de olhos fechados

 

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De olhos fechados…
…não há mar
céu
ou areia
a entrar no meu olhar.

Fica a brisa a me tocar…
…e o sol,
a luz do sol
nas pálpebras a vibrar
a entrar sem entrar,
pintando imagens sem forma
intensas como o fogo,
quentes,
fortes e tão presentes,
que as agarro neste divagar.

Aqui,
neste lugar,
é tão fácil sentir a paz
que a brisa suave me traz,
e o poder da luz solar
num profundo,
mágico
e intenso afagar!

 

 

(Dulce Delgado, Outubro 2017)

 

 

 

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lisboa colorida

 

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Não resisto a publicar esta imagem de Lisboa e da beleza que nos oferece por estes dias.

Obtida a partir do Jardim Ducla Soares, no bairro do Restelo, abrange a Avenida que enquadra a belíssima Torre de Belém, guardiã do Tejo e símbolo da nossa ligação a outras civilizações e culturas.
Mas ela revela essencialmente uma Lisboa feminina, luminosa, colorida e feliz com a parceria que fez com os jacarandás. Uma Lisboa que insiste em emocionar o nosso olhar!

 

 

novamente os jacarandás!

 

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Em poucos dias, Lisboa ficou a respirar a cor dos jacarandás! A cidade está a ficar linda e apelando a um olhar mais demorado para as suas ruas e jardins.

O aparecimento desta floração significa que se aproxima a época mais activa da vida da capital. Com a chegada do mês de Junho terá início a habitual Feira do Livro no Parque Eduardo VII, um cenário colorido por estas belíssimas árvores, e teremos igualmente as Festas da Cidade e dos santos populares, que se irão prolongar até ao final desse mês. Diria que a cidade está a ficar bonita e pronta para a festa!

E significa ainda que passou outro ano na nossa vida. Mais uma vez, é a natureza que, de uma forma suave e colorida, nos relembra docemente a passagem do tempo.

A mãe-natureza… sempre a marcar o ritmo!

 

 

a nespereira

 

Tenho o privilégio de trabalhar diariamente numa sala com muita luz natural, luminosidade que entra por uma grande janela de onde se desfruta uma razoável vista sobre Lisboa. Para um lado, o olhar pousa na belíssima ponte 25 de Abril e no seu inseparável companheiro Cristo-Rei e, no lado oposto, sobre as cúpulas de alguns edifícios da Baixa da cidade. Mas permite igualmente um olhar mais humanizado, uma vez que esta janela se enquadra nas traseiras de alguns edifícios de habitação.

Naquela “ilha” vive a intimidade de um pedaço da cidade, por vezes nua, por vezes crua, mas muitas vezes doce e soalheira. Há trinta e seis anos que acompanho o tempo a passar por ali, seja nos apartamentos que se foram renovando, seja nos edifícios que perderam a corrida do tempo a favor da degradação e das ervas daninhas, seja no envelhecimento natural dos seus habitantes ou, ainda, através da renovação de gerações, reveladas ao nosso olhar pelo minúsculo vestuário que de vez em quando aparece nos estendais.

E o tempo passou também por uma árvore de fruto, por uma nespereira, a razão de ser deste post. Vimo-la crescer, mas julgo que com os anos se tornou meio selvagem, uma vez que grande parte da copa está sobre telhados de difícil acesso. Talvez por isso, a maioria dos seus frutos secam e morrem na árvore.

Apesar de aparentemente abandonada, estou certa que é uma nespereira feliz, pois está enorme, apanha muito sol, produz imensos frutos e cumpre com rigor o seu ciclo anual de vida. Quando se inicia a Primavera algumas nêsperas já estão amarelas e maduras, começando a servir de alimento a várias espécies de aves que, em divertidas acrobacias, as saboreiam em vários momentos do dia.

Delicia-me assistir a este processo que se repete ano a ano. Por isso, num dia desta Primavera decidi tirar algumas fotografias através do vidro da referida janela, uma vez que todas as tentativas de a abrir resultaram em voos para parte incerta.

Em pouco tempo vi um periquito-de-colar…

 

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…e toutinegras-de-barrete jovens e adultas, cuja diferenciação reside, respectivamente, na mancha castanha ou preta que possuem na cabeça.

 

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Este adulto era um belíssimo cantor!

