pela chuva…

Sem querer entrar no campo da religião, matéria em que sou bastante neutral, acho muito curioso o facto da igreja, neste caso a católica ter santos associados a tudo e a mais alguma coisa.

Esta manhã, ao olhar para o Almanaque Borda D’Água verifiquei que ontem foi o dia de “Santa Escolástica, dispensadora da chuva”. Para além do nome ser deveras curioso, fui investigar e, segundo li, esta santa implorou uma tempestade com chuva para que o seu irmão – S. Bento – com quem se encontrava apenas uma vez por ano, fosse impedido de seguir caminho e pudessem ficar mais tempo a conversar. Em resultado desse pedido a chuva veio tempestuosa e eles conversaram toda a noite.

A partir daí, Santa Escolástica ficou associada a este evento.

Portugal e Espanha (para além de muitas outras regiões) estão a sofrer uma enorme e preocupante seca, sendo este um tema que está muito presente na mente e nas conversas dos seus habitantes.

Por ser um assunto demasiado sério, todas as abordagens e invocações são permitidas pelo que, fazendo um pouco de humor em dia de sexta-feira, creio que não fará mal pedir aos portugueses e aos espanhóis que recorram a toda a sua concentração e energia, e implorem à referida santa que distribua uma boa chuvinha por aqui e por todos os locais com forte carência de água.

Apesar do dia que lhe é dedicado ter sido ontem, 10 de Fevereiro…pode ser que se mantenha atenta e nos ouça se formos muitos. Nunca se sabe, não é?🤞

Com ou sem chuva, desejo a todos um tranquilo fim-de-semana!

inverno

O Inverno chegará hoje ao hemisfério norte quando faltar um minuto para as 16 horas. .

Neste cantinho da Europa prevê-se um dia cinzento, chuvoso e desagradável, fazendo justiça às suas melhores qualidades. Nós agradecemos, esperando que assim continue. A realidade diz-nos que precisamos dele bem molhado, porque o solo e os aquíferos precisam da sua frescura. Certo é que, sem excepção de raça, credo ou riqueza, todos dependemos desse precioso líquido para viver.

A essa vertente húmida e desagradável mas cada vez mais importante responderemos com protecções, aconchego…e paciência! Pelo menos os que podem dispor disso…

Bem vindo Inverno a este estranho 2021! Que seja um profícuo tempo de recolhimento e interiorização!

(para os que vivem abaixo da linha do Equador, que seja um Verão a gosto de cada um!)

outono

Para nós, humanos, este será mais um dia no calendário das nossas vidas. Contudo, ele não deixa de ter um significado especial pois marca um momento importante na dinâmica que rege este planeta onde vivemos. Este dia significa que…

…começa o Outono no hemisfério norte, sendo já evidente o encurtar dos dias e as noites bem mais longas,

…as folhas de muitas árvores, já em processo de secagem, irão começar a cair com mais celeridade e a atapetar os nossos caminhos,

…o nublado/cinzento do céu aparecerá de uma forma mais recorrente e iremos senti-lo mais húmido, fresco e desconfortável,

…as primeiras chuvas já passaram por aqui,

…e em muitos de nós, talvez se instale uma espécie de nostalgia sobre o Verão e sobre as férias que entretanto já terminaram.

Mas para esta andorinha e para muitas outras aves que partilham o Verão connosco…

…habita uma certeza instintiva que as levará muito em breve a enfrentar os céus para mais uma louca viagem de milhares de quilómetros para Sul, em busca de lugares mais quentes e soalheiros,

…será uma viagem incrível e a primeira aventura para as que nasceram este ano,

…entretanto, estão a viver dias de preparação e de acumulação de energia a fim de enfrentarem essa poderosa jornada,

…e não saberão se a força que habita a sua aparente fragilidade será suficiente para cumprir mais uma vez essa vital missão que se repete anualmente geração após geração.

Se as aves pensassem…diria que a andorinha da imagem estaria a navegar nestes pensamentos….

