estar protegida no interior de um carro em andamento (com alguém que o guie por mim, obviamente!), enquanto observo e fotografo os efeitos da chuva nos vidros e as imagens deformadas que eles oferecem;

… o arejamento que permitem as “janelas” de céu muito azul que de vez em quando rasgam as nuvens cinzentas em tempo de chuva, como se fosse a própria terra que necessitasse urgentemente de respirar através delas;

… gosto dos momentos em que o sol e a chuva se juntam e, de imediato, passa em “rodapé” no meu pensamento aquele provérbio que sempre dizíamos em crianças em situação semelhante “A chover e a fazer sol, estão as bruxas a comer pão mole”;

… agrada-me a ideia que durante uma chuvada e depois de tanto tempo de secura, existe um “sentimento” de alegria na terra/substrato e nas plantas que nela crescem. E de imaginar que o mostram da única forma que a natureza lhes permite, ou seja, a terra emanando o seu cheiro e as plantas abanando ao vento!

… como sabe bem respirar a “limpeza e a frescura” do ar depois de uma boa chuvada! Ou ainda, como os olhos gostam das cores brilhantes e saturadas pela água da chuva, que aqui e ali faz nascer poças que espelham o céu e o deixam naturalmente penetrar na intimidade da terra;

… e por último…

… a chuva desperta a “meteorologista” escondida que existe em mim! Graças às tecnologias actuais e às imagens via satélite disponibilizadas no site do IPMA, gosto de acompanhar as movimentações e a intensidade das manchas nebulosas que passeiam pela atmosfera. E ir comparando essa evolução com a chuva real que a natureza nos presenteia.

 

Esta, é a versão prosaica da chuva, a que me apetece escrever hoje.

A outra…ficará para um próximo post!

 

 

 

sentir… pensar…

 

IMG_5114

As horas de luz crescem a olhos vistos neste Inverno já maduro.
O tempo frio alterna com o primaveril, tal como nuvens mais ou menos cinzentas e densas vão coabitando com o céu azul.

Alguma chuva tem caído no norte do país e alimentado a terra e as barragens, situação que aconteceu muito esporadicamente no centro e no sul, onde a natureza continua afogada em secura. Apesar da pequena dimensão do país na globalidade do planeta, a distinção entre norte e sul é notória em imensos aspectos. E no clima também, para desespero de todos aqueles que precisam urgentemente que a chuva caia e prepare os terrenos para as novas sementeiras.

Se por um lado apetece sentir na pele os dias primaveris e soalheiros, por outro a sua presença é dolorosa, porque sabemos o que tal pode significar na dinâmica deste nosso solo pátrio. E em nós, que o habitamos.

Como em muitos momentos e situações da nossa vida, estamos perante o querer e o não querer, perante a emoção que pende para um lado e a racionalidade que pende para o outro.

Que fazer? Sentir… ou pensar?

Sentir o prazer do sol… talvez “culpabilizando-nos” por o estarmos a fazer?

Ou pensar…negando a vontade de o sentir e “acalmando” os problemas de consciência?

 

 

 

outono vai, inverno vem

 

IMG_4218ab

 

Será exactamente às 16 horas e 28 minutos de hoje, o dia mais curto do ano, que faremos a despedida do Outono.
Ele vai de viagem, talvez agarrado às folhas secas que ele próprio ajudou a se despedirem das árvores. E com elas voará até ambos se desvanecerem no tempo.

Nesse mesmo instante, o Inverno tomará o seu lugar. Em Portugal virá soalheiro, fresco e com fraca personalidade, o que é pena. Mas precisamos de acreditar que será uma timidez inicial, que em poucos dias se habituará ao novo lugar e mostrará os seus dotes, porque necessitamos dele com garra, bem invernoso e especialmente com muita chuva. E frio também, se isso contribuir para que se sinta mais feliz. A natureza ficaria profundamente grata…e nós ficaríamos profundamente gratos à natureza.