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Fotografei ainda um pardal…

 

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….e uma rola!

 

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Em momentos não registados em imagens, vi igualmente melros de bico amarelo, pombos e outros pássaros que não identifiquei. Mas estas fotografias permitem ter uma pequena ideia da actividade que se gera em torno daquela árvore de fruto nesta altura do ano. Estou certa que, para além da cor que empresta a este recanto escondido, esta solitária nespereira é um parceiro importante no ciclo de vida das aves que habitam esta área da cidade.

O futuro levará seguramente à repetição deste ciclo. E se a vida o permitir, serei espectadora e cúmplice por mais alguns anos.

Há rotinas que sabem bem!

 

 

 

as cores do mundo

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A minha paleta
tem todas  as cores do mundo…

 

Se num prado quero correr,
o azul e o amarelo
certamente eu vou escolher.

Se uma montanha sonho subir,
com os castanhos e os ocres
depressa vou conseguir.

Se no mar quero nadar,
agarro o azul e o verde
e com eles vou mergulhar.

Mas se o céu me chamar,
peço apenas ao azul
para com ele voar.

E se uma volta ao planeta
eu decidir realizar,
agarro a minha paleta
viajo por todas as cores,
e o mundo vou encontrar!

 

 (Dulce Delgado, Outubro 2016)

 

 

pelas cores de águeda

 

Em 2006 a criatividade passou por Águeda pela primeira vez, tal como os baldes de tinta coloridos. Inspirou-se a cidade e os artistas que aderiram ao projecto para a animar de pormenores que são uma delícia.

Tendo o chapéu-de-chuva como mote e certamente o símbolo mais conhecido deste evento, ele é rei em algumas ruas mas também espreita em muitos recantos ou mesmo em edifícios públicos ou casas particulares.

Se a cor e a imaginação invadiram os equipamentos urbanos, também a arte urbana associada aos murais está presente em muitos locais, sejam eles mais expostos ou mais recônditos. Criatividade não falta por ali, basta procurá-la percorrendo aleatoriamente as ruas ou seguindo um folheto-roteiro publicado, esta sem dúvida a melhor forma de nada perder.

Apesar de saber da existência deste evento denominado AgitÁgueda há alguns anos, neste aliaram-se informações mais concretas com a passagem pela região, o que proporcionou um momento muito agradável.

Os concertos e performances terminam hoje, dia 24 de Julho, mas as instalações coloridas permanecerão na cidade até ao final de Setembro. Muitas já são permanentes.

Vale a pena a deslocação. Para melhor a planearem, Águeda é uma cidade que fica na região centro do país, a 25 quilómetros a este de Aveiro.

 

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buganvília

 

Se o título do blog está explicado, porquê a presença de um ramo de buganvília junto a ele?

Em primeiro lugar, porque gosto muito de plantas e de flores (enraizadas, e não cortadas ou dentro de jarras!), mas especialmente porque tenho uma ternura particular por buganvílias.

Gosto das suas cores, dos cachos floridos que formam e da personalidade dos troncos que as sustentam. Enche-me o olhar ver um alpendre com buganvílias e admiro a sua capacidade em manter a floração quase todo o ano em climas temperados e soalheiros como o nosso.

Para além desse aspecto afectivo, todos temos sonhos, mais ou menos concretos ou (ir)realizáveis. Mais do que um sonho, eu tenho dentro de mim a imagem de uma casinha branca, térrea, com uma buganvília cheia de flores junto à porta. A casa tem um pequeno terreno à volta e nele está um limoeiro. Se olhar melhor, vejo ainda uma laranjeira (e com sorte uma figueira!), um canteiro com salsa e coentros, assim como algumas alfaces e dois ou três tomateiros. O resto é um prado cheio de flores silvestres! Mas o que está mais focado nesta imagem é a buganvília, em grande contraste com o branco da parede.

Não perco tempo a pensar nas voltas que a minha vida teria que dar para esta imagem ser realizável. Diria mesmo que é uma remota possibilidade …..mas não uma impossibilidade, pois não gosto de dizer nunca.

Porém, uma coisa é certa: a imagem da buganvília, daquela buganvília contrastando com uma parede branca estão e estarão sempre comigo enquanto eu viver.

Daí a sua presença no início deste blog!