uma concha…

…cresceu…guardou vida…viajou ao sabor das correntes…e foi casa de minúsculos seres que sobre ela viveram e morreram. Haverá imensas conchas semelhantes mas esta despertou a minha curiosidade e levou-me a um olhar mais atento sobre a sua estrutura e superfície, sobretudo por ter sido palco de vida de outros seres.

Tentei entender um pouco mais sobre estas imagens junto de uma amiga bióloga, o que me permitiu saber que as estruturas fossilizadas no exterior são essencialmente da família das poliquetas (vermes tubículas/que viveram nos pequenos tubos) e de crustáceos cirrípedes, vulgarmente chamados de cracas (estruturas ovais).

A maior dimensão desta concha é de 4 cm, sendo portanto diminutas as estruturas que estão sobre ela, Na realidade passam quase despercebidas num primeiro olhar.

Perante estas imagens, questiono-me:


Há quanto tempo terá havido vida no interior e no exterior desta concha?

Quantos mares e areias terá ela percorrido e conhecido até ser recolhida numa praia do Algarve?

E ainda…

Quão atentos estamos nós aos imensos e gratuitos detalhes que nos cercam e que pacientemente esperam o nosso olhar?

(Obrigada Lilia! 🌼)

texturas e detalhes

 

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Nos primeiros dias de Setembro voltamos à Costa Vicentina para usufruir de umas curtas férias. Esta região de Portugal é um lugar de tranquilidade e de imensos olhares, seja o mais amplo que facilmente se envolve nas neblinas locais ou aquele mais minucioso que encontra magníficos detalhes/texturas resultantes da acção do tempo e dos elementos naturais sobre este solo que pisamos.

Restringimos os dias disponíveis a quatro praias, sendo as imagens aqui publicadas captadas unicamente nas Praias de Odeceixe, Vale dos Homens, Carreagem e Amoreira, um troço de pouco mais de 10 Km da costa oeste do Algarve e uma pequena parte dos 130/140 Km do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina.

A maré vazia em praias que perderam alguma areia nos últimos anos facilitou o acesso a zonas rochosas de grande personalidade. Geologicamente é uma área muito rica, mas a minha ignorância e a complexidade dessa matéria não me permitem complementar este post com dados mais científicos como gostaria. Será por isso uma apreciação puramente visual, emocional e centrada nas texturas encontradas.

 

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Em toda esta área os veios de quartzo “decoram” as rochas de forma diferenciada e quase incompreensível para a nossa mente limitada no tempo. São milhões de anos de história desenhada que está ali perante o nosso olhar em resultado das movimentações dos solos e dos seus sedimentos, de infiltrações, de compactações e, especialmente, de muita, muita erosão.

 

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A interacção da água do mar com a areia, algo que sempre me fascina, cria verdadeiras obras de arte ao ar livre.

 

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A par desta natureza-artista instalou-se a natureza-vida sob muitas e diferentes formas. Mexilhões, lapas/cracas, ouriços e caracóis do mar, caranguejos, camarões, anémonas, algas, musgos, peixes, etc. assumem um papel importante no equilíbrio do ecossistema e deliciam qualquer olhar, mesmo o mais distraído.

 

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Mas a natureza é mestra nas mensagens que silenciosamente nos revela, mensagens que quer eu quer a minha imaginação apreciamos deveras descobrir.

Seguindo esse pensar, diria que a fotografia que se segue (e última deste post) encerra uma dessas mensagens. De uma forma muito simples a natureza diz-nos que o equilíbrio é possível através da diversidade e que em paz se pode viver lado a lado com a diferença, seja ela a que nível for.

Algo que muitos de nós no geral e alguns em particular, sobretudo alguns “leaders” deste mundo,  ainda não entenderam verdadeiramente.

 

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Termino, assegurando que este é realmente um belo recanto de Portugal, especialmente para os apreciadores de tranquilidade, de texturas e de detalhes!