Quanto a mim, limito-me a desejar a todas elas uma boa viagem até ao Verão do hemisfério Sul, levando cumprimentos meus para os que vivem nessa metade do mundo….e que leram este post até aqui!

E a todos nós que o Outono irá envolver a partir das 19h 21m de hoje, que ele seja um tempo de bom senso e equilíbrio, e que apreciemos com prazer os belos detalhes que a Natureza nos irá oferecer!

Bom Outono!🍁🍂🍄🌰

olhar confinado…

…a partir de um décimo andar e em dias predominantemente cinzentos e com chuva!

Nas duas ultimas semanas, a casa tornou-se o fulcro dos nossos dias devido ao confinamento. Portugal está num momento muito difícil e ficar em casa é fundamental. Fazendo a fotografia parte dos meus dias, tinha que explorar e aproveitar o mais possível as circunstâncias impostas e o tempo disponível.

Quando olho para o tom monocromático e cinzento das imagens acima, sinto alguma tristeza. A verdade é que a minha personalidade nunca se deu muito bem com dias tão pesados e sem cor. Encontro neles alguma beleza, é verdade mas, decididamente, não são a minha onda, nem o meu mar. E quando são demais, pesam na alma…

Esse cinzento bloco de imagens revela um pouco da paisagem que me envolve. Vivo em Carnaxide, no concelho de Oeiras e a localização do prédio permite-me um olhar vasto, sendo as maiores referências o rio Tejo e a margem sul, a Serra de Monsanto e o chamado Farol da Mama de Carnaxide, uma enorme estrutura que mais parece um foguetão e cuja luz é fulcral para os barcos que atravessam de noite a barra de Lisboa.

Porém, quando um olhar se centra apenas em imagens gerais perde imenso. É essa a primeira tendência quando se vive num andar muito alto e com ampla vista. O meu teria perdido imenso se eu não decidisse limitar o ângulo e orientar a objectiva da máquina para o que estava mais próximo. Aí encontrei curiosos detalhes nunca registados com um olhar puramente fotográfico.

Estamos confinados… eu estou confinada… mas lá em baixo, na rua, a vida continua.

Carros, motas, bicicletas e peões dividem-se entre actividades obrigatórias e de lazer. Cada um terá certamente o seu propósito, como eu neste meu décimo andar, estou a cumprir o propósito de partilhar o que os dias me vão oferecendo.

No momento em que publico este post chove lá fora, está nevoeiro e a vista que tenho é mínima. Se, neste mês de Fevereiro que hoje se inicia o tempo decidir melhorar, talvez ainda faça um outro post dentro desta temática…mas com mais cor.

Até lá….. a solução é viver com saudades da liberdade e de um belo céu azul!

inverno

A buganvília que vive em minha casa floresce quando lhe apetece. Este ano o Outono também foi tempo de floração, enchendo de cor o espaço que habita junto a uma janela. Porém, nesta altura do ano essa janela é muitas vezes fechada devido ao frio e à chuva, o que lhe causa certamente alguma tristeza como planta de exterior que é.
Foi esse o sentimento que esta imagem despertou em mim, num dia cinzento, frio, chuvoso… e de janela fechada! Fiz-lhe um afago e pensei “Ok…se floriste no Outono e o crescimento não parou…não pode ser grave! Há dias assim!”.

Novo pensamento:

A chegada do Inverno ao hemisfério norte neste ano totalmente atípico e de menos afectos, levará provavelmente a uma maior interiorização, a mais momentos de melancolia e a uma evidente diminuição da energia.
Apesar da meteorologia ter muita influência nesse processo, creio que este ano será sobretudo a pandemia a funcionar como “algo invisível e frio” que nos afasta do mundo e impede o calor humano.

Recorrendo a uma metáfora e à imagem acima diria que, tal como a minha buganvília, também nós…

…estamos perante uma “barreira invisível” e limitativa que nos separa do mundo
…o cansaço dessa situação leva a momentos de alguma tristeza
…apesar desse cansaço, continuamos a encontrar energia para viver e lutar
…sabemos que no outro lado dessa barreira estará uma saída e a liberdade
…que a esperança é algo poderoso e que a mudança sempre acontece
…e que a “janela”, mais tarde ou mais cedo se abrirá novamente!