Por isso, que seja um verdadeiro Inverno!

E em nós, que seja um profícuo tempo de introspecção!

Já para os meus leitores do hemisfério sul, que se revele um excelente Verão!

 

 

s. martinho

IMG_3690

Segundo a lenda, S. Martinho  de Tours foi uma altruísta alma quando há muitos séculos atrás rasgou ao meio a sua capa para proteger dois mendigos do frio. Por tão bondoso acto, Deus decidiu afastar as nuvens para que o sol aquecesse o seu corpo.

Então o sol, fazendo jus à tradição, foi sempre voltando nos dias de S. Martinho para nos brindar com “três” soalheiros e amenos dias que iluminavam outonos já acinzentados, frescos e chuvosos. Obviamente que este número era variável, mas sempre apareciam e eram bem recebidos.

Mas isto acontecia quando o clima deste nosso planeta era equilibrado. Entretanto…tanto o incomodamos que ele mudou de atitude, ficou alterado, confuso e deixou de ligar às tradições. No meu país, por exemplo, estamos a viver uma espécie de S, Martinho perene, apesar de estarmos a meio do Outono. Meses e meses sem chuva deixaram o país em seca extrema e numa situação muitíssimo preocupante. O céu apenas nos brindou com chuvas muito pontuais, algumas no momento certo de apagar alguns incêndios, mas persiste em continuar muito azul, sendo essa a previsão para os próximos tempos. Apenas o frio está a dar um ar da sua graça.

Diria que o S. Martinho se instalou confortavelmente neste recanto do sudoeste europeu, depois de nos visitar anos a fio apenas como turista.  Agora, parece que se tornou residente…

Por isso, tendo em conta este contexto e neste seu dia…

…peço encarecidamente ao S. Martinho de Tours que faça umas férias noutra região deste planeta, permitindo assim que as nuvens se aproximem e a chuva caia nesta Ibérica Península tão carente desse precioso liquido.

Precisamos que a chuva regue as nossas raízes, as nossas árvores, faça crescer a relva e as culturas dos nossos campos, alimentos vitais, quer para os animais quer para nós.

É ainda urgente que a precipitação tenha alguma continuidade de forma a encher as nossas barragens que estão praticamente vazias, assim como a restabelecer o nível dos aquíferos que alimentam o nosso solo e as nossas fontes naturais, agora quase esgotados.

Ao partir… deixaria o Outono ser, o Inverno acontecer e nós ficaríamos eternamente gratos!

 

Entretanto…enquanto o S. Martinho medita neste pedido que será certamente o de milhões de portugueses, apreciemos as tradições deste dia de convívio, de muitos petiscos e de castanhas assadas acompanhadas de água-pé ou jeropiga. E que em muitas regiões do país, a tradicional prova do vinho novo que hoje se realiza, revele um bom ano vinícola.

Que procuremos a alegria no meio da tristeza!

 

 

 

fogo e água

 

IMG_7138

 

A chuva caiu no momento mais desejado. Caiu e apagou numa única noite, muitos dos incêndios ainda activos, das centenas que deflagraram no último fim-de-semana no meu país. Novamente.

Fogos nascidos maioritária e intencionalmente de mãos humanas, porque os fogos raramente deflagram sozinhos. Fogos loucos e dramáticos que voltaram a matar dezenas de portugueses, pessoas que apenas viviam mais um fim-de-semana das suas vidas.

A chuva caiu e apagou o fogo que já apagara muitas vidas..

…talvez essa chuva tenha evitado o desaparecimento de outras;

…talvez a Natureza tivesse pena deste pequeno país em fogo;

….ou, talvez a Natureza não quisesse mais sofrimento neste solo, nas nossas florestas, nos animais e neste povo.

Não havendo culpados conhecidos, gosto de acreditar que existe algo Superior, com discernimento, equilíbrio e que sabe o que faz.