detalhes de outono

 

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Volto ao Jardim 9 de Abril em Lisboa, espaço já aqui referido mais do que uma vez. E esta não será certamente a última…
Talvez me repita um pouco ao dizer que gosto muito deste recanto por onde passo diariamente. É um sentir de quase quatro décadas, nascido de uma observação viva e continuada, estação após estação, ano após ano.

Em Novembro de 2017, há precisamente um ano, publiquei um post com uma imagem geral deste jardim em pleno Outono. Este ano vou aproximar o olhar um pouco mais e mostrar a relação entre a paineira-rosa, a árvore central, e a vinha-virgem que a circunda. Se aparentemente a força e o poder está na robustez do tronco da primeira, é a fragilidade da segunda que protege esse tronco e dá estabilidade e beleza ao conjunto.

Muitas vezes, os que parecem mais frágeis conseguem com a sua sensibilidade e gestos obter o respeito dos mais fortes. E, lado a lado, ambos cooperarem com um fim comum. Neste caso…diria… em prol da beleza que alimenta os nossos dias!

 

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As imagens acima foram captadas a uma sexta-feira, na véspera de um fim-de-semana que se revelou cinzento, desagradável, com vento e muita chuva. Nesse período, a maioria das flores da paineira-rosa e das folhas da vinha-virgem caíram, cobrindo o chão de um tapete de cor.

 

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Naturalmente, tudo mudou em dois dias para estes seres vivos e para este recanto da cidade, mostrando bem o dinamismo e a força da natureza.

Para mim, contrariamente, esse foi um tranquilo fim-de-semana, caseiro e muito acolhedor!

 

 

amarelo e lilás

 

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Harmonioso é o elo que une o lilás ao amarelo…como é expressiva a parceria que une o jacarandá e a tipuana!

Apesar de não estar sol e, naquele dia, uma estranha luz pairar sobre a cidade, o meu olhar ficou fascinado com estas imagens que encontrou na zona de Santos, em Lisboa. Estou certa que terão provocado um sentir semelhante em muitos dos que por ali terão passado.

 

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Em certos recantos, o amarelo das tipuanas superava totalmente o lilás dos jacarandás…

 

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…sendo com este tipo de detalhes que a cidade, em tempo de festa e de descanso, vai partilhando o seu colorido com todos os que nela vivem, trabalham ou visitam!

Espero que o vosso olhar aprecie esta Lisboa!

 

 

 

 

colorindo lisboa

 

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Lisboa ameniza o cinzento e a inconstância desta estranha Primavera com a beleza dos jacarandás que recentemente iniciaram a floração, como um relógio da natureza que marca o tempo no colorido da cidade.

Em muitos recantos o seu lilás abraça o céu e as nuvens, noutros encosta-se aos edifícios ou delicia-se a pintar os passeios e as estradas com as flores já caídas, atraindo docemente o nosso olhar……olhar que espera que o sol apareça sem filtros e puro, para saturar as cores, contrastar a cidade e permitir apreciar esta época de uma forma mais viva e límpida.

A cor dos silenciosos jacarandás pontua e acompanha a energia e a confusão das festas da cidade e dos santos populares que agora se vive. E pontua a nossa! Afinal o reaparecimento deste lilás também significa mais um ano no livro da nossa história, no nosso corpo e nas emoções que nele vibram. E indica que a Primavera está prestes a terminar….e que brevemente outro Verão aparecerá no calendário.

Pela minha parte….

…para o ano aqui estarei mais uma vez para partilhar a minha satisfação pela sua presença nos meandros da cidade e, obviamente, nos caminhos do meu olhar!

 

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paris emoção

 

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A cidade de Paris foi o destino da minha primeira viagem de avião quando tinha pouco mais de vinte anos. Viagem partilhada e usufruída de alma e coração e, como tal, extremamente marcante. Desde então, diria que Paris ficou guardada num recanto especial do meu romantismo!

Anos mais tarde e já com filhos pequenos, a cidade recebeu-nos numa breve passagem. Para além de coincidir com uma fase de mudanças no seio da família, acompanharam-nos igualmente os personagens e o espírito Eurodisney, porque esse espaço foi o principal objectivo da viagem. Apesar dessa circunstância, senti que Paris ainda era aquele recanto tranquilo.

Recentemente, numa curta viagem, essa imagem de tranquilidade que eu guardava foi “engolida” por uma realidade bem diferente, fruto da grande quantidade de turistas presentes na cidade. Desconhecendo a existência de dois feriados na semana escolhida (pura falta de cuidado no planeamento…), encontrei, juntamente com o meu companheiro, uma Paris meio louca e com um dinamismo completamente diferente do desejado….mas, talvez inconscientemente esperado, tendo em conta a explosão turística que a Europa vive.

