moonlight

 

moonlight

 

Perante os nosso olhar passam imagens que revelam…

…actos de bullying
…medo
…abuso de poder
…revolta e sobrevivência
…carência afectiva extrema
…amor e dádiva incondicional
…saudade, do que foi bom e cedo desapareceu
…ausência, dos que deviam estar mais presentes
…solidão sentida, vivida e combatida com mais solidão
…rudeza, que esconde fragilidades
…ostentação material, como forma de ser respeitado
…controle dos outros para sobreviver
…fragilidade camuflada pelo poder
…desejo de atenção, calor humano, amizade
…desejo de intimidade, de pele contra pele

…e, uma profunda necessidade de ternura e de um abraço!

 

Moonlight, o filme, é tudo isto. É uma luz triste e fria, como a luz da lua pode ser.

 

 

imagem retirada de
https://www.google.pt/search?q=moonlight&rlz=1C1AWFC_enPT732PT732&espv=2&source=lnms&tbm=isch&sa=X&ved=0ahUKEwjO3OG5-tHSAhUBlBQKHWxYBRwQ_AUIBigB&biw=1280&bih=591#imgrc=TmjzhZXyMPQZ6M:

 

 

cinema atlântida-cine

 

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Entrar no cinema Atlântida-Cine em Carcavelos, é realizar uma viagem no tempo e recuar algumas dezenas de anos. Sugiro uma incursão na Sala 1, a de maior dimensão e personalidade.

Ultrapassada a entrada, o nosso olhar é imediatamente levado para um enorme cortinado claro, transparente e iluminado por luzes difusas e coloridas, que cobre literalmente toda a parede do écran, revelando uma imagem que associamos ao teatro e que há muito se afastou das salas de cinema.

Um olhar mais detalhado por este espaço um tanto austero mas cuidado, leva-nos forçosamente a um piano colocado à esquerda do palco, um objecto invulgar num cinema do séc. XXI. Ele ficou parado no tempo e certamente no lugar, mas não é difícil imaginar o seu som a pairar na sala.

Sentamo-nos.

Aproximando-se a hora do início da sessão, começa o verdadeiro espectáculo. Somos alertados para esse momento através das badaladas que ressoam na sala. Num ápice, voltamos à nossa infância e ao tempo em que os cinemas tinham aquela sonoridade tão característica, formada por quatro tons em crescendo seguidos por outros tantos em decrescendo. Segue-se o lento movimento do cortinado de palco a abrir, como se uns actores se retirassem para dar lugar a outros. Persiste em nós o tal som, porque a viagem ao passado foi longínqua e precisamos de tempo para regressar…

Entretanto começam as primeiras imagens…alguns trailers dos filmes em cartaz ou a estrear brevemente… e finalmente o filme que nos levou ali. Tudo isto sem publicidade!
No intervalo, volta ao palco o cortinado-actor …que sairá novamente ao som de mais badaladas antes do início da segunda parte. Terminado o filme e o genérico, abrem-se as luzes e tudo regressa ao ponto inicial…até à próxima sessão.

Gosto de ir a este cinema. Não apenas porque oferece uma programação cuidada e centrada no cinema independente, mas especialmente porque cheira a cinema… e não cheira a pipocas! Esta “solidão” e este não alinhamento com o mercado só sobrevive com bilhetes ligeiramente mais caros que a média. Mas sendo uma experiência única, vale a pena visitá-lo com carinho e contribuir para este projecto. Dadas as suas características, é óbvio que é maioritariamente frequentado por espectadores acima dos cinquenta anos, os que melhor apreciam a tranquilidade que ele proporciona.

O Alântida-Cine possui duas salas e está localizado na cave de um centro comercial que tem actualmente muitas lojas vazias. Ele é a pérola daquele espaço. E se resistiu até aqui, gosto de acreditar que tem futuro, porque o proprietário merece-o, pelo facto de ser um resistente e um verdadeiro amante de cinema.

Este post, é o meu pequeno contributo para um projecto que admiro.

 

 

atitude

 

Aproxima-se a cerimónia da entrega dos Óscares 2017, este ano com um interessante conjunto de filmes nomeados. Entre eles, duas produções completamente diferentes mas onde encontrei algo em comum.

O primeiro é o musical La La Land- Melodia de amor, um filme muito bem realizado, que nos revela uma história de amor com um início e um fim surpreendentes; o segundo, Elementos secretos, é uma excelente produção baseada em factos reais sobre o percurso e a luta de três mulheres negras na sociedade americana e racista de meados do séc. XX.

O primeiro é pura ficção; o segundo, a vida real. O que os une, é o termo “atitude” e a forma como determinado modo de reagir pode influenciar o trajecto e a vida de alguém.

Em La La Land- Melodia de amor, essa questão é levantada no final do filme, quando sugere que todo o desenrolar da história teria sido diferente se, em determinado momento, a atitude de um dos personagens tivesse sido outra. No fundo, talvez existam momentos-chave na vida em que a nossa resposta/atitude cria uma espécie de “matriz energética” que o futuro irá preencher de acordo com o tipo de energia então gerada. E isso terá consequências quer no percurso que se segue, quer no resultado final.

Numa outra perspectiva, o filme Elementos secretos mostra-nos que as atitudes certas nos momentos certos, seja uma decisão ou uma reacção, criam uma “matriz” positiva que, como um íman, vai atraindo e “moldando” lentamente o futuro que se deseja. Essa energia dará força para ultrapassar as dificuldades que vão surgindo e criando condições que permitem concretizar o propósito inicial e, quiçá, até os sonhos.

