escolhas

 

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A vida é uma escolha
livre,
entre caminhos que se bifurcam
pessoas que nos tocam
opções que nos atraem
emoções que se negam
ou razões
que não se encontram.

Conscientes ou inseguros
seguimos por aqui
ou por ali,
acertando
errando
aprendendo
mas sempre tentando
e sempre escolhendo.

Difícil
é viver com a escolha errada,
ter coragem de o dizer
humildade para aceitar,
força para resolver
ou para seguir por outro lado!

 

 

(Dulce Delgado, Agosto 2017)

 

 

 

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palavras

 

palavras

 

Entender os gestos,
as palavras
e o olhar do outro
num sereno exprimir,
poderá ser a verdade
que merecemos
e teremos
que ouvir.

Mas as palavras
verdadeiramente capazes
de apaziguar o nosso sentir,
são as que dizemos a nós próprios
a chorar ou a sorrir,
aceitando sem receio
o que somos
o que sentimos,
e o que o futuro nos oferecer a seguir!

 

 

(Dulce Delgado, Julho 2017)

 

 

 

emoções II

 

O nosso curioso país foi uma revelação nos últimos dias. Ouvi recentemente que o grau de felicidade do nosso povo aumentou com a vitória alcançada no Euro 2016, ou seja, numa final de futebol.

Se um início de exibição sem brilho baixou as expectactivas gerais, a força anímica dos emigrantes que sempre acompanharam a equipa foi aumentando sem reservas, num processo que foi envolvendo todos e, que culminou na final, com o golo de um jovem em que ninguém acreditava. Ou seja, ele acreditou que era capaz de o fazer e arriscou, um seleccionador cheio de fé acreditou em si e nas capacidades de todos os seus jogadores, estes acreditaram neles próprios e na enorme fé demonstrada pelos emigrantes, e o resto de Portugal começou a acreditar em todos esses intervenientes. No fundo, apesar de um fraco início, todos sonharam, acreditaram e conseguiram.

David acertou e os Golias renderam-se. Somos pequenos mas enormes quando queremos!

Quando o povo português se une por uma causa, os resultados aparecem. Temos uma força latente e uma energia que é capaz de abanar o mundo. Começamos no século XV e metade do mundo foi nosso. Conquistamos, lutamos, sofremos e também fizemos muitas asneiras. Resistimos noutras situações. Séculos depois, unimo-mos por exemplo, pela causa de Timor Leste Independente e os resultados apareceram. De tal forma fomos importantes para aquele longínquo povo, que hoje é emocionante ver a forma como ele se une e vibra com as nossas alegrias. No caso desta vitória, quase parecia que tinham sido eles a ganhar o europeu de futebol!

Eu também me emocionei no dia 11 de julho de 2016 com todos as vitórias conseguidas pelos nossos atletas, tanto no atletismo como no futebol e, uma semana depois, com a conquista do europeu de hóquei em patins, desporto que aprecio bastante, quer pela técnica, quer pela elegância. Não sei se o meu índice de felicidade aumentou após estes eventos, mas sem dúvida que aumentou em mim a esperança de ver a capacidade de mobilização, o empenhamento, a alegria e toda a anergia em latência que o povo português demonstrou nos últimos dias, também direcionada para outras causas que possam ajudar este país. Não só animicamente, mas também objectivamente. Gostaria, mas não sei de que forma, assumo, que esta onda de patriotismo e positividade se reflectisse na luta pela melhoria das condições de vida e bem-estar de todos ou na capacidade de nos ajudarmos uns aos outros,

Estou certa que, a acontecer, essa seria realmente a forma mais consistente, verdadeira, profunda e permanente de aumentar o índice de felicidade do povo português. Ele merecia fazer isso para si próprio. Nós todos merecíamos fazer isso por nós próprios!

 

emoções

 

Num período em que as emoções futebolísticas estão acima da média, não posso deixar de fazer um post sobre este assunto.

Percebo muito pouco de futebol e não tenho qualquer tendência clubista. Mas como portuguesa, quando joga a nossa selecção num campeonato europeu ou mundial, tenho uma atitude diferente, olhando um pouco mais para a televisão porque gosto de ver certos pormenores que fazem parte do espectáculo.

Gosto essencialmente de assistir ao período que antecede o jogo para observar as emoções dos intervenientes. Por um lado, é interessante ver o nervosismo e a fragilidade do rosto dos jogadores, em contraste com a expressão de felicidade e o sorriso das crianças que os acompanham, de mão dada, na entrada em campo. Naquele momento, muitas estarão certamente ao lado dos seus ídolos e a viver uns minutos que serão inesquecíveis nas suas vidas. Também as demonstrações de fé e os pequenos rituais de alguns jogadores aquando da entrada no relvado, me fazem pensar no que representarão profundamente para cada um; e por fim, gosto de ouvir e emociono-me com o hino nacional e a forma vibrante como os portugueses presentes nas bancadas expressam essa emoção.

Alguns minutos depois começa o jogo…altura certa para eu voltar aos meandros caseiros, pessoais ou dos meus pensamentos. Regresso à televisão se por acaso surgirem golos de Portugal. Vejo a sua repetição e, naquele momento, fico tão satisfeita como todos os portugueses.

Entretanto o jogo chega ao fim e o país fica feliz ou frustrado. Nas horas seguintes, os canais de televisão ficam entregues aos comentadores, analistas e filósofos desportivos, que irão dissecar aqueles noventa minutos até à exaustão.

No dia seguinte, o país voltará à sua rotina emocional….até se disputar o próximo jogo da selecção. Aí as expectativas vão novamente subir de nível….esperemos que desta vez sem frustração!