Apesar disso o planeado foi cumprido… pontualmente com vontade de fugir, mais não seja porque a natureza dos dois viajante em causa é tranquila, pacífica e sem qualquer atracção por confusão, multidões ou barulho. Contudo, naquele contexto por vezes adverso, percebi que o “romantismo” não está associado a lugares, mas que depende unicamente de nós e da nossa capacidade de partilhar detalhes, pormenores e cumplicidades. Talvez por isso, seja qual for a forma com que Paris se me apresente, será sempre um lugar especial, desde que seja visitada a dois e partilhada com prazer.

E por último, percebi ainda que, para mim, a Paris mais turística terminou com esta viagem. Não preciso mais dessa sua faceta. Mas Paris é enorme e ainda tão desconhecida! Por isso, gostaria(mos) de voltar um dia, para partilhar novos recantos e descobrir as “notas de rodapé” que a cidade guardará na sua imensidão.

 

 

 

pela cidade

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Num calmo caminhar,
sigo a sombra
do meu andar.

Mas para trás
a sombra rodou,
porque uma luz
se aproximou…

…por pouco tempo…

…ao passar o candeeiro
sorrateira,
para a frente ela voltou.

E assim
neste dançar,
percorremos de luz em luz
aquela rua da cidade,
num jogo de partilha
e de alegre
cumplicidade.

No ar…

… o som do meu caminhar
… a luz da noite
e o silêncio de um par
que nunca me irá deixar!

 

 

(Dulce Delgado, Abril 2018)

 

 

 

dois tempos

 

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Esta imagem conta uma história, para além das histórias incógnitas de cada uma das pessoas que nela aparecem.

Entre a inauguração desta ponte sobre o rio Tejo que ocorreu em 1966 e a inauguração em 2016 do Museu de Arte, Arquitectura e Tecnologia (MAAT), cuja fachada aparece parcialmente à esquerda, passaram cinquenta anos na história da cidade. Nasceram duas gerações de cidadãos, saímos de uma ditadura para uma democracia, o país aprendeu a respirar e a explorar o seu potencial, e Lisboa, sempre na vanguarda desse processo, acompanhou com grande disponibilidade essa abertura ao mundo.

Nesta imagem, a ponte e o museu, o passado e o presente, estão em profunda harmonia. Sente-se na cumplicidade das linhas que “desenham” ambas as estruturas, no rio que justifica a sua presença nestes locais ou, ainda, na forma como atraem o nosso olhar, que se deleita com tal elegância.

A luz que tudo envolve, não é passado nem presente, é eterna presença.

É simplesmente a luz de Lisboa!

 

 

a procissão

 

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Em Portugal, a primeira procissão do Corpo de Deus (Corpus Christi) decorreu em Lisboa em 1389, atingindo esta celebração o seu auge no séc. XVIII durante o reinado de D. João V. Nessa época incorporava as ordens religiosas, mas igualmente as militares e as corporações profissionais da cidade, reflectindo a organização do reino e, sobretudo, a grande importância da igreja e do rei.

No século seguinte houve um período em que não se realizou, mas foi posteriormente retomada ocorrendo a partir daí anualmente por ocasião do dia do Corpo de Deus, festa do calendário católico que se celebra na quinta-feira a seguir ao Pentecostes.

Desde sempre que o Município de Lisboa se empenhou nesta procissão, tradição que se mantém ainda hoje com a participação no cortejo das principais forças da autarquia.
Deixo aqui a história deste evento, sugerindo a sua leitura para melhor perceber a importância que teve na vida da cidade.

A recriação dessa procissão, através de 1587 miniaturas em barro não cozido, encontra-se actualmente exposta numa enorme vitrina da sala do capítulo do Convento da Graça, no bairro com o mesmo nome.
O autor de tal empreendimento foi o empresário e ceramista Diamantino Tojal (1897-1958), que as elaborou entre 1944 e 1948. Nessa época todo o conjunto esteve exposto no Palácio Galveias, o que não mais se repetiu até à actualidade.

Mais do que a qualidade ou pormenor das peças, esta exposição tem um notável valor documental, pois permite perceber a dimensão e a organização do cortejo. A cargo da imaginação de cada visitante ficará a visualização do que não está recriado, como a multidão que seguia na cauda da procissão ou as ruas completamente engalanadas por onde passava.

A sala onde se encontra esta mostra foi recentemente restaurada, tal como a portaria e um dos claustros do convento, espaços que podem ser visitados gratuitamente. De notar que as miniaturas apenas estarão expostas até ao próximo dia 1 de Outubro.