A vida real, que tem sempre uma componente ficcional, resulta desta diversidade de atitudes e matrizes geradas. Na verdade, somos os “actores” principais e actuamos num palco ao lado de um elenco onde fazem parte outros actores, mas também o acaso, os imprevistos, as circunstâncias, etc. Todos interferem connosco, mas temos a noção que uma boa parte das atitudes/ reacções/ decisões tomadas em momentos cruciais da nossa vida, foram determinantes para o seu desenrolar e para o presente que temos, seja ele mais ou menos agradável.

É exactamente isso que, de uma forma muito diferente mas bonita, ambos os filmes nos relembram.

 

I, Daniel Blake

 

 

Normalmente, a opção de ir ao cinema tem por base o realizador, a temática do filme ou os actores que nele figuram, o que permite um leque razoável de possibilidades e, obviamente, de sensações diferentes após a sua visualização. Ao escolher um filme do realizador britânico Ken Loach, cuja obra se inspira nas condições de vida das pessoas comuns e da classe operária, sabemos à priori que não será pura distracção. Porém, por vezes… pode ser um verdadeiro “murro no estômago”!

I, Daniel Blake, é um filme que…

… nos faz “abanar”, porque nos confronta com uma realidade difícil, comum…mas pessoalmente nunca sentida na pele;

… revela os meandros da segurança social, neste caso da britânica, e como esta apenas se preocupa com números, legislações, formulários e regras, sendo as pessoas meros objectos iguais e padronizados;

… fala do desemprego, da falta de saúde e das incongruências do sistema que gere essas situações;

… confronta a evolução tecnológica com a realidade do cidadão comum e não preparado para ela;

… mostra pessoas reais, sensíveis, que sofrem, choram, sorriem e partilham o pouco que têm;

… apresenta gente boa, humana, mas que o sistema instalado e desumanizado trata indiferentemente;

… coloca lado a lado a frieza e gestos solidários;

… mostra como o significado do termo “ajudar” pode ser ambíguo;

… apresenta uma forma peculiar de lidar com a revolta e com sentimentos de injustiça;

… e é um filme sem saídas e sem esperança…não… é um filme em que a única esperança reside numa pequena e simbólica estante para livros construída com todo o carinho!

Por último, tem a capacidade de nos pôr em confronto com a nossa própria realidade, com o privilégio que é ter saúde, mas igualmente um emprego estável e dinheiro para as necessidades fundamentais, um direito de todos, mas que muitos não têm. A habituação faz-nos facilmente esquecer essas prerrogativas e a senti-las como dados adquiridos. Felizmente que existem realizadores como Ken Loach para lembrar a sua importância,  e para nos ajudar a dar mais valor a tudo o que temos.

I, Daniel Blake,  foi realizado em 2016 e galardoado com a Palma de Ouro do Festival de Cannes.

 

amanhã…

 

O Amanhã…é o futuro.!

Mas Amanhã  (Demain) é também o nome de um filme/documentário que aconselho vivamente, estando esta semana apenas em exibição no Teatro Circo em Braga e no Cinema Monumental em Lisboa.

Seria bom que fosse mais divulgado e longa a sua permanência nos écrans, para além de visualizado e discutido em todas as escolas secundárias e universitárias do país. Seria também muito interessante que fosse visto pelos nossos governantes…

Os seus dois realizadores, Cyril Dion, actor e activista que luta por uma sociedade mais equilibrada e ecológica, e a actriz Mélanie Laurent, percorreram o mundo a fim de encontrar soluções para os maiores problemas de sustentabilidade que enfrentamos, mas sempre numa perspectiva optimista e através de exemplos práticos, entretanto implementados com bons resultados. Aliás, um dos pontos fortes deste documentário, é mostrar como a iniciativa das comunidades locais é importante e pode mudar a vida dos seus intervenientes e das suas regiões.

Ao abarcar várias áreas de actuação, para além de apresentar soluções possíveis, esclarece ainda de uma forma bastante clara e simples a engrenagem dos interesses públicos e privados que nos regem. E como algumas sociedades enfrentam e tentam contornar esses interesses.

Este documentário é uma lição de cidadania, de democracia… e de esperança!

 

 

histórias de bairro (asphalte)

 

Este é o nome de um filme realizado por Samuel Benchetrit, que se encontra em exibição desde a última quinta-feira, dia 4, em apenas quatro salas do país.
É uma película que fala de solidões que se cruzam, que mistura o absurdo e a tristeza, com o humor, a ternura e o riso.
Desenrola-se em França, em cinzentos edifícios de um decadente bairro, cenário que vai sendo “iluminado” com o decorrer do filme, pelos laços que vão nascendo entre as várias personagens.
Pessoalmente, a presença de Isabelle Huppert e de Valeria Bruni Tedeschi no elenco, são sempre uma mais valia no rol dos actores.

É um filme simples, com poucos recursos, mas que gostei bastante. É essa a razão porque o partilho aqui.

 

 

 

a correspondência

 

“É uma história sobre o amor e a perda, muito atual nos dias de hoje. Vinte anos atrás, seria considerado ficção científica e algo irrealista. Mas hoje não. É sobre o amor que não conhece barreiras de qualquer natureza, sobre a força deste sentimento tão grande e misterioso”, escreveu Tornatore.

A correspondência é o último filme do realizador Giuseppe Tornatore, estreado recentemente nos cinemas. Conta com a participação de Jeremy Irons e Olga Kurylenko.

Porque gostei imenso desta bonita história contada com sensibilidade e  magia, deixo aqui a referência.