arquivos rtp

 

 

As novas gerações não conhecerão este genérico que iniciava diariamente as emissões da Radio Televisão Portuguesa (RTP). Mas estou certa que a maioria dos meus leitores portugueses ainda se lembrarão desta animação.

A sua presença neste post resulta do facto de hoje, dia 7 de Março, fazer precisamente 61 anos que a televisão iniciou em Portugal as suas emissões regulares e, simultaneamente, um projecto de expansão logístico, técnico e de divulgação da sua actividade. A entidade/empresa detentora da Televisão pública integra igualmente a Rádio pública, cujas emissões oficiais foram iniciadas cerca de trinta anos antes.

Possuindo um vasto espólio e muita história, a RTP  disponibilizou recentemente online os seus arquivos, proporcionando a todos uma nostálgica viagem pelo tempo.

Organizado por Conteúdos, Colecções e Programas, encontramos neste arquivo uma parte do que foi emitido nestas seis décadas de televisão pública em Portugal. A ideia é apostar no seu crescimento.

Deixo alguns exemplos do vasto acervo disponível:

  • A nível da Informação a escolha é enorme. Destaco apenas a curiosa série “50 anos, 50 notícias” sobre acontecimentos ocorridos em Portugal e no estrangeiro desde a primeira emissão de televisão;
  • No Documentário, refiro a título de exemplo pela sua qualidade, a série sobre os Açores intitulada Ilhas da Bruma, que foi emitida nos anos noventa e que tão bem recordo;
  • Na ficção, encontram-se por exemplo todos os episódios da Vila Faia, a primeira telenovela portuguesa e um marco na história da televisão;
  • No humor, o arquivo disponibiliza mais de três centenas de episódios da série Contra-informação cujos bonecos diariamente nos faziam rir;
  • E encontramos ainda a ficção, o desporto, a história ou a política, entre muitas outras temáticas!

Cada uma oferece um leque enorme de possibilidades, seja em filmes, fotografias ou textos. A pesquisa, também disponível, permite encontrar algo mais especifico que se pretenda.

Vale a pena explorar as potencialidades deste magnífico arquivo, não apenas pelo seu valor histórico, mas por representar um pouco da vida de todos nós e das nossas memórias. Por isso deve ser saudado, apreciado e explorado com carinho!

 

 

Vídeo retirado de: YouTube – Victor Luiz Channel – Vinheta de abertura da RTP1, exibido em 7 de Março de 1957.
© 1957 – RÁDIO E TELEVISÃO DE PORTUGAL (RTP1). (Colaborou Mistério Juvenil)

 

 

olhares lugares

 

 

Agnès Varda é cineasta, fotógrafa e brevemente fará 90 anos; JR é o street artist Jean Réné, igualmente fotógrafo e agora com 34 anos.

Quando se conheceram em 2015, a cumplicidade foi notória e crescente apesar do meio século que os separa. Por esse facto surgiu a ideia de iniciar um projecto em comum, tendo como ponto de partida a sensibilidade e o gosto pela fotografia que ambos partilham.

Iniciaram então uma viagem pelas estradas secundárias de França, de onde resultou um documentário ao estilo roadmovie a que deram o título de Visages Vilages, nome que em Portugal foi traduzido como Olhares Lugares.

Essa viagem foi realizada numa carrinha transformada em máquina fotográfica gigante, uma espécie de laboratório ambulante que “imprime e expele” imagens a preto e branco em formato grande, facto que acabou por gerar muita curiosidade por onde passavam.

As imagens obtidas resultavam do contacto e diálogos estabelecidos com pessoas  encontradas em diversos lugares e situações, assim como da sua forma de estar e sentir, actividades e meios de subsistência. Mas todas as imagens revelavam o olhar artístico de ambos sobre essas personagens reais. Numa fase final, as impressões em papel foram coladas em locais específicos e sempre relacionados com a vivência dos fotografados, seguindo a técnica que caracteriza o trabalho artístico de JR.

O resultado desta viagem é um delicioso documentário sobre o quotidiano, a vida, a alegria de viver e a expressão artística, onde não faltam também interessantes diálogos sobre o passado, a morte, as escolhas ou as diferenças entre gerações. Mas toda a dinâmica se centra no profundo respeito que nasceu entre os dois como seres individuais, e neste papel em que são simultaneamente realizadores, actores, artistas e viajantes.

Com personalidades e traços identitários muito fortes e diferenciados, Agnés Varda e JR oferecem-nos noventa minutos de inteligência, partilha, humor e de imensa ternura.

Acrescento ainda que este filme se encontra nomeado para a próxima edição dos Óscares na categoria de Melhor Documentário.

 

 

amanhã…

 

O Amanhã…é o futuro.!

Mas Amanhã  (Demain) é também o nome de um filme/documentário que aconselho vivamente, estando esta semana apenas em exibição no Teatro Circo em Braga e no Cinema Monumental em Lisboa.

Seria bom que fosse mais divulgado e longa a sua permanência nos écrans, para além de visualizado e discutido em todas as escolas secundárias e universitárias do país. Seria também muito interessante que fosse visto pelos nossos governantes…

Os seus dois realizadores, Cyril Dion, actor e activista que luta por uma sociedade mais equilibrada e ecológica, e a actriz Mélanie Laurent, percorreram o mundo a fim de encontrar soluções para os maiores problemas de sustentabilidade que enfrentamos, mas sempre numa perspectiva optimista e através de exemplos práticos, entretanto implementados com bons resultados. Aliás, um dos pontos fortes deste documentário, é mostrar como a iniciativa das comunidades locais é importante e pode mudar a vida dos seus intervenientes e das suas regiões.

Ao abarcar várias áreas de actuação, para além de apresentar soluções possíveis, esclarece ainda de uma forma bastante clara e simples a engrenagem dos interesses públicos e privados que nos regem. E como algumas sociedades enfrentam e tentam contornar esses interesses.

Este documentário é uma lição de cidadania, de democracia… e de esperança!