experimentações #6

 

#6 - dez 77 mais leve

 

Num tempo de imensas descobertas, a natureza no geral e a Serra de Sintra em particular tiveram um grande impacto no meu percurso de vida,  assim como a integração/socialização num grupo de pessoas com objectivos e filosofia comuns.

Foi um tempo de exploração e expansão, de grande envolvimento, de muitas emoções e partilha, mas também de tentar perceber o meu lugar neste mundo.

A lápis/grafite fui desenhando essas experiências e esse entendimento/crescimento. Hoje, quando olho para alguns desses desenhos… sorrio…e sinto uma enorme ternura!

 

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(Dulce Delgado, lápis sobre papel, Dezembro 1977)

 

 

 

diversidade

 

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Os fetos (samambaias) são plantas ancestrais, leves, aéreas e um tanto intemporais. Aprecio a elegância, o movimento e os detalhe das suas folhas, assim como a forma como estas desabrocham e exteriorizam a sua essência. 

São milhares as espécies de fetos que existem. Coabito com quatro diferentes, mas há uma que atrai amiúde o meu olhar pela forma como se processa o seu desenvolvimento e crescimento.

Neste feto (a que chamo de “frisado” mas desconheço o nome cientifico), são poucas as folhas que mantêm a estrutura inicial, pois a maioria mais cedo ou mais tarde inicia um processo de transformação muito curioso, replicando em cada folíolo a forma da folha mãe.

Mais do que as minhas palavras, deixo as imagens desses detalhes que mostram sequencialmente essa transformação. Este evoluir permite-nos sentir de uma forma muito bela a força do tesouro genético que todos nós, seres vivos, silenciosamente transportamos e que se manifesta na diversidade e na beleza que somos.

 

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2ab

 

3a

 

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5a

 

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Reforço o facto de algumas folhas adultas não manifestarem esta modificação. Esta coabitação da diferença em perfeita harmonia é um detalhe genético maravilhoso e uma lição de democracia para qualquer olhar.

Pelo menos para o meu.

 

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