Também a zona envolvente ao Convento/Igreja da Graça foi requalificada, oferecendo agora mais zonas pedonais. Vale a pena dar uma volta pelo jardim, espreitar a vista do miradouro ou descansar na esplanada aí existente. O bairro da Graça tem muitos detalhes arquitectónicos interessantes, alguns relacionados com as vilas operárias que acolheu no início do século XX e que ainda preserva. Deambular por ele e pelas áreas circundantes, permite juntar o passado com a modernidade que nos é transmitida por algumas pinturas murais realizadas no âmbito da street art.

Termino com uma imagem da cidade obtida a partir do miradouro da Senhora do Monte, localizado a poucas centenas de metros do Convento da Graça. Na foto, este espreita à esquerda e olha para o Tejo e para o seu vizinho castelo, implantado numa colina adjacente.

 

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novamente os jacarandás!

 

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Em poucos dias, Lisboa ficou a respirar a cor dos jacarandás! A cidade está a ficar linda e apelando a um olhar mais demorado para as suas ruas e jardins.

O aparecimento desta floração significa que se aproxima a época mais activa da vida da capital. Com a chegada do mês de Junho terá início a habitual Feira do Livro no Parque Eduardo VII, um cenário colorido por estas belíssimas árvores, e teremos igualmente as Festas da Cidade e dos santos populares, que se irão prolongar até ao final desse mês. Diria que a cidade está a ficar bonita e pronta para a festa!

E significa ainda que passou outro ano na nossa vida. Mais uma vez, é a natureza que, de uma forma suave e colorida, nos relembra docemente a passagem do tempo.

A mãe-natureza… sempre a marcar o ritmo!

 

 

a nespereira

 

Tenho o privilégio de trabalhar diariamente numa sala com muita luz natural, luminosidade que entra por uma grande janela de onde se desfruta uma razoável vista sobre Lisboa. Para um lado, o olhar pousa na belíssima ponte 25 de Abril e no seu inseparável companheiro Cristo-Rei e, no lado oposto, sobre as cúpulas de alguns edifícios da Baixa da cidade. Mas permite igualmente um olhar mais humanizado, uma vez que esta janela se enquadra nas traseiras de alguns edifícios de habitação.

Naquela “ilha” vive a intimidade de um pedaço da cidade, por vezes nua, por vezes crua, mas muitas vezes doce e soalheira. Há trinta e seis anos que acompanho o tempo a passar por ali, seja nos apartamentos que se foram renovando, seja nos edifícios que perderam a corrida do tempo a favor da degradação e das ervas daninhas, seja no envelhecimento natural dos seus habitantes ou, ainda, através da renovação de gerações, reveladas ao nosso olhar pelo minúsculo vestuário que de vez em quando aparece nos estendais.

E o tempo passou também por uma árvore de fruto, por uma nespereira, a razão de ser deste post. Vimo-la crescer, mas julgo que com os anos se tornou meio selvagem, uma vez que grande parte da copa está sobre telhados de difícil acesso. Talvez por isso, a maioria dos seus frutos secam e morrem na árvore.

Apesar de aparentemente abandonada, estou certa que é uma nespereira feliz, pois está enorme, apanha muito sol, produz imensos frutos e cumpre com rigor o seu ciclo anual de vida. Quando se inicia a Primavera algumas nêsperas já estão amarelas e maduras, começando a servir de alimento a várias espécies de aves que, em divertidas acrobacias, as saboreiam em vários momentos do dia.

Delicia-me assistir a este processo que se repete ano a ano. Por isso, num dia desta Primavera decidi tirar algumas fotografias através do vidro da referida janela, uma vez que todas as tentativas de a abrir resultaram em voos para parte incerta.

Em pouco tempo vi um periquito-de-colar…

 

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…e toutinegras-de-barrete jovens e adultas, cuja diferenciação reside, respectivamente, na mancha castanha ou preta que possuem na cabeça.

 

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Este adulto era um belíssimo cantor!

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Fotografei ainda um pardal…

 

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….e uma rola!

 

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Em momentos não registados em imagens, vi igualmente melros de bico amarelo, pombos e outros pássaros que não identifiquei. Mas estas fotografias permitem ter uma pequena ideia da actividade que se gera em torno daquela árvore de fruto nesta altura do ano. Estou certa que, para além da cor que empresta a este recanto escondido, esta solitária nespereira é um parceiro importante no ciclo de vida das aves que habitam esta área da cidade.

O futuro levará seguramente à repetição deste ciclo. E se a vida o permitir, serei espectadora e cúmplice por mais alguns anos.

Há rotinas que sabem bem!