junho…

 

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Para quem vive no hemisfério norte, o mês de Junho é, claramente, o tempo que faz a transição para o Verão e para o principal período de férias do ano.

Há medida que o mês avança e a temperatura atmosférica vai subindo, vamos sentindo na pele e no corpo uma vontade de movimento e de exterior, numa espécie de antecipação ao que está para vir. Diria que é o mês em que as férias saem do “mapa de férias” afixado no placard dos locais de trabalho e deixam de ser apenas uma ideia, uma perspectiva ou um desejo, passando a algo mais físico e emocional.

Se por um lado o corpo fica mais irrequieto, também começa a ser muito mais fácil a nossa mente sair por aí e iniciar um imenso voo em tons de céu, de verde ou de mar e, num ápice sem tempo nem conta-quilómetros, nos levar àquele lugar que está planeado na agenda, escrito no bilhete de avião real ou electrónico, ou apenas guardado como projecto ou desejo.

Depois… tão naturalmente como partiu, a mente volta à casa-mãe e, com um sorriso invisível leva-nos a pegar novamente na caneta, no teclado do computador ou em qualquer objecto/tarefa que faça parte do nossa actividade diária e pede que continuemos… e nós vamos continuar, certos que o processo se vai repetir… até chegar o primeiro dia de férias!

Digamos que o mês que o antecede, Maio, ainda nos permite estar na quietude do tempo, do espaço e das rotinas que nos envolvem com uma certa tranquilidade. Mas Junho, o irrequieto mês de Junho, é sinónimo de uma agradável inquietude, de um fervilhar e do desejo de outro respirar. E muitas vezes, vontade de outro lugar!

Indiscutivelmente…Junho está comigo!

 

 

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Agora que o frio chegou, o corpo agradece o aconchego, sendo muito agradável sentir os pés quentes e confortáveis.

Os pés são uma fantástica e complexa estrutura a que normalmente não damos muita atenção. Eles são pacientes e muito perseverantes, aguentando os milhões e milhões de passadas de uma vida, suportando o nosso peso e as cargas que transportamos e, muitas vezes, sendo ainda violentados em nome da moda.

Tão importante como isso, é o facto de serem o nosso ponto de contacto com a terra e com as suas energias o que, só por si, é uma razão mais do que suficiente para merecerem uma atenção muito especial.

Assim, é bom de vez em quando olharmos para eles de uma forma diferente, dar-lhes o devido valor, mimá-los e tratá-los melhor do que o habitual, proporcionando-lhes conscientemente uns momentos de conforto e de relaxamento. Em suma, mantê-los saudáveis e sentirmo-nos gratos por isso!

O desenho… é apenas uma forma pessoal de mostrar essa gratidão!

 

 

ioga II

 

Uma aula de ioga é, em primeiro lugar, uma viagem orientada e atenta pelo corpo.

Nessa viagem somos levados a focar-nos em cada uma das suas partes, sentindo-as com uma atenção que não damos no dia-a-dia. A dinâmica da vida não permite que cada movimento seja realizado conscientemente e percebendo o estado das estruturas envolvidas, a não ser quando surge alguma dor. Aí, a tendência geral é a queixa e a irritação com essa parte do corpo que, seguramente, apenas nos está a chamar a atenção e a dizer para termos alguma paciência.

De um extremo ao outro, essa viagem é lenta e visualizada pelo “olhar interior” que todos possuímos. Mesmo que pouco se saiba de anatomia e da forma exacta como determinada articulação funciona, esse olhar “sente e ouve” essas importantes estruturas e tenta perceber como estão, se existem ruídos, atritos ou se o movimento é doloroso. Este “ouvir o corpo” é fundamental para lhe darmos a resposta adequada e percebermos quais são os seus limites.

Na maioria dos exercícios praticados, a nossa respiração é a música, acompanhando a inspiração as contracções e a expiração o movimento oposto e que leva ao relaxamento muscular. As respirações deverão ser profundas, ligeiramente sonoras e realizadas pelo nariz, o verdadeiro órgão externo adequado a essa função. Esse afluxo de ar e de oxigénio aos pulmões é um importante meio de limpeza e contribui para o bom funcionamento dos canais energéticos que possuímos. Como a professora de ioga nos diz, “o corpo é um templo” e a respiração a “alma do ioga”.

Para além da mobilidade articular e de um fortalecimento geral de todos os grupos musculares a partir de posturas variadas e executadas segundo as capacidades e limites de cada um, a aula contempla ainda uma série de exercícios para determinados fins: favorecer o equilíbrio, aumentar o ritmo cardíaco, auxiliar o afluxo de sangue ao cérebro e energizar pelo movimento e respiração certas zonas do nosso corpo, órgãos ou sentidos, fundamentais ao nosso bem-estar. Inclui igualmente respirações mais ou menos dinâmicas para fins específicos.

Neste processo trabalham todas as estruturas do corpo, mas também a mente e a concentração, quer na percepção dos exercícios quer na capacidade de auto-corrigir as posturas, o que acontece frequentemente. Obviamente que as distracções são reais e acontecem a todos. Mas o facto de percebermos que estamos distraídos é bom, pois significa que não estamos assim tão fora dali. E aí, é só dar o salto e voltar!

Terminada a viagem pelo corpo e “limpos” os canais energéticos, é tempo de o deixar descansar, o que acontece através do tão desejado relaxamento. Nesse período a mente também descansa, apesar de estar atenta a outro tipo de estímulos como é o caso da música ambiente, no geral calma e sempre bem seleccionada. Por vezes, esses sons são acompanhados por pequenos textos ou frases calmamente lidas pela professora, a fim de nos fazer pensar sobre nós próprios, sobre a nossa relação com os outros ou, ainda, sobre a magnitude da vida e do universo.

A aula finaliza com uma saudação conjunta pela unidade e pela paz universal, sendo ainda com essa energia bem presente que saímos da sala, ou que a professora partilha connosco formas alternativas de lidar com o corpo, alimentação, etc.

Lá fora, espera-nos o mundo. Mas sobre isso falarei num outro post.