E é com esta imagem que mistura tantos sentimentos que vos desejo um Inverno de esperança, de resiliência e apesar de tudo, sempre de gratidão!

Semelhante desejo dirijo aos meus leitores do hemisfério sul que hoje receberam o quente Verão…mas seguramente com alguns sentimentos análogos aos descritos!

outono

Despede-se hoje o Verão após uma semana meteorologicamente instável, reflectindo um pouco o espírito da estação que esteve entre nós. Foi um Verão algo desconfiado, intercalando o céu azul com o cinzento, as noites amenas com outras bastante frescas, e os raros dias sem vento com muitos de forte ventania. Com variações obviamente entre o norte e o sul do país, revelando o pólo meridional mais sintonia com o verdadeiro Verão.

Tais flutuações meteorológicas impõem uma verdadeira elasticidade mental de adaptação. Aliás, algo bem de acordo com os tempos instáveis que vivemos em que nada é realmente solto e natural, já que a preocupação e os pensamentos “laterais” pairam sobre nós como uma nuvem.

Mas nada disso é impeditivo do avançar do relógio do tempo e do fluir do tempo da natureza…

É nesta dinâmica que o Outono chegará hoje às 14h 31m ao calendário e aos nossos dias. Aos poucos a natureza fará as suas adaptações, começará a olhar para dentro, espalhará as suas cores de Outono, levará as folhas das árvores a viajar com o vento e talvez ofereça alguma chuva consistente.

E nós continuaremos igualmente a nossa adaptação a este estranho tempo que 2020 nos ofereceu, agora ainda mais atentos do que antes porque as circunstâncias actuais assim o exigem. Tentaremos não esquecer os gestos que começam a ficar esquecidos e reforçaremos as emoções que não precisam de gestos, através do cuidado, da atitude, da palavra, do detalhe. Pode parecer pouco, mas é bastante se for verdadeiro e genuíno.

Que seja um Outono (e uma Primavera no outro lado do mundo), ao desejo de cada um!

E cuidemo-nos. Cuidando de nós, também cuidamos dos outros!

gratidão e paz

Ao sol pedi…
…aquece-me

Ao vento…
…leva-me

À chuva…
…refresca-me

Ao amor…
…abraça-me

E por fim,
à Natureza e à Vida…
…tudo agradeci!

(…inclusive o menos bom, mas que sempre vale de aprendizagem!)

Dia 21 Setembro 2020 – Dia Mundial da Gratidão e Dia Internacional da Paz
Gratidão também é Paz!

dia extra

julho 89 abc

De quatro em quatro anos um rasgo no tempo deixa entrar mais um dia, o 29 de Fevereiro, a fim de ajustar o nosso calendário ao movimento de translação da terra. Estamos perante um dia que só voltará a dar um ar da sua graça 1460 dias depois e por isso, talvez um tempo com problemas de identidade ou, pelo contrário, talvez demasiado seguro e confiante por ser diferente dos demais.

Sendo o primeiro 29 de Fevereiro que visita discretamente este blog, não poderia deixar de marcar o evento e dar-lhe alguma atenção. Neste recanto de Portugal onde vivo, ele nasceu bastante mal disposto, cinzento e muito chuvoso. Talvez por uma questão de adaptação a uma situação que é para ele tudo menos rotineira…

Mas tudo passa na vida e também no humor do tempo, pelo que a perspectiva é de alguma melhoria, esperando-se que as restantes horas deste dia incomum se espreguicem por um céu entre o azul, o sol e as nuvens.

Gostaria de voltar a referi-lo daqui a quatro anos. Significaria que tanto eu como o blog persistíamos no tempo… que eu me estaria quase a aposentar… que……que…….e que…

Entretanto…

…vou à vida para aproveitar as horas que o relógio ainda me oferece neste dia!

 

Um bom 29 de Fevereiro para todos!